Eleições Norte Americanas e Impactos no Cenário Internacional
Eleições Norte-Americanas e Impactos no Cenário Internacional
Por Maria Isadora Castelli Dias.
O ano de 2024 tem sido marcado por importantes acontecimentos no cenário internacional, no qual temas relacionados à crise climática, à saúde econômica, e, principalmente, à emergência e atenuação de conflitos armados, adquirem caráter central nas discussões entre os Estados. Diante desse contexto, é relevante o papel das políticas internas de cada país, já que elas influenciam o processo decisório dos departamentos de governo, bem como as posições diplomáticas desses agentes, afetando, portanto, as relações interestatais. Assim, as eleições gerais dos Estados Unidos da América (EUA), que ocorrerão no dia 5 de novembro desse ano, são centrais para as Relações Internacionais, haja vista que os EUA são uma potência mundial, influenciando a economia, a geopolítica, e diversos outros âmbitos das sociedades.
O processo eleitoral dos Estados Unidos, em 2024, tem como finalidade a escolha de representantes para inúmeros cargos, dentre eles, o presidente, seu vice, um terço dos postos do senado, as cadeiras da câmara dos deputados, entre outros. Contudo, o pleito possui especificidades próprias, que diferem, por exemplo, do sistema de votação brasileiro, de modo que essas particularidades podem influenciar o desfecho das eleições.

Em primeiro lugar, é importante apontar que o sistema eleitoral norte-americano possui caráter indireto, ou seja, há um processo no qual a população vota nos candidatos à presidência, e o partido que receber o maior número de votos recebe os votos de “delegados” representantes da região, que, por sua vez, elegem efetivamente os indivíduos aos cargos. Há, como consequência disso, o fenômeno conhecido informalmente como “winner takes all” (“o vencedor leva tudo”), já que não é a proporcionalidade dos votos o fator decisivo, e sim o partido que garante a maioria deles. Tal dinâmica possui repercussões diretas nos resultados finais, de modo que, em determinados anos, como o caso de Donald Trump em 2016, o candidato eleito não possuía a maioria efetiva dos votos, porém, havia conquistado maioria em estados com mais representantes, garantido, assim, o apoio de pelo menos 270 delegados, levando-o à vitória.
Outros fatores relevantes para a contextualização do funcionamento do sistema eleitoral dos Estados Unidos são o tempo de mandato dos candidatos e o caráter facultativo do pleito. Desta forma, cabe destacar que o período de mandato presidencial no país é de 4 anos, havendo possibilidade de reeleição. Além disso, tem grande influência no processo o voto não-obrigatório, por conta dessa variável, conforme será detalhado posteriormente, cabe aos candidatos não só propagandear suas propostas, mas também convencer o eleitorado a comparecer às urnas, uma questão alvo de discussões nos últimos anos.
Finalizado esse breve resumo do sistema eleitoral, é importante abordar, em linhas gerais, quais são os indivíduos que concorrem à presidência nas eleições do presente ano. Ademais, destaca-se que os EUA possuem livre organização partidária; entretanto, dois partidos possuem destaque, sendo eles o Partido Democrata – que tem como candidata à presidência Kamala Harris, e vice Tim Walz – e o Partido Republicano – que possui o ex-presidente Donald Trump como candidato ao segundo mandato e Mike Pence como vice.

Ademais, o embate eleitoral permanece sem perspectivas definidas, de forma que as pesquisas de intenção de voto mais recentes indicam empate técnico entre Kamala Harris e Donald Trump. Um exemplo é o resultado de uma pesquisa do instituto Ipsos, na qual 46% dos entrevistados manifestaram apoio à Kamala, enquanto 43% expressaram voto à Trump, contudo, a pesquisa apresentava margem de erro de três pontos percentuais. Além disso, a dinâmica de voto indireto, mencionada anteriormente, gera ampliação da imprevisibilidade do resultado, devido, principalmente, a circunstâncias dos chamados “swing states”, estados nos quais a eleição é realmente competitiva, ou seja, onde não há uma preferência clara do eleitorado pelo partido democrata ou pelo republicano. Nesses locais, representados em 2024 por sete estados, uma pequena margem entre o partido vitorioso e o derrotado garante o apoio do Colégio Eleitoral em sua totalidade a determinado partido, fato de grande impacto para o resultado final do pleito.
