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Edição #13 Newsletter Globalidades – Crise Climática e COP 30 no Brasil

Edição #13 Newsletter Globalidades – Crise Climática e COP 30 no Brasil

Este artigo é resultado de trabalho coletivo. Todos os autores contribuíram igualmente.

Bem-vindo(a) à nossa Décima Terceira Edição da Newsletter!

O LAI Bertha Lutz preparou uma newsletter para você se manter informado sobre os principais temas que podem cair em seu vestibular. A cada mês enviaremos um e-mail com as principais notícias do período, um aprofundamento de um macrotema que pode aparecer em questões e temas de redação, e, para finalizar, algumas questões de prova resolvidas para te ajudar a estudar! O tema desta edição é “Crise climática e COP 30 no Brasil”,  muito importante para entender o cenário geopolítico atual.

Notícias do mês de Setembro

Atos Contra a PEC da Blindagem Reúnem Multidões no País

No dia 21/09, diversos atos foram organizados pelo Brasil em resposta à aprovação da PEC da Blindagem pela Câmara dos Deputados. A Proposta de Emenda à Constituição previa exigir a autorização da Câmara ou do Senado para a abertura de ação penal contra os parlamentares, além de voto secreto para a prisão. Amplamente impopular, a medida foi considerada uma impunidade para eventuais crimes cometidos por senadores e deputados e um ataque à democracia. Ainda, a PEC foi pautada em conjunto com a aprovação da urgência do projeto da anistia, que determinaria redução de pena para aqueles que participaram dos atos golpistas de 08 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que foi considerado também motivação para os protestos.

As manifestações aconteceram em diversas cidades e em todas as capitais, como Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Manaus, São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro, reunindo movimentos sociais, políticos, sindicatos e a classe artística, com a presença de shows em alguns atos. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, foram registradas cerca de 40 mil pessoas no ápice dos eventos.

Como consequência direta das manifestações, a PEC foi enterrada em uma votação pelo senado em rejeição unânime. Além disso, aponta-se a influência dos atos na aprovação pela Câmara dos Deputados do Projeto de Lei que isenta o Imposto de Renda de quem ganha até 5 mil reais mensalmente.

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Manifestantes fazem protesto ao Masp, na Avenida Paulista, contra a PEC da Blindagem e o Projeto de Anistia – Foto: Reprodução/TV Globo.

Israel Captura Embarcações da Flotilha Sumud

Nas últimas semanas, a Flotilha Sumud, composta por pelo menos 44 barcos civis, tripulados por mais de 500 ativistas – dentre eles, médicos, artistas, advogados, etc, que se mobilizaram para levar ajuda humanitária a Gaza – foi interceptada pelo exército Israelense. A região sofre com a imposição de um cerco por parte do governo de Israel desde 2007, quando o Hamas tomou o governo. O objetivo é dificultar o acesso a recursos básicos e enfraquecer a resistência local.

Essa não foi a maior flotilha lançada com o objetivo de levar ajuda para o povo palestino e trazer a atenção da mídia para o genocídio que acontece na região, contudo foi a maior ja realizada até o momento. A última, que ocorreu em junho e também foi capturada por Israel, tinha em sua tripulação a ativista Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila, que foram detidos e deportados para seus países de origem.

Dessa vez, as forças israelenses invadiram todos os 44 barcos que estavam em águas internacionais e detiveram os 461 ativistas a bordo. A última interceptação ocorreu na sexta-feira, 3 de outubro, do barco Marinette que velejava sob a bandeira polonesa.

As ações do governo israelense atraíram atenção global e desencadearam uma série de protestos ao redor do mundo em cidades como Roma, Istambul e São Paulo. A revolta também é motivada pela detenção de figuras conhecidas pelo público, como a ativista Greta, que compôs a tripulação novamente, além de figuras políticas como o ex-prefeito de Barcelona e uma parlamentar da União Europeia.

No caso do Brasil, o Itamaraty soltou uma declaração dizendo estar em contato com as autoridades israelenses para negociar a libertação dos brasileiros detidos, incluindo a deputada federal Luizianne Lins.

Apesar de a Flotilha carregar apenas uma quantidade simbólica de ajuda humanitária, os organizadores afirmaram que a missão era estabelecer um corredor marítimo a Gaza, onde quase dois anos de guerra relegam a população de direitos humanos. A despeito das acusações de Israel de que a iniciativa era uma tentativa de quebrar um cerco marítimo legalmente instaurado, a lei internacional é clara quanto à permissão de ajuda humanitária nesses casos.

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Flotilha Global Sumud: última embarcação é capturada por Israel – Foto: Reuters/ Mohammed Mdalla.

