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Como a Mídia Internacional Molda a Visibilidade do Sul Global

Como a Mídia Internacional Molda a Visibilidade do Sul Global

Por Sarah Oliveira

O Caso que Motivou o Debate

Em janeiro de 2026, o cinema brasileiro realizou um feito histórico para o país na premiação Critics Choice Awards ao conquistar a vitória como Melhor Filme Internacional, pelo novo filme de Kleber Mendonça Filho, o Agente Secreto. A celebração, porém, foi marcada por uma controversa condução do anúncio. 

Quem é Kleber Mendonça Filho

Diretor, roteirista e produtor pernambucano nascido em Recife, reconhecido como um dos nomes mais importantes do cinema brasileiro contemporâneo. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco, iniciou sua carreira como crítico de cinema e programador cultural antes de migrar para a direção cinematográfica.

Ao longo das últimas décadas, consolidou-se internacionalmente com filmes como O Som ao Redor (2012), Aquarius (2016) e Bacurau (2019), obras que combinam crítica social, elementos de gênero e uma forte relação com a história e a realidade brasileira, especialmente do Nordeste. Seus trabalhos receberam ampla aclamação crítica e diversos prêmios em festivais internacionais, incluindo o Prêmio do Júri em Cannes por Bacurau.

Mais recentemente, o cineasta voltou a ganhar destaque global com O Agente Secreto (2025), um thriller político, ambientado no Recife durante a ditadura militar. O filme reforça sua projeção internacional e rendeu ao diretor o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes, consolidando ainda mais sua relevância para a visibilidade do cinema brasileiro no cenário global.

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Kleber Mendonça Filho. Foto: Victor Juca/Divulgação

A Gafe Cometida pelo Critic Choices Awards

Sem direito a palco, discurso ou destaque na programação oficial, a vitória teve seu anúncio realizado fora da cerimônia ao vivo, ainda no tapete vermelho. Enquanto era recebido e entrevistado pelos apresentadores na entrada do evento, durante uma entrevista com Kléber e a produtora Emilie Lesclaux, ambos recebem a notícia, a qual, demonstraram-se visivelmente pegos de surpresa. Dessa forma, ainda desacreditado, Kleber Mendonça Filho demorou a entender que o prêmio havia sido confirmado daquela forma pouco convencional e exibido em rápida chamada nos intervalos da cerimônia.

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‘ O Agente Secreto’ vence Critics Choice em entrega polêmica. Foto: GS10

A entrega do prêmio feito a este modo repercutiu de maneira muito negativa nas redes sociais, e o diretor brasileiro lamentou o ocorrido, denunciando “uma falta de atenção” da organização da honraria, que fez o anúncio no tapete e não no palco, perdendo a oportunidade de destacar o cinema produzido fora dos Estados Unidos.

“Lamento muito que o prêmio tenha sido dado no tapete vermelho. Mas enfim, foi dado. E a gente está muito feliz com a repercussão internacional e a repercussão no Brasil também”, acrescentou.

Para ele, o que amenizou a situação foi participar da cerimônia como apresentador da categoria Melhor Filme. Ao lado de Wagner Moura, protagonista de seu longa-metragem, o cineasta entregou a principal estatueta da noite para Paul Thomas Anderson, com “Uma Batalha Após a Outra”, e aproveitou a deixa para agradecer pela sua.

Diante da grande repercussão do episódio, o pernambucano aproveitou a visibilidade do caso para expor a negligência cometida pela organização do evento e, nos dias seguintes, manifestou-se à imprensa: 

“Sinto que o prêmio do Critics Choice deu uma visibilidade ainda maior para ‘O Agente Secreto’, que está tendo uma trajetória excelente nos cinemas dos Estados Unidos. Nós agora estamos em Nova York para dar continuidade a essa agenda. O fato de termos apresentado o prêmio de Melhor Filme, de certa forma, amenizou a falta de atenção da Critics Choice Association com uma das grandes safras históricas de cinema feitas fora dos Estados Unidos — num momento político do país onde o elemento estrangeiro tem sido muito debatido. Teria sido importante destacar o cinema internacional, com uma apresentação no palco dos indicados. Mas, de toda forma, está tudo certo. Foi bom apresentar, ao lado de Wagner, o prêmio de Melhor Filme para Paul Thomas Anderson, um cineasta da minha geração e que admiro.”

Segundo os organizadores do evento, a entrega ocorreu desta maneira porque eles optam por deixar algumas categorias fora da cerimônia devido a sua numerosa quantidade e o curto tempo de transmissão. No entanto, a mensagem que acaba sendo transmitida aos seus telespectadores e entusiastas demonstram a existência de uma certa hierarquia em premiações internacionais e nos faz questionar por que produções do Sul Global frequentemente recebem menos visibilidade, mesmo quando premiadas?

