Edição #12 Newsletter Globalidades – Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2025
Este artigo é resultado de trabalho coletivo. Todos os autores contribuíram igualmente.
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Notícias do mês de Agosto
Crise Migratória Reacende o Debate sobre Imigração Irregular na Espanha
No domingo, 3 de agosto de 2025, um grupo de dez imigrantes desembarcou de forma inusitada na Praia de Sotillo, em Castell de Ferro, província de Granada, no sul da Espanha. Eles saltaram de uma lancha que se aproximou da praia – que estava lotada de banhistas – e nadaram até a orla. A Guarda Civil foi acionada e iniciou uma perseguição, prendendo nove dos dez indivíduos. De acordo com os relatos, um deles conseguiu escapar. Segundo a polícia, os imigrantes afirmaram ter saído do Marrocos, no norte da África. Os detidos foram encaminhados pela Polícia Nacional para o Centro de Acolhimento Temporário de Migrantes (CATE) no Porto de Motril. A Cruz Vermelha, que administra o local, informou que todos receberam atendimento médico e se encontram em boas condições de saúde.
O incidente, filmado por turistas e moradores, causou comoção e reacendeu o debate sobre a imigração irregular na Espanha. Porém, ao contrário dos países vizinhos, a Espanha vinha flexibillizando a política migratória no país, regularizando milhares de imigrantes. Esta política resultou em um impacto positivo no crescimento econômico da nação e vem ganhando notoriedade do debate público.

A Luta por Direitos na Indonésia
A Indonésia enfrenta uma onda de manifestações em diversas cidades do país. Os protestos começaram no dia 25 de agosto em Jacarta. Inicialmente, os manifestantes saíram às ruas incomodados com a falta de empregos, o alto custo de vida e os novos subsídios de moradia para os deputados, que são 10 vezes maiores do que o salário mínimo de Jacarta, capital do país, que é de 50 milhões de rúpias, pouco mais de 16 mil reais.
Observa-se que o subsídio foi aprovado em um cenário de graves dificuldades econômicas para grande parte da população. Diversos protestos ocorreram ao longo da semana em Jacarta, com manifestantes pedindo soluções para as dificuldades econômicas, a corrupção e os grandes benefícios concedidos aos integrantes do Poder Legislativo.
As manifestações aumentaram na noite de quinta-feira, 28 de agosto, quando um motorista de mototáxi de 21 anos morreu depois de ser atropelado por uma viatura da polícia. O caso provocou comoção entre a população, que saiu irritada às ruas em várias cidades do país. Em Macassar, principal cidade do sul da ilha de Célebes, um protesto saiu do controle. Manifestantes lançaram pedras e coquetéis molotov, arma incendiária improvisada, incendiando um prédio do conselho provincial e vários veículos. O ato deixou 3 mortos.
O presidente da Indonésia, Subianto Prabowo, bem como o chefe de polícia, emitiram desculpas públicas após o incidente, com Prabowo dizendo que estava “chocado e desapontado com as ações excessivas dos policiais”. Apesar disso, até o momento pelo menos 1.240 pessoas foram detidas e 20 estão desaparecidas.

Ataque Israelense à Hospital em Gaza Deixa ao Menos 20 Mortos
No último dia 25 de Agosto, um ataque israelense ao hospital Nasser, o maior da região sul de Gaza, matou ao menos 20 pessoas, incluindo um socorrista e quatro jornalistas. Segundo testemunhas, um primeiro drone explosivo atingiu o telhado do hospital e foi seguido por um ataque aéreo.
Entre as vítimas, estava o repórter de imagem da Agência Reuters, Hussam al-Masri, que operava uma transmissão a partir do hospital e que foi subitamente interrompida após o primeiro ataque. Um porta voz da Reuters disse em em comunicado que “Estamos devastados ao saber da morte do contratado da Reuters, Hussam al-Masri, e dos ferimentos de outro de nossos contratados, Hatem Khaled, nos ataques israelenses ao hospital Nasser, em Gaza, hoje. Estamos buscando mais informações urgentemente e pedimos às autoridades de Gaza e Israel que nos ajudem a obter assistência médica urgente para Hatem”.