Por fim, diante da disputa acirrada entre os democratas e republicanos nos Estados Unidos, bem como a relevância desse país nas decisões e dinâmicas internacionais, destaca-se a importância da compreensão das propostas dos diferentes candidatos e suas repercussões nos diferentes temas econômicos, climáticos e geopolíticos.
O lugar dos Estados Unidos no governo Trump (2017-2021): vitórias e derrotas no cenário internacional
O candidato do partido republicano Donald Trump governou os Estados Unidos entre os anos de 2017- 2021, após vencer as eleições de 2016 contra a candidata democrata Hillary Clinton. Valorizando uma relação próxima com o eleitorado, principalmente por meio de redes sociais como o Twitter (atual X), Trump elegeu-se por sua performance positiva em estados que historicamente apoiavam os democratas, como Pensilvânia e Michigan. Ademais, seu período de mandato foi marcado por profundas divisões sociais e políticas no país. Nessa perspectiva de polarização, temas como o desenvolvimento econômico e a questão imigratória foram centrais nos debates administrativos.
Conforme mencionado anteriormente, o discurso anti-imigração adquiriu destaque na retórica política de Trump, que, durante seu primeiro mandato, propôs a construção de um muro na fronteira com o México, além de engessar as políticas de combate a imigração, como o aumento das deportações e penas para indivíduos ilegais. Assim, o ex-presidente apoia-se na retórica de culpabilização dos estrangeiros ilegais por diversas fragilidades do país, como questões de segurança, empregabilidade, saúde, entre outras. Por fim, cabe destacar a manutenção desse discurso até os dias atuais, fato a ser detalhado posteriormente.

No que tange a temas ambientais, como as articulações internacionais em combate a atual crise climática, o ex-presidente Donald Trump admite um discurso que beira o negacionismo. Sendo assim, ele retirou os EUA de inúmeras iniciativas internacionais relevantes, como o Acordo de Paris (2015), e desregulamentou normas ambientais, por meio do incentivo a setores fósseis e cortes de verbas para agências de proteção. Tal conjuntura foi alvo de severas críticas ao longo do mandato presidencial, principalmente de países da União Européia e figuras da oposição interna. Essa conjuntura tem impactos nas atuais propostas do candidato republicano, que, conforme explicitado nos próximos tópicos, pretende seguir com a política de flexibilização das proteções ecológicas.
Ademais, seguindo a abordagem dos principais temas deste mandato, cabe destacar a questão da guerra comercial com a China. Nesse âmbito, no ano de 2018, após alegar práticas de competição desleal vindas da potência, como roubo de propriedade intelectual e transferência de tecnologia, os Estados Unidos taxaram mais de 800 produtos chineses. A política teve continuidade a partir de então, inclusive no mandato do democrata Joe Biden, e envolveu tensões econômicas e políticas entre os países nos últimos anos.
No que tange ao cenário geopolítico global, Trump envolveu-se em polêmicas associadas à mudança de postura dos Estados Unidos, a saber, a adoção de uma postura consideravelmente isolacionista. Isso é exemplificado pelas declarações do representante no que diz respeito à Organização do Tratado do Atlântico Norte, nesse âmbito, ele questionou as contribuições dos países europeus para a segurança comum, declarando possibilidade de revisão sobre o apoio norte-americano a depender do engajamento desses países nos aportes.