A Generalização de uma Revolta no Nepal

Os protestos que tomaram conta do Nepal em setembro de 2025 marcaram um ponto de virada na história política do país, destacando a Geração Z como uma força de mobilização social e política sem precedentes. Embora a tentativa do governo de bloquear as redes sociais tenha sido o estopim imediato, o movimento é reflexo de um descontentamento mais profundo, com raízes em questões de corrupção, nepotismo, e a falta de oportunidades econômicas.

As manifestações, que rapidamente escalaram para confrontos violentos e resultaram na renúncia do primeiro-ministro Khadga Prasad Oli, foram diretamente impulsionadas por uma medida governamental controversa: o bloqueio de plataformas como Facebook, Instagram, WhatsApp e X (antigo Twitter). A justificativa oficial para o bloqueio era a falta de registro das empresas de tecnologia junto às autoridades, sob novas regulamentações. No entanto, para a juventude nepalesa, a ação foi percebida como uma tentativa direta de reprimir a dissidência e o crescente ativismo online.

A frustração com a ineficiência governamental, a corrupção sistêmica e a desigualdade social encontrou nas redes sociais o palco ideal para a articulação e a disseminação das pautas de protesto. Nesse sentido, a resposta do governo, que incluiu o uso de força letal, apenas aprofundou o abismo entre o Estado e a população, intensificando a indignação.

A escalada da violência se materializou mais intensamente, sobretudo, durante este mês de setembro no país. Até o dia (8), 19 manifestantes haviam morrido em confrontos com a polícia, o que posteriormente nutriu maior raiva e distúrbios, levando o número de mortos para 30. Os protestos continuaram de forma intensa, com um incêndio feito em massa na sede do Partido do Congresso Nepalês e logo no dia seguinte, na terça-feira dia 9, os manifestantes protestaram também, contra a violência policial do dia anterior e conseguiram invadir o complexo do Parlamento.

Após o presidente Paudel aceitar a renúncia de Oli, iniciou-se o processo para escolher um novo premiê, que teve como escolha interina,  a única ex -presidente mulher a ocupar o cargo da Suprema Corte, Sushila Karki, anunciada pelo gabinete da presidência nepalesa na sexta-feira, dia 12.

Karki, após a onda histórica de violência, traz um discurso diferente do que era vigente no governo, ela compromete-se em atender as demandas daqueles que suplicam pelo “fim da corrupção” acrescentando ainda, que ela e seu governo não possuem pretensão de “estar no poder por mais de seis meses”, data essa que indica as eleições, previstas para março de 2026.

Assim, vale-se buscar entender a complexidade encontrada no país, que ao mesmo tempo passa por uma enorme política de contenção de danos, com medidas de “toques de recolher” mas que não pode se deixar seduzir pela repressão novamente e que  destaca-se a grande necessidade de líderes como Sushila Karki, que estejam a fins de reconquistar essa confiança perdida pela juventude, representante do futuro nepalês.

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Manifestantes colocam fogo no principal edifício administrativo do governo do Nepal, em Katmandu – Foto: Anup Ojha/AFP.

Plano de “Muro Antidrones” da UE

A União Europeia (UE) anunciou uma iniciativa ambiciosa para erguer o que está sendo chamado de um “muro de drones” ao longo de seu flanco leste. O plano estratégico visa fortalecer a segurança do bloco contra as crescentes incursões de drones russos que têm violado o espaço aéreo de países membros como Polônia, Romênia, Estônia e Dinamarca. Lançado em uma reunião da Comissão Europeia com a participação de dez Estados-membros, incluindo os países bálticos e nórdicos, o projeto representa um passo crucial para transformar discussões sobre defesa em “ações concretas”, conforme declarado por autoridades da UE. Esta resposta, que exige ser “firme, unida e imediata”, sinaliza uma escalada na postura de segurança do bloco em face das tensões geopolíticas.

O “muro de drones” funcionará com um duplo propósito: detecção e intervenção. Utilizando uma rede integrada de radares e sensores acústicos, o sistema terá a capacidade de identificar aeronaves não tripuladas em tempo hábil. O objetivo de intervenção busca resolver o dilema da incompatibilidade de custos, onde um míssil aéreo caro (cerca de 1 milhão) é usado para abater um drone de baixo custo (cerca de 10.000), o que exige o desenvolvimento de meios eficazes e financeiramente sustentáveis para destruição. Essa barreira aérea faz parte de um esforço mais amplo de “vigilância do Flanco Oriental”, que também prevê o fortalecimento de defesas terrestres e marítimas, consolidando uma resposta abrangente e tecnológica da Europa para proteger suas fronteiras de potenciais ameaças.

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Em setembro, cerca de 20 drones de procedência incerta invadiram o espaço aéreo polonês; episódios semelhantes foram registrados recentemente na Dinamarca e em outros países – Fonte: Getty Images.

