Edição #08 Newsletter Globalidades – 80 anos da ONU e Nova Ordem Mundial
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O LAI Bertha Lutz preparou uma newsletter para você se manter informado sobre os principais temas que podem cair em seu vestibular. A cada mês enviaremos um e-mail com as principais notícias do período, um aprofundamento de um macrotema que pode aparecer em questões e temas de redação, e, para finalizar, algumas questões de prova resolvidas para te ajudar a estudar! O tema desta edição será “80 anos da ONU e Nova Ordem Mundial”, muito importante para entender o cenário geopolítico atual.
Notícias de março
Manifestações na Sérvia

Na Sérvia, no dia 3 de março, mais de 100 mil pessoas, de acordo com as contagens do governo, saíram às ruas de Belgrado para protestar contra o governo de Aleksandar Vučić. As manifestações começaram após um grave acidente ferroviário em 1º de março, que deixou 15 mortos e dezenas de feridos. Relatórios preliminares apontam que a tragédia foi resultado de falhas na manutenção e negligência estatal, intensificando a revolta popular. O movimento, liderado por estudantes e grupos oposicionistas, exige investigações independentes, reformas no setor de transportes e maior transparência do governo. Atores independentes afirmam que mais de 275 mil pessoas compareceram ao protesto, o que o classificaria como a maior manifestação popular da história do país. Os estudantes e demais envolvidos exigem que todas as suas demandas sejam atendidas, o que inclui até mesmo a demissão de políticos que englobam o governo de Vučić.
Negociações acerca da Guerra da Ucrânia

Na segunda-feira do dia 10, após intensas negociações em Riad, na Arábia Saudita, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou estar pronto para aceitar uma trégua de 30 dias proposta pelos EUA. A medida busca reduzir a escalada do conflito e abrir caminho para negociações mais amplas. No entanto, no último dia 25, Vladimir Putin declarou que a Rússia só aceitará um cessar-fogo definitivo se houver a retirada das sanções impostas ao setor agrícola russo desde 2022. Os EUA, que apoiaram a Ucrânia desde o início da guerra, têm sido um mediador decisivo nas negociações.
Trumponomics e a Guerra Comercial

Sobre a política econômica de Trump, chamada Trumponomics, no dia 12 de março Donald Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre veículos importados, atingindo a indústria automotiva europeia, principalmente a Alemanha. A medida faz parte de sua política protecionista, que busca fortalecer a indústria americana e reduzir o déficit comercial por meio da elevação dos preços de mercadorias de fora do país para que o consumidor opte pelo produto nacional. No entanto, a decisão gerou críticas da União Europeia e do Japão, que podem retaliar, elevando as tensões e a possibilidade de uma guerra comercial. Já a posição da China e do Brasil foi acusar as medidas de Trump de violarem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Durante o Fórum de Boao, conhecido como o “Davos da Ásia”, a China enfatizou sua aposta no diálogo e na diplomacia em resposta ao protecionismo do presidente dos EUA, Donald Trump. O vice-primeiro-ministro chinês, Ding Xuexiang, destacou a oposição de Pequim ao protecionismo e anunciou políticas macroeconômicas para estabilizar o comércio e fomentar investimentos estrangeiros
Para entender melhor sobre a Trumponomics, acesse o artigo https://laibl.com.br/a-politica-tarifaria-de-trump/
Tentativa de cessar-fogo em Gaza

Em 24 de março, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, visitou Jerusalém e pediu a retomada do cessar-fogo em Gaza, após a intensificação das operações militares de Israel. A trégua, inicialmente mediada por Egito e EUA, foi rompida em 18 de março, quando as Forças de Defesa de Israel lançaram uma nova ofensiva terrestre e aérea, resultando em mais de 700 mortes e na destruição de infraestruturas civis. Kallas defendeu uma resposta proporcional de Israel, a liberação imediata de reféns pelo Hamas e o aumento do auxílio humanitário, ressaltando a necessidade de um compromisso internacional para evitar uma escalada regional. A justificativa do governo israelense para a quebra do cessar-fogo foi, remetendo ao motivo do ataque do dia 7 de outubro de 2023, a recusa do Hamas em libertar reféns e a ameaça de prejudicar soldados e comunidades do país, além da rejeição de propostas de mediação dos Estados Unidos. Considera-se, ainda, fatores da política interna, uma vez que a extrema-direita israelense, cujo objetivo é expulsar todos os palestinos de Gaza para recuperar assentamentos e enxerga o acordo como uma desistência do conflito, representa uma fração essencial do governo, sendo a retomada dos ataques uma maneira de agradar esse grupo e angariar apoio às lideranças estatais. Em contrapartida, os termos do cessar-fogo, os quais Hamas expressou desejo de manter, eram a retirada de Israel de Gaza e comprometimento completo com o fim da guerra, bem como a liberação dos reféns israelenses com vida. O país sinalizou que gostaria que o grupo continuasse libertando os reféns, mas sem se comprometer com o cessar do conflito.
