Edição #16 Newsletter Globalidades – Big Techs e a Inteligência Artificial nas Relações Internacionais
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O LAI Bertha Lutz preparou uma newsletter para você se manter informado sobre os principais temas que podem cair em seu vestibular. A cada mês enviaremos um e-mail com as principais notícias do período, um aprofundamento de um macrotema que pode aparecer em questões e temas de redação, e, para finalizar, algumas questões de prova resolvidas para te ajudar a estudar! O tema desta edição é “Big Techs e a Inteligência Artificial nas Relações Internacionais”, muito importante para entender o cenário geopolítico atual.
Notícias do Mês de Abril
Eleições no Peru são Marcadas por Precariedade no Sistema Eleitoral
Em 12 de abril de 2026, os peruanos foram às urnas para decidir o próximo presidente e os integrantes do congresso bicameral do país que, em dez anos, teve oito presidentes. Todos tiveram mandatos marcados por turbulências políticas.
A instabilidade institucional do país também se reflete na lisura do processo eleitoral. A presente disputa eleitoral conta com 35 candidatos à presidência, um recorde para o Peru; antes mesmo do dia do pleito, já foram registrados problemas logísticos. O atraso dos materiais eleitorais impediu que 50 mil pessoas votassem e tal situação prolongou a votação por mais 24 horas, algo nunca antes visto no país. Além disso, aproximadamente 1.200 cédulas de votação foram encontradas dentro de um contêiner de lixo na capital do país. Quando questionado, o escritório eleitoral afirmou que tais cédulas já haviam sido apuradas, mas o Ministério Público peruano decidiu abrir um processo para apurar o caso.
Sob o panorama da apuração, as suspeitas de irregularidade se agravaram. Apesar de contar com 35 candidatos, 3 estão à frente na corrida eleitoral, sendo eles: a direitista Keiko Fujimori, o ultraconservador Rafael López Aliaga e o esquerdista Roberto Sánchez. Dentre os três, apenas Fujimori tem vaga assegurada no segundo turno, com 94% das urnas apuradas. A disputa pela segunda vaga segue acirrada entre Roberto Sánchez e Rafael López Aliaga, que, até o momento, são separados por cerca de 15 mil votos. A apuração ainda não foi finalizada e deve acabar apenas em 15 de maio. A demora no processo se dá pela irregularidade em 5.143 atas, que contêm, segundo a autoridade eleitoral peruana, quase um milhão de votos. Em face da irregularidade, cada ata deverá ser examinada individualmente por um juiz eleitoral.
Diante de um cenário de desconfiança quanto à idoneidade do processo por parte da população, o chefe eleitoral do Escritório Nacional de Processos Eleitorais, Piero Corvetto, renunciou ao cargo. Através de uma carta, Corvetto afirmou que sua saída buscava transparecer mais confiança ao segundo turno do pleito e classificou os problemas ocorridos como técnicos e operacionais.
Apesar do cenário conturbado, a missão de observação da União Europeia declarou que não existem provas concretas de fraude, mas que “falhas graves” ocorreram durante o processo. Dessa forma, o segundo turno já confirmado para 7 de junho de 2026 ainda segue sem definição de candidatos, o que contribui para agravar a instabilidade política no país.

Mina de Terras Raras Brasileira É Vendida para Empresa Estadunidense
No dia 20 de abril de 2026, a empresa USA Rare Earth anunciou uma negociação com a empresa Serra Verde sobre a compra da mina, localizada em Minaçu (GO), por aproximadamente R$ 14 bilhões, algo que provocou debates na política nacional. A Serra Verde é a única mineradora fora da Ásia a produzir, em escala comercial, quatro elementos essenciais (neodímio, praseodímio, disprósio e térbio) que fazem parte do grupo químico conhecido como terras raras.
Atualmente, a China é responsável por refinar 90% das terras raras no comércio global e possui a maior reserva do mundo desse grupo químico, sendo o Brasil, o segundo maior. Essa negociação é um marco na disputa comercial e tecnológica globalmente, pois as terras raras são essenciais para o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono como carros elétricos e turbinas eólicas, assim como mísseis teleguiados. Desse modo, os Estados Unidos dependem da China nesse setor econômico e com a compra da mina brasileira pretendem suprir uma parte dessa necessidade e quebrar a hegemonia chinesa.
Em contraponto à negociação, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o subsolo do território brasileiro pertence à União e que cabe a ela regulamentar a exploração das terras raras e dos minerais críticos, além de incentivar o uso desses para a industrialização e soberania nacional, ressaltando que é um tema geopolítico. Entretanto, o prefeito de Minaçu e a presidente do Conselho Regional de Economia de Goiás declararam que a venda e a futura expansão prevista aumentarão a oferta de empregos e colocarão o estado de Goiás como protagonista de uma cadeia de produção. Em decorrência da venda, deputados dos partidos Rede e PSol protocolaram, respectivamente, uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no STF e uma representação na Procuradoria-Geral da União (PGR) questionando a legalidade da aquisição.

Tensão entre EUA e Vaticano: Trump e Leão XIV Protagonizam Cenário que Evidencia Divergências
Após um começo harmonioso entre o papado e o governo dos Estados Unidos, cenário no qual o vice-presidente JD Vance e o Secretário de Estado Marco Rubio chegaram a visitar o Papa Leão XIV no Vaticano, em maio de 2025, as relações entre as duas instituições voltaram a se tensionar após declarações recentes do presidente dos EUA, Donald Trump, que classificou o pontífice como “fraco” e “terrível em política externa”. A fala gerou repercussão internacional e atraiu atenção especial por se tratar de uma divergência inédita entre a Casa Branca e o Vaticano, sobretudo pelo fato de o pontífice ser o primeiro nascido nos Estados Unidos a liderar a Igreja Católica.
As críticas de Trump ocorreram após o posicionamento divergente do papado e de Washington em relação a temas como imigração, políticas sociais e conflitos armados. Enquanto o Vaticano tem reforçado discursos voltados à solidariedade internacional e à proteção de populações vulneráveis, a Casa Branca segue enfatizando a soberania nacional e a segurança como justificativas para suas ações.
O tom adotado por Trump rompe com a tradição de respeito entre líderes políticos e o papado. Embora discordâncias sempre tenham existido, críticas públicas diretas ao pontífice são raras e tendem a ampliar a pressão sobre as relações internacionais, além de reverberar no próprio eleitorado estadunidense, que vota em 2026 nas eleições de meio de mandato, conhecidas como “midterms”, e que renovarão o Congresso estadunidense.

