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Cúmbia: gênero musical colombiano que ganhou notoriedade mundial

Cúmbia: gênero musical colombiano que ganhou notoriedade mundial

Por Emmanuelita Emmanuel e Kauan Siqueira

Este artigo é resultado de trabalho coletivo. Todos os autores contribuíram igualmente.

Cúmbia: origem, elementos musicais e popularização

Gênero musical mais famoso da América Latina, a cúmbia nasceu na Colômbia, mas se tornou conhecida em todo o continente latino-americano. Sua popularidade pode ser vista como um reflexo da diversidade regional. A partir da violenta colonização europeia perpetrada na América Latina, instrumentos musicais habilmente construídos pelos indígenas, como instrumentos de percussão, flautas e trompetes, se fundiram com a cultura europeia, incluindo trompetes e violinos. Ao longo dos séculos seguintes, essa pluralidade instrumental foi complementada com a fusão de estilos musicais e de dança de negros escravizados da África com a cultura indígena e europeia, transformando-se no que conhecemos hoje como a cúmbia.

Sua origem remonta à costa caribenha da Colômbia durante o século XIX, que reuniu o fandango espanhol com o cumblé africano. Primeira vez sendo registrada em 1840, foi descrita como africanos escravizados realizando uma dança de cortejo na festa de Nossa Senhora da Candelária. Desde suas origens no litoral colombiano, a cúmbia sofreu alterações dependendo da sua época e da sua localidade, já que assume notáveis diferenças de um país ou região para outro, como na Argentina, no Peru e no México.

A cúmbia é um estilo musical marcado pela percussão, com as suas formações tradicionais contendo:

-Um tambor grande de duas cabeças, conhecido como tambora;

-Um pequeno tambor de mão chamado llamador;

-O tambor alegre, que se assemelha muito com gêneros musicais africanos;

-Flautas chamadas gaitas de foles;

-Maracas, elemento clássico da música latina;

-Gauche, um tubo com sementes;

Nas primeiras danças de cúmbia, geralmente eram apresentadas músicas instrumentais, sem canto. No entanto, atualmente, conta com os vocais de um cantor solo, podendo ser acompanhado por corais que conferem maior harmonia e melodia ao estilo musical.

Com a tardia industrialização latino-americana, na Colômbia, a cúmbia se tornou uma música feita por e para migrantes do litoral caribenho nas décadas de 1930 e 40, com o deslocamento da população litorânea para as fábricas das cidades. A sua versatilidade permitiu que ela ganhasse diferentes ares e fosse adaptada para diferentes tipos de danças, ocasiões e momentos. Sua simplicidade de movimentos tradicionais de dança e a popularidade dos seus principais instrumentos fizeram com que ela se difundisse rapidamente, desafiando os padrões musicais elitistas da época. Vista como música dos trabalhadores fabris das regiões rurais e costeiras, passou a ser enxergada pelas elites urbanas com desdén e senso de inferioridade, semelhante ao que ocorreu com o samba no Brasil.

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Dançarinas da cúmbia em San Pelayo, Colômbia. Fonte: Luis Pérez/Wikimedia Commons

Atualmente, a composição de uma banda de cúmbia moderna é bem diversa, assim como os instrumentos que a compõem. Devido à rica diversidade cultural presente nas Américas, ela confere aspectos diferentes de acordo com a sua localidade. Normalmente, uma banda moderna do gênero musical inclui acordeões (por influência europeia), guitarras, pianos e baixos elétricos, podendo ser encontrada até em bandas britânicas.

Na primeira metade do século XX, a cúmbia se espalhou pela América Latina, tornando-se famosa na América Central, México, Panamá, Peru, Bolívia, Equador e Argentina. Com diferentes especificidades regionais, o ritmo ganhou toques de identidade nacional por onde passava. No México, se misturou com estilos musicais mariachi e sofreu influência de estilos africanos e caribenhos, como o vallenato e a música folclórica do merengue. Nos anos seguintes, a cúmbia mexicana adquiriu um som mais eletrônico e enérgico. No Peru, foi batizada como chicha e adotou um som psicodélico, enquanto na Argentina se diferenciou em razão de seu caráter rock e pop, com um toque de swing.

O mexicano Celso Piña inseriu a cúmbia no imaginário cultural internacional com a canção “Cumbia sobre el río”, presente na MTV e indicada em 2001 ao Grammy Latino. Outros sucessos globais incluem “Vida de Rico”, do vencedor do Grammy Camilo, “La vida es un carnaval”, da cantora cubana Celia Cruz e “Oye Mujer”, de Raymix.

A cúmbia amazônica 

A cúmbia começou a ganhar notoriedade na América Latina a partir da década de 1950, resultando no desenvolvimento de outros subgêneros, como a cúmbia amazônica (ou cúmbia selvática), que surgiu no Peru. A cúmbia peruana possui diversas características de outros gêneros musicais do país e internacionais, como o huayno, ritmo andino marcado pelo uso de melodias animadas e da flauta; e a toada brasileira, caracterizada pelo estilo narrativo das letras e melodias chicletes. 