Para mais notícias sobre o conflito em Gaza, acesse Edição #05 da nossa Newsletter: https://laibl.com.br/conflitos-internacionais/
Jair Bolsonaro se torna réu

Já na esfera nacional, no último dia 26 Jair Bolsonaro se tornou o primeiro ex-presidente do Brasil a ser formalmente acusado por atentado a democracia e tornar-se réu. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, aceitou as denúncias contra Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, juntamente com sete de seus aliados –Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin; Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; Augusto Heleno, ex-ministro do GSI; Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro. Eles enfrentam acusações que incluem crimes graves, como incitação à insurreição, o que pode resultar em penas superiores a 30 anos de prisão. O próximo passo é a abertura de uma ação penal, em que a Procuradoria Geral da República e defesas dos réus poderão mostrar provas e depoimentos. Ao final, os ministros julgarão se houve crime e os réus podem pegar penas de prisão. Este julgamento é um marco na história política do Brasil, com repercussões profundas para o futuro político e judicial do país.
Ataques dos EUA no Iêmen

Ao longo do mês, os EUA realizaram uma série de ataques aéreos contra alvos Hutis no Iêmen, deixando mais de 50 mortos. Os fatos motivadores dos ataques estadunidenses contra o grupo podem ser encontrados na ofensiva do grupo contra embarcações dos EUA e de seus aliados no Mar Vermelho e também nos ataques de mísseis lançados pelos militantes contra Israel, ambos com o propósito de retaliar a continuidade da ofensiva israelense em Gaza. No dia 24 de março, porém, o assunto ganhou uma repercussão diferente após a publicação de uma reportagem no jornal The Atlantic, onde foi exposto o planejamento de um dos ataques. Na reportagem, Jeffrey Goldberg, o editor-chefe da publicação, alega ter sido colocado acidentalmente em um grupo do aplicativo Signal, do qual faziam parte diversas autoridades da alta cúpula do governo estadunidense (como o Vice-presidente, o Secretário de Estado e o Ministro da Defesa) e onde diversas informações sigilosas do planejamento de um ataque foram compartilhadas com antecedência. Apesar do caso ter sido minimizado pelo presidente Trump, diversos críticos têm levantado que o vazamento de informações tão sensíveis ocorreu devido a uma grosseira falha de segurança, pois informações com este nível de sigilo não deveriam ser compartilhadas por aplicativos comuns, fato que poderia possibilitar seu vazamento ou interceptação por parte dos alvos da operação.
80 anos da ONU

Criação: Motivações e princípios
A Organização das Nações Unidas (ONU) foi criada em 24 de outubro de 1945, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, com o objetivo principal de promover a paz e a segurança internacionais, além de também fomentar a cooperação entre os países para resolver problemas globais. Sendo assim, a motivação para a criação de um órgão internacional da magnitude da ONU é nítida à medida que, após duas guerras mundiais, os países perceberam a necessidade de um organismo internacional que pudesse evitar novos conflitos e promover a resolução pacífica de disputas.