Xi Jinping se Reúne com Líder da Oposição
No dia 10 de abril, o presidente da República Popular da China (China continental), Xi Jinping, reuniu-se com Cheng Li-wun, presidente do partido Kuomintang (KMT), em um encontro inédito após uma década sem interações desse nível. Convidada pelo Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC) e pelo próprio Xi, Cheng classificou a reunião como uma “missão de paz”, enquanto Xi reiterou o princípio de “uma só China”. Na ocasião, o líder chinês afirmou que o PCC está disposto a ampliar o diálogo com os grupos considerados separatistas, como o Kuomintang, destacando que “acolhemos com satisfação quaisquer propostas que contribuam para o desenvolvimento pacífico das relações entre os dois lados do Estreito e não pouparemos esforços para promover iniciativas nesse sentido”.
Entretanto, Pequim mantém sua recusa em dialogar com Lai Ching-te, presidente da República da China (Taiwan) e membro do Partido Democrático Progressista (PDP), cuja posição política é associada à defesa de maior autonomia em relação à China continental. A visita de Cheng gerou controvérsias, sendo ela criticada e rotulada por setores políticos como pró-Pequim. O encontro ocorre em um contexto de crescente tensão nas relações entre Pequim e Taiwan.

Conflitos no Oriente Médio: Tentativas de Propostas Iranianas e Ataques ao Líbano
Nesta quarta-feira (29), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recusou a proposta iraniana para encerrar o conflito entre os dois países. De acordo com o governo norte-americano, o Irã sugeriu que Washington suspendesse o bloqueio naval no Estreito de Ormuz, atualmente responsável por restringir o tráfego de navios vindos de portos iranianos. Em contrapartida, Teerã se comprometeria a reabrir completamente a passagem pelo estreito. Apesar disso, a proposta também incluía o adiamento das negociações sobre o encerramento do programa nuclear iraniano, uma das principais exigências dos Estados Unidos.
Na noite de quinta-feira, o Irã apresentou uma nova proposta para retomar conversas com os Estados Unidos por meio da mediação do Paquistão, segundo informou nesta sexta-feira (1º) a agência estatal iraniana IRNA. Embora não tenham sido divulgados detalhes da iniciativa, a notícia provocou queda nos preços globais do petróleo, que vinham registrando forte alta desde o bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz. A interrupção nessa rota estratégica comprometeu cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás, enquanto a Marinha dos EUA continua impedindo as exportações iranianas de petróleo bruto. Esse cenário pressionou os preços da energia e intensificou preocupações com uma possível desaceleração econômica global. Apesar de um cessar-fogo frágil estar em vigor desde 8 de abril, o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio internacional de petróleo, permanece bloqueado.
O confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã começou em 28 de fevereiro, após uma operação conjunta de norte-americanos e israelenses em Teerã que resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Desde então, a guerra se ampliou para o território libanês, após o Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, lançar ataques contra Israel em resposta à morte de Khamenei. Em reação, Israel intensificou bombardeios aéreos no Líbano, afirmando atingir posições do Hezbollah. Apesar do cessar-fogo anunciado, ataques israelenses no sul do Líbano deixaram ao menos dez mortos entre terça-feira (28) e a madrugada de quarta-feira (29), de acordo com autoridades libanesas e veículos estatais. Desde a escalada do conflito, mais de 2.500 pessoas morreram em território libanês.

Venezuela: Fim da Lei de Anistia e Protestos por Eleições
O sequestro de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro de 2026, marcou um dos momentos mais abruptos e controversos da história recente da Venezuela. Após mais de uma década no poder, seu governo chegou ao fim de forma repentina, abrindo caminho para um possível cenário de transição liderado por Delcy Rodríguez. No entanto, a intensa influência de interesses externos, especialmente dos Estados Unidos, mergulha o país em uma nova fase de incertezas políticas e sociais. Nesse contexto, a recente decisão do governo de encerrar a aplicação da lei de anistia, apenas dois meses após sua promulgação, reacendeu tensões: a população exige eleições confiáveis e garantias mínimas de participação política.
A Lei da Anistia para a Convivência Democrática, aprovada pela Assembleia Nacional da Venezuela em 19 de fevereiro, assegurava a libertação de presos políticos condenados desde 1999 (começo do regime chavista) até os dias atuais, incluindo jornalistas, estudantes e ativistas da oposição. No entanto, desde o início, a medida apresentava limitações: crimes classificados como graves ficaram fora de seu escopo, e a definição do que constituía “crime político grave” deixou lacunas. Organizações independentes, bem como familiares de detentos, afirmam que muitos casos foram excluídos, incluindo pessoas acusadas de conspiração ou de simples críticas ao governo. Nesse sentido, o anúncio do fim da medida, em 23 de abril, sob a justificativa de que ela já havia cumprido seu papel, deixou uma série de processos em aberto; segundo relatos, pedidos ainda em análise foram simplesmente interrompidos, ampliando a sensação de insegurança jurídica.
Nesse contexto, na quinta-feira, 16 de abril de 2026, sindicalistas e trabalhadores organizaram um protesto na capital venezuelana, Caracas, que seguiu em direção à embaixada dos Estados Unidos. No local, apresentaram uma lista de reivindicações, incluindo aumento salarial — congelado em 130 bolívares mensais desde março de 2022 (equivalente a US$ 0,43, ou R$ 2,34) —, a convocação de eleições livres, sob a alegação de “ausência absoluta” após o fim do prazo de 90 dias previsto na Constituição, além da libertação de presos políticos, prometida pela Lei da Anistia.
Diante desse cenário, a maioria dos venezuelanos parece menos interessada em disputas ideológicas e mais preocupada com direitos políticos básicos: poder votar, protestar e se posicionar sem risco de prisão. Nas ruas, o discurso recorrente não é necessariamente de ruptura, mas de normalidade, eleições transparentes, instituições estáveis e leis claras.

