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Edição #17 Newsletter Globalidades – Desenvolvimento Chinês: Emergência de uma Nova Potência

Edição #17 Newsletter Globalidades – Desenvolvimento Chinês: Emergência de uma Nova Potência

Este artigo é resultado de trabalho coletivo. Todos os autores contribuíram igualmente.

Bem-vindo(a) à Nossa Décima Sexta Edição da Newsletter!

O LAI Bertha Lutz preparou uma newsletter para você se manter informado sobre os principais temas que podem cair em seu vestibular. A cada mês enviaremos um e-mail com as principais notícias do período, um aprofundamento de um macrotema que pode aparecer em questões e temas de redação, e, para finalizar, algumas questões de prova resolvidas para te ajudar a estudar! O tema desta edição é “Desenvolvimento Chinês: Emergência de uma Nova Potência”, muito importante para entender o cenário geopolítico atual.

Notícias do Mês de Maio

OMS Declara Novo Surto de Ebola na RDC Emergência de Saúde Global

No dia 17 de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto de ebola com epicentro na província de Ituri, ao leste da República Democrática do Congo (RDC), como emergência de saúde pública de importância internacional. A cepa responsável, o vírus Bundibugyo, não possui terapias ou vacinas específicas aprovadas, diferentemente de outras variantes, o que dificulta severamente o tratamento. Além disso, o conflito armado entre o governo e grupos rebeldes na RDC é um grande entrave para as equipes de ajuda humanitária. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou que a organização “não pode construir confiança nas comunidades nem isolar os doentes enquanto bombas estão caindo”. A região já passou de 200 mortes suspeitas desde que o surto foi decretado.

Os primeiros casos da doença foram registrados no final da década de 1970 em vilarejos da África central próximos a florestas tropicais. Historicamente, o maior surto de ebola registrado ocorreu na África Ocidental entre 2014 e 2016. Diante do atual risco de propagação, vários países impuseram restrições a viajantes vindos da RDC e dos países vizinhos. No Brasil, o Ministério da Saúde ativou o Plano de Contingência de Febres Hemorrágicas. A medida intensifica a vigilância sobre pessoas que passaram pelas áreas infectadas, testando e isolando os recém-chegados nos portos e aeroportos brasileiros.

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Equipe médica realiza procedimentos de desinfecção em área afetada pelo novo surto de ebola. Fonte: GETTY IMAGES.

Manifestações na Bolívia Pedem a Renúncia do Presidente Rodrigo Paz

Há mais de 30 dias iniciaram-se os protestos na Bolívia. Os manifestantes pedem a renúncia do presidente de centro-direita, Rodrigo Paz. Seu mandato, que herdou as crises financeiras e políticas de seus antecessores — Evo Morales e Luis Arce —, iniciou em dezembro de 2025 sob a promessa de “capitalismo para todos”. Um dos seus principais desafios era o preço da gasolina. Por mais de duas décadas, o país andino manteve um preço fixo dos combustíveis, o que significa que o Estado se comprometeu a arcar com os prejuízos ao invés do consumidor, fazendo isso por meio das reservas de dólares. A arrecadação de dólares da Bolívia vem principalmente da exportação de gás natural, que vem diminuindo por causa da escassez do recurso no país.

No primeiro mês de seu mandato, Paz acabou com os subsídios dos combustíveis, fazendo com que o preço e o tempo de espera para abastecer o automóvel aumentassem. Ele também falou sobre aproximar as relações com os Estados Unidos, além de promover outras reformas que receberam críticas, como a Lei 1720 — que foi revogada após pressões sociais — que autorizava as pequenas propriedades rurais a se converterem em propriedades de médio porte pelo Instituto Nacional de Reforma Agrária, caso fosse solicitado voluntariamente pelo proprietário, podendo assim, serem usadas para obter créditos, incentivando o investimento. As manifestações ocuparam as ruas e bloquearam as estradas; os bloqueios diminuíram ainda mais a disponibilidade de produtos e itens essenciais, sendo reprovados por parte da população.

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Manifestantes bloqueiam estrada na região de El Alto, Bolívia, no dia 02/06/2026. Fonte: Marvin Recinos.

Estados Unidos Classificam PCC e CV Como Organizações Terroristas

Na noite do dia 28 de maio, o Departamento de Estado Americano anunciou que irá classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O anúncio foi feito na mesma semana em que o pré-candidato à presidência do Brasil Flávio Bolsonaro viajou aos EUA para conversar com Marco Rubio e Donald Trump, o secretário de Estado e o presidente do país, respectivamente. No comunicado divulgado deste dia, essas facções atuantes no Brasil serão definidas como “Terroristas Globais Especialmente Designadas” e como “Organizações Terroristas Estrangeiras”, sendo a primeira classificação já em vigor e a segunda sendo efetivada no dia 5 de junho.

Por mais que houvesse esforços do governo brasileiro para que essa medida vinda dos EUA não se concretizasse, a classificação foi realizada, incentivada por Flávio, que levantou fortemente esse tema na sua visita à Casa Branca, com o intuito de revigorar sua figura política manchada em meio ao seu envolvimento polêmico com Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, que está metido num grande escândalo financeiro. Em contrapartida às intenções do pré-candidato, há uma preocupação brasileira em relação a tal medida, pois coloca o Brasil em uma posição vulnerável no cenário geopolítico, ferindo sua soberania ao ficar suscetível a intervenções estrangeiras sob a justificativa de segurança internacional, além de ter sua imagem prejudicada no exterior, o que pode fragilizar acordos econômicos e diplomáticos.