Contudo, é necessário pontuar que, após a Primeira Guerra Mundial, essa vontade de reconciliação já estava presente no cenário global, tanto que foi criada a Liga das Nações em 1919 justamente com o intuito de prevenir uma nova guerra. Seu fracasso deve-se à falta de participação estadunidense e à ausência de um poder coercitivo, pois a Liga não possuía um exército próprio, de forma que esta dependia da boa vontade dos países membros para aplicar sanções ou intervir em conflitos, tornando-a ineficaz diante de agressões militares. Além disso, o órgão, para funcionar, dependia da unanimidade, o que também o tornava ineficaz e ineficiente, sendo incapaz de responder a crises internacionais. Dessa forma, com o tempo, a falta de ações concretas fez com que diversos países ignorassem suas diretrizes, o que minou a confiança na organização, de modo que em 1946 a Liga foi dissolvida, dando lugar à ONU.
O novo órgão, além de conectar-se a tais aspectos, também possui como seus objetivos a promoção de direitos humanos e o desenvolvimento econômico e social, tendo em vista a destruição humanitária e econômica gerada pelos ambos conflitos de caráter global – importante salientar que a Segunda Guerra Mundial é considerada como o maior genocídio do século XX. Logo, a ONU visava estabelecer compromissos globais para proteger a dignidade e os direitos fundamentais e também criar políticas para impulsionar a recuperação econômica pós guerra e para promover o progresso sustentável, pauta que torna-se muito presente a partir da segunda metade do século XX.
Após compreender suas motivações, os princípios da organização demonstram-se mais intuitivos. Primeiramente, todos os países membros idealmente têm direitos e deveres iguais dentro da organização à medida que o órgão adota a soberania e igualdade dos Estados, e por consequência, a não intervenção nos assuntos internos destes. Além disso, ao valorizar os direitos e dignidade humana, através da sua própria Carta (a Carta das Nações Unidas, a qual a Bertha Lutz, homenageada pelo LAI, participou da sua redação) e da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a ONU também tem como princípio o direito à autodeterminação dos povos e a cooperação para o desenvolvimento.
Portanto, desde sua fundação, esse organismo internacional tem sido fundamental na diplomacia global, na ajuda humanitária e na criação da Nova Ordem Mundial pós Guerras Mundiais. Seu compromisso com a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável continua sendo essencial para a estabilidade mundial.
Atualidade: avanços e desafios
Avanços
Desde sua criação em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou uma cultura de magnitude universal de cooperação e diálogo internacional, tendo desempenhado um papel fundamental na promoção da paz, segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos em nível global.
No que tange à promoção da paz e de segurança, a organização tem atuado como mediadora de conflitos internacionais ao implementar missões de paz e ao facilitar negociações diplomáticas para prevenir e resolver disputas. Desde 1948, a ONU estabeleceu mais de 70 operações de manutenção da paz, mobilizando forças multinacionais para monitorar cessar-fogos, proteger civis e apoiar a transição para governos estáveis. Um exemplo destas missões é a que ocorreu no Haiti. Em relação a negociações de paz, a organização possuiu papéis cruciais no conflito entre Irã e Iraque e na independência de países como Timor-Leste.
Além disso, a ONU, ao ter seus valores e objetivos globais (ODSs), por meio de suas agências especializadas, tem trabalhado para erradicar a pobreza, promover a educação, melhorar a saúde pública e responder a crises humanitárias em todo o mundo. Desse modo, a organização estabeleceu padrões internacionais para os direitos humanos e também um monitoramento para sua implementação, promovendo a igualdade, a justiça e a dignidade para todos, o que é notório na criação da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Desafios
Contudo, desde o início, a ONU enfrenta desafios decorrentes de sua estrutura e da dinâmica de poder internacional, destacando-se três principais problemas: paralisia decisória, ineficiência na resolução de conflitos e, consequentemente, a necessidade de uma reforma estrutural.
