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Edição #15 Newsletter Globalidades – Conflitos no Oriente Médio: Um Panorama Histórico

Edição #15 Newsletter Globalidades – Conflitos no Oriente Médio: Um Panorama Histórico

Bem-vindo(a) à Nossa Décima Quinta Edição da Newsletter!

O LAI Bertha Lutz preparou uma newsletter para você se manter informado sobre os principais temas que podem cair em seu vestibular. A cada mês enviaremos um e-mail com as principais notícias do período, um aprofundamento de um macrotema que pode aparecer em questões e temas de redação, e, para finalizar, algumas questões de prova resolvidas para te ajudar a estudar! O tema desta edição é “Conflitos no Oriente Médio: Um Panorama Histórico”,  muito importante para entender o cenário geopolítico atual.

Este artigo é resultado de trabalho coletivo. Todos os autores contribuíram igualmente.

Notícias do Mês de Março

Novos Desfechos do Embargo Americano à Cuba

Os Estados Unidos têm utilizado seu poderio comercial para estrangular a economia cubana desde a década de 60, tendo em vista que as sanções foram formalmente estabelecidas em fevereiro de 1962, durante o governo do democrata John F. Kennedy. Essa política se iniciou no contexto do embate ideológico da Guerra Fria – na qual Cuba estava aliada à frente soviética –, mas persiste até hoje, e foi retomada de forma intensiva neste ano.

Recentemente, o governo de Donald Trump instaurou um “embargo energético” contra Cuba, com o objetivo de interromper o fornecimento de combustível à ilha. Um embargo nada mais é do que uma ferramenta de pressão política, na qual o bloco que a impôs ameaça retaliar qualquer país que mantenha relações comerciais parciais ou totais – como importações e exportações, por exemplo – com o país ou bloco econômico que é alvo do embargo.

Como resultado prático desse embargo energético, tem-se observado uma crise socioeconômica generalizada: com a falta de petróleo, serviços básicos como o fornecimento de água, a distribuição de alimentos e o abastecimento de energia são comprometidos gravemente. Além disso, todos os setores, e sobretudo o da saúde, também são prejudicados pela falta de luz, o que vulnerabiliza a situação dos cubanos e faz com que o embargo se qualifique como um ataque aos direitos humanos, tal como denunciado pela própria ONU.

Em resposta à crise, países como a Rússia, a China e o Brasil enviaram ajuda humanitária à população cubana. Os Estados Unidos, em contrapartida, não dão sinais de que o embargo será suavizado, e Donald Trump já chegou a declarar publicamente que Cuba será seu “próximo alvo” de agressão militar.

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Efeitos do embargo energético americano nas ruas de Havana. Fonte: Yamil Lage/AFP.

Os Ataques Israelenses ao Líbano

No dia 2 de março de 2026, Israel bombardeou intensivamente Dahye, um subúrbio da cidade de Beirute cuja maior parte da população é islâmica. A essa ofensiva se seguiram outras, como os saques a aldeias, a destruição de pontes e mais bombardeios a bairros xiitas. As regiões mais atingidas ficam entre o Rio Litani e a fronteira com Israel, ao sul, e compreendem uma área que o governo israelense almeja ocupar e transformar em uma  “zona de segurança”. Desde o começo dos ataques, mais de mil libaneses já foram mortos, e mais de um milhão já foram obrigados a sair de suas casas. Israel chegou a advertir os cristãos residentes no sul do Líbano de que não deveriam esconder muçulmanos em suas casas durante o avanço das forças israelenses.

E não é a primeira vez que esses ataques acontecem: o Líbano também foi um alvo regular de Israel na segunda metade do século XX, e a justificativa fornecida por Israel para essas investidas militares costuma ser sempre semelhante, isto é, o combate ao terrorismo e, mais especificamente, uma guerra contra o Hezbollah. O Hezbollah é uma organização política paramilitar libanesa associada aos xiitas (grupo que representa um ramo do Islamismo), que foi fundada na década de 80 em resposta, justamente, às invasões israelenses. Ela é, desde sua fundação, a principal forma de resistência armada libanesa e de combate ao sionismo. Na desigualdade do alcance de serviços sociais em uma sociedade libanesa tão dividida em seitas religiosas, ainda, o Hezbollah se estabeleceu como operador de escolas, hospitais e alimentação básica para algumas comunidades marginalizadas.

Entretanto, a desculpa do Hezbollah esconde objetivos mais amplos, que têm muito a ver com questões econômicas: o Líbano possui, afinal, reservas de petróleo e de gás natural. Nesse sentido, esses ataques representam um segmento do genocídio perpetrado por Israel na Palestina, e configuram uma tentativa de avanço nos planos israelenses para a Ásia Ocidental, ou seja, a ampliação de suas fronteiras – e, consequentemente, de seu poder econômico – por meio do deslocamento forçado e da tomada de territórios que pertencem e pertenceram, por séculos, a populações árabes. Para a concretização desse projeto de caráter sionista – sendo o sionismo uma doutrina racista que defende a supremacia do povo judeu e que serviu como base para a instalação do Estado de Israel em território palestino, no ano de 1947 –, Israel conta com o apoio incondicional dos Estados Unidos, nos sentidos político, econômico e militar.