Além dele, as autoridades de saúde em Gaza confirmaram a morte de Mariam Abu Dagga, jornalista freelancer, Mohhamed Salama, repórter fotográfico da Al Jazeera, e Moaz Abu Taha, da Rede NBC.Segundo o Sindicato dos Jornalistas Palestinos, desde o acirramento das tensões no conflito em 2023, mais de 240 jornalistas palestinos já foram mortos pelos ataques israelenses.

Alemanha não é Mais um Estado de Bem-estar Social de Acordo com seu Premiê
O chanceler alemão Friedrich Merz provocou debates acalorados ao afirmar que o Estado de bem-estar social, nos moldes atuais, “já não é mais financiável com o que conseguimos produzir economicamente”. Em discurso durante evento da CDU em Osnabrück, realizado em 23 de agosto, defendeu cortes nos benefícios sem elevar impostos sobre empresas de médio porte ao mesmo tempo que o líder resistiu às acusações de estar promovendo “desmonte social”.
A fala de Merz se dá num contexto econômico preocupante: a economia alemã encolheu 0,3% em 2023 e recuou 0,2% em 2024, enquanto os gastos sociais atingiram recorde de €47 bilhões só no último ano e continuam a subir em função do envelhecimento populacional e do aumento do desemprego.
O pronunciamento acentuou o fosso entre Merz e seu parceiro político, o SPD (Partido Social Democrata). Enquanto a CDU descarta aumentos de impostos para pequenas e médias empresas, o SPD sugere aumentar as taxações dos mais ricos como alternativa para financiar o Estado alemão. Ademais, propostas como elevar a idade de aposentadoria para 70 anos, citada recentemente pela ministra da Economia alemã, seguem gerando tensões internas na coalizão.

Guerra da Ucrânia
Contexto Histórico Guerra Rússia x Ucrânia
A Rússia e Ucrânia tem a mesma origem cultural, visto que, entre os século IX e XII, os povos eslavos se organizavam em um único Estado chamado Rússia de Kiev, que englobava, entre outros, os territórios atuais dos dois países. Depois da dissolução desse Estado, o território ucraniano passou por diversas divisões e ocupações, com o leste do país sendo dominado pelo Império Russo e o oeste do país passando pela influência de diversos impérios e países europeus, como a Áustria Hungria, Polônia entre outros. Tal modelo de influência instituiu uma divisão ideológica entre grande parte da população ucraniana, com a população da porção leste tendo forte influência russa, enquanto a população do oeste apresenta maior influência ocidental. Assim, na contemporaneidade, a Ucrânia se encontra em uma posição de divisão entre interesses e influências ocidentais e russas.
Após a Revolução Russa de 1917, a Ucrânia foi incorporada à recém-formada União Soviética, enfrentando episódios traumáticos como o Holodomor, grande fome que causou a morte de milhões de ucranianos e deixou marcas profundas na memória nacional. Com o fim da União Soviética em 1991, a Ucrânia tornou-se um país independente, passando a ser disputada, interna e externamente, por grupos pró-ocidentais e pró-russos. Essa disputa torna-se clara ao observar tentativas de ambos os blocos de reafirmar sua influência e poder no país, como a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 e as discussões sobre a entrada da Ucrânia na OTAN.
Desta forma, a guerra Rússia Ucrânia é catalisada por tensões crescentes de uma disputa ideológica entre dois blocos geopolíticos, que disputam um interesse histórico, cultural, territorial e econômico atrelado a Ucrânia.
Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022
Em 24 de fevereiro de 2022, Vladimir Putin, presidente da Rússia, iniciou uma invasão à Ucrânia, descrita como uma “operação militar especial”, enviando milhares de soldados russos ao território vizinho. Embora existam várias causas para o conflito, o estopim foi a possível entrada da Ucrânia na OTAN, aliança militar ocidental, fato inaceitável para Putin, que enxergava tal possibilidade como uma ameaça à segurança nacional russa. No entanto, enquanto Moscou alega que a integridade russa estaria ameaçada pela aproximação ucraniana com o Ocidente, Kiev afirma que a guerra é apenas uma desculpa para que a Rússia recuperasse a influência e os territórios da antiga União Soviética na região.