Crise Diplomática entre Colômbia e Equador
Em janeiro, o presidente equatoriano, Daniel Noboa, impôs uma tarifa de 30% sobre as importações colombianas, alegando que era necessário diminuir o déficit comercial e que faltava cooperação do governo de Gustavo Petro no combate ao narcotráfico ao longo da fronteira entre os dois países. Bogotá anunciou reciprocidade e suspendeu a venda de eletricidade ao Equador.
Em março, Petro sugeriu que durante o curso de uma ofensiva militar equatoriana em conjunto com os Estados Unidos contra o narcotráfico, o território colombiano foi alvo de bombardeios, afirmação que foi posteriormente negada pelo país vizinho. Já em abril, o presidente colombiano pediu a libertação do ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, preso por corrupção, a quem Petro classifica como preso político. Jorge está detido desde novembro em uma prisão de segurança máxima inaugurada pelo direitista Noboa após ser preso em uma invasão das forças especiais equatorianas à Embaixada do México, que lhe ofereceu asilo político. Ao ignorar a imunidade diplomática das embaixadas, o episódio estremeceu as relações diplomáticas entre o Equador e o México, o que levou à ruptura das relações diplomáticas entre estes dois países.
Em retaliação, Quito aumentou as tarifas para 100%, passo questionado pela Colômbia por violações ao tratado de cooperação econômica de Cartagena, estabelecido pela Comunidade Andina, composta pela Colômbia, Peru e Equador. No fim de abril, Noboa, sem provas, acusou o presidente colombiano de incentivar a entrada de guerrilheiros pela fronteira entre os dois países. Em contrapartida, Petro acusou o equatoriano de tentar favorecer a oposição direitista ao seu governo nas próximas eleições presidenciais e afirmou que os explosivos utilizados no atentado do dia 25 – que deixou 21 civis colombianos mortos – teriam vindo do Equador. A troca de acusações continuou e a embaixadora colombiana em Quito foi convocada pelo governo equatoriano para prestar esclarecimentos, passo repetido pelo governo colombiano em Bogotá que evidencia o estremecimento diplomático entre os dois países andinos.

Macrotema: Big Techs e a Inteligência Artificial
Utilização da Inteligência Artificial na Guerra
“Si vis pacem, para bellum”. Essa clássica frase em latim, atribuída ao autor romano Flávio Vegécio, pode ser traduzida para “Se quer paz, prepare-se para a guerra”, refletindo uma visão belicosa da sociedade, em que o único jeito de se trazer a ordem é por meio da iniciativa bélica. Infelizmente, a guerra tem acompanhado a história humana desde seu início e, com ela, surge a criação de novos armamentos que possibilitam que um Estado cause cada vez mais dano ao inimigo. Atualmente, a nova fronteira militar se encontra no uso de inteligências artificiais (IAs) para mudar o jeito que as guerras acontecem, seja alterando a percepção pública sobre determinados conflitos ou criando sistemas automatizados de armas com o intuito de travar guerras mais eficientes e danosas ao inimigo.
Por mais que o uso de IAs e drones controlados por sistemas automatizados em conflitos militares tenha se destacado no cenário global atual, essas ideias já foram usadas, de maneira mais simples, no passado. Drones foram utilizados pela primeira vez por tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Guerra de Kosovo em 1999 e pelos Estados Unidos da América contra grupos terroristas após os ataques de 11 de setembro. Já sistemas arcaicos de inteligência artificial têm sido utilizados desde o início do século XX para auxiliar na logística de recursos e dados do exército estadunidense, além de complementar os sistemas de defesa aérea.
A primeira guerra contemporânea vítima desse desenvolvimento tem sido a guerra Russo-Ucraniana, particularmente a partir da invasão russa de 2022. A Ucrânia se tornou o primeiro campo de teste dessas novas tecnologias por ambos os lados do conflito. Os russos, por meio do drone Shahed-136, foram os primeiros a utilizar IA para identificar alvos e dar autonomia suficiente para ela decidir certos alvos a serem atacados durante a batalha. O uso de inteligências artificiais em todos os setores desse conflito tem sido tão grande que essa é a primeira guerra em que essa tecnologia se tornou parte integral das operações cotidianas, mudando para sempre as táticas e estratégias usadas até então.
Logo em seguida, com o uso de IAs bélicas já “testadas” na Ucrânia, o ataque do grupo terrorista Hamas contra civis israelenses em 2023 criou um novo front para que essas tecnologias pudessem ser utilizadas. Israel foi rápido em desenvolver seus próprios sistemas de segurança com inteligência artificial avançada, criando sistemas como o “Lavender”, que foca em classificar e identificar indivíduos considerados alvos do Estado, e o “Gospel”, que identifica pontos de infraestrutura críticos do adversário, para ganhar uma vantagem tática contra o inimigo. Já o Hamas, e posteriormente o Irã, utilizaram as IAs para possibilitar a criação de armas baratas que pudessem ser produzidas em massa de forma a desgastar os sistemas de defesa dos adversários.
Mais recentemente, o conflito entre os Estados Unidos e o Irã mostrou a consolidação desses inéditos sistemas de armas automáticas como uma nova ferramenta que se tornará constante em todas as guerras daqui para frente.
Por mais que ainda não tenha acontecido, muitos analistas acreditam que, caso o desenvolvimento dessas inteligências artificiais para a guerra continue no ritmo atual, é questão de tempo até criarem sistemas que possuam a capacidade de decisões imediatas, eliminando a necessidade de humanos no processo de decisão. Com isso, surgem diversas questões morais e conflitos éticos sobre a falta de capacidade da IA de entender os horrores e limites da guerra, além de abrir a possibilidade de eventuais erros de identificação que sistemas automáticos possam cometer, confundindo civis por militares, seja por falta de dados ou interferência, e aumentando o dano colateral.
Além dos questionamentos acerca da falta de humanidade nessas novas ferramentas de guerra, seu uso apresenta um grande risco à estabilidade mundial e aos esforços de desmilitarização globais. Como já dito anteriormente, além de facilitar o planejamento de ataques mais rápidos do que antes e possibilitar a produção de armamentos de forma barata e rápida, essas tecnologias têm o potencial de gerar conflitos muito mais destrutivos no futuro, o que fez com que a Organização das Nações Unidas (ONU) pedisse que as nações do mundo regulassem o uso de sistemas de armamentos autônomos até o final de 2026. Mesmo assim, por mais que a ONU tenha começado a pensar nas aplicações militares das IAs a partir de 2024, ainda não existe estrutura internacional para lidar com o tema.