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Libaneses observam a fumaça resultante dos ataques israelenses ao sul do Líbano. Fonte: Reuters.

Governo Interino e Alívio das Sanções ao Petróleo Venezuelano 

Após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro no início do ano, a vice-presidenta Delcy Rodriguez assumiu a presidência do país sob forte pressão do governo de Donald Trump. Delcy restabeleceu relações diplomáticas com os Estados Unidos – rompidas em 2019 -, aprovou uma lei para libertar presos políticos e promoveu reformas no vasto setor petrolífero do país, de modo a reabrir investimentos das gigantes petrolíferas estadunidenses na Venezuela. Donald Trump chegou a afirmar que está no comando do país latino e que comercializaria o seu petróleo, além de ressaltar que a presidenta está fazendo um “ótimo trabalho” ao ceder aos seus interesses políticos e econômicos. 

Em razão do fechamento do Estreito de Ormuz – local em que cerca de 20% do petróleo global é transportado – por parte do Irã em decorrência dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao país persa, houve um aumento expressivo nos preços dos combustíveis, pressionando a inflação global e impondo os custos políticos da guerra a Trump, que vê a sua popularidade ruir com sua impopular incursão no Irã em pleno ano das midterms, eleições que serão responsáveis por renovar toda a Câmara de Deputados e ⅓ do Senado estadunidense.  

Diante desta conjuntura, no dia 18 de março, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos flexibilizou as sanções impostas à Venezuela, permitindo que empresas estadunidenses realizem negócios com a PDVSA, estatal venezuelana de petróleo. Assim, em uma drástica mudança de postura em relação aos últimos anos, há uma ampla autorização para que a PDVSA venda petróleo diretamente para empresas estadunidenses e para os mercados globais, a fim de aumentar a oferta global de combustíveis e diminuir os seus preços enquanto a guerra com o Irã e os seus impactos inflacionários parecem estar longe de um fim.

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Alívio das sanções ao petróleo venezuelano buscam diminuir o preço dos combustíveis em meio a guerra com o Irã. Fonte: Leonardo Fernandez Viloria/ REUTERS.

Quando a Lei Prevê o Genocídio: Pena de Morte para os Palestinos

Em outubro de 2025, Israel e o Hamas assinaram, com a mediação dos EUA, um acordo de cessar-fogo que previa a troca de reféns, a entrada da ajuda humanitária nos territórios palestinos ocupados e o fim das hostilidades. Esses termos, entretanto, nunca se concretizaram de fato – pelo contrário, o propósito sionista de promover a limpeza étnica do povo palestino está cada vez mais consolidado nas estruturas administrativas israelenses. Prova disso é a aprovação, pelo Knesset (Parlamento Israelense), no dia 30 de março de 2026, de uma lei que prevê a pena de morte para os palestinos. De acordo com ela, todos os palestinos condenados em tribunais militares israelenses por participar de “ataques terroristas letais” serão executados por enforcamento em até 90 dias.

A legislação, encabeçada pelo ministro de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, foi defendida ativamente pela extrema-direita, e estabelece como característica de um “ato terrorista” a “negação da existência do Estado de Israel”. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, votou a favor.

A aprovação foi recebida com notas de repúdio emitidas por outros países árabes, e com uma greve geral na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, com fechamento de lojas e de instituições públicas palestinas. Os manifestantes foram atacados brutalmente pelos militares israelenses, que dispararam contra eles gás lacrimogêneo e balas de borracha.

O episódio aconteceu quase simultaneamente a outro evento polêmico: no Brasil, no dia 26 de março,  a deputada Tabata Amaral, de centro-direita, apresentou, na Câmara, o PL 1424/2026, projeto de lei que “define antissemitismo com a finalidade de instruir as políticas públicas nacionais”. A proposta inclui a classificação de atos de antissemitismo como atos de racismo “nos termos da Lei nº 7.716/1989, com todos os seus efeitos”, ou seja, propõe que esses atos sejam passíveis de punições como reclusão e multas. A principal crítica à proposta da deputada, entretanto, se refere ao fato de que a definição de “antissemitismo” prevista no projeto é aquela adotada pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), uma organização de caráter sionista apoiada pelo governo de Israel.

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O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, um dos mais notórios defensores da lei, utiliza um broche em formato de forca em referência à forma de execução dos condenados. Fonte: Kobi Wolf/Bloomberg/Getty Images.
 