No decorrer do conflito, além de a Ucrânia receber apoio militar e humanitário ocidental, países membros da OTAN e da União Europeia impuseram inúmeras sanções à Rússia. Entretanto, a economia russa mostrou-se mais resistente do que o esperado, fazendo com que tais medidas fossem insuficientes para pôr fim ao conflito, que perdura até os dias de hoje. Desde o início da invasão, há três anos, com alguns avanços e retrocessos, as forças russas vêm expandindo a área que controlam na Ucrânia, dominando grande parte do leste e sul ucraniano.
A guerra provocou milhares de mortes civis e militares, além da destruição de cidades inteiras e uma crise de refugiados com milhões de ucranianos sendo deslocados para outros países europeus, criando uma das maiores crises humanitárias na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Nesses anos, a guerra apresentou constantes reviravoltas entre os dois países protagonistas. A posse de Donald Trump em Washington é um fator que contribui para a desestabilização do conflito, já que ele não se mostra disposto a apoiar incondicionalmente a Ucrânia com armas e recursos financeiros, como fazia o governo anterior.
Além dos impactos para a Rússia e Ucrânia, esse conflito tem gerado um aumento nos preços do petroleo e gás, já que os russos são grandes exportadores dessas fontes de energia e estão sendo boicotados por grande parte dos países ocidentais. Enquanto que, na falta do trigo e milho ucranianos, países da África e Oriente Médio tem sofrido uma crise alimentar.
Negociações de Paz em 2025
Em junho de 2025, Rússia e Ucrânia retomaram tentativas de negociação e representantes dos dois países se encontraram em Istambul. A Ucrânia apresentou uma proposta pedindo um cessar-fogo e garantias de segurança de aliados, como os Estados Unidos e membros da União Europeia, para se proteger de um possível novo ataque russo. Do outro lado, a Rússia levou um memorando com suas próprias exigências, que, segundo o presidente ucraniano, seriam “ultimatos”. Entre elas, o reconhecimento dos territórios já anexados pelos russos e o compromisso da Ucrânia de não ingressar na OTAN. As negociações diplomáticas em Istambul aconteciam ao mesmo tempo em que os combates continuavam no leste da Ucrânia, evidenciando que diálogo e pressão no campo de batalha caminham lado a lado. Apesar de não terem chegado a um acordo imediato, as conversas deixaram caminho aberto para futuras negociações.
O Papel do Governo Trump na Mediação
Foi nesse cenário que o governo de Donald Trump passou a assumir um papel mais visível na tensão, tentando se colocar como mediador entre os dois países. Ele adotou uma estratégia de “mediação por prazos”, tentou pressionar os líderes com prazos fixos, uma tática mais simbólica do que uma proposta concreta para resolver o impasse. Nesse sentido, Trump está disposto a fazer a Ucrânia ceder territórios invadidos, diferentemente da administração Biden que apoiava a integridade territorial ucraniana como requisito para um acordo de paz com a Rússia.
Em agosto, Trump sugeriu uma cúpula trilateral envolvendo ele próprio, Putin e Zelensky, mas disse que preferia não participar pessoalmente, comparando o encontro a “azeite e vinagre”. A proposta gerou expectativas, mas não avançou pois a Rússia recusou reuniões diretas com o presidente da Ucrânia, e a Ucrânia considerou a viagem à Moscou uma ameaça para a segurança do presidente. Assim, Putin manteve firme a sua postura, afirmou que preferia negociações, mas que estava disposto a continuar a guerra com o uso da força, se necessário. Enquanto isso, os combates no leste da Ucrânia continuavam intensos.
Fundo de Reconstrução e o Valor Estratégico das Terras Raras
Sem avanços diplomáticos, os EUA passaram a olhar o conflito também pelo lado econômico, em especial pelos recursos minerais ucranianos. Em 30 de abril de 2025, foi assinado um acordo entre EUA e Ucrânia para a criação de um Fundo de Investimentos para Reconstrução, que visa o uso futuro das receitas obtidas com a exploração de minerais. A Ucrânia possui reservas significativas de terras raras, minerais essenciais para tecnologias avançadas, produção de armas, energia renovável e semicondutores. Parte desses depósitos, porém, está localizada em áreas ocupadas pela Rússia, e muitas informações sobre esses recursos são baseadas em levantamentos antigos, o que intensifica a disputa pelo seu controle. Assim, o acordo vai além do aspecto econômico, fortalece a posição internacional da Ucrânia e, ao mesmo tempo, contribui para reduzir a dependência global da China, que atualmente domina a produção dessas matérias-primas, sendo assim um gesto estratégico dentro da disputa geopolítica intensificada pela guerra.