Não se deseja a associação dessas facções criminosas ao terrorismo no cenário internacional, pois de acordo com a legislação brasileira, elas não se enquadram como terroristas, porque não têm motivação ideológica, política ou religiosa, e nem atuam para derrubar o sistema; elas buscam lucro por meio de crimes e lavagem de dinheiro, portanto, são organizações ilegais e não, terroristas. Sendo assim, desde o anúncio da classificação por parte dos EUA, o Brasil tem tentado negociar com os americanos para tentar reverter a decisão, mas sem sucesso.

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Encontro entre Flávio e Trump na Casa Branca, dois dias antes da classificação americana sobre o PCC e o CV. Fonte: Reprodução/X Eduardo Bolsonaro.

Encontro entre Trump e Lula em Washington D.C.

No dia 07 de maio, o presidente Lula foi à Casa Branca, na capital dos Estados Unidos, para encontro como presidente Donald Trump. Durante a reunião, que durou cerca de três horas, os líderes discutiram assuntos que variaram de terras raras a experiências pessoais. No cunho econômico, Lula defendeu que relação Brasil-EUA é extremamente valiosa aos países e relembrou que, no último ano, o superávit estadunidense em relação ao Brasil de U$30 bilhões. Com isso, reafirmou a não necessidade do Brasil ser punido com mais tarifas. Outra temática importante foi a abordagem das terras raras: o Brasil discutiu seu potencial na exploração de minerais estratégicos, mostrando abertura para parcerias internacionais na comercialização e, especialmente, reforçou a importância da soberania nacional nessa relação para não repetir o padrão histórico da exportação sem agregação de valor.

No geral, o encontro tratou de tópicos que agregaram os dois países e, ainda, teve um tom cordial, com o presidente Lula contando relatos de infância e o presidente Trump mostrando sua aversão a frutas na salada. É importante ressaltar que, nessa data, a possibilidade de os EUA classificarem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e o PIX não estiveram em pauta. Ademais, ambos os presidentes afirmaram que a reunião foi positiva. Na rede social Truth Social, o presidente Trump ainda chamou o líder brasileiro de “muito dinâmico” e, em entrevista, disse que Lula é um “bom homem” e um “sujeito inteligente”.

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Presidente da República, Luíz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Fonte: Ricardo Stuckert.

Escândalo “Hondurasgate”: A Trama de Direita para Desestabilizar a Esquerda na América

No dia 8 de maio, o jornal Diário Red publicou uma série de áudios (que foram verificados pela ferramenta “Phonexia Voice Inspector”) que falavam de um plano conjunto entre Israel, Estados Unidos e Argentina para atacar grupos da esquerda progressista na América. O autor dos áudios foi o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, que cumpria uma sentença de 45 anos de prisão nos Estados Unidos por tráfico de drogas quanto recebeu perdão presidencial integral do presidente Donald Trump. No mesmo período do indulto, no final de 2025, Trump também ameaçou cortar auxílios financeiros a Honduras se o candidato da direita, Nasry Asfura, não ganhasse, o que acabou acontecendo em meio a diversas acusações de fraudes.

Segundo os áudios, Hernández estava articulando a criação de um canal de notícias para disseminar fake news contra os líderes da Colômbia e México, alguns da esquerda progressista, além de diversas outras ações para “extirpar o câncer da esquerda” na América Latina. O plano contaria com ajuda financeira de centenas de milhares de dólares dos líderes da Argentina, de Israel e do governo Honduras, de forma a afetar a atual eleição presidencial colombiana e o cenário político mexicano. Esse plano político vêm logo após a nova Estratégia de Segurança Nacional americana citar o desejo do país de fortalecer sua influência no continente americano e impedir o avanço chinês, esforços que certamente seriam facilitados caso a direita estivesse no poder dos países americanos.

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Uma tela de LCD exibe um retrato do candidato presidencial de Honduras, Nasry Asfura, do Partido Nacional, enquanto apoiadores celebram após o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) declará-lo vencedor da eleição presidencial em Tegucigalpa, em 24 de dezembro de 2025. Fonte: Orlando SIERRA / AFP.

Macrotema: Desenvolvimento Chinês

Século da Humilhação Chinesa

O século de humilhação chinesa foi um período de subjugação que a China sofreu sob o imperialismo, tanto ocidental como japonês. Período que se estende desde meados do Sec XIX, na véspera da primeira guerra do Ópio, até meados do séc XX, após a expulsão de potências estrangeiras da China continental e a formação da República popular da china em 1949, é marcado por eventos importantes como a batalha das oito potências aliadas (Alemanha, Japão, Rússia, Reino Unido, França, Estados Unidos, Itália e Império Austro-Húngaro), os massacres de nanjing e lushun, a primeira guerra sino-japonesa, a guerra sino francesa, entre outros, nos quais a China perdeu todas as Guerras que combateu e teve que dar importantes concessões as grandes potências nos tratados posteriores.