A paralisia decisória é resultado do modus operandi do Conselho de Segurança, que conta com cinco membros permanentes (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) — as potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial —, todos detentores do poder de veto. Esse mecanismo tem levado à inação diante de crises globais, especialmente em conflitos como os do Oriente Médio, onde interesses divergentes dessas potências frequentemente impedem a aprovação de resoluções decisivas.
A incapacidade da ONU de intervir efetivamente em questões urgentes tem gerado críticas crescentes, pois a falta de consenso e a ausência de ações concretas comprometem sua credibilidade. Esse problema está diretamente ligado à composição ultrapassada do Conselho de Segurança, que não reflete as dinâmicas geopolíticas do século XXI. Como resultado, há uma insatisfação generalizada entre países emergentes e em desenvolvimento, que reivindicam maior participação. Além disso, nações como Japão e Alemanha — grandes potências econômicas, mas sem assento permanente no Conselho — também questionam essa estrutura anacrônica, originalmente concebida no pós-guerra.
Nova ordem mundial

Pós Guerra Fria: Multipolaridade e Ascensão de blocos
Após o período da Guerra Fria (1947-1991), com a queda da União Soviética e a ascensão do capitalismo como sistema dominante no cenário global, consolidou-se o período conhecido como Nova Ordem Mundial. Conforme a literatura da História das Relações Internacionais, uma Ordem Mundial – ou Ordem Internacional – nada mais é que um conjunto dinâmico de normas, instituições e estruturas de poder que influenciam, restringem e orientam as ações dos atores que compõem e atuam no sistema global em um dado momento histórico.
Marcada principalmente pelos fatores da globalização e em um contexto no qual os países ocidentais mais ricos trabalham diretamente para a imposição e manutenção da sua cultura e perspectiva, a Nova Ordem Mundial foi responsável por alterar diretamente a sistematização das relações internacionais. Os Estados Unidos, em uma iniciativa conjunta com a União Europeia na liderança do processo de transição e desintegração do poder e influência russos, trabalhou ativamente na expansão da OTAN e na ocupação das posições militares que pertenciam ao exército soviético.
A Rússia, por outro lado, seguiu sua reestruturação a partir dos anos 2000, sob o governo de Vladimir Putin, em um esforço estratégico para retomar o poder militar e econômico através da centralização do poder e da formação de alianças. A formação dos BRICS, nessa mesma década, e os laços estreitados com a China desde então foram fundamentais para o funcionamento e ampliação do planejamento russo. A China, portanto, seguiu em um processo de ascensão constante e começou a desempenhar um papel de destaque em discussões internacionais nos ramos científico, tecnológico e econômico. O surgimento de novas potências políticas e econômicas, alinhado ao panorama provocado por um período de transição contribuiu para o desenvolvimento de uma multipolaridade global que ficou cada vez mais evidente ao decorrer das perspectivas observadas nas Assembleias Gerais da ONU.
Sob essa perspectiva, sentindo a urgência de uma maior organização e formação de alianças no cenário das Nações Unidas, surgiu a necessidade de fortalecer e formalizar acordos por meio de grupos de cooperação mútua e, principalmente, de blocos econômicos. Foram criados, então, diversos novos blocos a partir da Nova Ordem Mundial, como o Mercosul (1991), o NAFTA (1994), a APEC (1989) e a UA (2002) que evidenciam o aumento da importância da integração regional e da colaboração de países com interesses e objetivos comuns. Projetos como o BRICS e a ALCA também evidenciam essa necessidade, uma vez que surgiram com o mesmo objetivo de parcerias e incentivos mútuos a fim de buscar uma maior representação e poder no sistema internacional.
Divisão ideológica e Alianças atuais
A hegemonia militar e econômica americana proporcionou o surgimento de uma nova ordem liberal mundial, com regimes democráticos de economia aberta aparecendo onde antes estavam os países do bloco socialista no Leste Europeu. A globalização e o fortalecimento do capitalismo no âmbito internacional levaram ao fortalecimento do ideário liberal, que passou a ser almejado como símbolo de progresso pela população de países que ainda estavam sob regimes autoritários na América Latina, Ásia e África. Isso acarretou no enfraquecimento desses regimes e, em alguns casos, sua queda (como em Taiwan e na África do Sul), enquanto em outros levou a reformas (como na China). Contudo, o surgimento de novas potências mundiais, ou seja, a multipolaridade, e a crise de 2008 levaram à contestação da ordem liberal vigente.