Mandato de Prisão do Putin
Em 17 de março de 2023, a Câmara de Pré-Julgamento II do Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra Vladimir Putin, presidente russo, e Maria Alekseyevna Lvova-Belova, Comissária dos Direitos das Crianças do Escritório da Presidência da Rússia. O TPI considerou que Putin e Lvova-Belova são responsáveis pelos crimes de guerra de deportação ilegal de crianças e de transferência ilegal de crianças de áreas ocupadas da Ucrânia a partir de 24 de fevereiro de 2022 para a Federação Russa.
De acordo com diversas nações ocidentais, os esforços de Lvova-Belova incluem a remoção deliberada de crianças ucranianas pelas forças da Rússia, a adoção forçada delas em famílias russas, a sua reeducação política e mudanças legislativas para acelerar o fornecimento de cidadania da Federação Russa às crianças ucranianas. Por sua vez, a Rússia caracterizou os relatos de realocação forçada como absurdos e alegou se tratar de órfãos.
A Rússia não ratificou o Estatuto de Roma de 1996, portanto, não reconhece e adota a jurisdição do Tribunal Penal Internacional e é improvável que os mandados de prisão sejam cumpridos. Entretanto, os mandados dificultam a participação de Putin em encontros e cúpulas em mais de 120 países signatários do Estatuto de Roma (incluindo o Brasil), sob o risco de ser preso.
Relação da Guerra Russo-Ucraniana com a Venezuela:
Diante do conflito entre Rússia e Ucrânia, a busca por fontes alternativas e mais seguras de energia ganhou importância, já que a Rússia, grande produtora de combustíveis fósseis (como o petróleo e, principalmente, o gás natural), passou por um processo de isolamento internacional e sofreu sanções que prejudicaram a comercialização desses produtos. Nesse contexto, a Venezuela passou a se destacar como um ator crucial na geopolítica da energia, pois chega a produzir cerca de 892 mil barris de petróleo por dia. Sua renovada importância resultou no afrouxamento gradual de sanções impostas ao país desde 2014, iniciadas ainda durante o governo Obama, nos Estados Unidos, sob a justificativa de manter a segurança nacional e desestabilizar o governo venezuelano, acusado de não ser democrático e cometer violações contra os direitos humanos.
Ainda nesse gancho dos EUA, a mudança na importância geopolítica da Venezuela com a chegada da guerra pode ser bem exemplificada ao se analisar as relações entre a Venezuela e este país nos últimos três anos. Em 2022, o governo de Joe Biden aliviou parte das sanções aplicadas à Venezuela – sobretudo no setor de petróleo – o que possibilitou a reativação de laços comerciais. No entanto, após alegações de fraude nas eleições venezuelanas de 2024, os EUA voltaram a impor a maioria das restrições. A chegada de Donald Trump ao poder, neste ano, tende a reduzir ainda mais as relações com a Venezuela, ampliando a pressão sobre o regime chavista.
A relação conflituosa entre EUA e Venezuela ganhou novos contornos após os EUA enviarem, no dia 01/09/2025, uma frota militar com lançadores de mísseis e navios para a Venezuela, sob a pretensão de combater o narcotráfico, mas armada o suficiente para uma invasão ao território. Segundo Maduro, essa é a maior ameaça do século à região, e ele não se curvará a ameaças externas. O governo russo veio em defesa da Venezuela, reforçando uma tendência recente de aproximação entre os dois países – em um passado recente, a Rússia já apoiou a entrada da Venezuela nos BRICS, algo que nem o Brasil fez, e ambos assinaram tratados de colaboração diplomática e econômica, entre outros exemplos.