Manipulação de Algoritmos e Disseminação de Fake News nas Redes
Na atualidade, as redes sociais deixaram de ser apenas ferramentas para a comunicação e passaram a ser um dos principais espaços de influência. Assim, tornou-se o local onde grande parte das pessoas se informam, desde crianças até adultos. Dessa forma, a maneira como nos é apresentado o conteúdo que consumimos diariamente – muitas vezes por horas – tem um impacto direto na forma como percebemos a realidade. Nesse contexto, os algoritmos ganham um papel central de controle na sociedade.
Plataformas como Facebook, Instagram, YouTube e TikTok organizam seus conteúdos com base no engajamento, ou seja, quanto mais curtidas e comentários um post tiver, maior será o seu alcance, os chamados “Trending Topics”. O problema é que conteúdos sensacionalistas e polêmicos, características muito comuns em fake news, costumam gerar mais engajamento do que informações verdadeiras, o que acaba criando um incentivo indireto para a disseminação de desinformação.
Essa prática não fica apenas na teoria. No Brasil, diversos casos mostram como esse tipo de dinâmica funciona, como durante a pandemia de Covid-19. Nesse período, as redes sociais foram inundadas por fake news sobre vacinas, tratamentos e riscos da doença. Circularam, por exemplo, afirmações de que as vacinas não funcionavam ou que poderiam causar efeitos graves sem base científica, além de teorias conspiratórias, como a presença de “microchips” nas doses. Mesmo sendo informações claramente falsas, esse tipo de conteúdo se espalhou com rapidez justamente por gerar medo, dúvida e forte reação emocional, o que aumenta o engajamento e, consequentemente, a distribuição pelos algoritmos.
Parte desse fenômeno pode ser explicada também pelas chamadas “bolhas informacionais”. Como os algoritmos aprendem com o comportamento do usuário, eles passam a mostrar conteúdos semelhantes ao que a pessoa já consumiu. Isso reduz o contato com visões diferentes e reforça crenças pré-existentes. Nesse ambiente, fake news não só circulam mais, como encontram um público com maiores chances de aceitá-las sem questionar. Existem também, atualmente, bolhas informacionais forjadas por grupos políticos, que buscam ativamente isolar seu público de fontes midiáticas que não condizem com determinado posicionamento político. O aplicativo Truth Social, lançado por Donald Trump é um aplicativo utilizado pelo presidente e seus apoiadores para expressar suas ideias com a promessa de um ambiente livre de censuras.
Assim, a manipulação dos algoritmos pode ser usada para favorecer interesses econômicos, políticos ou ideológicos, já que permite direcionar a atenção das pessoas para conteúdos específicos. E assim, é possível influenciar a forma como as pessoas pensam e formam suas opiniões, muitas vezes sem elas sequer perceberem. Os exemplos do Brasil mostram que esse não é um problema distante, mas algo que já afeta diretamente a forma como a nossa sociedade se informa, toma decisões e se posiciona.

