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A Escassez Como Arma em Gaza

A Escassez Como Arma em Gaza

Por Lorena Parra e Marcela Caproni

Este artigo é resultado de trabalho coletivo. Todos os autores contribuíram igualmente.

A Subnutrição Severa em Gaza

Em julho deste ano, uma foto divulgada pela Agência Reuters em que mostra uma criança muito magra e frágil nos braços de sua mãe ficou famosa nas redes sociais. É possível notar que eles estão dentro de uma tenda de lona e o bebê, de 1 ano e meio, usa um saco plástico como fralda devido à escassez sanitária. Seu nome é Mohamed al-Matouq e infelizmente ele é só mais uma das 514 mil pessoas que estão passando fome e sede em Gaza, segundo o IPC (sigla em inglês para Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar), uma organização que monitora dados sobre fome e desnutrição pelo mundo, coletados de agências como a ONU. Esse número representa um quarto da população palestina no território e há previsões de que ele possa aumentar para 641 mil até o final de setembro. 

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Bebê faminto e sua mãe em Gaza – Fonte: Ahmed Jihad Ibrahim Al-arini/Anadolu via Getty Images.

Os critérios de avaliação da organização para a identificação de fome em uma região são: que pelo menos 20% das pessoas estejam sofrendo com a escassez extrema de alimentos, 1 em cada 3 crianças esteja gravemente desnutrida e que 2 dentre 10 mil indivíduos morram diariamente em decorrência da fome, desnutrição ou doenças causadas por tais condições. Só na última terça-feira, 02, o Ministério da Saúde de Gaza confirmou a morte de 13 palestinos em decorrência de fome e desnutrição severa, elevando o número total de vítimas fatais a, ao menos, 361 desde o início do conflito. 

Além das consequências físicas, que matam lentamente a população de Gaza, outro tipo de morte pode ser atribuído à fome: os ataques e o caos próximo aos centros de ajuda humanitária e caminhões carregados de comidas que entram pelo estreito de Rafah, no Egito. As Nações Unidas registraram a morte de pelo menos 994 palestinos nas proximidades dos locais de distribuição de alimentos, desde o final de maio, do total de 1.760 mortes de pessoas que tentavam buscar ajuda. Funcionários da ONU em território palestino afirmaram que, diariamente, dos muitos mortos pelo conflito, parte sucumbe enquanto se desloca em busca de ajuda.

No mês passado, o chefe de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, deu uma declaração dizendo que a fome em Gaza era o resultado direto das ações do governo israelense e alertou que, assim, as mortes por inanição poderiam ser consideradas crimes de guerra.

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Medição da desnutrição em criança em Gaza – Fonte: UNRWA/IMAGO.

Imagens como essa acima são cada vez mais frequentes no local, sendo as crianças, idosos e gestantes o maior grupo de risco.

Bloqueio de Israel sobre Ajuda Humanitária 

Desde o início de março, Israel vem aplicando bloqueios sobre a ajuda humanitária que chega à Gaza. O maior bloqueio até agora se estendeu por 11 semanas, até que, no dia 26 de maio, começou a operar a Fundação Humanitária de Gaza (GHF), organização criada pelas forças israelenses com apoio dos Estados Unidos, estabelecendo um novo sistema de distribuição das ajudas coletadas. A nova medida foi encarada com preocupação pela comunidade internacional, já que a organização utiliza-se de empresas de segurança privadas norte-americanas no que militantes pró Palestina acusam de ser um lobby que enriquece os países enquanto mata mais palestinos. Mais de 500 pessoas foram mortas em ataques a tiros perto de centros de distribuição desde o final de maio, quando a Fundação Humanitária de Gaza começou a operar, segundo autoridades médicas em Gaza.

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Pessoas pegando suprimentos na fronteira com o GHS – Fonte: Eyad BABA/AFP.

Mas a estratégia não é nova. Desde 9 de outubro de 2023, quando o governo israelense decretou um “bloqueio total” em resposta aos ataques do Hamas, a entrada de suprimentos básicos, como alimentos, água, medicamentos, eletricidade e combustível, foi drasticamente reduzida. Embora houvesse promessas de flexibilização após pressões internacionais, os números mostram que a restrição continuou a se intensificar, mergulhando a população palestina em uma situação de colapso humanitário.

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Mapa do bloqueio israelense sobre a Faixa de Gaza – Fonte: OCHA/ONU.