Questões de vestibulares
(FUVEST-2023)
Em diversos países da Europa o preço do gás aumentou mais de 50%. Energia fóssil considerada abundante e menos prejudicial ao ambiente do que o petróleo ou o carvão, o gás natural continua a ser um recurso essencial no quadro energético europeu e no centro das questões estratégicas entre os países produtores e os países consumidores.
Magazine Carto, Agosto de 2022. Adaptado.

A reportagem refere-se ao período de 2021-2022, em que questões geopolíticas envolvendo a Rússia, maior produtora de gás natural da Europa, resultaram na elevação do preço desse recurso energético. Com base no texto, na interpretação do mapa e em seus conhecimentos, responda:
a) Qual evento, envolvendo a Rússia, resultou no aumento do preço do gás natural nos anos 2021-2022?
b) Cite e explique uma consequência positiva para a Rússia relacionada à construção dos gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2 na região do Mar Báltico.
c) Cite e explique uma consequência negativa para a Rússia relacionada à localização dos gasodutos Blue Stream e Turkstream na região do Mar Negro.
Resolução:
a) A invasão russa sobre a Ucrânia levando à guerra entre os dois países resulta no aumento do preço do gás natural nos anos 2021-2022, haja vista que, parte dos gasodutos corta a região em conflito, e parte das sanções aplicadas à Rússia levaram ao embargo do produto.
b) Uma consequência positiva para a Rússia relacionada aos gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2 no Mar Báltico é a ligação direta do gás russo com a Alemanha, principal consumidor do produto.
c) Uma consequência negativa para a Rússia em relação aos gasodutos Blue Stream e Turkstream no Mar Negro se dá pelo fato de que estes passam por países aliados à OTAN, que tem se posicionado contra a Rússia na guerra com a Ucrânia.
(Fonte: Super Professor)
(FUVEST Ete – 2023)

É correto afirmar a partir do contexto geopolítico representado no mapa:
a) Antes de 1997, Rússia, Belarus e Ucrânia já haviam tornado público o seu desejo de pertencer à OTAN, e a lenta movimentação da organização tem sido fonte de conflitos geopolíticos na região.
b) Os países representados em amarelo formam a chamada “cortina de ferro”, que separou os países da OCDE do grupo rival de países pertencentes à OMC.
c) Os países representados em roxo, antes de sua anexação pela OTAN, pertenceram ao chamado Pacto de Varsóvia.
d) O avanço da OTAN sobre países da área de influência da antiga União Soviética tem se tornado objeto de tensões internacionais, principalmente entre Rússia e Estados Unidos.
e) Por determinação interna da organização, os países que se mantêm no Acordo de Vestfália não podem se integrar à OTAN.
Resolução:
a) Incorreta: Belarus é uma república alinhada com a Rússia, portanto, sem interesse na OTAN.
b) Incorreta: A “cortina de ferro” separou os países capitalistas e socialistas no período da guerra fria.
c) Incorreta: O Pacto de Varsóvia era o organismo militar controlado pela ex-URSS no período da guerra fria e, portanto, os países ocidentais não faziam parte dele.
d) Correta: A OTAN, órgão militar criado no contexto da guerra fria, reveste-se de novos objetivos, ampliando sua área de atuação para espaços anteriormente controlados pela Rússia da ex-URSS, ameaçando sua hegemonia.
e) Incorreta: O Acordo de Vestfália foi um tratado de paz do século XVII.
(Fonte: Super Professor)
(UNICAMP -2025)
Para além das guerras Rússia-Ucrânia e Israel-Palestina, estão em curso, em quase todos os continentes, conflitos que retratam mutações geopolíticas aceleradas. Há um movimento de redefinição de fronteiras até então reconhecidas pela comunidade internacional e, de certo modo, protegidas por um complexo arcabouço normativo. Na América Latina, por exemplo, a Venezuela reivindica da Guiana a região de Essequibo, cujo limite fronteiriço foi definido há 125 anos.