A Hierarquia nas Premiações Internacionais

Premiações como o Festival de Cannes e o Academy Awards não apenas celebram o cinema mundial, elas também ajudam a definir quais narrativas ganham centralidade no imaginário global. Nesse cenário, olhando sob a ótica do cinema e fazendo um recorte apenas sobre tal , tanto premiações quanto festivais celebram a sétima arte, mas esses eventos se caracterizam diferentemente. Enquanto as premiações são voltadas para o reconhecimento e a competição, os festivais são centrados na exibição, celebração e descoberta do cinema em sua amplitude. Portanto, mesmo que alguns festivais incluam premiações em suas programações, o objetivo primordial permanece na difusão e apreciação da arte cinematográfica.

Como Funcionam?

Oscar

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A cerimônia aconteceu neste domingo, 15. Foto: Mario Anzuoni/Reuters

O Oscar, oficialmente chamado como Academy Awards, é reconhecido por ser a mais prestigiada cerimônia de premiação da indústria cinematográfica mundial. Os indicados e vencedores são escolhidos pelos membros da Academia, que são profissionais da indústria cinematográfica (atores, diretores, roteiristas, técnicos, etc.). O seu sistema de votação varia dependendo da categoria, mas geralmente envolve votos nominais para a maioria das categorias e um sistema de votação preferencial para Melhor Filme.

Embora possua um renomado reconhecimento, a premiação não está imune de controvérsias e debates. Um dos pontos mais criticados refere-se à pouca diversidade de seus membros votantes. Entram nessa conjuntura os gostos pessoais dos membros, suas experiências e vieses, conscientes ou não disso. E tal formato contribui para a falta de diversidade nos resultados. 

Além disso, outro ponto de crítica é o tamanho da influência da campanha de marketing do filme nos resultados. Enquanto produções menores e/ou independentes, mesmo que sejam artisticamente “superiores”, podem ser negligenciadas por não terem os recursos para uma campanha eficaz, filmes com orçamentos de marketing maiores têm uma vantagem significativa. 

Festival de Cannes

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Cannes, França. 5 de maio de 2025. Grande escultura dourada da Palma de Ouro no tapete vermelho com o texto do ‘Festival de Cannes’, tenda branca, plantas, céu azul, mar e navio ancorado em Cannes, França.

Além de ser uma espaço opulento para a exibição de novos filmes de diversos gêneros e origens, também é um mercado influente para a indústria cinematográfica global e um dos mais importantes do mundo. Nele são distribuídos diversos prêmios, e para diferentes categorias, mas o mais importante é a Palma de Ouro. Ele é concedido ao melhor filme em competição na seleção oficial do Festival de Cannes. 

O filme vencedor da Palma de Ouro é escolhido por um júri composto por personalidades internacionais do mundo do cinema – diretores, atores, roteiristas, críticos, entre outros. E a cada ano, a composição do júri muda, trazendo diferentes perspectivas para a avaliação dos filmes em competição.

Hierarquia Simbólica dentro do Cinema Global

Embora o cinema seja frequentemente descrito como uma arte global, sua indústria ainda reflete desigualdades profundas na forma como diferentes países são vistos e reconhecidos. Nos principais palcos de consagração cinematográfica, como o Festival de Cannes e o Academy Awards, a visibilidade não é distribuída de maneira uniforme. Produções do Norte Global costumam ocupar o centro das atenções, enquanto obras vindas de outras regiões são frequentemente relegadas a categorias específicas ou momentos periféricos da cerimônia. Esse padrão revela a existência de uma hierarquia simbólica que atravessa o cinema mundial e influencia quais histórias ganham destaque no imaginário global. Tal cenário se materializa, por exemplo, na cerimônia anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, conhecida como Oscar e também por ser uma das noites mais disputadas de Hollywood, a qual os norte-americanos enxergam como a maior premiação do cinema no mundo. Não foge desse imaginário a surpresa coletiva quando Bong Joon-ho, diretor do filme de 2019 Parasita, declarou à revista Vulture:

“O Oscar não é um festival de cinema internacional. Ele é muito local”. 

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O diretor Bong Joon Ho com os Oscars vencidos por ‘Parasita’ Foto: VALERIE MACON / AFP

O sul-coreano não equivocou-se em sua declaração,  pois a premiação reconhece apenas e  praticamente filmes americanos, com a maioria dos outros países renegada a uma única categoria: Melhor Filme Internacional.

Seguindo adiante para demonstrar a baixa inclusão pretendida com o Oscar e o seu ecossistema, é válido relembrar como até 2020 essa categoria era conhecida como Melhor Filme Estrangeiro ou Melhor Filme em Língua Estrangeira e a alteração em sua nomenclatura surge numa tentativa do comitê do Oscar de mudar o nome da categoria porque “estrangeiro” deixava a entender uma alienação ainda maior do que o termo “internacional” – pois seria estrangeiro em relação a quem? – o que, no entanto, não mudou o caráter da categoria, que continua igual.

Observando a categoria de Melhor Filme Internacional, é possível entender um pouco a reação dos Estados Unidos aos filmes internacionais de modo geral. Analisando os critérios de elegibilidade e os vencedores nessa categoria, fica claro que o Oscar não é o juiz imparcial do cinema mundial que ele pretende ser.