Uma dessas concessões foi a ilha de Taiwan para o Japão em 1895 em um acordo vitalício, posteriormente revogado com a derrota do Japão em 1945. A colonização japonesa na ilha foi estratégica para a intensiva militar em direção a china continental no próximo século, assim a ilha teve desenvolvimento tecnológico e econômico fazendo com que a aprovação dos taiwaneses ao Japão aumentasse juntamente com o antagonismo a China, mesmo com as ditaduras militares perpetuadas pelos militares japoneses.

Hoje, o conceito de um século de Humilhação Nacional tem sido desenvolvido com o crescimento da China, e a educação da Humilhação Nacional é um dos elementos centrais da educação patriótica do Partido Comunista da China (PCC) e uma importante iniciativa para construir a identidade nacional dos cidadãos. Através de dias nacionais, televisão, espetáculos e educação escolar, o PCC constrói um sentimento de defender o país desde a infância.

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Charge política de Henri Meyer.

A Revolução Comunista e Taiwan

A partir do século da humilhação foi proclamada a república em 1911, dando fim a era de dinastias, que passou a ser governada pelo Dr. Sun Yat-sen que em 1919 criou o Partido Nacionalista Chinês ou Goumindang, esse era composto por grupos diversos, como a burguesia nacional, burguesia burocrática e militaristas, no entanto a China permaneceu como um país dividido por senhores de guerra que controlavam suas terras com um exército próprio, sem um poder centralizado, o que causava instabilidade e revolta.

Com a revolução russa, em 1917, começou a popularização do comunismo na China que inspirou a criação do Partido Comunista Chinês (PCC), no ano de 1921, em que uma das lideranças era Mao Zedong, com políticas voltadas para a reforma agrária. Em 1924 foi iniciada a primeira frente unida que juntava os dois partidos para combater os senhores de guerra, algo que durou pouco tempo, pois com a morte de Sun Yat-Sen e o novo presidente Chiang Kai-Shek, a frente é rompida e o PCC é criminalizado, seu exército foi para o interior onde conseguiu amplo apoio.

A segunda frente unida ocorreu após a brutal invasão japonesa à China em 1937 que perdurou até o fim da segunda guerra mundial com a expulsão do exército japonês na Manchúria pela União Soviética em 1945, a partir desse momento inicia-se a guerra civil, a qual Guomindang era apoiado pelos Estados Unidos da América e o PCC pela União Soviética. Com o amplo apoio rural os comunistas conseguem avançar com o exército e proclamam a República Popular da China (RPC) em 1949 governado pelo Mao Zedong.

O partido perdedor desde o início do conflito via a ilha de Taiwan como refúgio, lugar esse que foi reconhecido até 1979 pelos Estados Unidos da América como a República Chinesa, esse tema é de grande importância no debate de Relações Internacionais atualmente pela intenção do Governo da RPC de unir o governo de Taiwan à China continental, algo que é reconhecido por muitos países, mas com exceções, sendo os EUA um parceiro diplomático da ilha.

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Tradução: “ Que a amizade sino-soviética dure para sempre!
EROGOV, Boris. Como a URSS promovia a amizade internacional: descubra em pôsteres. Rússia Beyond, 2019.

Deng Xiaoping: o socialismo de mercado, as ZEEs e as Quatro Modernizações

A morte de Mao Tsé Tung (Zedong) no ano de 1976 marcou o fim de um modelo de Estado que perdurara por quase trinta anos, abrindo espaço para uma nova forma de compreender o comunismo sob a liderança pioneira de Deng Xiaoping. A partir de 1978, a China passou a operar sob o “socialismo de mercado”, modelo socioeconômico baseado na comunhão entre centralização política e aberturas estratégicas ao capital privado. Na visão de Xiaoping, a eficiência do sistema econômico era mais relevante do que sua fundamentação ideológica: “Não importa se o gato é preto ou branco, desde que cace ratos”, afirmou o chefe de Estado em uma conferência.

A implementação desse princípio deu origem às Zonas Econômicas Especiais, regiões geográficas regidas por regulamentações mais flexíveis do que no restante do país. Concentradas na costa leste chinesa, as ZEEs se tornaram um grande atrativo para o investimento exterior por conta de incentivos fiscais, burocracia reduzida e oferta de mão de obra barata. No entanto, a presença de empresas estrangeiras foi condicionada a uma parceria obrigatória com companhias locais, o que garantiria que parte da riqueza produzida na China fosse mantida no país. O resultado dessa política foi a consolidação de áreas centrais ao desenvolvimento econômico chinês, dotadas de parques industriais massivos e importantes plataformas de exportação.

Além disso, a proposta de Deng Xiaoping previa as “Quatro Modernizações”, que pretendiam fortalecer a agricultura, a indústria, a defesa e a ciência e tecnologia do país. Ainda que o programa já existisse desde o governo de Mao Tse Tung, foi durante a Era Xiaoping que essas demandas se tornaram prioritárias ao Estado chinês, que empreendeu investimentos expressivos no aprimoramento dos segmentos em questão. O setor agrícola, por exemplo, vivenciou significativo aumento de produtividade e queda da pobreza a partir do sistema de “responsabilidade familiar”, que permitia ao camponês lucrar diretamente com o fruto de seu trabalho.