 Reforma Trabalhista na Argentina

Na Argentina, o presidente de extrema direita Javier Milei continua com a sua agenda de neoliberal de austeridade fiscal e de desestruturação da atuação do Estado na economia. Após ser aprovada pelo Senado, a proposta de reforma trabalhista proposta pela Casa Rosada foi aprovada pela Câmara em meio a uma greve geral dos trabalhadores argentinos e, devido às alterações no texto, voltou ao Senado federal, onde foi aprovada novamente e sancionada pelo presidente.

A nova legislação prevê a possibilidade de jornadas de trabalho de até 12 horas – mantendo o limite de 48 horas semanais -, a ampliação do período de experiência de 3 para 12 meses e a modificação dos cálculos de indenizações por demissões, excluindo o 13º salário e bonificações recebidas ao longo dos anos. A reforma também limita o direito de greve, estabelecendo que serviços essenciais como saúde, educação, transporte público, coleta de lixo e operações aeronáuticas precisam manter uma prestação de serviços mínima de 75% durante as paralisações. 

Além de todos estes desmontes na legislação trabalhista, o texto ainda permite o fracionamento das férias em períodos mínimos de 7 dias e modifica a remuneração de horas extras, possibilitando a criação de um banco de horas para compensação com folgas, ao invés do pagamento de adicionais em vigor atualmente.

Em meio a uma onda global de ataque aos direitos trabalhistas, a medida  enfrentou forte resistência dos sindicatos argentinos. Eles afirmam que a reforma irá precarizar as condições de trabalho ao eliminar direitos arduamente conquistados pela classe trabalhadora. O governo, em contrapartida, defende que a nova legislação reduzirá o custo de contratação e, consequentemente, irá diminuir o enorme mercado de trabalho informal do país, composto por cerca de 40% dos trabalhadores argentinos. Todavia, este argumento não se sustenta, já que a reforma dificulta o reconhecimento de vínculos empregatícios e busca limitar a atuação dos sindicatos.

No entanto, no fim de março, a Justiça Argentina suspendeu pontos centrais da reforma. A decisão provisória atinge 82 artigos da lei e suspende a ampliação da jornada de trabalho para até 12 horas diárias, a compensação de horas extras em folgas, a redução e o parcelamento de indenizações por demissões e as restrições ao direito de greve. No entanto, a suspensão é temporária e o governo deve recorrer.

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Senadores argentinos comemorando a aprovação da Reforma Trabalhista. Fonte: Matias Baglietto/ Reuters.

Contra a Corrente: Espanha Condena Ataques dos EUA e Israel ao Irã

Enquanto grande parte dos países europeus evita contrariar as demandas do presidente americano, o premiê espanhol, Pedro Sanchez, decidiu se opor diretamente aos ataques americanos infligidos ao Irã. Em uma declaração pública, o chefe de Estado europeu afirmou que devem haver outras alternativas ao mundo melhores do que “resolver problemas por meio de conflitos e bombas”. 

O Governo assumiu uma posição de contraponto ao restante do continente ao negar que os EUA usassem as bases americanas mantidas pelo Pentágono no território espanhol, nas cidades de Rota e Morón, para realizar ataques ao Oriente Médio. O Governo de Madri afirmou que a “ação unilateral” não condiz com a lei internacional – apesar de condenar também a repressão do regime iraniano.

A resposta do governo americano veio em forma de ameaças. O presidente Trump, anunciou que iria impor embargos comerciais ao país e cortar qualquer laço político. Contudo, a União Europeia apontou que a Casa Branca não pode direcionar sanções a um integrante do grupo, além de que esse mecanismo só pode ser usado em países que infringem direitos humanos.

Enquanto isso, a Inglaterra concedeu o uso de sua base no Oceano Índico aos americanos. O chanceler Alemão teve um encontro com Trump na Casa Branca e disse que ambos os países estão perfeitamente alinhados em suas políticas externas. Ao mesmo tempo, o Governo Francês se contradisse ao classificar os ataques como “fora da Lei Internacional” e, em seguida, ter permitido o uso de bases militares francesas para ofensivas de Trump. Já a União Europeia, sob comando de Ursula Von Der Leyen, pediu que Trump prezasse pelo Direito Internacional, mas não se mobilizou em relação aos ataques.

Essa não foi a primeira vez que o premiê foi visto como antagonista da política europeia. Sanchez foi o primeiro líder do ocidente a chamar de Genocídio os crimes de Guerra cometidos por Israel em Gaza. Isso é resultado, principalmente, da coalizão de governo, Sumar, que lidera a Espanha e da qual o presidente faz parte. O premiê deve sempre seguir as inclinações da coalizão de esquerda, que tem uma forte tradição anti-americana. 

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Primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez. Fonte: Palacio de la Moncloa.