Ao longo dos últimos anos, os critérios de elegibilidade do Oscar se encontram sob intenso escrutínio. Para a maior parte das categorias os filmes precisam ter sido lançados em território estadunidense, com apenas Melhor Filme Internacional em exceção a essa regra. A Academia também exige que o filme tenha sido exibido em salas de cinema comerciais por, pelo menos, sete dias antes de ser lançado de outra maneira, o que é considerado uma demonstração de descaso  aos veículos de streaming. 

Inusitada e hipocritamente, nessa mudança de “língua estrangeira” para “internacional”, o idioma continua sendo o fator mais importante para a elegibilidade de um filme. Portanto, se o filme tiver boa parte do diálogo em inglês, como o filme nigeriano Lionheart de 2019, ele pode ser desqualificado, mesmo se o inglês for um idioma oficial naquele país, assim como o inglês é na Nigéria.

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Primeiro filme inscrito pela Nigéria no Oscar é desclassificado por descumprir regras. Foto: Divulgação

Outra particularidade da categoria, também alvo de ressalvas, é que os filmes são submetidos pelos próprios países e o vencedor é o país. Cada país só pode submeter um filme por ano, o que pode levar a controvérsias sobre qual filme é mais merecedor. Ademais, para que seja decidido o que conta como um país por si só é um assunto polêmico. Intervenção Divina, um filme palestino de 2002, foi rejeitado porque a Academia não foi capaz de econhecer a Palestina como um país.

Um agravante dessa conjuntura recai sobre filmes produzidos nos Estados Unidos que tornam-se também inelegíveis, o que significa que territórios estadunidenses não podem entrar na competição, portanto, Porto Rico não tem permissão para submeter filmes desde 2011. Todo esse processo é mergulhado em burocracia e desavenças, para a frustração de cineastas do mundo inteiro.

Sobre o Brasil

Para os brasileiros, a crítica é recorrente pois foi apenas em 2025 que  uma produção nacional ganhou destaque em Melhor Filme, a mais desejada categoria da noite, ultrapassando a barreira de Melhor Filme Internacional.

O longa brasileiro Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, recebeu três indicações, nas categorias Melhor Filme Internacional, Melhor Atriz e Melhor Filme. O longa com Fernanda Torres levou a estatueta de Melhor Filme Internacional, marcando também a primeira vez que o país leva esta categoria. Agora, em 2026, a esperança do Brasil de ganhar em Melhor Filme pela primeira vez se renovara com O Agente Secreto.

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‘O Agente Secreto’. Foto: Divulgação

A produção de Kleber Mendonça Filho recebeu quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Elenco. Esta última estreia na premiação deste ano, reconhecendo o trabalho de diretores de elenco.

Apesar das boas novas para o Brasil, que resgatam a importância do cinema nacional e de seus profissionais como potência mundial, não é bem uma novidade que a Academia escolha filmes não americanos para a categoria de Melhor Filme. A primeira vez foi em 1939, 10 anos depois da primeira edição do prêmio, com o filme francês A Grande Ilusão.

A primeira vitória só veio em 2012, quando o longa O Artista, também da França, ganhou a principal categoria da noite. O filme, no entanto, abre debates por ser mudo. Ou seja, ele não é necessariamente falado em outra língua, apenas produzido por outro país que não os Estados Unidos.

“Historicamente, o Oscar foi um prêmio da indústria americana para a indústria americana, ainda que com uma vitrine internacional. Quando filmes estrangeiros começam a disputar Melhor Filme, e não apenas Filme Internacional, há, sim, um deslocamento simbólico relevante. No entanto, é preciso diferenciar gesto institucional de transformação estrutural”, afirma Gabriel Amora, crítico de cinema, com formação na Casa Amarela Eusélio Oliveira.

Para especialistas no mundo do cinema, a presença cada vez mais crescente de filmes não americanos se dá, entre outros fatores, pela abertura da Academia para votantes de outras nacionalidades.

“Não se trata de uma ruptura completa, já que Hollywood continua sendo o centro do sistema, e essas indicações ainda são raras quando observamos a história em perspectiva”, alega a cineasta Cíntia Domit Bittar ao Jornal Metrópoles.

“A Academia ampliou seu quadro de votantes nos últimos anos, incorporando mais membros internacionais, mulheres e profissionais fora do eixo tradicional de Hollywood. Isso altera o perfil de votação. Mas o centro financeiro, de distribuição e de lobby ainda é majoritariamente norte-americano. Ou seja, existe abertura, mas dentro de uma hierarquia que permanece”, completa Amora e afirma: 

“Existe um movimento de descentralização [de filmes não americanos], mas tem limites. É importante lembrar que o Oscar não é um prêmio da ONU [Organização das Nações Unidos], é um prêmio da indústria cinematográfica dos Estados Unidos. Ele reflete, antes de tudo, os interesses, a cultura e as dinâmicas de poder desse próprio ecossistema. O que mudou nos últimos anos foi uma maior permeabilidade, impulsionada pela internacionalização gradual da própria Academia”.