Embora o poderio chinês do século XXI esteja atrelado a diversos processos de sua complexa história, o governo de Deng Xiaoping representa uma revolução substancial no projeto de país que se desenhava para a China. As medidas ambiciosas que surgiram durante seus 12 anos de liderança estão no cerne do intenso crescimento do país nas décadas subsequentes e reverberam na ascensão chinesa ao status de superpotência da atualidade.

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Deng Xiaoping com o presidente estadunidense, Jimmy Carter, na Casa Branca em Washington D.C., Janeiro de 1979.

Deslocalização das Grandes Indústrias para Países Periféricos

Por definição, o fenômeno da globalização é responsável por estabelecer uma interconexão de economias, políticas e sociedades. Além de promover o encurtamento de barreiras físicas, uma maior integração cultural e a cooperação entre Estados, esse fenômeno tem provocado a reformulação da cadeia industrial global, valendo-se da deslocalização das grandes indústrias advindas de nações desenvolvidas para países periféricos. Essa dispersão geográfica ocorre pois há uma tendência, sobretudo das multinacionais, em buscar incessantemente eficiência de custos e acesso a novos mercados.

O melhor exemplo para entender essa dinâmica está na China. As zonas econômicas especiais (ZEEs) protagonizam um papel fundamental, visto que as empresas podem encontrar nessas localidades, como Hong Kong, Shenzhen e Xangai, uma mão de obra abundante, potencialmente qualificada e mais barata, assim como incentivos fiscais, flexibilização das leis laborais e ambientais, boa infraestrutura, facilidade de exportação e certa autonomia política no comércio.

A China usufruiu da deslocalização como uma estratégia para ascender na economia global. Ao absorver e adaptar as tecnologias estrangeiras, principalmente por meio da prática de Joint Venture – em que as empresas multinacionais eram obrigadas a estabelecer parcerias com as estatais locais e compartilhar suas tecnologias – a potência chinesa conseguiu construir uma base industrial de excelência. Assim, o ecossistema industrial da China atingiu uma densidade tão alta que se tornou autossuficiente e difícil de replicar.

Na contemporaneidade, é possível notar os reflexos dessa empreitada: atualmente, o país lidera a cadeia global de baterias de íons de lítio, painéis solares, veículos elétricos, entre outras produções de alto valor tecnológico. Além disso, em decorrência dessa alteração de equilíbrio geopolítico, o oposto tem ocorrido. A deslocalização reversa chama a atenção porque as nações têm “fugido” da China e se redirecionado para localidades como Índia e Bangladesh. Logo, percebe-se que o país deixou de seguir para passar a ditar tendências ao redor do globo, o que tem caracterizado impasses geopolíticos, por exemplo, com os EUA.

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Charge, Freid (2009).

China na OMC e seu Status de “Fábrica do Mundo”

Em 1948, a República da China havia sido um dos países signatários do General Agreement on Tariffs and Trade (GATT), predecessor da Organização Mundial do Comércio (OMC). Porém, com o advento da Guerra Civil no país, que resultou na vitória dos comunistas em 1949 e na derrota dos nacionalistas, que fugiram para Taiwan, e com a formação da República Popular da China, surgiu uma disputa sobre qual governo representava legitimamente a China no sistema internacional.

Após se afastar do GATT nos anos 1950, a China só voltou a se aproximar economicamente do Ocidente com as reformas de Deng Xiaoping. Em 1986, Pequim pediu a retomada de seu status no acordo, mas os demais países trataram a solicitação como uma nova adesão, submetendo o país a longas negociações. O processo se estendeu por cerca de quinze anos e atravessou uma importante mudança institucional: em 1995, o GATT deu lugar à Organização Mundial do Comércio (OMC). Como as negociações ainda estavam em andamento, o pedido chinês foi transferido para a nova organização, da qual a China se tornou membro apenas em 2001.

Já como membro da OMC, o país passou a se beneficiar das garantias e previsibilidades proporcionadas pelo sistema multilateral que a organização proporcionava, aumentando o número de exportações quando comparado com períodos anteriores à adesão. Ainda, a adesão reduziu os riscos e incertezas que cercavam o comércio chinês, aumentando a confiança e previsibilidade para os investidores e empresas estrangeiras. Porém, o ingresso na organização apenas fortaleceu uma estratégia que já vinha sendo aplicada desde os anos 70 por Deng Xiaoping. A adesão serviu principalmente para acelerar o processo que já vinha em construção.

Esse modelo de inserção no sistema internacional e a estratégia adotada a partir de Deng Xiaoping permitiram que a China se tornasse um ator principal na cadeia global de produção, caracterizando a expressão de “fábrica do mundo”. A sua vantagem estava sobretudo na concentração de manufatura em larga escala, combinando custos competitivos baixos, infraestrutura eficiente e políticas industriais ativas. Ou seja, uma combinação de fatores que permitiu ao país consolidar essa posição na economia mundial nas duas primeiras décadas do século XXI.

A Rivalidade do Século XXI: EUA X China

A rivalidade entre Estados Unidos e China tem origem em 1949, quando os comunistas liderados por Mao Tsé-Tung venceram a Guerra Civil Chinesa e fundaram a República Popular da China. Os EUA, que haviam sido aliados da China na Segunda Guerra Mundial, recusaram-se a reconhecer o novo governo comunista e continuaram apoiando o governo nacionalista de Chiang Kai-shek, que se refugiou em Taiwan. Com o avanço da Guerra Fria, especialmente durante as Guerras da Coreia e do Vietnã, as tensões entre Washington e Pequim se intensificaram.