CHRIS DELMAS/ AFP.
Debates Acerca da Regulamentação das Redes Sociais
A regulamentação das redes sociais é um dos principais assuntos no cenário político atual do Brasil, gerando discussões acerca da disseminação de fake news, da liberdade de expressão e do poder das big techs sobre a opinião pública por meio do algoritmo das plataformas. Nos últimos anos, as redes sociais foram utilizadas como veículos para a disseminação de discursos de ódio, o que levou a debates sobre a regulamentação destas ferramentas, que responsabilizasse as big techs pelos crimes praticados nas redes*.*
No restante do mundo, a busca pela normatização das redes também pauta diversas políticas públicas. Na Índia, houve uma redução de 36 para 3 horas no prazo para que conteúdos considerados ilegais sejam removidos pelas plataformas, após notificação judicial. A medida exige que mídias geradas artificialmente sejam devidamente identificadas, em um esforço para limitar a desinformação. Já na Europa, a intensificação do Digital Services Act (Lei dos Serviços Digitais), plenamente em vigor desde 2024, resultou no banimento de dezenas de milhões de conteúdos potencialmente ilegais das redes já no primeiro semestre de 2025. A legislação europeia é uma das mais avançadas nessa temática e denota um movimento coordenado em prol da responsabilização das big techs pelo material por elas distribuído. Essas diretrizes, então, ecoam as demandas latentes do mundo atual pela garantia da verdade e pela proteção dos usuários nas redes sociais.
Outro elemento que se encontra no cerne das discussões acerca da regulação das redes é a relação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com as empresas de tecnologia. Indícios de uma aproximação política das big techs ao presidente americano foram percebidos logo na cerimônia de inauguração de seu segundo mandato, em 20 de janeiro de 2025, evento que contou com a presença de importantes CEOs do mercado, como Mark Zuckerberg, da Meta; Jeff Bezos, da Amazon; e Shou Zi Chew, do TikTok. Em seu discurso de posse, Trump abordou temas como “trazer de volta a liberdade de expressão” e “interromper a censura governamental”, perspectivas fortemente alinhadas com a narrativa antirregulamentação defendida por certos dirigentes das companhias. Zuckerberg, por exemplo, em um vídeo publicado no início de 2025, anunciou o fim dos checadores de fatos no Facebook e no Instagram, a fim de “reduzir os erros responsáveis pela […] censura nas plataformas”. Os verificadores foram substituídos por um sistema similar ao da plataforma “X”, de Elon Musk, que recorre às notas dos próprios usuários ao invés de jornalistas na checagem de postagens.
Assim, a formulação de um espaço digital irrestrito e promotor da impunidade se tornou um importante ponto de convergência entre as agendas do presidente e de algumas big techs, que se apresentam como aliadas estratégicas ao segundo governo Trump e a seus objetivos políticos e econômicos. Evidência disso é a recente nomeação do CEO da Meta e do cofundador da Google, Sergey Brin, para um conselho consultivo que orientará a conduta governamental americana no âmbito científico, tecnológico e de inovação. A comissão foi inaugurada paralelamente ao desmantelamento do Conselho Nacional de Ciência dos EUA, organização até então fundamental nas políticas de financiamento científico no país. O novo comitê surge com enfoque no desenvolvimento de inteligência artificial, sob a premissa de tornar os Estados Unidos o “líder mundial em IA”, segundo depoimento de Mark Zuckerberg.
A fala do CEO se insere em um contexto global de disputa pelo domínio de uma ferramenta basilar nas dinâmicas econômicas e tecnológicas da contemporaneidade. De microchips e chatbots ao controle de mísseis teleguiados, a inteligência artificial tornou-se um elemento central ao crescimento industrial e à soberania tecnológica e, portanto, objeto de expressivo interesse dos líderes nacionais. Dessa forma, a ligação próxima entre Donald Trump e as companhias tecnológicas serve a frentes múltiplas do projeto de governo “trumpista”, que capitania tanto a desregulação das redes sociais quanto a hegemonia norte-americana no meio da inteligência artificial.
Com isso, o debate a respeito da regulamentação das redes abarca interesses e retóricas conflitantes. A defesa da liberdade e do combate à censura são retratadas como fins indiscutíveis e, por isso, imunes a qualquer tipo de restrição. Essa lógica simplista, no entanto, é prejudicial à criação de um meio digital seguro e inclusivo, no qual a promoção do respeito e da dignidade seja complementar ao direito de expressão, e não um preço a ser pago por ele.

Danos Ambientais dos Data Centers
Datas centers são centros de dados que abrigam os servidores responsáveis pelo processamento e armazenamento de todas as informações do universo digital. Há vários tipos deles, porém, um deles tem despertado um interesse especial das empresas de tecnologia: os usados para inteligência artificial. Tais data centers vêm mobilizando a procura por espaços físicos que supram suas demandas, visto que sua instalação e operação envolvem um consumo exorbitante de energia, que, consequentemente, exige que haja um resfriamento constante do sistema para que não ocorra um superaquecimento, dependendo de uma grande quantidade de recursos hídricos.
Estima-se que ferramentas de IA como o ChatGPT podem consumir até meio litro de água a cada 20 a 50 comandos de textos, o que aumenta consideravelmente quando os pedidos abrangem criação de imagens. E segundo especialistas, até 2027, o setor de IA pode demandar entre 4,2 e 6,6 bilhões de metros cúbicos de água por ano – equivalente ao volume total de água existente na Dinamarca, por exemplo, o que reacende o debate sobre escassez hídrica no contemporâneo frente ao uso abusivo de água. Além disso, sabe-se que o processo de treinamento de um único modelo de IA, como um modelo de linguagem complexo, pode consumir milhares de megawatts-hora de eletricidade e emitir centenas de toneladas de carbono a partir da queima de combustíveis fósseis para a geração de energia, agravando o efeito estufa e, assim, intensificando as mudanças climáticas no planeta.
Diante desse cenário, compreende-se que os data centers de inteligência artificial acarretam para seu funcionamento um custo ambiental muito expressivo e que um caminho para promover sustentabilidade seria investir em fontes de energia renovável ou melhorar a infraestrutura digital, ao utilizar redes de fibra óptica, as quais requerem menos eletricidade do que cabos de cobre, comumente usados nesses data centers.