 As Eleições na Hungria e o Futuro da OTAN 

No dia 12 de abril de 2026, a Hungria passará por eleições presidenciais que poderão definir o clima político da OTAN. O país faz parte da organização desde 1999, porém adota constantemente uma postura divergente, atrasando a adesão da Suécia – aprovada desde 2024 –  e evitando o envolvimento no conflito entre Rússia e Ucrânia. Estarão em disputa 199 cadeiras na Assembleia nacional húngara. O cenário de disputa é desenhado por Viktor Orban, atual primeiro-ministro de extrema direita do país, que está no poder desde 2010 e buscando a reeleição contra o jovem de centro-direita Peter Magyar. 

A Hungria vem experienciando um declínio democrático há anos. Orban e seu partido, Fidesz, alteraram a legislação eleitoral de modo a beneficiar seu próprio partido nas eleições. O primeiro-ministro húngaro também aparelhou o judiciário e enfraqueceu a mídia independente no país. Contudo, a oposição uniu forças em torno do candidato de centro-direita pró-União européia Peter Magyar do partido Tisza para derrotar Orban, com destaque ao eleitorado mais jovem. Pesquisas de opinião mostram que há chances consideráveis de Orban perder sua maioria no parlamento pela primeira vez em 12 anos. Na campanha eleitoral, Orban busca se apresentar como um defensor da civilização européia e dos valores cristãos, mobilizando seus eleitores através de pautas culturais e buscando se consolidar como uma liderança global da extrema-direita. Orban também conta com o apoio de Donald Trump. Porém, a crise da economia húngara e uma piora nos setores da educação e da saúde podem dificultar sua vitória nas urnas.

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Premiê húngaro Viktor Orban acena a apoiadores durante último comício do partido Fidesz nesta sexta-feira (6) na cidade de Szekesfehervar. Fonte: Darko Vojinovic/AP Photo.

Macrotema: Conflitos no Oriente Médio

Desenho do Oriente Médio: Sykes-Picot e a Conferência de São Remo

Ao longo da história, o mundo árabe passou por diversas transformações, conflitos territoriais, limpezas étnicas e genocídios, muitas vezes motivados por recursos naturais abundantes na região. O Oriente Médio que conhecemos hoje, por sua vez, com suas divisões e fronteiras multifacetadas, é um resultado direto dos tratados e conferências que ocorreram após o fim da Primeira Guerra Mundial, entre os países vencedores. A vitória da Tríplice Entente, formada Inglaterra, Rússia e França, e a consequente derrota da Tríplice Aliança, da qual fazia parte o Império Otomano – que abrangia grande parte do que é hoje o Oriente Médio – teve como resultado a redistribuição dos territórios vencidos.

Nesse contexto, o Tratado de Sykes-Picot foi uma convenção feita entre representantes da Inglaterra e da França para definir o desmembramento do Império Otomano. O acordo levou a divisão dos territorios que formam a Siria, o Iraque, o Líbano e também a Palestina, que passaram a ser administrados por franceses e ingleses. As negociacoes se iniciaram em 1915, pelos diplomatas Sir Mark Sykes, representante da Inglaterra e François Georges-Picot, representante Frances, que dão nome ao acordo. A ratificação do documento fez com que nações arabes, que na teoria haviam se tornado independentes, continuassem sob domínio europeu.

Após o fim da Primeira Guerra, os arranjos do acordo foram formalmente institucionalizados pela Liga das Nações, na Conferência de São Remo de 1920. Além de redistribuir os territórios arabes, as negociações foram também o contexto da Declaração de Balfour, em que a Ingleterra defendeu que os judeus tinham direito a terra no território da Palestina.

Documentos da epoca revelam que esses arranjos não eram temporarios, pensados como um cenário de transição pós-guerra, mas sim um construção de governos sob tutela colonial. O Irã – que não era parte do Império Otomano e não teve suas fronteiras redesenhadas por São Remo – foi impactado diretamente. Estava cercado pelo domínio ingles de leste a oeste: O Iraque sob dominio ingles na fronteira ocidental, a influencia britanica no Afegansitão e, ainda, o interesse no “ouro negro”, como era chamado o petróleo, na região ao Sul. Esse cerco histórico é peça chave para entender a situação do Irã atualmente.

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Mapa do Acordo de Sykes-Picot. Fonte: BBC.

A Revolução de 1979

As décadas de influência britanica no Irã, resultantes do interesse pelo petroleo da região, marcaram um período de um governo ocidentalizado, mas ainda com forte repressão política. Nesse período, o país era governado pelo chá Mohammad Reza Pahlavi, que tinha forte apoio dos EUA e promovia um processo de modernização com a Revolução Branca, um conjunto de reformas voltadas para modernizar a economia. Contudo, apesar das mudanças, a riqueza não era bem distribuída, muita gente vivia na pobreza e havia forte presença da SAVAK, a polícia secreta do regime, conhecida por práticas de tortura e vigilância. Além disso, parte da população sentia que a cultura e a religião estavam sendo atacadas, vendo essas mudanças como uma ameaça às tradições do país.