Amora, por sua vez, pontua que a Academia está mais aberta artisticamente, mas também se preocupa com a sua própria imagem pública. O Brasil, inclusive, virou figurinha carimbada nas redes sociais da premiação, provando o engajamento que o país entrega quando se trata de suas produções. Ela garante: 

“Talvez a melhor resposta seja esta: a Academia está mais aberta porque precisa estar. A abertura artística e a consciência de imagem não são opostas; são parte de uma mesma reorganização. O desafio agora é saber se essa transformação será duradoura ou se permanecerá condicionada às pressões do momento”.

Cinema, Mídia e Soft Power

O conceito de soft power, conhecido como capacidade de um país/território influenciar por meio de atração e persuasão, conquistando poder e prestígio sem o uso da força  tem se popularizado e nota-se também como  o quanto esse “poder brando/cultural” tem colaborado para amplificar conhecimento, gerar valor de imagem e fomentar o turismo, em uma lógica de dentro para fora, do nacional para o global. 

Ao mesmo tempo que assim instrumentaliza-se o soft power, essa influência cultural não se limita na necessidade “falar bem” do país. Cinema e arte não podem ser campanhas publicitárias e a questão do soft power é divulgar a cultura para alavancar o país como todo, independente de ser crítico a questões internas ou não. Estados Unidos, França e mais recentemente a Coreia fazem isso muito bem.

Nas últimas décadas, a Coréia do Sul tem se destacado pelo uso de soft power como modelo de política pública cultural. São filmes, séries, música e gastronomia sul-coreanos que têm chegado a mais pessoas de outros países e, com isso, gerado maior interesse pelo destino. Estatísticas apontam que, em 2017, um em cada 13 turistas que visitaram a Coréia do Sul foi motivado pelo grupo BTS. Somente em 2026, segundo o portal SayArt, o Ministério da Cultura, Esportes e Turismo do país prevê investir US$1,1 bilhão (aproximadamente R$6 bilhões) na indústria de conteúdo cultural, que compreende música, cinema, séries, games e animação.

Para o caso do Brasil, a indústria cinematográfica nacional tem se consolidado cada vez mais no cenário internacional, desempenhando um papel fundamental no fortalecimento do soft power do país, e o cinema tem sido uma das principais ferramentas para projetar o Brasil no exterior, promovendo sua rica diversidade cultural e moldando percepções globais.

A internacionalização do cinema nacional reflete a crescente habilidade do Brasil em dialogar com audiências globais, criando narrativas que ultrapassam as fronteiras nacionais. Em tempos de globalização, o Brasil utiliza sua produção cinematográfica como uma forma de ganhar relevância cultural e diplomática. A presença do cinema brasileiro em festivais como Cannes, Veneza e Toronto, com produções que desafiam estereótipos e abordam temas universais sob uma perspectiva brasileira, contribui para a construção de uma imagem moderna e conectada com questões globais, como direitos humanos, desigualdade e justiça social.

E agora mais do que nunca, o Brasil encontra-se em festa. Com a indicação de “O Agente Secreto”  ao Oscar de melhor filme internacional, direção de elenco – categoria nova –, ator e filme, um caminho histórico que vem sendo trilhado até o momento atual. O longa já garantiu o Globo de Ouro de filme estrangeiro, com Wagner Moura completando a alegria popular ao receber o prêmio de melhor ator nessa mesma cerimônia. Assim, Wagner tornou- se o primeiro brasileiro a receber o Globo de Ouro, fazendo do país bicampeão no prêmio de atuação, ao passo que Fernanda Torres recebeu a sua estatueta no ano passado.

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‘O Agente Secreto’ concorre ao Oscar em quatro categorias Foto: Laura Castor/Divulgação

Um feito e tanto, já que o cinema sempre foi usado como um abre-alas para o para o país como um todo, para a cultura brasileira e consequentemente para os produtos brasileiros. No entanto, devido a sua genialidade e pelos seus méritos, o filme de Kleber Mendonça Filho, ainda que sem premiação alguma, sem dúvidas entraria para a história do cinema brasileiro mas é notável como o feito evidencia ainda mais o desbravamento de um longo caminho para toda a cinematografia, ou melhor, para toda a cultura brasileira. 

Os dois Globos de Ouro para “O Agente Secreto” se juntam a vários outros prêmios internacionais que o filme já recebeu, inclusive o recente Critics’ Choice e Cannes, no qual o  filme já tinha recebido o prêmio de diretor e ator do júri da competição; também o prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci) e o concedido pela Associação Francesa de Cinemas de Arte e Ensaio (AFCAE). Até hoje, o filme ganhou mais de 50 prêmios e arrecadou mais de R$50 milhões.

Assim,  não é coincidência, portanto, que a MK2 (produtora de Marin e Nathanaël Karmitz) seja uma das co-produtoras do filme. Curiosamente um filme tão brasileiro, que conta uma história tão brasileira, dirigido por brasileiro e com elenco majoritariamente brasileiro, tem mais financiamento de fora do que do Brasil. Pelo portal da Agência Nacional de Cinema (Ancine), podemos ver que, do orçamento total de R$ 28.016.570, o filme tem R$ 14.496.570 de investimento estrangeiro, e o financiamento brasileiro é dividido em R$ 7.500.000 de dinheiro público e R$ 5.500.000 de privado.