Por fim, cabe contextualizar o cenário das eleições americanas de 2020, e o papel de Trump ao longo das disputas. Nesse sentido, nas últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos, disputavam os candidatos Donald Trump – do partido republicano -, e Joe Biden – do partido democrata. Após uma acirrada disputa, Biden elegeu-se, de modo que Trump não garantiu seu segundo mandato. Todavia, houve uma forte resistência do republicano em declarar a derrota, o que, por sua vez, provocou instabilidades políticas internas e graves repercussões internacionais.
Atuação e posicionamentos de Kamala Harris no governo de Joe Biden
No ano de 2020, Joe Biden, figura representante do partido democrata, foi eleito presidente dos Estados Unidos. Ao assumir o cargo em 2021, teve como vice Kamala Harris, atual candidata do partido para a disputa presidencial. Assim, é relevante destacar fatores de grandes repercussões ao longo deste mandato, bem como descrever em linhas gerais a influência de Kamala Harris durante o período.
Primeiramente, no que tange a questão imigratória, Harris foi designada para atuar diretamente nessa questão. Ela teve como estratégia a arrecadação de fundos da iniciativa privada, de modo a fomentar melhores condições de vida e trabalho em regiões da américa central, local de partida de muitos indivíduos que tentam emigrar para os Estados Unidos. Assim, Harris tinha como objetivo a redução do fluxo ilegal de pessoas. Apesar dessa e de outras medidas, a corrente de migrações vem aumentando nos últimos anos, isso se deve a diversos fatores, principalmente à intensificação de crises armadas, à fragilidade econômica consequente da pandemia, entre outras questões.
Partindo do comentário anterior, que diz respeito ao aumento de crises armadas, cabe enfatizar que, ao longo do governo de Biden duas crises relevantes se alargaram. A primeira delas é o conflito entre Rússia e Ucrânia, iniciado em 2022, e, com impacto direto na geopolítica global. Desconsiderados detalhes do confronto, reitera-se a importância do papel da OTAN nas disputas por influência e capacidade militar contra a Rússia, visto que a organização tem fornecido apoio à Ucrânia, seja por meio da concessão de armamentos ou de outros recursos. Assim, ao longo do governo Biden, a política dos EUA tem buscado fortalecer a instituição, a fim de manter a oposição à ofensiva russa e consolidar sua proteção ao “status-quo” do leste europeu. Nesse sentido, Harris também fez declarações importantes em “apoio à Ucrânia pelo tempo que for necessário”, além de ser favorável aos auxílios prestados pelos EUA, que incluem 175 bilhões de dólares investidos nos últimos três anos.
Conforme mencionado anteriormente, duas crises relevantes permearam o cenário global ao longo do último mandato democrata. Portanto, a segunda crise referida é a intensificação dos conflitos no Oriente Médio, que tem como agentes centrais Israel e grupos armados da Palestina. As tensões mencionadas decorrem de um longo histórico de disputas territoriais, religiosas, étnicas e nacionais, porém, intensificaram-se após um ataque do grupo armado Hamas contra um evento cultural que ocorria em uma área ocupada por Israel, em outubro de 2023. A partir daí, Israel iniciou uma intensa ofensiva armada contra territórios palestinos, principalmente na Faixa de Gaza, deixando mais de 40 mil mortos. Paralelamente a isso, sabe-se que Israel é um grande aliado dos Estados Unidos, então, destaca-se que Harris declara apoio ao país tendo encontrado o seu primeiro ministro em Julho de 2024, e apoiado o financiamento militar de 12 bilhões de dólares para o país.

No que diz respeito aos tópicos ambientais, o discurso democrata se difere amplamente da retórica de Trump. Nesse sentido, ao longo do mandato de Biden, Harris contribuiu para canalizar centenas de bilhões de dólares em investimentos em fontes de energia sustentáveis, além de apoiar medidas de proteção ecológica. Entretanto, as estratégias desenvolvidas possuem contradições, já que apesar desses esforços, ao longo de seu mandato, Biden aprovou a exploração de combustíveis fósseis no Alasca. Medida duramente criticada por grupos ambientalistas.