Nesse contexto, surge o aiatolá Ruhollah Khomeini como principal opositor ao governo. Mesmo exilado na França, suas ideias se espalhavam pelo Irã e ganhavam forte apoio popular. A população passou a se manifestar e os protestos se intensificaram, unindo diferentes grupos da sociedade, que começaram a se unir contra o regime do Xá. Com greves, principalmente no setor de petróleo, crise econômica e com a perda do apoio estrangeiro, o Xá saiu do país no início de 1979. Pouco depois, Khomeini voltou ao Irã após anos de exílio. Em abril, um referendo apoiado por aproximadamente 99% dos eleitores acabou com a monarquia e criou a República Islâmica.

Como resultado, a Revolução Iraniana de 1979 deu origem à República Islâmica do Irã, que, sob a liderança do aiatolá (líder religioso importante no islamismo xiita), passou a ter as leis do país baseadas na xaria (leis islâmicas) e a adotar uma postura contrária ao Ocidente. Com isso, a cultura e o governo de um país rico, que antes era apoiado pelos EUA, passaram por uma mudança radical, consolidando o Irã como centro de diversos conflitos no Oriente Médio. Até os dias atuais, questões como o programa nuclear iraniano, sua influência no Líbano e na Síria e as tensões com o Ocidente mostram como esse processo histórico ainda impacta a região.

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Um grupo porta armas em Teerã após saquear guarnições do exército no final da tarde do dia da vitória da Revolução Iraniana, em 11 de fevereiro de 1979. Fonte: Kaveh Kazemi/Getty Images.

Respingos da Guerra: Outros Países Envolvidos

Assim como na maioria dos conflitos geopolíticos, a disputa por poder entre Israel e Irã não envolve apenas as partes diretamente relacionadas; muitos outros interesses nacionais são colocados em jogo com o desdobramento do conflito. Esse é o caso de países geograficamente próximos do epicentro das disputas, como é o caso do Chipre, Líbano e Iraque.

O Chipre é uma pequena ilha no extremo leste do Mar Mediterrâneo, muito próximo à costa asiática. Apesar de se encontrar mais próximo do Oriente Médio do que da Europa, o país é membro signatário da União Europeia (UE) desde 2004, se tornando, assim, ponto estratégico para a geopolítica da região. Se, por um lado, o Chipre sente-se protegido pela UE, por outro a ilha põe um alvo nas próprias costas por ser uma representante dos interesses europeus territorialmente tão próxima do Oriente. Como estratégia europeia, a ilha abriga bases militares muito próximas a territórios entendidos como possíveis ameaças para a Organização. Em meio ao conflito Irã x Israel, a base militar britânica no Chipre foi atingida por um ataque de drones. A ofensiva marcou o primeiro envolvimento oficial da UE no conflito que pode, futuramente, desembocar na escalada de tensões no velho continente.

País vizinho ao Irã, o Iraque encontra-se imerso no conflito. A participação iraquiana no conflito se dá através da atuação de milícias aliadas aos interesses iranianos e aos ideais anti-estadunidenses. Os grupos paramilitares vêm mostrando cada vez mais força e influência no cenário nacional enquanto, simultaneamente, prestam apoio às causas iranianas. Milícias como a Kata´ib Hezbollah vem realizando ataques a embaixadas americanas e israelenses por todo o Oriente Médio, sendo as primeiras semanas de março o período de maior intensidade dos ataques. O Iraque não é a única fonte de milícias envolvidas no conflito. Muito pelo contrário: grupos oriundos da Síria, do Líbano, do Iêmen, entre outros, também se destacam como importantes expoentes aliados à resistência iraniana.

O Líbano tem um longo histórico de conflitos com os dois países do Oriente Médio centralmente envolvidos na guerra atual. No conflito atual, o início do seu envolvimento é marcado, no dia 2 de março, pelos ataques à Israel em retaliação ao assassinato do Ali Khamenei, líder supremo do Irã. A autoria do ataque foi reivindicada pelo Hezbollah, grupo paramilitar libanês. Desde então, o país vem sendo alvo de diversas ofensivas israelenses, tanto por ataques aéreos a Beirute, capital do país, quanto em campanhas militares pelo sul do país.

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Fonte: Mohammad Zaatari/ The AP.

Interesse Europeu (OTAN), Rússia e China

A região do Oriente Médio é terreno de muitas disputas geopolíticas ligadas a interesses de grandes potências mundiais, como China, Rússia e países europeus membros da OTAN. Nesse momento, trataremos brevemente sobre a relação entre estes atores e a região.

