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RI NAS REDES: Qual o papel dos internacionalistas em um mundo caótico?

RI NAS REDES: Qual o papel dos internacionalistas em um mundo caótico?

O Laboratório de Análise Internacional (LAI-BL), em parceria com a RI USP Jr., realizou, no dia 22 de abril de 2026, o evento “RI nas Redes: Qual o papel dos internacionalistas em um mundo caótico?”, com a participação das convidadas, formadas em Relações Internacionais (RI), Fernanda Concon (PUC-SP), Miwa Kashiwagi (FGV-SP) e Martina Giovanetti (Unifesp). O Auditório István Jancsó, da Biblioteca Brasiliana José Mindlin, foi o local escolhido para sediar o evento, que contou com a participação de estudantes da Universidade de São Paulo (USP), além de docentes e a comunidade acadêmica de outras instituições de ensino superior.

A escolha do tema do encontro foi orientada pelos recentes acontecimentos do mundo contemporâneo e pensada a fim de promover o debate acerca do trabalho do internacionalista enquanto profissional preparado, ao longo de sua formação, para analisar contextos mundiais complexos. Nesse sentido, as convidadas foram chamadas por serem referências na divulgação e análise de temas internacionais nas redes sociais. Esse aspecto foi ressaltado durante a palestra, referenciando o nome pela qual o trio é conhecido popularmente: “A Santíssima Trindade das RI”. 

DSC_7897-1024x684 RI NAS REDES: Qual o papel dos internacionalistas em um mundo caótico?

Fernanda Concon, além de internacionalista, também construiu uma sólida carreira nas mídias brasileiras como atriz e apresentadora. Um de seus papéis mais memoráveis na televisão foi a personagem Alice, na novela “Carrossel”. É bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), além de Mestranda Stricto Sensu em Relações Internacionais e Estudos de Segurança Nacional pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pós-graduanda Lato Sensu em Comunicação e Jornalismo pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). 

Miwa Kashiwagi é bacharel em Relações Internacionais e também mestranda em Gestão de Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), além de atuar como Assessora de Coordenação e Internacionalização na mesma instituição em que se formou. Paralelamente, Miwa também é criadora de conteúdo digital nas redes sociais, englobando seu dia a dia, experiências e vida acadêmica.

Já Martina Giovanetti é uma Influenciadora Digital e criadora de conteúdo na Agência Let’s, além de embaixadora da plataforma Playnest e Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Seus conteúdos buscam levar as Relações Internacionais para o público, comentando eventos mundiais, reflexões acerca deles e também dicas para aprofundar-se nas RI’s, sempre de forma didática e visando a excelência em seus vídeos. 

Durante o evento, que se desenvolveu em formato de bate-papo, as interações leves e risadas tomaram conta do espaço, mas sem tirar a seriedade dos discursos das convidadas e dos posicionamentos sobre a área das Relações Internacionais. 

Questões relevantes foram trazidas não apenas pelas palestrantes, mas também pela plateia presente, como a empregabilidade e a inserção do internacionalista no mercado de trabalho, experiências da trajetória acadêmica que colaboraram para suas carreiras atuais e a formação teórico-prática do profissional em Relações Internacionais. A importância do reconhecimento social, diante do impacto que o estudo dessa área exerce no cotidiano das pessoas, foi outro aspecto destacado pelas convidadas, que trouxeram a necessidade de democratizar cada vez mais o campo das RI’s. Em consonância com a democratização da área, o LAI – projeto desenvolvido por estudantes de graduação da USP –, busca promover o compartilhamento de notícias, informações e conhecimento acadêmico através de artigos, vídeos, posts e textos publicados em seus canais de informação, como Instagram, TikTok e no próprio site da Instituição. 

Ao serem questionadas sobre o papel do internacionalista e sobre a necessidade – ou não – de expressar opiniões pessoais em seu trabalho, Martina afirmou que o papel desse profissional não é fornecer informações de maneira completamente imparcial, posicionamento que foi reforçado pelas demais participantes. Ainda assim, as três destacaram a importância de cautela ao comentar acontecimentos internacionais, ressaltando a necessidade de analisar e relacionar diferentes fontes antes de elaborar uma opinião a respeito. Essa perspectiva está diretamente ligada à responsabilidade que possuem, enquanto criadoras de conteúdo, de se manterem atualizadas e de transmitir informações fundamentadas ao público. Assim, é fundamental que se tenha a clareza de que, ao abordar temas frequentemente pouco conhecidos por seu público, não basta apenas apresentar análises embasadas, sendo também necessário nomear e contextualizar adequadamente os acontecimentos. Como ressaltou Fernanda, grande parte do que ocorre no cenário internacional ultrapassa os posicionamentos explícitos, exigindo uma interpretação mais ampla e cuidadosa. 

Tal postura evidencia o papel ativo do internacionalista na mediação do conhecimento, uma vez que sua atuação ultrapassa a mera descrição dos fatos e envolve a construção de interpretações que permitem ao público compreender a complexidade do cenário internacional. Como ressaltado na fala das participantes, grande parte do que ocorre no mundo exige uma leitura mais abrangente, crítica e contextualizada dos processos em curso.