A floresta amazônica é a maior floresta tropical do mundo e é considerada essencial para o combate ao aquecimento global. Porém, ainda há uma falta de representação na mídia sobre seus aspectos físicos e simbólicos, além de circularem narrativas sobre o espaço e as pessoas associadas de maneira homogênea e pejorativa. A cúmbia amazônica se destaca, principalmente, por sua característica de contar histórias e vivências da floresta. O estilo musical é carregado pelo instrumental; aparelhos sonoros como a guitarra elétrica, o baixo elétrico e sintetizadores são populares. Não quer dizer que o canto não seja relevante; através dele conhecimentos e crenças regionais são compartilhados.

Los Mirlos, uma das bandas precursoras do movimento, utilizam desde aspectos sonoros até seus corpos para contar sobre a diversidade da selva. Por meio dos instrumentos, é possível recriar sons de animais, como os das aves. As letras de suas canções se referem à floresta com aspectos de liderança e soberania, e não apenas como um meio de servir ao bem-estar humano, reforçando no imaginário social que a selva deve ser respeitada e protegida. Além da musicalidade, o grupo se destaca pelas vestimentas e acessórios que remetem à floresta, coloridos e vibrantes.

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Fotografia da banda Los Mirlos. Fonte: Montecruz Foto/Wikimedia Commons

A construção do orgulho e do pertencimento à identidade amazônica é atravessada e fortalecida pelo gênero musical. A cúmbia amazônica nasce em meio a transformações políticas no Peru, onde diferentes formas de organizar a sociedade estavam disputando protagonismo. A cultura, especialmente nesses momentos, tem a capacidade de influenciar e formar pensamentos. As canções sobre a floresta que ocupa mais da metade do território do país foram como panos de fundo para o desenvolvimento da identidade regional amazônica.

O atual cenário ambiental apresenta sinais claros de colapso, porém as narrativas culturais ainda são centradas no consumo. Expressões culturais como a cúmbia amazônica são ferramentas importantes para propor uma nova forma de conviver com a natureza.

Referências

Amigo Energy. La historia de la cumbia y cómo evolucionó a través de los países latinos. 2026. Disponível em: https://amigoenergy.com/blog/es/la-historia-de-la-cumbia-y-como-evoluciono-a-traves-de-los-paises-latinos/. Acesso em: 16/08/2026

HERMOZA, L.M. Gestaciones tropicales en el Perú: sobre orígenes de la cumbia peruana y su sonido amazónico. Paralelo Sur [online]. Disponível em: https://www.academia.edu/19525745/Gestaciones_tropicales_en_el_Per%C3%BA_sobre_or%C3%ADgenes_de_la_cumbia_peruana_y_su_sonido_amaz%C3%B3nico. Acesso em: 10/08/2026

LOBATON, F.. Cumbia amazonica en KEXP: cuando Los Mirlos ‘chiripean’ en el mundo musical. KEXP. 25/06/2023. Disponível em: 

https://www.ramonacultural.com/contenido-r/cumbia-amazonica-en-kexp-cuando-los-mirlos-chiripean-en-el-mundo-musical/. Acesso em: 16/08/2026

MASTERCLASS. Cumbia Music Guide: Origins of Cumbia and Popular Artists. 15/07/2021. Disponível em: https://www.masterclass.com/articles/cumbia-music-guide. Acesso em: 16/08/2026

MORI, A.M.Los Mirlos y el ascenso de la cumbia amazónica. Jugo. https://jugo.pe/los-mirlos-y-el-ascenso-de-la-cumbia-amazonica/. Acesso em: 16/08/2026

PÉREZ, D.M. Cumbia, o “blues” da América Latina. El País. 02/05/2021. Disponível em:

https://brasil.elpais.com/cultura/2021-05-02/cumbia-o-blues-da-america-latina.html. Acesso em: 16/08/2026

ROSA, B.A. A selva invade Lima: representações amazônicas na capital. Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura e Sociedade [online]. 2017, vol. 3, no. 603. https://doi.org/10.23899/relacult.v3i3.603. Disponível em: https://periodicos.claec.org/index.php/relacult/article/view/603. Acesso em: 10/08/2026

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  • cropped-aaa499cb-e5a1-4a0b-8251-9c9b9f960648-250x250 Cúmbia: gênero musical colombiano que ganhou notoriedade mundial

    Aluno de graduação em Relações Internacionais do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, e membro sênior do Núcleo de Comunicação do Laboratório de Análise Internacional Bertha Lutz em 2026. Áreas de interesse: América Latina, Estados Unidos, Ásia Ocidental, Sul Global e Direitos Humanos.

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    Aluna da graduação em Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo, e Membro do Núcleo de Comunicação do Laboratório de Análise Internacional Bertha Lutz em 2026. 

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Aluno de graduação em Relações Internacionais do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, e membro sênior do Núcleo de Comunicação do Laboratório de Análise Internacional Bertha Lutz em 2026. Áreas de interesse: América Latina, Estados Unidos, Ásia Ocidental, Sul Global e Direitos Humanos.