(i) OTAN

É comum que a presença da OTAN na região seja justificada através de argumentos sobre “segurança regional” relacionadas à Turquia. Este país, membro da aliança, é considerado geograficamente estratégico por ligar a Europa ao Oriente Médio, e pelo mesmo motivo, também é visto como uma zona de perigo que deve ser protegida das “ameaças” vindas de países islâmicos. Assim, devido à essa retórica, bases militares e sistemas de defesa ocidentais são instalados na região.

No entanto, essas atitudes consequentemente colaboram com a política imperialista da organização. Mesmo que de forma discreta, a aliança militar desestabiliza o território e enfraquece as nações locais com o intuito de expandir sua influência e controle sobre o Oriente Médio.

Atualmente a OTAN sofre pressão dos Estados Unidos para assumir uma postura ativa na guerra contra o Irã, com foco no Estreito de Ormuz. Entretanto, apesar de alguns membros terem elogiado as ações contra Teerã, a organização decidiu manter a posição defensiva.

(ii) China e Rússia

Rússia e China também possuem interesse no Oriente Médio, de forma que ambas se projetam na região, no entanto, suas presenças são essencialmente diferentes entre si.

A relação da China com o território é majoritariamente comercial e econômica, com foco na segurança energética chinesa. Beijing é o principal parceiro econômico de muitos países médio-orientais, fornecendo não apenas produtos, mas também investimentos, infraestrutura e tecnologia. Essa troca é muito estratégica e tem como plano de fundo a expansão de soft power e a consolidação da Nova Rota da Seda, ambicioso projeto chinês.

Entretanto, o interesse por recursos energéticos se sobrepõe a qualquer outro. Mais de 50% do petróleo consumido no país asiático é importado do Oriente Médio, sobretudo da Arábia Saudita e do Irã. Nesse sentido, o conflito atual envolvendo os EUA preocupa diretamente a China, que se posiciona como mediadora diplomática.

A presença russa na região, por sua vez, tem caráter predominantemente militar. Apesar de também se interessar pela questão energética, a natureza dessa ambição é menos pelos recursos em si e mais pelo controle de preços do petróleo envolvendo a OPEC+.

No entanto, o Kremlin se destaca por sua postura substancialmente militar. Uma das retóricas russas para isso é a “contenção do extremismo islâmico” nas regiões de fronteira, como o caso da Chechênia, e o outro é a retenção da hegemonia militar norteamericana no território. Em relação à última, a Rússia consolida fortes alianças assumidamente anti ocidentais com países do Oriente Médio, sendo a principal delas com o Irã, de forma que no contexto atual, fornece muitos dados de inteligência e tecnologia ao país persa, mas sem entrar diretamente no conflito.

Os Interesses dos Estados Unidos e Israel no Conflito

Ao observar a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, é perceptível que os ataques ao território iraniano vão além das justificativas apresentadas, como a necessidade de neutralizar o programa nuclear e de mísseis balísticos do país. Nesse sentido, essas ações podem ser entendidas como parte de uma estratégia mais ampla de atuação no Oriente Médio, envolvendo interesses que não se explicitam integralmente no discurso oficial. Esses interesses manifestam-se tanto na atuação conjunta entre Estados Unidos e Israel, enquanto aliança estratégica, quanto nas motivações específicas de cada país, evidenciando um cenário complexo.

Por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, os objetivos militares e estratégicos em relação ao Irã têm se mostrado variáveis e incertos. O presidente demonstra interesse na implementação do modelo venezuelano para o Irã, que se baseia em aliar-se a um membro pragmático do regime. Essa forma de controle, chamada de Regime-Fantoche, é vista como uma saída para atingir seus objetivos no país persa. Dentre esses objetivos, destaca-se o controle do petróleo, uma vez que o Oriente Médio ocupa uma posição central no cenário internacional no que tange à concentração de reservas de petróleo possuindo 48,3% das reservas mundiais. A busca pela hegemonia e poder geopolítico na região é também uma motivação para os ataques visto que, além das grandes reservas, a presença de rotas estratégicas de transporte, como o Estreito de Ormuz, situado entre três continentes (Europa, Ásia e África) e fundamental para o funcionamento da economia global, assegura vantagens no sistema internacional.

Nesse contexto, observa-se que os Estados Unidos e Israel compartilham o objetivo de conter um adversário comum, o que fortalece a cooperação tecnológica e militar entre ambos, caracterizando uma parceria estratégica.  Apesar dessa convergência, há divergências quanto às formas de atuação: enquanto os Estados Unidos, em determinados momentos, priorizam abordagens diplomáticas e negociações, Israel tende a adotar uma postura mais direta e militarizada ao longo do conflito.

Portanto, evidencia-se que os conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã não se restringem a disputas pontuais, mas integram uma dinâmica de competição por poder, influência e controle de recursos estratégicos. Seus efeitos, que se manifestam nas esferas política, econômica e logística, revelam a interdependência do sistema internacional e a centralidade do Oriente Médio na organização da ordem global contemporânea.