Dessa forma, alguns teóricos defendem que o mundo passou a ser dividido ideologicamente entre o grupo das democracias liberais (como os Estados Unidos e seus aliados europeus) e, de outro, o grupo das autocracias (por exemplo, Rússia, China e Irã). Contudo, essa divisão não abrange todos os países, com muitos assumindo uma posição de diálogo com ambos os grupos, pautados pelo pragmatismo de priorizar interesses econômicos e comerciais acima dos ideológicos, entre eles o Brasil.
Nessa nova ordem mundial, alianças entre países foram formadas por interesses econômicos (como acordos de comércio que geram mais riqueza para os envolvidos), de segurança (defesa contra um inimigo comum) ou pela cooperação contra desafios globais (como as mudanças climáticas). A OTAN é um exemplo de aliança de segurança que surgiu na Guerra Fria e, nesse sentido, com o fim desse conflito, era esperado que esse organismo fosse extinto. Entretanto, ele foi reestruturado e ampliado com a entrada das ex-repúblicas socialistas do Leste Europeu que se convertiam em democracias liberais. Dessa forma, essa aliança ganhou um novo caráter ideológico de se respaldar pela democracia, o qual não possuía na Guerra Fria, quando a OTAN tinha ditaduras, como Portugal e Grécia, entre seus membros.
Além disso, também surgiram alianças mais pragmáticas, voltadas a interesses econômicos mútuos, mesmo que envolvessem países politicamente rivais. Um exemplo disso é o já citado BRICS, que tem a China e a Índia como seus membros fundadores, apesar de suas disputas territoriais históricas.
Por fim, um exemplo de aliança voltada a cooperação global é a COP, uma conferência que acontece anualmente e recebe representantes da maioria dos países para discutir as mudanças climáticas e buscar tratados nos quais os países se comprometem a enfrentar esse problema juntos.
Contudo, recentemente, a ascensão da extrema-direita no mundo tem revertido essa aliança de países em torno de princípios democráticos, com alguns se convertendo em Estados não liberais pautados em uma agenda de políticas ideológicas voltadas ao conservadorismo e ao populismo autoritário, o que os aproxima do grupo das ditaduras. Um exemplo disso é a Hungria, que tem se distanciado de seus aliados europeus para se aproximar da Rússia, ou até mesmo o retorno de Trump ao poder nos Estados Unidos. Esse último caso pode significar o fim da ordem mundial atual e o início de uma nova, a partir do afastamento dos Estados Unidos de seus antigos aliados para se aproximar de países não liberais, como a Rússia de Putin, ou se isolar quase completamente.
Questões de Vestibulares
(UNESP-2016)
O BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – vem negociando cuidadosamente o estabelecimento de mecanismos independentes de financiamento e estabilização, como o Arranjo Contingente de Reservas (Contingent Reserve Arrangement – CRA) e o Novo Banco de Desenvolvimento (New Development Bank – NDB). O primeiro será um fundo de estabilização entre os cinco países; o segundo, um banco para financiamento de projetos de investimento no BRICS e outros países em desenvolvimento. (www.cartamaior.com.br. Adaptado.) O Arranjo Contingente de Reservas e o Novo Banco de Desenvolvimento procuram suprir a escassez de recursos nas economias emergentes. Tais iniciativas constituem uma alternativa
a) às instituições de crédito privadas, encerrando a sujeição econômica dos países emergentes e evitando a assinatura de termos regulatórios coercitivos sobre as práticas de produção.
b) aos bancos centrais dos países do BRICS, reduzindo os problemas econômicos de curto prazo e maximizando o poder de negociação do grupo.
c) às instituições criadas na Conferência de Bretton Woods, definindo novos mecanismos de autodefesa e estimulando o crescimento econômico.
d) ao norte-americano Plano Marshall, elegendo com autonomia o destino da ajuda econômica e os investimentos públicos em áreas estratégicas.
e) à hegemonia do Banco Mundial, deslocando o centro do sistema capitalista e os fluxos de informação para os países em desenvolvimento.