Segundo um relatório de março de 2025, apenas 17% da ajuda alimentar necessária estava sendo permitida dentro do enclave, onde vivem mais de 2 milhões de pessoas. Com a escassez, famílias passaram a fazer apenas uma refeição a cada dois dias. O sistema de saúde entrou em colapso: a quantidade de leitos hospitalares caiu de 3.500 para cerca de 1.500, enquanto insulina, sangue e equipamentos médicos foram sistematicamente bloqueados sob alegações de “possível uso duplo”, argumento frequentemente usado por Israel para restringir a entrada de insumos civis que poderiam ser reaproveitados para fins militares.

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Crianças palestinas imploram por comida em área de ajuda humanitária próxima a Khan Younis, na Faixa de Gaza – Fonte: AFP.

Organizações como a Cruz Vermelha Internacional e Médicos Sem Fronteiras vêm alertando para o colapso iminente da resposta humanitária, agravado por ataques diretos a instalações médicas e à destruição deliberada de infraestrutura civil. Em Gaza, cozinhas comunitárias que antes alimentavam milhares estão à beira de fechar. Produtos de higiene praticamente desapareceram, apenas 15% dos insumos básicos de setembro de 2023 estavam disponíveis até agosto de 2025, deixando cerca de 1 milhão de mulheres sem acesso a itens essenciais.

A crise se torna ainda mais alarmante diante da constatação de que os recursos existem, mas estão sendo impedidos de chegar. Reportagem publicada pela revista Vox destaca que, diferentemente de outras crises alimentares, como no Sudão ou no Iêmen, o bloqueio de Gaza não se deve à escassez global, mas à recusa deliberada de entrada por parte de Israel.

Em junho, a embarcação nomeada Flotilha da Liberdade que reunia um grupo de ativistas de diversos países, incluindo a sueca Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila, foi interceptada ainda em águas internacionais enquanto tentava quebrar o cerco naval israelense. A flotilha levava alimentos e itens básicos de higiene e saúde para o território de Gaza, mas a missão não pode ser cumprida. Mesmo com a sua tripulação rendida, as forças israelenses levaram todos os ativistas presos. O brasileiro Thiago Ávila, na ocasião, chegou a ficar dois dias em uma cela solitária.

Mesmo após a volta da circulação de suprimentos após o último bloqueio em junho, a situação só se agrava. O contingente de ajuda com entrada liberada por Israel é absolutamente insuficiente e, sem previsão de um novo cessar-fogo, a perspectiva é de que novos bloqueios possam surgir até o final do ano.

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Suprimentos estragando em ponto de passagem bloqueado por Israel – Fonte: Amir Cohen/REUTERS.

A Escassez como Estratégia de Guerra Contra Civis

Não é de hoje que fome e crise sanitária são usadas como arma de guerra e moeda de troca. Historicamente, o cerco de cidades e fortalezas representou um dos mecanismos mais eficazes de impor escassez: ao isolar populações, cortar suprimentos e esperar pela exaustão, exércitos podiam alcançar vitórias sem grandes combates. Essa prática remonta às civilizações antigas, como o Império Romano, que dominava rotas de abastecimento para subjugar territórios rebeldes. Em essência, a escassez deliberada visa não apenas a vitória militar, mas também o enfraquecimento moral do inimigo, configurando uma forma de violência estrutural que atinge civis e soldados indistintamente.

Na contemporaneidade, a escassez não se limita ao campo militar tradicional, ela se articula em estratégias econômicas, políticas e tecnológicas. Bloqueios, embargos e sanções representam versões modernas dessa prática, muitas vezes justificadas por narrativas diplomáticas, mas que produzem impactos humanitários profundos. Assim, a escassez se torna um mecanismo de guerra híbrida, que combina pressão militar, econômica e psicológica.

Um dos episódios mais emblemáticos da escassez como arma foi o Cerco de Leningrado (1941-1944), durante a Segunda Guerra Mundial. A cidade soviética foi cercada por tropas alemãs e finlandesas por quase 900 dias, resultando na morte de mais de um milhão de civis, em grande parte devido à fome e ao frio. O episódio demonstra como a privação de recursos básicos pode ser empregada como estratégia de genocídio cultural e físico, tornando o cerco um dos símbolos mais trágicos da guerra total.

Outro exemplo significativo é a fome como arma na Guerra Civil da Nigéria (1967-1970). O governo nigeriano bloqueou deliberadamente a região de Biafra, restringindo a entrada de alimentos e medicamentos. A campanha, que buscava sufocar a resistência biafrense, resultou em uma das maiores crises humanitárias do século XX, com estimativas de mais de um milhão de mortes. Este caso ilustra a dimensão política da escassez, que transcende o conflito armado e se torna instrumento de dominação estatal.