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O fechamento do Estreito de Ormuz causou sérios problemas no abastecimento de petróleo no mundo. Fonte: Getty Images via BBC.

Recomendação Cultural

“Foi Apenas um Acidente”, de Jafar Panahi (2025)

O filme retrata a história de Vahid, um ex-preso político e mecânico, que recebe em sua oficina um homem que ele acredita ser seu torturador. Na tentativa de confirmar a identidade do sujeito, Vahid e seus ex-companheiros de cela vivem dilemas morais enquanto enfretam traumas do passado, o medo e a injustiça. A produção, indicada ao Oscar de 2026 nas categorias de Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Internacional, aborda a repressão estatal que assola o Irã e coloca-se aos olhos de críticos do cinema internacional como uma forma de resistência silenciosa ao atual regime.

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Mohamad Ali Elyasmehr, Majid Panahi e Hadis Pakbaten em cena de ‘Foi apenas um acidente’. Fonte: Divulgação.

Questões de Vestibulares

1- (UNIFESP 2007)

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A charge, publicada em 07 de julho 2006, faz alusão à

a) Ocupação, por militares dos Estados Unidos, do Iraque, acusado de manter armas nucleares.

b) Contraofensiva de Israel ao Líbano, em resposta a agressões promovidas pelo Hezbollah.

c) Presença militar do Ocidente no Oriente Médio, para garantir o acesso a recursos energéticos.

d) Rejeição às forças de paz da ONU, que não evitaram a eclosão de novos conflitos árabe-israelenses.

e) Ação militar de Israel em reação às lideranças do Hamas, que exercem o poder na Palestina.

2- (ENEM 2016)

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A memória recuperada pela autora apresenta a relação entre

a) Conflito trabalhista e engajamento sindical.

b) Organização familiar e proteção à infância.

c) Centralização econômica e pregação religiosa.

d) Estrutura educacional e desigualdade de renda.

e) Transformação política e modificação de costumes.

3- (UFPR)

Rússia e China se opuseram a intervenções militares na Síria ao longo dos 17 meses de um conflito sangrento entre rebeldes e as tropas leais ao presidente sírio, Bashar al-Assad. Os dois países vetaram três resoluções defendidas por estados árabes e potências ocidentais no Conselho de Segurança da ONU, que aumentariam a pressão sobre Damasco para encerrar a violência.

Sobre os conflitos recentes do Oriente Médio, é correto afirmar:

a) Tais conflitos resultam do acomodamento de tensões geopolíticas que deram origem ao mundo bipolar, representado pelo socialismo e pelo capitalismo, liderados pela União Soviética e pelos Estados Unidos, respectivamente.

b) As manifestações que têm, sucessivamente, ocorrido no mundo árabe podem ser explicadas notadamente como conflitos de ordem econômica, haja vista a dimensão que o petróleo possui para a economia daqueles países.

c) O movimento conhecido como Primavera Árabe tem derrubado muitos governos no Oriente Médio, mas não tem implicado mudanças na organização política desses países.

d) Após o término da Guerra Fria, conflitos internos, isto é, que ocorrem dentro de cada Estado-nação, passaram a ter efeitos regionais, motivo pelo qual Rússia e China vetaram as resoluções da ONU, que envolviam potências ocidentais.

e) Os interesses e as estratégias geopolíticas globais de potências ocidentais e orientais dependem do equilíbrio regional que se estabelece no Oriente Médio.

4- (Vunesp 1997)

O Oriente Médio é uma área estratégica do mundo atual, não só por ser uma região de passagem entre Europa, Ásia e África, mas também por possuir mais da metade das reservas de petróleo do mundo. Esta riqueza não está igualmente distribuída entre os países que o constituem.Considere essas informações e responda.

a) Quais os países do Oriente Médio que possuem as maiores reservas de petróleo? Porque a maioria da população não se beneficia igualmente das divisas geradas por este recurso?

b) Porque Arabia Saudita e Irã disputam a soberania sobre o Estreito de Ormuz?

5- (UECE)

Os árabes e os iranianos usam o acrônimo “Daash” ou “Daesh” que em inglês é ISIS “Islamic State in Iraq and Syria”, cuja tradução para o português é ‘Estado Islâmico no Iraque e na Síria’, para identificar um grupo que ocupou parte do leste da Síria e do oeste do Iraque. Esse grupo tem avançado violentamente contra curdos, xiitas e outros grupos étnicos, além de promover ataques terroristas e divulgar, na mídia, cenas de execuções de jornalistas ocidentais. Sobre as razões da origem do Estado Islâmico, é correto afirmar que

a) Tem como ponto de partida a invasão do Iraque pelos EUA e o consequente desmantelamento desse Estado.

b) Se originou nos campos de batalha do Afeganistão, com o financiamento do governo francês.

c) Foi criado pelo governo da Arábia Saudita, para manter os preços do petróleo favoráveis a este país.

d) É um grupo criado como base de apoio do presidente sírio Bashar al-Assad.