Resolução
a) Incorreta. Apesar da grande importância dos novos mecanismos criados pelos BRICS no sentido de conferir uma maior independência de certos países emergentes, eles não devem encerrar a sujeição econômica desses países em relação aos desenvolvidos e menos ainda em relação às outras organizações já estabelecidas, como o FMI e o Banco Mundial.
b) Incorreta. É de fundamental importância para a soberania política e econômica de um país a presença de um Banco Central, tal instituição auxilia nas decisões fiscais, cambiais além de produzir a moeda nacional, portanto não faria sentido os BRICS criarem mecanismos que se sobreporiam às instituições nacionais ameaçando assim suas soberanias, principalmente levando em consideração a falta de coesão política deste grupo.
c) Correta. Quando o texto introdutório da questão afirma que os BRICS “vem negociando cuidadosamente o estabelecimento de mecanismos independentes de financiamento e estabilização” a expressão “independentes” faz uma clara alusão ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional – instituições surgidas das negociações de Bretton Woods.
d) Incorreta. O Plano Marshall ou Plano de Recuperação Europeia foi realizado nos primeiros anos da Guerra Fria e tinha como objetivo financiar a reconstrução da Europa pós-guerra mediante a injeção de dinheiro nos países europeus que ficaram com dívidas com os EUA.
e) Incorreta. Os mecanismos criados pelos BRICS por serem financeiros pouco influenciarão nos fluxos informacionais, atualmente estes fluxos são controlados predominantemente pelas economias desenvolvidas por possuírem uma intensa estrutura de transmissão de dados.
(UNICAMP-2024)
Nas últimas duas décadas, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul estreitaram relações de cooperação, dando origem ao grupo denominado BRICS. A primeira reunião de Cúpula ocorreu em 2009 – sem a participação da África do Sul, que foi incorporada ao grupo de países em 2011. Ainda que não se constitua oficialmente como bloco econômico, o BRICS vem articulando um conjuntode ações geopolíticas e econômico-financeiras, buscando influir na ordem global. Na 15ª Cúpula de chefes de Estado do BRICS, ocorrida em 2023, na África do Sul, tomou-se a decisão de incorporar seis novos países ao grupo: Argentina, Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Egito e Etiópia. Com essa nova configuração, o BRICS+, a partir de 2024, responderá por aproximadamente 46% da população mundial e quase 36% do PIB global.
Com base em seus conhecimentos e no texto acima,responda às questões a seguir.
a) Em qual momento de crise mundial foi criado o BRICS? Apresente ao menos três característicassemelhantes entre os países que formaram inicialmente o BRICS.
b) Indique a principal ação econômico-financeira do BRICS e a sua finalidade e cite duas aspiraçõespolíticas do grupo no âmbito do sistema internacional.
Resolução
a) O BRICS foi criado no contexto da grave crise financeira iniciada em 2008 no setor imobiliário dos EUA. Houve uma bolha especulativa no preço dos imóveis que aumentou muito o preço desses imóveis; ao estourar essa bolha uma crise generalizada de inadimplência foi instalada e a crise se espalha pela economia e atinge a UE principalmente em países menos industrializados como Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha (PIGS). Com a crise nos EUA e Europa surge o grupo BRICS.Características semelhantes do BRICS:• Importantes países emergentes.• Elevado potencial econômico.• Países em desenvolvimento industrializados.• Grandes populações: disponibilidade de mão de obra.• Grande riqueza mineral.• Grande extensão territorial.• Grande volume de investimentos estrangeiros.