As Terras Raras e suas Conexões com a Inteligência Artificial
As terras raras podem ser definidas como um conjunto de 17 elementos químicos – por exemplo, neodímio, praseodímio, disprósio e térbio – que, somados a outros minerais críticos (lítio e cobalto), são peças fundamentais no desenvolvimento de diversas tecnologias, das quais o mundo contemporâneo não se vê mais sem, como os semicondutores, painéis solares, sistemas de defesa, entre outros. E, apesar da nomenclatura que recebem, essas terras na realidade não são tão raras assim, mas possuem essa designação devido à dificuldade atual de extração e refino em larga escala desses minerais.
Dessa forma, as terras raras têm uma enorme importância no cenário geopolítico, já que o seu caráter insubstituível nas diferentes indústrias tem acirrado disputas entre os principais players do tabuleiro global, provocando impasses diplomáticos e conflitos comerciais.
A exemplo, tem-se o “tarifaço” que o presidente estadunidense, Donald Trump, estabeleceu sobre o Brasil no ano de 2025. Mas, o que isso tem a ver com as terras raras? Nas tentativas de negociação para que as tarifas fossem retiradas, Trump demonstrou um grande interesse pelas reservas existentes no Brasil, país que detém a segunda maior reserva do mundo e vem se inserindo nesse contexto como protagonista e um polo estratégico para empresas multinacionais.
A questão fica mais profunda quando se considera que a China é quem domina o mercado de terras raras no mundo, ou seja, a tentativa de barganha norte-americana ganha outra interpretação: os Estados Unidos, inseridos em uma atualidade em que há um processo latente de redefinição de influências globais, desejam se manter ainda como um competidor na disputa, principalmente comercial e tecnológica, com a China, bem como promover segurança nacional e soberania tecnológica.
E tal contexto é de suma importância para entender uma das conexões que marcam o século XXI: terras raras e a IA. A inteligência artificial depende de uma enorme infraestrutura física baseada nos grandes data centers – os quais comportam milhares de servidores -, chips especializados (como os usados pela NVIDIA) e sistemas de armazenamento. Como mencionado, esses equipamentos dependem das terras raras para produção e melhoria de desempenho dos chips, bem como contribuem para reduzir o consumo energético e até mesmo produzir outros componentes de forma mais compacta e eficiente.
Assim, o Brasil, estando apenas atrás da China na posse das terras raras, encontra-se em um contexto complexo: por um lado, destaca-se como pioneiro por atrair investimentos e inserir-se na onda da transição energética (a qual também é favorecida pelas terras raras, principalmente pelos elementos neodímio e disprósio, utilizados na produção de ímãs e turbinas eólicas), por outro, tem seu protagonismo subalternizado em detrimento das estratégias imperialistas de outros países, como os Estado Unidos, que delegam ao país o simples papel de “cibercolônia”.

Soberania Digital e Segurança Nacional
A soberania digital, em nível nacional, refere-se ao poder e à capacidade de um Estado de controlar de forma autônoma a sua infraestrutura tecnológica, seus dados e regulamentar plataformas sem depender de grandes corporações de tecnologia (as Big Techs) ou de grandes potências estrangeiras.
Com a atual digitalização do mundo, o conceito de Soberania Digital deixa de ser um aspecto do nicho tecnológico e passa a ser um assunto de Segurança Nacional. Nesse sentido, as Big Techs possuem atualmente um poder econômico e uma influência que, muitas vezes, são equivalentes aos de alguns países. Assim, a soberania digital mostra-se como uma forma de equilibrar esse processo e evitar que os Estados tenham sua soberania afetada pela expansão dessas empresas.
Para entender melhor o que sustenta o poder das Big Techs, analisam-se alguns setores de influência dessas tecnologias. Como, por exemplo, o controle que essas plataformas possuem sobre os dados da população, podendo armazená-los, consultá-los e utilizá-los para incrementar suas tecnologias; o poder de influência de massas exercido por campanhas de disseminação de desinformação, ataques a processos eleitorais e discursos de ódio; além do controle da infraestrutura crítica de um país, por meio do armazenamento de dados governamentais, como os serviços essenciais (rede elétrica, abastecimento hídrico e saúde) em seus servidores, fato que deixa um país vulnerável e desestabilizado em caso de conflitos diplomáticos ou sanções econômicas.
Tendo isso em vista, é possível notar a importância que o exercício da soberania digital tem para os países no cenário atual. Nesse contexto, é válido mencionar a posição expressa pelo atual Presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, na cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial realizada na Índia em fevereiro. Em seu posicionamento, o líder defendeu uma agenda de soberania digital e regulação das plataformas, argumentando que o controle de dados e tecnologias exercido por tais empresas representa uma forma de dominação e não um projeto de inovação. Além disso, no debate, assuntos como os perigos da Inteligência Artificial e vias de desenvolvimento sustentável foram trazidos à tona pelos representantes brasileiros.

Recomendação Cultural
“Dilema das Redes”, Documentário da Netflix (2020)
O documentário aborda como as redes sociais manipulam o comportamento, viciam o usuário e influenciam pensamentos em busca de maximizar o lucro. É possível entender os impactos do algoritmo na democracia, visto a polarização e disseminação de fake news, e na saúde, ao demonstrar a influência da mídia no psicológico humano.

Questões de Vestibulares
1- (FUVEST 2025)
Texto 1
“Em Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política”, Morozov estabelece ‘um paralelo com os setores extrativistas de recursos naturais, como o petróleo’, colocando ‘no centro da discussão o modo de produção dessa economia, que ele chama de ‘extrativismo de dados’. Apesar de a frase ‘os dados são o novo petróleo’ ser um chavão fraco em termos conceituais, Morozov acha o modismo útil para debatermos a matriz extrativista desse modo de produção, em especial a forma como as grandes empresas de tecnologia ‘continuam escavando a nossa psique tal como as empresas de petróleo escavam o solo’.”
ZANATTA, Rafael. “Extrativismo Digital”. Quatro Cinco Um, 01/04/2019. Disponível em: https://quatrocincoum.com.br/resenhas/ (Adaptado).
Texto 2
“Colonialismo de dados é um modo de configurar o mundo inteiro, de tal forma que um recurso novo possa ser extraído – e esse recurso é a vida humana a partir da qual se pode extrair um valor econômico. Sustentamos que os modos nos quais este novo colonialismo opera, as escalas nas quais opera diferem do colonialismo histórico que tão bem entendemos. Mas a função, a finalidade subjacente, o núcleo deste novo colonialismo é exatamente o mesmo do colonialismo histórico. É o de despossuir, apropriar-se dos recursos do mundo para o bem de uns poucos, de uma parte do mundo.”
COULDRY, Nick. Colonialismo de Dados e Esvaziamento da Vida Social Antes e Pós Pandemia de Covid-19. In: Homo Digitalis. A Escalada da Algoritmização da Vida em Tempos de Pandemia. Anais do XIX Simpósio Internacional Instituto Humanitas Unisinos (Adaptado).
Considerando os excertos apresentados, é correto afirmar que extrativismo de dados e colonialismo de dados são conceitos desenvolvidos por Morozov e Couldry para nomear e descrever fenômenos
a) baseados em mecanismos inéditos de acumulação de dados na história, de amplo alcance, complementares e centrais para diferenciar a atual fase do modo de produção capitalista.
b) essencialmente diferentes, pois, enquanto o extrativismo trata de uma relação das empresas de tecnologia com a psique, o colonialismo trata de uma relação dessas empresas com a vida humana.
c) cuja lógica de apropriação é diferente daquela verificada em relação ao petróleo, o que explica os limites da comparação entre os dados produzidos por usuários da internet e o petróleo.
d) correspondentes a duas formas análogas de apreender transformações do capitalismo contemporâneo, referindo-se a práticas que surgiram no passado, colonização e extrativismo, e com os quais compartilham finalidades.
e) que abrem possibilidades para que alguns países desprovidos de recursos naturais valiosos se apropriem de dados produzidos por usuários, sem autorização prévia destes, para extrair lucros.