O reconhecimento diplomático só veio em 1979. Os EUA, sob a liderança de Jimmy Carter, passaram a reconhecer a posição de Pequim de que há um único Estado chinês, o princípio de “uma só China”. Mas ao mesmo tempo, os EUA mantiveram relações não oficiais, comerciais e culturais com Taiwan e ambiguidade estratégica em relação à sua defesa.

Um novo capítulo da rivalidade surgiu com a ascensão de Xi Jinping em 2012. Embora ele e Barack Obama tenham prometido ampliar a cooperação, disputas no Mar do Sul da China e questões de segurança agravaram as tensões. A partir de 2017, Donald Trump iniciou uma guerra comercial contra a China, impondo tarifas sobre produtos chineses e acusando Pequim de práticas desleais. Atualmente, em seu segundo mandato, a China foi novamente alvo de taxações de Trump, tendo retaliado contra o governo norte-americano. Além disso, a Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, como é chamada, a “Doutrina Donroe”, reforçou a posição americana de conter a influência chinesa e ampliar a presença americana em regiões consideradas estratégicas.

Atualmente, Taiwan e as terras raras estão entre os principais focos da disputa. Taiwan abriga a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, líder mundial na produção de semicondutores avançados essenciais para inteligência artificial e tecnologia de ponta, tornando a ilha estratégica para ambas as potências, de tal forma que os Estados Unidos, por meio de sanções, “proibiram” o país de exportar a tecnologia para a China. Além disso, a China domina a produção e o refino de terras raras, minerais fundamentais para os setores eletrônico, automotivo e militar. Ao restringir exportações desses recursos, Pequim fortalece sua posição nas negociações comerciais e evidencia a dependência dos Estados Unidos dessas cadeias de suprimento. O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em maio teve mais valor simbólico do que resultados concretos, demonstrando que as disputas tecnológicas, comerciais e geopolíticas continuam a moldar a competição estratégica entre Estados Unidos e China no século XXI.

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Donald Trump e Xi Jinping se encontraram em Osaka, no Japão. Fonte: Kevin Lamarque / Reuters.

A Nova Rota da Seda

A crescente ascensão chinesa na atual esfera mundial acompanha uma reformulação da geopolítica contemporânea, com esforços para a inserção internacional das nações do chamado Sul Global, historicamente marginalizadas e exploradas por potências ocidentais. Nesse cenário, a Belt and Road Initiative (BRI), também conhecida como Nova Rota da Seda, é um projeto chinês com o propósito de articulação desses países em desenvolvimento, mediante o investimento em infraestrutura, transporte e energia em diferentes regiões do globo.

A iniciativa, proposta em 2013 pelo presidente Xi Jinping, focava no estabelecimento de uma rede de locomoção multimodal que conectasse de forma rápida e eficiente o Leste Asiático e a Europa. Contudo, ao longo do tempo, a África, América Latina e Oceania também se tornaram foco dos planos desenvolvimentistas chineses. Assim, a potência asiática financia redes de portos, rotas marítimas e diferentes modais de transporte em quase todos os continentes. Além disso, investe no aprimoramento energético de regiões com alto potencial para fontes renováveis, sobretudo países da América Latina. Para além de infraestrutura física, a China estimula zonas econômicas exclusivas e parques industriais estratégicos; ainda oferece empréstimos a diversos países, vinculados ou não à BRI, a juros mais baixos. Nota-se, portanto, um plano integrado de desenvolvimento regional que torna as nações menos industrializadas mais atrativas ao mercado e à geopolítica global.

Em uma retrospectiva histórica, a Rota da Seda original, inspiração para os projetos de Xi Jinping, surgiu no século II a.C., durante a Dinastia Han chinesa, e perdurou até o século XV. As diferentes rotas terrestres e marítimas que conectavam a Ásia Central, a Europa e a África representaram um vasto intercâmbio material e cultural entre as regiões mais ricas da época, que fizeram do Império chinês, por séculos, um dos maiores polos comerciais e culturais do mundo. Dessa forma, atualmente, a potência oriental se reorganiza nas dinâmicas globais como centro da interconexão entre distintas áreas de influência. Isso, por meio da criação de redes tanto materiais – como os diferentes modais de transporte e infraestrutura física – quanto imateriais – linhas de crédito e intercâmbio tecnológico – que a colocam na base dessa cadeia de interdependências.

Nesse cenário, a Nova Rota da Seda se faz atualmente uma oportunidade para o desenvolvimento social e econômico de territórios historicamente marginalizados. Sob essa perspectiva, organizações multilaterais internacionais, como o Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) ou a Comunidade China-América Latina com Futuro Compartilhado, se tornam essenciais para a projeção chinesa no Sul Global. Isso porque essas instituições são capazes de ampliar o potencial comercial de áreas desprivilegiadas com projetos chineses de infraestrutura, financiamento e intercâmbio de conhecimento e promover o diálogo com a China de forma mais horizontal, como parceiros, e menos hierárquica e impositiva, como fazem os EUA, por exemplo.