Gabarito

Resposta da questão 1: [E]

Na charge, observa-se a indicação GAZA, onde está a sede da AP (Autoridade Palestina), que tem na liderança o grupo extremista Hamas, eleito em 2006.

Resposta da questão 2: [E]

A memória trata de conservar, adquirir e armazenar informações que fazem parte de algum momento retratado para um indivíduo. A questão faz menção a uma alteração política que foi vivida que gerou uma mudança cultural impactante num dado período.

Resposta da questão 3: [E]

Em grande parte devido ao petróleo.

Resposta da questão 4:

a) A Arabia Saudita, Irã, Iraque e Kuait. A maioria da população não tem acesso às riquezas geradas pelo petroleo, pois as reservas estão nas maos de poucas familias arabes.

b) O estreito de Ormuz é uma região estratégica, pois por ele temos a passagem de grande parte do petróleo produzido no Oriente Médio.

Resposta da questão 5: [A]

O Estado Islâmico (ISIS) surgiu após a invasão do Iraque pelos EUA em 2003 e o subsequente desmantelamento do Estado iraquiano. Isso criou um vácuo de poder que ajudou a promover o surgimento do grupo extremista na região.

Fontes

CARNEGIE ENDOWMENT FOR INTERNATIONAL PEACE. Iran, US, Israel: goals diverge on oil and leadership. Disponível em: https://carnegieendowment.org/emissary/2026/03/iran-us-israel-goals-diverge-oil-leaders.

CENTER FOR STRATEGIC AND INTERNATIONAL STUDIES (CSIS). Inside Trump’s strike: Iran’s nuclear program. Disponível em: https://www.csis.org/analysis/inside-trumps-strike-irans-nuclear-program.

CNN BRASIL. Como foi a revolução de 1979 que instituiu regime dos aiatolás no Irã. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/como-foi-a-revolucao-de-1979-que-instituiu-regime-dos-aiatolas-no-ira/.

CNN BRASIL. Drone que atingiu base no Chipre não foi lançado do Irã, diz Reino Unido. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/drone-que-atingiu-base-no-chipre-nao-foi-lancado-do-ira-diz-reino-unido/.

CNN BRASIL. OTAN não tem planos de se envolver na guerra com Irã, diz chefe da aliança. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/otan-nao-tem-planos-de-se-envolver-na-guerra-com-ira-diz-chefe-da-alianca/.

DIÁLOGOS DO SUL. Quadro na Síria é parte do plano da OTAN para dissolver estados seculares do Oriente Médio. Disponível em: https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/quadro-na-siria-e-parte-do-plano-da-otan-para-dissolver-estados-seculares-do-oriente-medio/.

ECHOROUK ONLINE. From Sykes-Picot to the Iran war: a century of imperial engineering reaches its limits. Disponível em: https://www.echoroukonline.com/from-sykes-picot-to-the-iran-war-a-century-of-imperial-engineering-reaches-its-limits.

ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA. Conference of San Remo. Disponível em: https://www.britannica.com/event/Conference-of-San-Remo.

ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA. Iranian Revolution. Disponível em: https://www.britannica.com/event/Iranian-Revolution.

ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA. Sykes-Picot Agreement. Disponível em: https://www.britannica.com/event/Sykes-Picot-Agreement.

FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV). Os objetivos geopolíticos americanos na Guerra do Ira: contenção da China e da Rússia. Disponível em: https://portal.fgv.br/artigos/os-objetivos-geopoliticos-americanos-na-guerra-do-ira-contencao-da-china-e-da-russia-e?nid=23979.

G1. ONU alerta para risco real de catástrofe humanitária no Líbano. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/27/onu-alerta-para-risco-real-de-catastrofe-humanitaria-no-libano.ghtml.

OBSERVA CHINA. A estratégia da China no Oriente Médio. Disponível em: https://www.observachina.org/articles/a-estrategia-da-china-no-oriente-medio.

TERRA. Irã alerta contra ações defensivas da Europa: “atos de guerra”. Disponível em: https://www.terra.com.br/noticias/mundo/ira-alerta-contra-acoes-defensivas-da-europa-atos-de-guerra,717270265b24f68190806438c0aa0878k4tuy3pv.html.

VEJA. Milícias pró-Irã intensificam ataques contra EUA e Israel no Oriente Médio. Disponível em: https://veja.abril.com.br/mundo/milicias-pro-ira-intensificam-ataques-contra-eua-e-israel-no-oriente-medio/.

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    Fundado por alunos de Relações Internacionais da USP, somos um grupo de extensão que tem como missão promover a pesquisa e a extensão universitária na área de Relações Internacionais.

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