Essa coprodução, além de garantir ajuda financeira, favorece muito a carreira internacional do filme, mas, para que continuem a haver coproduções, necessita-se que o Brasil tenha previsibilidade de editais. Essas condições são deterioradas para um produtor e para a imagem do país, ao ter que prometer um recurso do Brasil para uma coprodução e esse recurso não chegar porque um edital previsto não saiu ou atrasou muito.

Portanto, analisa-se que de nada adianta falar de internacionalização sem a implementação de  uma política pública constante e previsível e que perdure como uma política de Estado e não só de governo. Somente assim funcionará, como em todos os setores que têm incentivos governamentais, tal qual o agronegócio ou a indústria automobilística.

Devido a persistente campanha contra o cinema e todas as formas de arte, o setor cultural se empenhou em levantar os dados económicos do setor. Num recente estudo da FGV, foi apresentado o retorno de investimento, para a sociedade, da desacredita  Lei Rouanet: de cada R$1 investido, foram movimentados R$7,59 na economia. E o mesmo estudo apresenta que o setor gerou 228 mil postos de trabalho.

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Obra de Kleber Mendonça Filho chega com indicações de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Ator.  Foto de Fundarpe Da Agência Brasil

Já o audiovisual em sua atividade direta, contando com empresas de criação; produção; distribuição e exibição de conteúdo, este setor gerou receitas que chegaram a R$ 31,6 bilhões e 121.840 empregos, número superior aos empregos diretos da indústria automotiva e da indústria farmacêutica, e com remuneração média de mais que o dobro da média nacional.

Portanto, torna-se muito admirável ver o cinema nesse lugar de orgulho nacional. A arte tocando em lugares que só o futebol conseguia, provocando um movimento de orgulho, união e torcida. Essa visibilidade não apenas coloca o Brasil no mapa das grandes produções, mas também reforça sua influência cultural globalmente. Além disso, o reconhecimento de atores, diretores e roteiristas brasileiros em premiações internacionais atrai investimentos estrangeiros para a indústria, gerando um ciclo positivo que fortalece a produção e incentiva a criação de novas obras.  

Para o Brasil se amar, como convocou a renomada atriz e vencedora de estatuetas, Fernanda Torres, ele precisa se conhecer profundamente. Para além de romper com a lógica predominante de “o que vem de fora é melhor” – herança de um passado colonial – é preciso avançar: apresentar o Brasil para o brasileiro. E mais: olhar intimamente para nossa diversidade cultural, fruto de uma extensão continental, dialogando e acolhendo os diferentes brasis que aqui se manifestam. Certamente, nossa indústria cultural, o audiovisual, o mercado publicitário e as políticas públicas são meios para essa longa jornada.

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Fernanda Torres ganha Globo de Ouro de melhor atriz de drama — Foto: Mario Anzuoni/Reuters

O Sul Global nas Telas e nas Premiações

A presença do Sul Global no cinema internacional não pode ser compreendida sem considerar a hegemonia histórica da indústria audiovisual hollywoodiana. Como argumenta Fernando Mascarello, doutorando em Cinema pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e Membro do Conselho Executivo da SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema, Hollywood consolidou-se ao longo do século XX em uma posição dominante tanto na economia política do audiovisual quanto na produção de imaginários culturais que se apresentam como universais. 

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Cinema em Hollywood. Foto: Instituto de Cinema

Nesse processo, filmes e séries estadunidenses difundem valores políticos, culturais e geopolíticos associados à chamada “americanidade”, ao mesmo tempo em que constroem representações frequentemente estereotipadas ou marginalizadas de outras regiões do mundo. Essa hegemonia também se reproduz por meio de elementos extra fílmicos, como a cobertura midiática e as grandes premiações internacionais, que contribuem para reforçar a centralidade do cinema produzido nos grandes centros da indústria cultural.

É dentro desse contexto que o conceito de Sul Global ganha maior centralidade, ao se propor em debater como as produções desenvolvidas fora desse eixo dominante ainda são tratadas no mercado. Pois, muito além de uma simples localização geográfica, essa classificação “Sul Global” representa uma constelação de países historicamente marginalizados no sistema-mundo do capitalismo global, especialmente da América Latina, África, Sudeste Asiático, Oriente Médio e partes da Europa Oriental. Portanto, é dentro dessa  atmosfera da mídia internacional do audiovisual que o Sul Global se tornou um campo fértil de atenção, tensão e transformação, desafiando o modelo eurocêntrico e norte-americano que, por décadas, dominou a definição de valor, legitimidade e visibilidade artística.