Contudo, é importante uma análise crítica da projeção chinesa como nova parceira das nações em desenvolvimento, em oposição ao vácuo de poder deixado pelos EUA. Isso porque esses novos laços aparentemente harmoniosos podem esconder estruturas de poder capazes de manter a África e a América Latina em um novo ciclo de dependências. No subcontinente latino, os bancos chineses já são os maiores credores das nações “parceiras”. No território africano, bem como em outros, muitos países já são subjugados aos interesses políticos chineses, como o não reconhecimento de Taiwan e o alinhamento ao projeto “Uma Só China”. Por fim, ressalta-se que os investimentos chineses em infraestrutura buscam sustentar as relações comerciais da África e da América Latina como exportadoras de commodities e produtos primários, e da China como exportadora de produtos manufaturados de maior valor agregado. Logo, são evidentes os riscos de uma aproximação desmedida à China, apesar de não se ignorar o multilateralismo evocado pelo novo posicionamento de Pequim frente à geopolítica contemporânea.

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China no BRICS e o NBD

BRICS é o nome dado a um mecanismo internacional de cooperação, formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia e China. Posteriormente, a África do Sul passou a integrar o grupo e, atualmente, somam-se ao bloco Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. O BRICS funciona como um fórum de articulação político-diplomática entre países do Sul Global e de cooperação nas mais diversas áreas. Destaca-se a cooperação econômica do grupo, especialmente com a implementação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), uma instituição financeira multilateral estabelecida pelo BRICS com o objetivo de mobilizar recursos para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países em desenvolvimento. A sede do NBD está localizada em Xangai.

A China, como um dos principais membros do BRICS, desempenha um papel importante na configuração das relações internacionais por meio da organização. Além disso, diante de seu processo de ascensão, o país enfrenta a necessidade de estabelecer relações positivas com a comunidade internacional, a fim de promover um desenvolvimento pacífico e transmitir uma imagem de confiança e cooperação aos seus parceiros.

Nesse contexto, o BRICS ocupa uma posição de grande importância para o desenvolvimento chinês, influenciando diretamente suas relações internacionais e ampliando sua influência sobre países emergentes. Sendo assim, a China utiliza ativamente o BRICS para promover seus interesses econômicos e políticos, inclusive por meio do fortalecimento dos laços comerciais e de investimento com os demais membros.

No caso do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), a China tem interesse em incentivar alternativas de financiamento para infraestrutura e desenvolvimento sem a forte influência das potências ocidentais. Nesse sentido, o NBD representa uma alternativa para reduzir a dependência de instituições financeiras tradicionais lideradas por países ocidentais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), organização financeira global criada com o objetivo de auxiliar países que enfrentam crises econômicas, e o Banco Mundial, cuja finalidade é financiar projetos de desenvolvimento em diversos países. Além disso, o banco contribui para ampliar a projeção internacional da China, fortalecer os laços econômicos entre os membros e incentivar o uso de moedas locais nas transações, reduzindo a centralidade do dólar nas relações financeiras internacionais.

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Xi Jinping, presidente da República Popular da China, presidindo a 14ª Cúpula do BRICS. Fonte: Li Xueren/Xinhua/IMAGO.

Recomendação Cultural

Wong Kar-wai, Diretor de Cinema Chinês

Wong Kar-wai é amplamente reconhecido como um dos cineastas mais influentes do cinema contemporâneo asiático e uma das principais vozes artísticas de Hong Kong. Nascido em Xangai, em 1958, mudou-se ainda criança para Hong Kong, experiência que marcaria profundamente sua obra. Seus filmes exploram o interior dos seus personagens, porém, com o contexto urbano na centralidade da narrativa. A estética dos seus filmes é distinta e excepcional, marcada pela fotografia onírica, pelo inconfundível uso de cores e pela montagem fragmentada. Wong se tornou uma figura referencial e ajudou a projetar o cinema de Hong Kong para o cenário internacional.

A relevância de Wong Kar-wai também pode ser compreendida a partir do contexto histórico em que produziu grande parte de suas obras. Seus filmes dialogam com as incertezas vividas por Hong Kong nas décadas que antecederam a transferência de soberania do Reino Unido para a China, em 1997. O diretor utiliza histórias intimistas para refletir sobre mudanças culturais e a experiência de viver em uma cidade marcada pelo encontro entre diferentes influências globais.

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Questões de Vestibulares

1- (UniVag – 2017)

A República Popular da China cresceu perto de 165 milhões de pessoas entre 1960 e 1970, o equivalente à população do Brasil em 1997, e quase 170 milhões na década de 1970, mais um Brasil de 1998, aproximando-se de 1 bilhão de habitantes. Este panorama promoveu a estruturação de uma política estatal, cujo reflexo está em debate atualmente.

A política mencionada no excerto e sua principal consequência são, respectivamente,

a) a política de migração para novas colônias e a falta de mão de obra especializada.

b) a política de esterilização compulsória e a infertilidade da população jovem.

c) a política do filho único e o envelhecimento da população.

d) a política de descriminalização do aborto e o crescimento demográfico negativo.

e) a política de proibição de novos casamentos e a redução da taxa de fecundidade.