O que mais chama atenção no caso de Gaza, portanto, é a infração, abertamente, da Convenção de Genebra que proíbe o uso da fome como estratégia de guerra. Não somente isso, mas o uso dessa prática por um país democrático em um sistema globalizado onde todos observam o que acontece, mas nada é feito de fato.

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Palestinos coletam água em meio à escassez em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza – Fonte: CNN Newsource.

Definições de Genocídio

A Convenção da Prevenção e Punição do Crime de Genocídio da ONU definiu em 1948 que o genocídio se trata de um crime contra a humanidade, caracterizado como atos com a intenção de destruir, inteira ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como por exemplo ao:

  1. Matar membros do grupo;
  2. Causar sérios danos físicos ou mentais a membros do grupo;
  3. Deliberadamente infligir ao grupo condições de vida calculadas para os levar à sua destruição, em parte ou todo;
  4. Impor medidas com a intenção de prevenir nascimentos no grupo;
  5. Forçadamente transferir crianças do grupo vitimado para outro grupo.

É importante ressaltar que as vítimas dos ataques são intencionalmente perseguidas e podem estar limitadas à uma parcela do grupo. No entanto, essa parcela deve ser identificável e substancial em uma área geográfica limitada.

Omar Bartov, israelense especialista em estudos de genocídio e Holocausto e professor na Universidade Brown nos EUA, afirmou em entrevista à BBC que a declaração do CIJ (Corte Internacional de Justiça) de que Israel comete um genocídio é completamente válida: “[…] O que aconteceu foi uma tentativa coordenada de tornar Gaza inabitável para essa parte da população palestina que vive lá, de destruí-la como um grupo e tudo o que permite que essa população, se sobreviver, se reconstrua como grupo, porque tudo relacionado à sua cultura, educação, saúde e religião foi sistematicamente destruído”.

Também coloca seu assombro para com a proporção da destruição causada pelas tropas israelenses: “Não estão travando uma guerra, mas uma campanha de destruição […] direcionada, intencional e deliberada de escolas, hospitais, mesquitas, edifícios públicos e universidades em grande escala”. 

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Foto de satélite na região de Beit Hanoun, na Faixa de Gaza, antes e depois da guerra Israel-Hamas – Fonte: Maxar Technologies/AFP.

Nesse cenário, a escassez de todos os recursos necessários para a vida de um povo é uma arma intencionalmente genocida, pois visa extinguir lentamente as chances daquele grupo não somente de sobreviver, mas também de lutar contra os ataques e o domínio do agressor. A política empregada pelo governo israelense transforma Gaza em uma região tão inóspita que, ou obriga os palestinos a abandonar suas terras, ou os faz viver em meio a morte, fome e destruição. É uma política de exaustão completa, até que não sobre mais nenhum traço palestino na Cisjordânia.

Do Ódio à Limpeza Étnica em Gaza

Recentemente, o jornal israelense Canal 12 de Notícias divulgou o vazamento de um áudio do ex-chefe do exército de Israel, o general Aharon Haliva, em que ele fala: “Por tudo o que aconteceu em 7 de outubro, para cada pessoa morta naquele dia, 50 palestinos devem morrer. Não importa agora se são crianças. O fato de já haver 50 mil mortos em Gaza é necessário para as gerações futuras”. Sobre esse número de mortos, supõe-se que ele tenha feito tal declaração em março de 2025, porém em setembro são estimadas mais de 60 mil mortes em Gaza.

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Crianças feridas após ataque – Fonte: Yousef Masoud/The New York Times.

Ele também afirmou: “Não há escolha. De vez em quando, eles precisam de uma Nakba para sentir o preço”, fazendo referência à chamada catástrofe árabe na qual, em 1948, 700 mil palestinos foram expulsos de suas terras devido ao assentamento judeu e o estabelecimento do Estado de Israel.

Para ententer mais sobre a Nakba, acesse 77 anos do Nakba aqui no site do LAI.

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Retirantes palestinos em 1948 – Fonte: Eldan David/Pressebüro der Regierung.

As declarações do líder militar são exemplos do posicionamento do governo de Israel, um Estado que busca justificar uma limpeza étnica motivada pelo racismo e xenofobia. Outras declarações feitas pelo Primeiro Ministro, Benjamin Netanyahu, também reafirmam essa tentativa de legitimar a violência brutal empregada nos ataques que, mesmo direcionados a comandantes do Hamas, acabam por ferir e matar milhares de civis, através da instrumentalização do Holocausto e do antissemitismo como barganha pela não intervenção, como por exemplo: “As calúnias ultrajantes que pintam Israel como racista e genocida têm como objetivo deslegitimar Israel, demonizar o Estado judeu e demonizar os judeus em todos os lugares”, fala do premiê em congresso nos Estados Unidos em 2024.