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Os Estados Unidos sempre exportou seus filmes para outros países e dificultou a entrada de filmes estrangeiros nas salas de cinema americanas – Foto: PxHere/ Jornal da USP

Ainda que atualmente a presença de produções do Sul Global nas principais premiações internacionais esteja progressivamente angariando espaço e público global,   frequentemente essa atenção é dada em posições periféricas, como categorias específicas para “filmes internacionais” ou momentos de menor visibilidade dentro das cerimônias. Esses padrões revelam que o reconhecimento cultural no cinema global ainda reflete hierarquias simbólicas profundamente enraizadas, deixando claro que quando o Sul Global é premiado, será tratado como exceção ou curiosidade cultural.

Paradoxalmente, muitos artistas do Sul Global ganham espaço no mercado internacional justamente por sua origem. O apelo por diversidade faz com que instituições e a audiência valorizem cada vez mais obras que dialogam com identidades culturais, memórias pós-coloniais, ancestralidade e estéticas locais. No entanto, isso também levanta críticas quanto à “exotificação” e à demanda por autenticidade étnica como critério de valor — uma forma de neocolonialismo simbólico. Muitos artistas do Sul tentam romper com essa expectativa, buscando reconhecimento por sua linguagem, e não apenas por sua origem.

Apesar dos avanços, as desigualdades estruturais entre o Norte e o Sul permanecem. A infraestrutura institucional ainda é muito mais robusta no Norte Global. Além disso, o acesso ao capital financeiro, cultural e simbólico, continua concentrado nas metrópoles históricas.

Assim, enquanto o Sul participa mais ativamente do mercado global, ele o faz a partir de uma posição periférica. Isso significa que sua valorização ainda depende, em grande parte, da validação vinda do Norte. Portanto, questiona-se como se dará o desdobramento de tal conjuntura. Isso porque, devido ao contexto geopolítico da nova ordem multipolar, consolidam-se os fracassos dos EUA nas guerras do Afeganistão e Ucrânia, enquanto o Sul Global empodera-se pela ascensão dos BRICS e o declínio relativo estadunidense. 

Cultura como Geopolítica e o Papel da Mídia Internacional

Nota-se, porém, como na contemporaneidade o reconhecimento cultural não é produzido apenas pelas grandes premiações em si, mas também pela forma como essas conquistas são narradas e difundidas pela mídia internacional. Grandes veículos de imprensa atuam como mediadores simbólicos entre as obras premiadas e o público global, ajudando a definir quais filmes merecem destaque, quais histórias são celebradas e quais permanecem à margem da cobertura.

A cobertura do cinema internacional, por exemplo,  também reflete uma geografia desigual da produção de notícias. Veículos de grande alcance global, como The New York Times, BBC e The Guardian, desempenham papel central na construção do debate cultural em torno das premiações cinematográficas. No entanto, a predominância desses centros midiáticos contribui para que narrativas e prioridades editoriais do Norte Global tenham maior peso na definição de quais filmes e artistas recebem visibilidade internacional.

Mesmo quando obras provenientes do Sul Global conquistam reconhecimento em festivais e premiações, a cobertura midiática frequentemente as apresenta como exceções ou surpresas dentro do cenário cinematográfico internacional. Esse enquadramento reforça a percepção de que a centralidade cultural permanece associada às grandes indústrias audiovisuais do Norte Global, enquanto produções de outras regiões são tratadas como episódios pontuais de destaque.

Os episódios recentes envolvendo cineastas brasileiros ilustram, portanto, como a dinâmica da visibilidade midiática também influencia a recepção internacional dessas conquistas. A forma como determinados momentos de reconhecimento são cobertos ou relegados a espaços secundários dentro da cobertura jornalística, revelando  como a atenção da mídia pode reforçar ou minimizar o protagonismo de artistas provenientes de cinematografias ainda “periféricas” no sistema cultural global.

Diante desse mesmo palco, e ainda que não seja o principal responsável pela construção desta narrativa, a tão aguardada cerimônia ocorrida  no último domingo, 15, o Oscar 2026,  realizado em Los Angeles, foi capaz de reunir alguns dos principais nomes da indústria cinematográfica mundial, devido ao seu peso notável e que  premia produções de destaque,  mobilizando  a atenção de milhões de espectadores. Mais do que anunciar vencedores, ela influencia o que passa a ser reconhecido como “grande cinema”, ao consagrar determinados filmes, o Oscar legítima estilos narrativos e escolhas estéticas. 

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Operários erguem uma estatueta do Oscar em frente ao Dolby Theatre, em Hollywood, Califórnia, em 14 de março de 2026, antes da 98ª cerimônia anual de premiação. Foto; Angela Weiss/AFP

Criado em 1929 pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, surgiu com o objetivo de reconhecer conquistas artísticas e técnicas no cinema e com o passar das décadas, a premiação tornou-se uma das mais influentes do audiovisual e seus vencedores costumam ganhar grande visibilidade internacional. Os filmes indicados ou premiados ampliam sua circulação global, e tal reconhecimento fortalece determinados padrões narrativos e visuais, assim, o Oscar influencia não apenas a indústria, a premiação também afeta a forma como o público percebe e valoriza o cinema.

Nos últimos anos,passou por críticas e transformações. Sobretudo,  acerca de debates sobre diversidade e representatividade, que evidenciam disputas simbólicas sobre quem pode contar histórias e quais narrativas ganham legitimidade no cinema global. 