2- (UNESP 2026)
Analise os recortes dos webstories publicados pela revista Exame sobre uma tendência (trend) que se espalhou nas redes sociais em 2025: o uso da inteligência artificial para gerar imagens que copiam a estética de um estúdio de animação japonês, o Studio Ghibli.

Problematizado pelos webstories, o uso da inteligência artificial para a geração de imagens permite o debate sobre a
a) flexibilização dos direitos autorais em serviços que degradam a natureza, como no caso dos produtos que consomem recursos hídricos em sua produção.
b) alienação dos consumidores de bens e serviços sobre processos produtivos, como no caso do uso de recursos hídricos.
c) lei da oferta e da procura no estabelecimento de preços aos consumidores, como o praticado no uso de recursos hídricos.
d) imprecisão das informações na internet sobre impactos ambientais, como os dados que expressam o reduzido consumo de recursos hídricos pela população.
e) oferta de serviços públicos para garantir a sustentabilidade do setor digital, como o uso racional de recursos hídricos nas linhas de produção

3- (UNESP 2024)
A emergência do ChatGPT, chatbot (software capaz de simular a conversação humana) desenvolvido pela OpenAI, chamou a atenção internacional. Essa nova ferramenta de inteligência artificial pode revolucionar um leque extremamente amplo de atividades humanas, mas não deixou de despertar também um considerável número de preocupações entre especialistas de tecnologia. O ChatGPT é capaz de entender a linguagem humana natural e gerar uma resposta semelhante ao fruto do intelecto humano após receber um pedido. A ferramenta ganhou destaque pelo nível extremamente refinado de suas respostas.
(Luca Belli e Nina da Hora. “ChatGPT: o que anima e o que assusta na nova inteligência artificial”. Folha de S.Paulo, 20.01.2023. Adaptado.)
Diante do cenário descrito no excerto, a utilização da nova tecnologia de maneira eticamente responsável requer a:
a) livre concorrência para disputa comercial entre empresas privadas.
b) massificação de dispositivos de tecnologias de linguagem natural.
c) promoção de campanhas sobre os prejuízos do uso desse tipo de software.
d) permissão de acesso a assinantes dessa ferramenta devidamente identificados.
e) censura estatal do avanço de programas de inteligência artificial.

4- (UNICAMP 2024)

Imagem postada em março de 2023 no Reddit, uma comunidade de fóruns, na página específica do Midjourney. Essa página reúne criações feitas na ferramenta de Inteligência Artificial, ferramenta que permite criar imagens hiper-realistas a partir de uma descrição em texto. A imagem viralizou a partir do Twitter. O Papa nunca usou aquele casaco branco.

Tradução da legenda: Eu apenas respiro por você. Um beijo, meu belo anjo! Panfleto anônimo produzido na França pré-revolucionária do final do século XVIII retratando a rainha Maria Antonieta em um romance com a sua amiga, a duquesa Yolande de Polignac.
Com propósitos diferentes, ambas as imagens promovem a desinformação. Comparando historicamente os dois exemplos de desinformação, é correto afirmar quea) as campanhas de desinformação podem ser encontradas em diferentes contextos, como visto no uso do panfleto da rainha pela coroa francesa – com o objetivo de defender a monarquia – e na imagem do Papa – que explora a contradição entre a riqueza do Vaticano e os excluídos defendidos por ele.
b) no século XVIII e no século XXI, a produção e a circulação de fake new de desinformação são controladas pelos aparelhos de censura que revisam conteúdos orais e impressos, ainda que estruturados a partir de tecnologias diferenciadas.
c) na era digital, a ruptura causada pelo uso de Inteligência Artificial e seu potencial na produção de desinformação está ao alcance do público, na instantaneidade e no realismo da imagem. No início da contemporaneidade, as manipulações em imagens e em notícias eram acessadas pelo público através de jornais e panfletos.
d) os dispositivos de Inteligência Artificial representam uma ruptura no combate à desinformação ao possibilitar o rastreio e a eliminação instantânea de fake news. No século XVIII, o público era refém de notícias falsas pela ausência desta tecnologia.

5- (ENEM)
A dublagem é o novo campo a ser explorado pela inteligência artificial, e há empresas dedicadas a fazer com que as vozes originais de atores sejam transpostas para outros idiomas. A novidade reforça a tendência da automação de postos de trabalho nas mais diversas áreas. Tem potencial para facilitar a vida de estúdios e produtoras e, ao mesmo tempo, tornar mais escassas as oportunidades para dubladores e atores que trabalham com isso.
GAGLIONI, C. Disponível em: www.nexojornal.com.br. Acesso em: 25 ou. 2021.
a) proteção da economia nacional.
b) valorização da cultura tradicional.
c) diminuição da formação acadêmica.
d) estagnação da manifestação artística.
e) ampliação do desemprego estrutural.