Além das expressões de ódio e ações efetivas de extermínio, há ainda a tentativa de desmentir denúncias de genocídio feitas por instiruições como Anistia Internacional, Escritório de Direitos Humanos da ONU e outros milhares de estudiosos do assunto. O governo Netanyahu e seus apoiadores acham “inaceitável e vergonhosa” a acusação de genocídio e alegam que as perdas fazem parte da guerra e que também sacrificaram seu próprio povo.

Sobre a questão da escassez como arma, Netanyahu nega as alegações de fome em Gaza: “O relatório do IPC é uma mentira absoluta. Israel não tem uma política de fome. Israel tem uma política de prevenção da fome. Desde o início da guerra, Israel permitiu que 2 milhões de toneladas de ajuda entrassem na Faixa de Gaza, mais de uma tonelada de ajuda por pessoa”, em comunicado à imprensa. Em outra ocasião ele culpou o Hamas pela situação, acusando o grupo de roubo de carros com insumos: “As únicas pessoas que hoje em dia estão deliberadamente famintas em Gaza são nossos reféns, famintos por culpa dos monstros do Hamas”.

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Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu em discurso – Fonte: Ronen Zvulun/AFP.

O fato é que a cada dia adicionado à essa guerra, mais e mais palestinos morrem de fome ou por falta de medicamento, falta de água, falta de tudo.

Como um Povo Fraco Pode Lutar pela sua Sobrevivência e Autodeterminação?

A escassez de recursos vitais em Gaza é gritante e as pessoas sobrevivem em condições desumanas. O racionamento sem fim leva ao consumo de água imprópria sem saneamento, busca por alimentos em lixo, assentamentos em meio aos detritos dos bombardeios, e, consequentemente, à contaminações e doenças, sobre um povo que há muito tempo está débil e faminto. 

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Casa de família em meio aos escombros na cidade de Beit Lahia – Fontes: Nour Alsaqqa/MSF.

Em entrevista à revista Reuters, o palestino Bilal Thari, relata sua vivência na guerra na Faixa de Gaza: “Não queremos guerra, queremos paz, queremos que esse sofrimento acabe. Estamos nas ruas, todos nós estamos com fome, todos nós estamos em más condições, as mulheres estão nas ruas, não temos nada disponível para viver uma vida normal como todos os seres humanos, não há vida”. 

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Crianças palestinas protestam em Ramallah pela sobrevivência de seu povo – Fonte: AFP.

Muitos foram mortos enquanto esperavam por alimento nas zonas de fronteira e entrega de caminhões da ONU. As pessoas lutam entre si por “migalhas”, dado que os preços dos alimentos são exorbitantes e as doações, insuficientes. Raed al-Athamna, palestino, falou à Deutsche Welle: “Não se consegue encontrar um pedaço de pão, é uma situação muito difícil. Estou aqui com meus netos, eles estão chorando, dizendo: ‘Queremos um pedaço de pão’. E se você não pode dar nada a eles, eles não entendem. Isso parte o coração”.

Como a Comunidade Internacional Deve Agir?

Desde o início do conflito, em outubro de 2023, chefes de Estado e organizações que atuam no front de outros conflitos mundiais olham com cautela para as ofensivas de Israel. Poucas semanas depois do ataque do Hamas, em 7 de outubro, Bolívia e Belize cortaram relações diplomáticas com Israel. Antes do final do ano, foi a vez de países como Colômbia, Honduras, Chile, Chade e Turquia de recolherem seus embaixadores em Tel Aviv. Seguindo a tendência do Sul Global em apoiar a causa palestina, o presidente Lula também recolheu o embaixador brasileiro em Israel, Frederico Meyer, em maio do ano passado. O presidente ainda comparou a ação em Gaza ao Holocausto, sendo considerado “persona non grata” no país desde então. 

Mais recentemente, em maio de 2025, representantes diplomáticos de 20 países se reuniram à pedido da embaixada de Madrid, na Espanha, para a discussão da adoção de sanções contra Israel como medida impositiva no intuito de forçar um cessar-fogo, uma “pressão coordenada”. Dentre os países presentes, estavam França, Reino Unido, Egito, Arábia Saudita, Brasil, entre outros, com exceção dos Estados Unidos, aliado conhecido de Israel.