O movimento #OscarsSoWhite, por exemplo, expôs a baixa diversidade racial entre indicados e vencedores, pressionando a Academia a rever seus critérios e ampliar a representatividade. Esse cenário revela uma tensão entre o modelo tradicional da indústria e novas formas de produção e circulação audiovisual.

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Protestos antes do Oscar “branqueado”. Foto: picture-alliance/dpa/E. Garcia

Os documentários indicados em 2026 demonstram como a premiação também legitima narrativas sobre conflitos sociais, política e direitos humanos. As obras selecionadas abordam temas que atravessam debates globais e mobilizam diferentes formas de percepção do público. Ao destacar essas histórias, a Academia amplia a visibilidade de determinados temas e contribui para consolidar imaginários coletivos sobre justiça, poder e resistência.

O Algoritmo que Dita o Oscar em 2026: o Impacto de Redes como Letterboxd e Tiktok 

A premiação de 2026 trouxe consigo algo inédito, a mudança do prestígio cinematográfico. Não mais decididas sob exclusividade de jantares de gala em Los Angeles, agora os fenômenos que compõem o topo das discussões, nascem em listas do Letterboxd e em breves vídeos feitos no Tiktok. 

Tanto em “O agente Secreto”, como em “Bugonia” o que foi visto este ano evidenciou um novo parâmetro: o engajamento no mundo digital. O algoritmo deixa de ser apenas uma ferramenta de alcance para se tornar um termômetro da qualidade que a Academia, não consegue ignorar. 

Desde o início do ano, os veículos e perfis oficiais das premiações puderam notar a existência de um certo padrão. Eles viram como qualquer mínima menção a brasileiros e/ou à produções nacionais, levavam uma enxurrada numérica de interações, evidenciando o que já não era segredo para a Academia. Que o público brasileiro atinge patamares digitais sem paralelos, capazes de distorcer os algoritmos globais. 

Quanto ao “O Agente Secreto”, a mobilização nacional no Letterboxd mobilizou uma urgência cultural. Para o Oscar, estava sendo deixado um recado muito claro: se o público está parando para analisar cada segundo da obra, os votantes do Oscar precisam fazer o mesmo. O “boca a boca” digital brasileiro tornou-se uma métrica de sucesso que dita o ritmo das campanhas internacionais.

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Cena de “O Agente Secreto”. Foto: NEON

No entanto, nem tudo são flores. Assim como as redes sociais conseguem lutar por uma candidatura, conseguem ao mesmo tempo, destruí-la com a mesma força e vontade. Para que um filme perca seus votos na Academia, basta que surja uma corrente que destrua sua história tanto como a conduta de quem a compõe. 

No ano passado, caminhou-se assim para assim “Emília Pérez”, que teve seu favoritismo absoluto destruído. O filme de Jacques Audiard chegou à temporada com 13 indicações, mas a campanha implodiu após o resgate de posts polêmicos da protagonista Karla Sofía Gascón. Somada ao embate digital com a fanbase brasileira — que defendia o legado de Fernanda Torres — a polêmica tornou a obra “tóxica” para os votantes que temiam a repercussão negativa.

Em 2026, o cenário não é diferente. Dessa vez, o astro em ascensão Timothee Chalamet, com sua suposta invencível performance no papel de “Marty Supreme”, viu suas chances de vitória se esvaíram após a viralizar ao de um vídeo o qual o ator, desdenha de formas de artes clássicas, como o ballet e a ópera. Essa possível arrogância tomada em suas atitudes e falas, dominou o Tiktok fazendo com que seu favoritismo caísse drasticamente em poucos dias. 

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Timothée Chalamet comparece à 32ª edição anual do Actor Awards em março de 2026. Foto: Axelle/Bauer-Griffin/FilmMagic

As polêmicas não terminaram com Chalamet, pois até mesmo o aclamado “Sirât” sentiu o peso das redes. Depois do diretor Oliver Laxe menosprezar o engajamento dos membros brasileiros da Academia em uma entrevista, o filme vem sofrendo uma onda de críticas negativas tanto no Letterboxd, Instagram como nas demais redes sociais. Assim, discussões de cunho estético, se tornaram uma disputa territorial e o filme finda-se diante de uma rejeição em massa do público latino.

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Trecho do trailer oficial de “Sirat”. Foto : Retrato Filmes / Reprodução / CP

Nada mais como a indicação de “Guerreiras do K-Pop” em Animação para se exemplificar  como a linguagem das redes torna-se progressivamente mais influente para a indústria. O filme contou com edições visuais (edits) que viralizaram meses antes da estreia, criando uma familiaridade estética jamais vista. 

Essa “popularidade de prestígio” acaba forçando os membros da Academia, que historicamente priorizam grandes estúdios, a olharem para o que domina o feed e o dia a dia das pessoas. 