(Adaptado de https://www.courrierinternational.com/article/analyse-depuis-les-guerres-en-ukraine-et-a-gaza-les-frontieres-ne-sont-plus-intangibles)
Tendo em vista seus conhecimentos e considerando o texto anterior, é correto dizer que a fronteira entre países é essencialmente:
a) geométrica: trata-se de uma linha demarcada por formas geográficas tais como muros, cercas ou vias de circulação.
b) política: trata-se de uma zona definida por meio de disputas e acordos internacionais pelo direito de uso de um determinado território.
c) natural: trata-se de uma linha demarcada por meio de marcos geográficos tais como rios, mares, lagos, geleiras e montanhas.
d) técnica: trata-se de uma zona definida por tratados e convenções locais que protegem a soberania do Estado-nação.
Resolução:
Toda e qualquer fronteira entre países é uma construção política, definida por disputas e acordos internacionais que estabelecem o direito de uso de um território. Embora sofram influência das barreiras geográficas, que exercem papel estratégico em situações de conflito (é mais difícil atacar e anexar um território que esteja protegido por uma barreira geográfica, como um rio ou região montanhosa, do que territórios com livre acesso), as fronteiras são sempre negociadas ou violentamente definidas. O caso da Venezuela reivindicando a região de Essequibo da Guiana ilustra como fronteiras podem ser contestadas, mesmo após longos períodos de reconhecimento. Isso reflete a natureza dinâmica das fronteiras, que vão além de meras delimitações geográficas. Assim, as fronteiras não são apenas linhas geométricas, ou geográficas, mas também áreas carregadas de significados políticos e sociais que cada povo determina segundo um processo histórico-político. Neste sentido:
a) Incorreta. A alternativa “geométrica” está errada porque define fronteiras como linhas demarcadas apenas por formas físicas, como muros e cercas. Essa definição ignora o aspecto político e social das fronteiras, que são, na verdade, construções resultantes de acordos e disputas entre nações. As fronteiras não se limitam a delimitações físicas ou geográficas; elas envolvem aspectos complexos de soberania, identidade nacional e relações internacionais, delimitações políticas portanto, refletindo um contexto mais amplo do que uma simples demarcação geográfica.
b) Correta. A alternativa “política” está correta porque define fronteiras como zonas estabelecidas através de disputas e acordos internacionais, o que reflete a realidade das relações entre Estados. As fronteiras não são apenas linhas no mapa; elas são resultado de negociações, tratados e conflitos que envolvem direitos de soberania e controle sobre o território. O exemplo da Venezuela reivindicando a região de Essequibo da Guiana ilustra essa dinâmica, mostrando que as fronteiras podem ser contestadas e redefinidas ao longo do tempo.
c) Incorreta. A opção “natural” está errada porque, embora fronteiras possam ser influenciadas por características geográficas, elas são predominantemente construções sociais e políticas, sujeitas a disputas e acordos, e não apenas demarcadas por marcos físicos.
d) Incorreta. O termo “técnica” está incorreto porque, embora os tratados e convenções desempenhem um papel na definição de fronteiras, a noção de “técnica” não captura a complexidade e a natureza política das fronteiras, que são moldadas por disputas, negociações e relações internacionais, indo além de meros acordos técnicos.
(Fonte: Elite Campinas)
Fontes
BRASIL ESCOLA. Guerra entre Rússia e Ucrânia. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/guerra-entre-russia-e-ucrania.htm#Contexto+hist%C3%B3rico+da+Guerra+entre+R%C3%BAssia+e+Ucr%C3%A2nia.
NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL. Rússia e Ucrânia: a complicada história que conecta e divide os dois países. 2022. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2022/02/russia-e-ucrania-a-complicada-historia-que-conecta-e-divide-os-dois-paises.
GUIA DO ESTUDANTE. Resumo: o contexto histórico da guerra na Ucrânia. 2022. Disponível em: https://guiadoestudante.abril.com.br/atualidades/resumo-o-contexto-historico-da-guerra-na-ucrania/.
VEJA. Linha do tempo da guerra na Ucrânia: relembre o que aconteceu em um ano. Disponível em: https://veja.abril.com.br/mundo/linha-do-tempo-da-guerra-na-ucrania-relembre-o-que-aconteceu-em-um-ano/.
CNN BRASIL. Saiba o que mudou na Ucrânia após três anos de guerra. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/saiba-que-mudou-na-ucrania-apos-tres-anos-de-guerra/.