Gabarito
Resposta da questão 1: [D]
Nos textos, as expressões “extrativismo de dados” e “colonialismo de dados” são utilizadas para ressaltar a semelhança entre fenômenos contemporâneos, de exploração e de apropriação de dados, e práticas históricas (extrativismo e colonialismo), mostrando que tais mecanismos não são totalmente inéditos.
Resposta da questão 2: [B]
O texto afirma que apesar de revolucionário, o fato do chatbot chat GPT ser capaz de gerar uma resposta semelhante ao fruto do intelecto humano desperta preocupação em especialistas, sendo então necessárias campanhas que explicitem os prejuízos da utilização desse software, que podem ser seus impactos ambientais, a violação de direitos autorais, entre outros.
Resposta da questão 3: [C]
O texto afirma que apesar de revolucionário, o fato do chatbot chat GPT ser capaz de gerar uma resposta semelhante ao fruto do intelecto humano desperta preocupação em especialistas, sendo então necessárias campanhas que explicitem os prejuízos da utilização desse software, que podem ser seus impactos ambientais, a violação de direitos autorais, entre outros.
Resposta da questão 4: [C]
Alternativa A – incorreta, pois o panfleto não tem como objetivo defender a monarquia.
Alternativa B – incorreta, pois não são os aparelhos de censura que controlam a circulação de fake news nos contextos apresentados.
Alternativa C – correta, pois afirma a diferença na produção das fake news entre os dois contextos, explicitando como na atualidade a produção de imagens com um alto grau de realismo está ao alcance do público a partir da Inteligência Artificial.
Alternativa D – incorreta, pois as imagens e os textos do enunciado demonstram como a Inteligência Artificial é usada na criação das fake news, e não em seu combate.
Resposta da questão 5: [E]
O avanço da Inteligência Artificial no ramo da dublagem faz com que serviços que antes seriam desempenhados por seres humanos passem a ser realizados por meio das IAs, o que reduz as vagas de emprego na área e contribui para a ampliação do desemprego estrutural.

Fontes
BBC NEWS BRASIL. Como a inteligência artificial inaugura capítulo na história das guerras. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese. Acesso em: 10 maio 2026.
BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Brasil apresenta plano de IA e reforça parcerias estratégicas na Índia. Disponível em: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Acesso em: 10 maio 2026.
CARTA CAPITAL. Maioria dos brasileiros apoia a regulação das redes sociais, aponta AtlasIntel. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br. Acesso em: 10 maio 2026.
CGI.BR – COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL. Princípios do CGI.br para regulação de plataformas de redes sociais. Disponível em: https://cgi.br. Acesso em: 10 maio 2026.
CNN BRASIL. Leia o discurso de posse de Donald Trump na íntegra. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br. Acesso em: 10 maio 2026.
CNN BRASIL. Regulamentação das redes sociais mobiliza Planalto, Congresso e STF. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br. Acesso em: 10 maio 2026.
EXAME. Entenda por que a inteligência artificial exige o consumo de água. Disponível em: Exame. Acesso em: 10 maio 2026.
FACULDADE DE DIREITO DO SUL DE MINAS. Revista da Faculdade de Direito do Sul de Minas. Disponível em: Revista FDSM. Acesso em: 10 maio 2026.
G1. A China está vencendo uma corrida pela IA, os EUA outra — mas qualquer um dos dois pode conseguir dianteira. Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 10 maio 2026.
G1. CEOs de big techs têm lugar de destaque na posse de Trump, e Musk comemora “retorno do rei”. Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 10 maio 2026.
G1. Mark Zuckerberg e fundador do Google são nomeados por Trump para conselho de ciência e tecnologia. Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 10 maio 2026.
G1. “Nova era”: entenda o vai e vem na relação de Zuckerberg e Trump. Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 10 maio 2026.
GAZETA DO POVO. Geopolítica das terras raras e IA: Brasil tem oportunidade. Disponível em: Gazeta do Povo. Acesso em: 10 maio 2026.
GOOGLE SHARE. Disponível em: Google Share. Acesso em: 10 maio 2026.
HARVARD BUSINESS REVIEW. The uneven distribution of AI’s environmental impacts. Disponível em: Harvard Business Review. Acesso em: 10 maio 2026.
INSTITUTO DE PESQUISA EM DIREITO E TECNOLOGIA DO RECIFE. IA, data centers e os impactos ambientais. Disponível em: IP.rec. Acesso em: 10 maio 2026.
IREE – Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa. Como a Inteligência Artificial virou arma de guerra? Disponível em: https://iree.org.br. Acesso em: 10 maio 2026.
OUTRAS PALAVRAS. Por nova estratégia para terras raras e IA. Disponível em: Outras Palavras. Acesso em: 10 maio 2026.
PODER360. Debate sobre moderação de plataformas avança no mundo. Disponível em: https://www.poder360.com.br. Acesso em: 10 maio 2026.
PÚBLICO. Trump destitui membros do Conselho Nacional de Ciência dos EUA. Disponível em: https://www.publico.pt. Acesso em: 10 maio 2026.
REVISTA EMPRESAS. Como o potencial das terras raras e da IA está redefinindo o cenário de empresas promissoras no Brasil e no mundo. Disponível em: Revista Empresas. Acesso em: 10 maio 2026.
REVISTA MINÉRIOS. Terras raras: geopolítica Brasil-EUA. Disponível em: Revista Minérios. Acesso em: 10 maio 2026.
UNITED NATIONS. Artificial intelligence in the military domain. Disponível em: https://www.un.org. Acesso em: 10 maio 2026.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Negacionismo cresce no mundo e amplia impactos sociais e políticos. Disponível em: Jornal da USP. Acesso em: 10 maio 2026.
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