b) A principal ação econômico-financeira do BRICS foi a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) ou o banco do BRICS, em 2014, na sexta cúpula do grupo, realizada no Brasil. A principal finalidade do banco é o fomento de investimentos em infraestrutura nos países do BRICS e em países subdesenvolvidos, para ser um contraponto à grande influência financeira dos EUA estabelecida desde a Segunda Guerra Mundial, com a criação do BIRD e do FMI.Aspirações políticas do grupo:• Defender o multilateralismo no sistema de governança global.• Defender uma ampla reforma no Conselho de Segurança da ONU para adequá-lo à conjuntura internacional atual.• Ampliar a importância política de países emergentes e em desenvolvimento.• Diminuir a influência dos EUA e UE na condução política do mundo atual
(FUVEST-2024)
Em agosto de 2023, ocorreu a Cúpula de Johanesburgo, na África do Sul. Entre os principais assuntos, destacou-se o debate sobre a ampliação dos países integrantes dos BRICS. O quadro a seguir traz informações importantes sobre alguns dos países interessados em ingressar no grupo:

Em agosto de 2023, ocorreu a Cúpula de Johanesburgo, na África do Sul. Entre os principais assuntos, destacou-se o debate sobre a ampliação dos países integrantes dos BRICS. O quadro a seguir traz informações importantes sobre alguns dos países interessados em ingressar no grupo:
A partir dos dados e de seus conhecimentos sobre o tema, responda:
a) Conceitue BRICS.
b) Considerando os dados apresentados, indique duas vantagens econômicas, aos atuais países membros, decorrentes da ampliação dos BRICS.
c) Cite e explique uma mudança geopolítica que a ampliação dos BRICS poderia trazer para a atual ordem mundial.
Resolução
a) BRICS é um acrônimo que se refere a um grupo de cinco grandes países emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Esses países formaram o BRICS como uma aliança estratégica para promover a cooperação econômica e política entre eles. O termo foi originalmente cunhado em 2001 por um economista do Goldman Sachs, Jim O’Neill, para descrever o crescente poder econômico dessas nações e sua influência no cenário global.
b) Podem ser citadas as seguintes vantagens: ampliação dos mercados consumidores dos produtos dos países membros; maior acesso a importantes áreas produtoras de petróleo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Irã; ampliação da influência econômica, com redução de barreiras alfandegárias.
c) Com a ampliação dos BRICS, amplia-se a influência do Bloco na dinâmica geopolítica e geoeconômica mundial, com maior participação no PIB e no comércio global, além de aumentar a atuação do Bloco em áreas de influência histórica dos EUA, como o Oriente Médio.
Referências:
- https://www.un.org
- https://www.britannica.com/topic/League-of-Nations]
- https://www.history.com/topics/world-war-i/treaty-of-versailles-1
- https://www.lemonde.fr/idees/article/2024/09/24/onu-la-panne-tragique-du-multilateralisme_6331170_3232
- https://portal.sbpcnet.org.br/noticias/completando-78-anos-desafio-da-onu-e-representar-a-atual-conjuntura-geopolitica-global
- https://meusimulado.com/politica-de-aliancas-entendendo-sua-origem-evolucao-e-impacto-no-cenario-global/
- https://www.researchgate.net/publication/293009846_A_Democracia_como_Objeto_de_Analise_na_Teoria_das_Relacoes_Internacionais_no_Pos-Guerra_Fria
- https://institutomillenium.org.br/guerra-total-quando-democracias-e-ditaduras-se-enfrentam-parte-i/?utm_source
- https://revistas.pucsp.br/index.php/DIGE/article/view/42353/28124
- https://www.rel.uniceub.br/relacoesinternacionais/article/view/936/802
- https://diplomatique.org.br/a-nova-ordem-internacional-policentrica
- https://www.cartainternacional.abri.org.br/Carta/article/view/1287/919
- https://infoonu.wordpress.com/2012/11/16/atuacao-e-missoes-de-paz/
- https://www.huffingtonpost.es/global/asdasd-1
- https://elpais.com/sociedad/2025-03-07/mas-violencia-desigualdad-y-un-punado-de-avances-30-anos-de-lucha-feminista-en-la-onu
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