BBC. Como a guerra mudou a Ucrânia em três anos. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cnlnngrzzzeo.amp.
WIKIPÉDIA. Cúpula Estados Unidos-Rússia de 2025. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cúpula_Estados_Unidos-Rússia_de_2025.
GAZETA DO POVO. Trump dá prazo de duas semanas para Putin negociar paz na Ucrânia. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/trump-da-prazo-de-duas-semanas-para-putin-negociar-paz-na-ucrania/.
CNN BRASIL. Zelensky diz que proposta da Rússia é ultimato em negociações de paz. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/zelensky-diz-que-proposta-da-russia-e-ultimato-em-negociacoes-de-paz/.
INTERNATIONAL CRIMINAL COURT (ICC). Situation in Ukraine: ICC judges issue arrest warrants against Vladimir Vladimirovich Putin and Maria Lvova-Belova. Disponível em: https://www.icc-cpi.int/news/situation-ukraine-icc-judges-issue-arrest-warrants-against-vladimir-vladimirovich-putin-and.
CNN BRASIL. Tribunal Penal Internacional emite mandado de prisão para Putin. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/tribunal-penal-internacional-emite-mandado-de-prisao-para-putin/.
NETI USP. Os mandados de prisão contra Vladimir Putin e Maria Lvova-Belova e os seus desdobramentos. Disponível em: https://sites.usp.br/netiusp/pt/os-mandados-de-prisao-contra-vladimir-putin-e-maria-lvova-belova-e-os-seus-desdobramentos/.
G1. Entenda a ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional contra Putin. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/ucrania-russia/noticia/2023/03/17/entenda-a-ordem-de-prisao-do-tribunal-penal-internacional-contra-putin.ghtml.
DIPLOMATIQUE BRASIL. O papel estratégico da Venezuela na geopolítica energética global. Disponível em: https://diplomatique.org.br/o-papel-estrategico-da-venezuela-na-geopolitica-energetica-global/.
G1. Lançadores de mísseis, navios para desembarque terrestre e submarino: a força militar dos EUA que Maduro disse estar apontada para a Venezuela [infográfico]. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/09/02/lancadores-de-misseis-navios-para-desembarque-terrestre-e-submarino-a-forca-militar-dos-eua-que-maduro-disse-estar-apontada-para-a-venezuela-infografico.ghtml.
GOVERNO DO BRASIL. Economia de defesa, interesses estratégicos e a crise política na Venezuela atual. Disponível em: https://www.gov.br/defesa/pt-br/arquivos/ajuste-01/ensino_e_pesquisa/defesa_academia/cadn/artigos/xvi_cadn/economiaa_dea_defesaa_interessesa_estrategicosa_ea_aa_crisea_politicaa_naa_venezuelaa_atual.pdf.
BRASIL DE FATO. Venezuela e Rússia assinam acordos, ampliam relações e Putin reforça apoio à entrada dos venezuelanos no BRICS. 2025. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2025/05/07/venezuela-e-russia-assinam-acordos-ampliam-relacoes-e-putin-reforca-apoio-a-entrada-dos-venezuelanos-no-brics/.
METRÓPOLES. Rússia sai em defesa da Venezuela diante de ameaças dos EUA. Disponível em: https://www.metropoles.com/mundo/russia-sai-em-defesa-da-venezuela-diante-de-ameacas-dos-eua.
BBC. Israel e Gaza: notícias ao vivo. Disponível em: https://www.bbc.com/news/live/cdrk7rjv8z5t.
AGÊNCIA BRASIL. Ataque de Israel a hospital em Gaza deixa pelo menos oito mortos. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2025-08/ataque-de-israel-hospital-em-gaza-deixa-pelo-menos-oito-mortos.
CNN BRASIL. Ataque israelense explode escada de hospital e fotógrafo é atingido em Gaza. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/ataque-israelense-explode-escada-de-hospital-e-fotografo-e-atingido-em-gaza/.
Vídeo: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/08/05/imigrantes-desembarcam-em-praia-da-espanha-em-plena-luz-do-dia-e-sao-detidos-por-banhistas-e-pela-policia-video.ghtml
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