Assim, o Oscar 2026 foi o primeiro a ser decidido tanto no tapete vermelho quanto nas telas presentes na palma das nossas mãos. Conclui-se então, que  a democratização trazida pelo Sul Global e pelas redes existe, mas sob o custo de uma vigilância constante onde o prestígio é tão volátil quanto um vídeo viral. Os talentos nas grandes telas já não sobrevivem a um passo em falso no feed.

Não Foi Dessa Vez para o Brasil 

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Wagner Moura no Tapete Vermelho do Oscar. Foto:  Reuters/Caroline Brehman

Mesmo com grandes expectativas e advindo de uma consagrada campanha internacional, o filme brasileiro O Agente Secreto, fechou sua participação no Oscar, na noite de ontem (15), sem estatuetas. A obra concorria em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator ( Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco ( categoria estreante neste ano). 

Em Melhor Escalação de Elenco, perdeu para Uma Batalha Após a Outra, o grande vencedor da noite, com seis estatuetas, e que ganhou também como Melhor Filme, outra categoria em que O Agente Secreto também concorria.

Wagner Moura foi superado na categoria de Melhor Ator por Michael B. Jordan, de Pecadores, que finalizou a premiação com quatro Oscars. No entanto, a maior expectativa estava na categoria de Melhor Filme Internacional, levado pelo norueguês Valor Sentimental.

Apesar de não termos levado para casa os prêmios aguardados na noite mais aclamada por Hollywood, história também foi feita pelo Brasil ontem em Los Angeles. Além de ser a primeira vez que um brasileiro foi indicado na categoria, este também foi o segundo ano seguido em que um filme brasileiro foi indicado ao maior prêmio do cinema. Portanto, a mensagem que se transmite demonstra a substancialidade para o país fomentar cada vez mais a sua cultura, sua história, e a sua memória através do cinema e sobretudo, da arte. 

Referências:

https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/kleber-mendonca-filho-lamenta-entrega-de-premio-no-tapete-vermelho/#google_vignette

https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/01/04/kleber-mendonca-filho-soube-de-premio-de-o-agente-secreto-no-tapete-vermelho-de-critics-choice-awards.ghtml

https://www.papelpop.com/2026/01/kleber-mendonca-filho-reflete-sobre-entrega-de-premio-no-tapete-do-critics-choice-falta-de-atencao

https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/kleber-mendonca-filho-fala-sobre-entrega-de-premio-fora-do-palco-no-critics-choice,f4d6aa43e540126bf80b56dbd5e067afinwa2ne2.html#google_vignette

https://www.uol.com.br/splash/noticias/2026/01/06/kleber-mendonca-filho-critics-choice-awards.htm

https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/pior-da-semana-o-desrespeito-com-diretor-de-o-agente-secreto/#google_vignette

https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/por-que-o-premio-de-o-agente-secreto-foi-entregue-fora-da-cerimonia

https://cbn.globo.com/cultura/noticia/2026/01/06/kleber-mendonca-filho-se-pronuncia-apos-entrega-constrangedora-de-premio-no-critics-choice-awards.ghtml

https://www.teatrinetv.com.br/audiovisual/sem-palco-e-sem-discurso-kleber-mendonca-filho-recebe-premio-no-tapet/19625

https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2026/01/7326169-anuncio-de-premio-para-o-agente-secreto-revolta-internautas.html

https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2026/03/12/jornalista-filho-de-historiadora-e-apaixonado-pelo-recife-conheca-kleber-mendonca-filho-diretor-indicado-ao-oscar-por-o-agente-secreto.ghtml

https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/oscar-abre-portas-para-filmes-nao-americanos-especialistas-opinam

https://criticopolis.com/artigos/premiacoes-cinema-tv

https://pt.babbel.com/pt/magazine/oscar

https://www.terra.com.br/diversao/oscar-entenda-como-funciona-a-escolha-de-melhor-filme-categoria-na-qual-concorre-o-agente-secreto,ddffa603a729c2a00723f2a51a0a319fufolbo5x.html#google_vignette

https://pipelinevalor.globo.com/day-off/noticia/o-nada-secreto-soft-power-do-cinema-brasileiro.ghtml

https://revistas.belasartes.br/datavenia/article/view/436/480

https://arteref.com/mercado/o-que-e-o-global-south-no-mercado-de-arte

https://midianinja.org/opiniao/letterboxd-tiktok-e-o-algoritmo-que-passou-a-ditar-o-oscar-2026/

https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-03/oscar-2026-o-agente-secreto-encerra-campanha-sem-premios

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    Aluna da graduação em Relações Internacionais do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP e Membro Sênior do Núcleo de Comunicação do Laboratório de Análise Internacional Bertha Lutz 2026. Áreas de interesse: eleições norte-americanas, dinâmicas políticas do Sul Global, com ênfase na América Latina e no Oriente Médio, e política internacional sob a perspectiva do jornalismo.

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Aluna da graduação em Relações Internacionais do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP e Membro Sênior do Núcleo de Comunicação do Laboratório de Análise Internacional Bertha Lutz 2026. Áreas de interesse: eleições norte-americanas, dinâmicas políticas do Sul Global, com ênfase na América Latina e no Oriente Médio, e política internacional sob a perspectiva do jornalismo.