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Representantes diplomáticos em reunião na embaixada em Madrid – Fonte: Juan Medina/Reuters.

A última convenção realizada com representantes mundiais ocorreu em 27 de agosto e reuniu os países integrantes do Conselho de Segurança da ONU para redigir uma declaração conjunta que afirma a política de fome de Israel e pede ao país a negociação do cessar-fogo imediato com o Hamas. Além disso, pede-se o fim dos bloqueios e o aumento substancial dos suprimentos de ajuda humanitária.

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Embaixador argelino, Amar Bendjama, segura  imagem de criança faminta em Gaza durante sessão do Conselho de Segurança da ONU – Fonte: Angela Weiss/AFP.

Em ambas reuniões, o posicionamento comum é o anseio pelo fim do conflito, liberação de reféns e fortalecimento da ajuda humanitária. No entanto, nenhuma ação concreta foi firmada para obrigar Israel ou o Hamas a declarar cessamento de ataques. Vale ressaltar que no dia 18/08 o grupo Hamas havia aceitado a proposta israelense de interrupção dos ataques via mediação do Egito e Catar. Israel, no entanto, não respondeu e continuou com bombardeios.

Em entrevista ao jornal Brasil de Fato, o Professor Reginaldo Nasser da PUC/SP não vê mudanças significativas na postura política e militar de Israel num futuro próximo. Ele afirma que as ações do Sistema Internacional têm se mostrado irrisórias quanto sua capacidade de resolução, como no exemplo: “Falam duro e agem suavemente. O presidente da França não tomou nenhuma atitude até agora. O reconhecimento da Palestina agora não vai adiantar absolutamente nada. Como é que eu vou reconhecer o Estado da Palestina com um genocídio em marcha?”.

Para ele, e outros especialistas, a linguagem que Israel entende é a econômica e a militar e, portanto, a maior força das nações estaria em pressionar sanções expressivas contra sua economia, e não no envio de comunicados de repúdio ou pedidos pela paz imediata.

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Macron em comunicado sobre sanções a Israel – Fonte: Ludovic MARIN / AFP.


Referências

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/netanyahu-classifica-novo-relatorio-da-fome-em-gaza-como-mentira-absoluta

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/ex-diretor-do-exercito-de-israel-defende-mortes-de-palestinos-em-gaza

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/netanyahu-rebate-acusacoes-de-genocidio-durante-discurso-no-congresso-dos-eua

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cpqe0n4qn3eo

https://www.brasildefato.com.br/2025/08/10/netanyahu-nega-fome-em-gaza-diante-de-dados-e-imagens-do-genocidio

https://www.un.org/en/genocide-prevention/definition

https://www.msf.org.br/noticias/gaza-agua-se-torna-mais-uma-arma-de-guerra/

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/mulheres-e-criancas-vasculham-lixo-em-busca-de-comida-em-gaza-diz-onu

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/mulheres-e-criancas-vasculham-lixo-em-busca-de-comida-em-gaza-diz-onu

https://www.dw.com/pt-br/vivemos-praticamente-sem-comida-palestinos-tentam-sobreviver-%C3%A0-fome-em-gaza/a-73409443

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cj9v9xyenlgo

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2025-08/gaza-sofre-oficialmente-com-fome-diz-monitor-global

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/gaza-registra-novas-mortes-por-fome-e-de-moradores-que-buscavam-ajuda

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/08/27/conselho-de-seguranca-da-onu-diz-que-fome-em-gaza-e-crise-provocada-pelo-homem-eua-vai-contra.ghtml

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/05/representantes-de-brasil-e-outros-19-paises-se-reunem-na-espanha-para-pressionar-israel-sobre-gaza.shtml

https://www.brasildefato.com.br/2025/09/02/israel-mata-mais-13-de-fome-em-gaza-ao-menos-78-palestinos-foram-mortos-nesta-terca

https://www.reuters.com/world/middle-east/what-would-wider-recognition-palestine-mean-palestinians-israel-2025-09-04/?utm_source=chatgpt.com

https://apnews.com/article/belgium-gaza-israel-palestinian-state-4662d73a3f7219c863b7b19eeec06427


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    Aluna de graduação em Relações Internacionais no Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, e Membro Sênior do Núcleo de Comunicação do Laboratório de Análise Internacional Bertha Lutz em (2026/2025).

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Aluna de graduação em Relações Internacionais no Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, e Membro Sênior do Núcleo de Comunicação do Laboratório de Análise Internacional Bertha Lutz em (2026/2025).