Um dos assuntos abordados durante o encontro foi a necessidade de profissionais prontos para ocupar vagas no mercado de trabalho. Segundo o trio, a área das Relações Internacionais é muito grande e demanda pessoas capacitadas em vários setores, assim como constante aprimoramento e estudo, afinal, o mundo atual é dinâmico e vive em constante transformação. Nesse sentido, Martina trouxe a relevância da formação e especialização acadêmicas, tanto na atuação fora do espaço da Universidade quanto para futuros pesquisadores e professores. Já Fernanda falou sobre a demanda por profissionais formados em RI na esfera da segurança pública, enquanto Miwa falou sobre o setor público, ONGs e o setor privado, que estão constantemente em busca de internacionalistas para contratação. Para as três, a maior demanda por profissionais com conhecimento em Ciência Política, Economia, História e Direito Internacional, simultaneamente, não é apenas um reflexo de uma geopolítica instável, mas também do imediatismo do próprio mercado de trabalho.

Assim, sabendo que as exigências para determinados cargos no ambiente profissional variam com frequência, é necessário um profissional que esteja familiarizado com diferentes tópicos de estudo, podendo assim servir a diferentes propósitos dentro de seu ofício. Dentro desse contexto, a RI USP Jr., enquanto empresa fundada sob o comprometimento dos alunos graduandos do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP), busca trazer preparação e excelência em seus serviços e na formação dos futuros trabalhadores que irão ocupar esses cargos. O objetivo da instituição é consolidar-se como uma consultoria referência em técnica e inovação, trazendo serviços que se destacam na área pela maturidade ao mesmo tempo em que desenvolve e capacita seus membros.

Seguindo o debate, as palestrantes foram questionadas se pensam no cenário vigente entre China e Estados Unidos como uma “Nova Guerra Fria”. Em resposta, foram enfáticas ao construir uma linha de raciocínio complementar afirmando que não acreditam que esse é, especificamente, o caso. 

Martina relembrou que a Guerra Fria, protagonizada pelos Estados Unidos e pela União Soviética na segunda metade do século XX, foi marcada por características distintas das observadas na atualidade. No período, a disputa pela hegemonia mundial estava estruturada em um conflito de caráter ideológico, no qual ambas as potências buscavam expandir seus respectivos modelos – capitalista e socialista – e organizar o sistema internacional em torno deles. Diferentemente desse cenário, as tensões contemporâneas, como as verificadas entre Estados Unidos e China, não se orientam por uma lógica ideológica universal, mas por interesses sobretudo geopolíticos, econômicos e tecnológicos. Assim, a ausência de um eixo ideológico compartilhado dificulta a caracterização do momento atual como uma nova Guerra Fria.

Miwa afirmou que, para ela, a China tem um plano diferente dos Estados Unidos. Ela definiu a situação dizendo que, ao passo que o primeiro país parece querer se estabilizar internamente, o segundo país luta apenas para fazer o outro recuar em suas decisões geopolíticas, mesmo que isso resulte em danos para ambos os países. Assim, esse tópico abordado pela pergunta foi responsável por trazer ao evento um debate aprofundado sobre o contexto das relações políticas e internacionais no mundo contemporâneo, evidenciando como as dinâmicas se transformam ao longo do tempo e como a sociedade se organiza diante dessas mudanças.

Em síntese, o evento abordou a relevância crescente das Relações Internacionais em um cenário global marcado por instabilidades, assim como a importância de divulgar esse conhecimento para além do espaço acadêmico. Nesse contexto, o LAI-BL reafirma seu compromisso com a democratização do conhecimento, promovendo iniciativas que buscam aproximar os saberes produzidos na Universidade com a sociedade e incentivar reflexões qualificadas sobre os acontecimentos mundiais. 

As trocas entre estudantes e profissionais das RI durante o encontro mostraram que, em um mundo cada vez mais caótico, compreender as dinâmicas internacionais é essencial não apenas para um profissional em RI, mas para todas as áreas de atuação inseridas no contexto de trocas econômicas, políticas, comerciais e culturais. Além disso, foi ressaltado que o papel do internacionalista, seja através da pesquisa, da atuação no mercado de trabalho ou da divulgação de informações nas redes sociais e em outros canais, é cada vez mais relevante para a sociedade.

Agradecemos novamente às nossas convidadas Fernanda, Miwa e Martina, que esclareceram as dúvidas trazidas pelos alunos e demais participantes com humor, simpatia e profissionalismo. O LAI-BL e a RI USP Jr. esperam poder trazê-las novamente no futuro para mais eventos sobre Relações Internacionais e o papel dos internacionalistas, assim como sobre assuntos relacionados à área atual de especialização de cada uma. 

Quer saber mais sobre a relação China-Estados Unidos? Leia nosso artigo: https://laibl.com.br/a-evolucao-das-relacoes-eua-china-sob-uma-perspectiva-realis

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Fundado por alunos de Relações Internacionais da USP, somos um grupo de extensão que tem como missão promover a pesquisa e a extensão universitária na área de Relações Internacionais.