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2- (UFMG – 2005)

A aceleração do crescimento econômico da China, nos últimos anos, reflete-se na economia mundial por razões diversas. Considerando-se essa afirmação, é INCORRETO afirmar que tal aceleração:

a) é autônoma em relação ao capital internacional, pois estabelece um sistema financeiro paralelo, que vem se firmando como modelo para as economias regionais.

b) interfere na balança comercial de países emergentes, uma vez que reduz a taxa de exportações desse grupo para os países mais industrializados.

c) provoca aumento da demanda de matérias-primas e de produtos agrícolas no mercado internacional, afetando os preços praticados nesses itens.

d) resulta em um consumo maior de petróleo, o que contribui para a alta do preço da energia e, conseqüentemente, para a elevação dos custos de produção nos processos industriais.

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3- (ENEM – 2016)

No início de maio de 2014, a instalação da plataforma petrolífera de perfuração HYSY-981 nas águas contestadas do Mar da China Meridional suscitou especulações sobre as motivações chinesas. Na avaliação de diversos observadores ocidentais, Pequim pretendeu, com esse gesto, demonstrar que pode impor seu controle e dissuadir outros países de seguir com suas reivindicações de direito de exploração dessas águas, como é o caso do Vietnã e das Filipinas.

KLARE, MT. A guerra pelo petróleo se joga no mar. Le Monde Diplomatique Brasil, abr. 2015.

A ação da China em relação à situação descrita no texto evidencia um conflito que tem como foco o(a):

a) Distribuição das zonas econômicas especiais.

b) Monopólio das inovações tecnológicas extrativas.

c) Dinamização da atividade comercial.

d) Jurisdição da soberania territorial.

e) Embargo da produção industrial.

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4- (ACAFE – 2025)

Sobre os acontecimentos que integram a Revolução Chinesa e as suas consequências, assinale a alternativa CORRETA:

a) Mao Tsé-Tung foi o líder da revolução e fundador da República Popular da China.

b) Em 1957, a invasão japonesa na China forçou a união de nacionalistas e comunistas em uma coalizão.

c) Um dos resultados da revolução foi o alinhamento permanente da China com a União Soviética.

d) A unidade interna foi possibilitada pelas negociações que resultaram em um governo temporário de nacionalistas e comunistas.

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5- (FUVEST – 2024)

“A China enviou ontem navios de guerra e dezenas de caças para Taiwan, em retaliação a uma reunião entre a presidente da ilha, Tsai Ing-Wen, e o presidente da Câmara dos Deputados do EUA, Kevin McCarty, na Califórnia”.

O Estado de São Paulo, 08/04/2023. Adaptado.

A reportagem faz alusão ao aumento das tensões geopolíticas entre China e Taiwan. Sobre esse tema, é correto afirmar:

a) As tensões iniciaram-se no final de década de 1970, emdecorrência das mudanças políticas e econômicasperpetradas pelo então presidente chinês Deng Xiaoping,que resultaram na declaração de independência deTaiwan em relação à China.

b) Iniciadas ainda na primeira metade do século XX, as tensões entre China e Taiwan aumentaram desde então em decorrência da presença militar dos EUA no território taiwanês, o que contraria os interesses geopolíticos chineses na região.

c) As tensões decorreram do aumento da influência russasobre o território taiwanês, com foco na exploração dopotencial mercado consumidor, considerado estratégicopara o aumento das exportações do gás natural russo.

d) Com apoio soviético, Taiwan conseguiu independência doterritório chinês no final da década de 1960. Após o fim daGuerra Fria, tornou-se uma potência tecnológica, o queampliou o interesse geopolítico chinês na retomada desseterritório.

e) Taiwan é reconhecido como país independente pelos EUA e tem emergido na rota dos conflitos entre os governos estadunidense e chinês, o que pode ser interpretado como indício do deslocamento do eixo geopolítico do mundo para o sudeste asiático.

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6- (ENEM – 2023)

TEXTO I

Com uma população de 25 milhões de habitantes (cerca de 60% de minorias muçulmanas, principalmenteda etnia Uigur), Xinjiang é uma região estratégica para aChina. Faz fronteira com oito países, é uma artéria crucialdo megaprojeto de infraestrutura chinês Cinturão e Rota etem as maiores reservas nacionais de carvão e gás natural.

NINIO, M. Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 5 out. 2021 (adaptado).

TEXTO II

Dentre as províncias da Região Oeste, Xinjiang sedestaca ao receber mais de 1,7 milhão de migrantes entre 2000 e 2010. O principal motivo desse fluxo migratórioé que o governo fornece subsídios à população visandoaumentar a proporção de chineses da etnia Han emrelação à população local de etnias turca e muçulmana.

ALVES, F.; TOYOSHIMA, S. Disparidade socioeconômica e fluxo migratório chinês: interpretação de eventos contemporâneos segundo os clássicos do desenvolvimento. Revista de Economia Contemporânea, n. 1, jan.-abr. 2017 (adaptado).

A política demográfica para a província mencionada nos textos é parte da seguinte ação estratégica do governo chinês:

a) Promover a ocupação rural.

b) Favorecer a liberdade religiosa.

c) Descentralizar a gestão pública.

d) Incentivar a pluralidade cultural.

e) Assegurar a integridade territorial.

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Gabarito

Resposta da questão 1: [C]

O texto descreve o rápido crescimento populacional da China, que levou à adoção da política do filho único. A principal consequência, como debatido em outras questões, é o envelhecimento da população, com a redução da base de jovens na pirâmide etária.