Em suma, tendo em vista a descrição de fatores importantes relacionados à figura política de Kamala, é relevante analisar também suas propostas futuras, assim como os impactos dessas possíveis medidas no cenário global.
O papel dos EUA em conflitos: Oriente Médio e Ucrânia
Conforme mencionado anteriormente, os Estados Unidos têm influência relevante no conflito atual do Oriente Médio e na guerra entre Rússia e Ucrânia. Deste modo, questões relacionadas a esses temas foram marcantes ao longo dos debates presidenciais, englobando pontos de concordância e contraste entre os candidatos Donald Trump e Kamala Harris.
De início, é relevante marcar as divergências entre os candidatos no que diz respeito à guerra da Ucrânia. Isso pois, em linhas gerais, Harris defende a manutenção do apoio financeiro e militar ao Estado, enquanto Trump assume uma postura de tendência mais isolacionista e dúbia.
De acordo com o tópico anterior, Harris afirma seu apoio fixo à Ucrânia, propondo, em seu possível mandato, a continuidade das políticas atuais em relação ao conflito, incluindo sanções à Rússia, assistência à Ucrânia, fortalecimento da OTAN e outras posturas. Ademais, a política declara defender a cooperação multilateral e a soberania do povo Ucraniano.
Em contraste a isso, retoma-se as alegações de Donald Trump em um debate recente, onde o candidato afirmou que sua política acabaria com o conflito em um intervalo de 24 horas, por meio de um acordo com a Rússia. O republicano é conhecido por adotar políticas isolacionistas, propondo o fortalecimento militar do país por meio de investimentos no setor, contudo, afastando-se de questões internacionais, como o caso da guerra na Ucrânia e a OTAN. Em suma, a posição do ex-presidente preocupa estados aliados da OTAN, principalmente pelo discurso de afastamento em relação a organização, na qual Trump acredita que os países contribuem de formas desiguais, e exige um maior investimento militar de seus aliados, mediante a possíveis revisões no tratado caso suas reivindicações não se cumpram.
Em relação ao conflito entre Israel e Palestina, ambos candidatos declararam seu apoio ao primeiro, visto que é um forte aliado do país na região do Oriente Médio. Entretanto, Trump não fez declarações sobre soluções para o conflito em Gaza, enquanto Harris alega defender a solução de dois estados, bem como o fim do conflito na Palestina, o que contrasta com seu apoio aos financiamentos militares à Israel.
Impactos dos Resultados nas políticas migratórias
Além dos temas abordados anteriormente, mencionou-se o destaque do tópico da questão migratória nas últimas eleições americanas. Nesse âmbito, é possível afirmar que ambos candidatos possuem propostas de mitigação da imigração ilegal, porém, elas se diferem em alguns aspectos, tema a ser abordado nos próximos parágrafos.
Conforme explicitado, Trump possui um discurso extremamente rígido acerca das propostas de contenção da imigração ilegal. Assim, o candidato visa implementar o que classificou como “a maior operação de deportação doméstica da história americana”. Ele promete o fechamento completo da fronteira sul com o México, bem como a conclusão da construção de um muro na região, de modo a aumentar a fiscalização, além de outras iniciativas relacionadas.
Simultaneamente, Kamala Harris propõem medidas que pretendem inibir o fluxo ilegal de pessoas, todavia de caráter mais moderado. O posicionamento da candidata sofreu ataques de seu rival, o qual, em um debate, afirmou que as políticas de imigração dos democratas permitiram a entrada de criminosos no país. Contudo, em oposição às alegações, as políticas democratas do último ano envolveram o endurecimento da fiscalização de fronteiras, e outras medidas contrárias à entrada dessas pessoas.