Resposta da questão 2: [A]

A afirmação é incorreta. O crescimento econômico chinês, especialmente após a abertura de sua economia, é altamente dependente do capital internacional e dos investimentos diretos estrangeiros, que buscaram a mão de obra barata e o grande mercado consumidor chinês. O sistema financeiro chinês não é autônomo, mas sim integrado ao sistema global.

Resposta da questão 3: [D]

A instalação da plataforma petrolífera em águas contestadas é uma demonstração de força da China para reafirmar sua jurisdição da soberania territorial sobre a região. O objetivo é estabelecer o controle sobre as áreas ricas em recursos e impor sua autoridade sobre outros países vizinhos que também reivindicam os territórios.

Resposta da questão 4: [A]

Mao Tsé-Tung (ou Mao Zedong) liderou o Partido Comunista Chinês na guerra civil contra os nacionalistas de Chiang Kai-shek. Com a vitória comunista em 1949, proclamou a República Popular da China em Pequim. A invasão japonesa que aproximou nacionalistas e comunistas ocorreu em 1937, não em 1957, a China não permaneceu alinhada à União Soviética, não houve um governo conjunto estável formado por negociações; a cooperação entre nacionalistas e comunistas foi temporária e motivada pela luta contra o Japão.

Resposta da questão 5: [B]

De fato, as diferenças entre os partidos foram iniciadas ainda na primeira metade do século XX (1949), as tensões entre China e Taiwan aumentaram e a presença militar dos EUA no território taiwanês foi a base para a manutenção da autonomia em relação à China.

Resposta da questão 6: [E]

No texto I, menciona-se que a região é uma área estratégica para o projeto chinês da Nova Rota da Seda e, analogamente, que 60% da população é composta por minorias muçulmanas. Neste viés, a política demográfica mencionada no texto II explicita a estratégia do governo chinês de assegurar a integração de aquele território ao resto do país, por meio da ocupação dele por pessoas da etnia majoritária no resto do território chinês, desincentivando revoltas separatistas.

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Referências

75 anos da revolução comunista na China: o “milagre econômico” que fez de país pobre uma superpotência global. BBC News Brasil, 2024. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9vjl71kgnno. Acesso em: 5 jun. 2026.

ARTIGO disponível em: https://www.scielo.br/j/se/a/4BtjBbySfX3yhyYDGN6mM6D/?format=html&lang=pt. Acesso em: 5 jun. 2026.

BBC NEWS BRASIL. Artigo disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cq5wj79qj8do. Acesso em: 5 jun. 2026.

BBC NEWS BRASIL. Artigo disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqxpz2wdej0o. Acesso em: 5 jun. 2026.

BRICS. Novo Banco de Desenvolvimento (NDB). Disponível em: https://brics.br/pt-br/sobre-o-brics/novo-banco-de-desenvolvimento-ndb. Acesso em: 5 jun. 2026.

BRICS. Sobre o BRICS. Disponível em: https://brics.br/pt-br/sobre-o-brics. Acesso em: 5 jun. 2026.

CENTURY OF HUMILIATION. In: Wikipédia, a enciclopédia livre. [S.l.]: Wikimedia Foundation, [s.d.]. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Século_de_humilhação. Acesso em: 5 jun. 2026.

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COUNCIL ON FOREIGN RELATIONS. China’s massive Belt and Road Initiative. New York: CFR, [s.d.]. Disponível em: https://www.cfr.org/backgrounders/chinas-massive-belt-and-road-initiative. Acesso em: 5 jun. 2026.

DENG, Ben Lian. O legado colonial japonês e suas atuais implicações políticas no Estreito de Taiwan. Brazilian Journal of International Relations, São Paulo, v. 10, n. 3, p. 636–657, 2021. ISSN 2237-7743. Disponível em: https://share.google/lRuMoJA4h0zbp6XDc. Acesso em: 5 jun. 2026.

ECONOMIA da China: da abertura econômica aos dias atuais. [S.l.: s.n.], [s.d.].

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GUOHUA, Y.; JIN, C. The process of China’s accession to the WTO. Journal of International Economic Law, Oxford, v. 4, n. 2, p. 297–328, jun. 2001. DOI: 10.1093/jiel/4.2.297.

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O FENÔMENO da relocalização das indústrias no mercado global. Matéria Incógnita, [s.d.]. Disponível em: https://materiaincognita.com.br/o-fenomeno-da-relocalizacao-das-industrias-no-mercado-global/. Acesso em: 5 jun. 2026.

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POR que Taiwan é tão importante no mercado de chips e como uma interrupção na produção poderia afetar o mundo. G1, 4 abr. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2024/04/04/por-que-taiwan-e-tao-importante-no-mercado-de-chips-e-como-uma-interrupcao-na-producao-poderia-afetar-o-mundo.ghtml. Acesso em: 5 jun. 2026.

TRABALHO acadêmico disponível em: https://www.inscricoes.fmb.unesp.br/upload/trabalhos/201942614034.pdf. Acesso em: 5 jun. 2026.

ZHOU, Lanfeng. O século de humilhação e sua influência na construção da identidade nacional chinesa. [S.l.: s.n.], [s.d.].

ZONAS econômicas especiais na China: oportunidades para empresas estrangeiras. [S.l.: s.n.], [s.d.].

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    Fundado por alunos de Relações Internacionais da USP, somos um grupo de extensão que tem como missão promover a pesquisa e a extensão universitária na área de Relações Internacionais.

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