Em suma, conclui-se que, a depender do resultado do pleito, as condições de entrada nos Estados Unidos podem ser alteradas. Além do mais, novas medidas, somadas a alterações de normas já existentes, são capazes de influenciar profundamente as condições de vida daqueles que imigraram ilegalmente para o país, gerando mudanças em fluxos migratórios relevantes internacionalmente.
Impactos das eleições nas iniciativas multilaterais para combater a crise climática
Atualmente, há uma crise em parâmetros globais relacionada às mudanças climáticas, consequente principalmente do aquecimento global, os eventos climáticos extremo -como enchentes, tempestades, secas severas, incêndios florestais e o aumento do nível do mar- alteram drasticamente o dia a dia de populações de todo o planeta, impactando economicamente e politicamente os Estados. Diante desse cenário, iniciativas internas, juntamente com ações multilaterais internacionais são fundamentais para mitigar a emergência, e prestar auxílio às comunidades mais afetadas.
Desse modo, o cenário político norte-americano influencia diretamente a integração global no combate ao desastre climático, pois, além de ser a maior economia do mundo, o país carrega um poder de influência sem precedentes. Assim, a depender do candidato eleito, as perspectivas internacionais para o clima podem sofrer intensas alterações, haja vista que Trump e Harris possuem propostas radicalmente distintas nessa esfera.

Enquanto Harris defende em seu plano de governo o combate à crise ambiental, prometendo medidas protecionistas ao meio ambiente e o desenvolvimento de tecnologias mais sustentáveis para o país, Trump nega a necessidade de preocupação com essas questões. Assim sendo, o candidato republicano pretende se retirar de iniciativas internacionais pelo meio ambiente, deixando o Acordo de Paris (2015), por exemplo, conforme fez quando assumiu a presidência em 2017. Ademais, Trump promete flexibilizar ainda mais as proteções contra atividades econômicas exploratórias, justificando-se primordialmente sob a retórica de necessidade de um crescimento comercial a qualquer custo.
Propostas e possíveis repercussões de políticas econômicas dos candidatos
Outro tópico importante abarca as políticas econômicas dos candidatos à presidência, incluindo o planejamento de recolhimento de tributos internos, e a taxação de produtos importados. Nesse aspecto, conforme mencionado, a guerra comercial contra a China foi central desde 2018, já que guiou parte das estratégias do país relacionadas ao comércio internacional. Tendo isso em vista, Trump propõe um aumento da taxação comercial contra o país concorrente, de modo que as tarifas, segundo ele, podem passar o patamar dos 60%. Harris, por outro lado, critica o posicionamento do republicano, expondo a pretensão de implementar tarifas mais direcionadas, já que, segundo ela, uma política excessiva representa gastos maiores à população geral.
No que tange a política fiscal interna, Kamala Harris propõe a taxação de grandes empresas e de indivíduos com renda anual acima de 400.000 dólares, além de medidas de alívio para famílias, como a expansão de créditos tributários para crianças. Em contraste, Donald Trump sugere trilhões em cortes de impostos, ampliando os cortes de 2017 que beneficiaram principalmente os mais ricos, baseando-se na expectativa de crescimento econômico e aumento de tarifas sobre importações, enfatizadas no parágrafo anterior.
Conclusões Finais
Por fim, conclui-se que as eleições de 2024 nos Estados Unidos são fundamentais para entender o futuro das relações internacionais, dado o impacto que as políticas internas desse país exercem sobre a geopolítica global. Assim, a disputa acirrada entre Kamala Harris e Donald Trump reflete não apenas visões divergentes sobre questões internas como educação, saúde e economia, mas também em relação a como os Estados Unidos se posicionam frente a crises internacionais, haja vista o exemplo do conflito entre Rússia e Ucrânia e da crise climática. Em suma, a escolha do próximo presidente pode alterar radicalmente a abordagem americana frente a essas questões, influenciando alianças e políticas globais.
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