STF Condena Bolsonaro e Outros 7 Réus por Tentativa de Dolpe de Estado 

No último dia 11 de Setembro, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou todos os 8 réus do julgamento por tentativa de Golpe de Estado (ocorrido no dia 8 de Janeiro de 2023) incluindo o ex-presidente da República Jair Bolsonaro. O placar final da votação para condenar Bolsonaro foi de quatro votos favoráveis dos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Carmen Lúcia e Cristiano Zanin, e um voto contrário, do ministro Luiz Fux. Condenado a 27 anos e 3 meses, o ex-presidente Bolsonaro é o primeiro na história do Brasil a ser preso por tentativa de golpe de Estado. Dos 8 réus julgados, 7 receberam penas entre 16 e 27 anos de prisão em regime fechado, com exceção do delator do caso, o tenente-coronel Mauro Cid, que fez um acordo de delação premiada e com isso recebeu somente dois anos de pena, a serem cumpridos em regime aberto. Além disso, todos os réus foram condenados ao pagamento de uma multa solidária de R$30 milhões, a ser dividida entre todos.

A noticia da condenação teve intensa repercussão na comunidade internacional: a revista americana The New Yorker apontou que o julgamento representou um teste não apenas para Bolsonaro, mas para a própria democracia brasileira. O periódico descreveu a tensão vivida no país antes do veredito e ressaltou como a decisão do Supremo Tribunal Federal ecoou como um alerta contra líderes populistas de viés autoritário. Já o espanhol El País classificou a condenação como “histórica” e como um recado claro de que, no Brasil, “ninguém está acima da lei”. Em uma comparação entre o caso e a investigação contra o presidente americano Donald Trump, também acusado de incitar uma invasão (a do Capitólio em 6 de janeiro de 2021), o The New York Times afirmou que “o Brasil teve sucesso onde os EUA falharam”. Ao responsabilizar Bolsonaro, o Brasil conseguiu ressoar uma mensagem clara de resistência institucional que ecoa além das fronteiras nacionais.

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Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes – Foto: Antonio Augusto/STF.

Reconhecimento do Estado Palestino na 80ª Assembleia Geral da ONU

No dia 21 de setembro, o Reino Unido, o Canadá e a Austrália anunciaram o reconhecimento formal do Estado da Palestina, com o ineditismo dos dois primeiros países citados serem os únicos do G7, fórum que reúne as principais economias desenvolvidas do mundo, a reconhecerem o Estado Palestino.

Já na 80ª Assembleia Geral da ONU, foi retomada a Conferência Internacional de Alto Nível para a Solução da Questão Palestina e a Implementação da Solução de dois Estados, sendo presidida pela França e pela Arábia Saudita. Durante a conferência, França, Portugal, Bélgica, Luxemburgo, Malta, Mônaco e Andorra também reconheceram o Estado Palestino, o que aumenta a pressão internacional contra o genocídio em curso que Israel comete na Faixa de Gaza e demonstra o descontentamento com os planos israelenses de anexação de Gaza e da Cisjordânia, territórios vitais para o estabelecimento de um futuro Estado Palestino independente e economicamente viável.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, declarou: “Nada justifica os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, nem as ofensivas que continuam a vitimar civis palestinos. A situação em Gaza é moral, legal e politicamente intolerável. Nós temos de reafirmar o nosso compromisso com a solução de dois Estados antes que seja tarde demais, pois o Estado Palestino é um direito, não uma recompensa”. Guterres apelou para um cessar-fogo imediato, a libertação dos reféns e o acesso humanitário sem restrições na Faixa de Gaza.

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Uma placa representando o Estado da Palestina é posicionada na mesa do Conselho de Segurança – Fonte: ONU/Manuel Elias.

Macrotema: Crise climática e COP 30 no Brasil

Por que Falar sobre Mudanças Climáticas?

Em 2025, o Brasil sediará a COP30 (a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que acontecerá em Belém, no coração da Amazônia. Mais do que um grande evento internacional, essa conferência representa um momento decisivo para repensarmos nossa relação com o planeta e o papel de cada país na construção de um futuro sustentável.

Mas, afinal, o que são mudanças climáticas? Estas se referem às alterações de longo prazo nos padrões do clima da Terra, causadas principalmente pelo aumento da emissão de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO₂) e o metano (CH₄). Esses gases ficam presos na atmosfera e provocam o aquecimento global, o que leva a consequências como secas mais intensas, enchentes, aumento do nível do mar e perda de biodiversidade.

Falar sobre mudanças climáticas é importante porque seus efeitos já estão sendo sentidos em todas os lugares: no campo, nas cidades, na economia, e na saúde das pessoas. Além disso, já reflete as desigualdades sociais, uma vez que os que mais sentem seus impactos são as periferias globais.

Tendo isso em vista, nas Relações Internacionais, discutir o clima significa buscar cooperação entre os países, dividir responsabilidades de forma justa e garantir que o desenvolvimento econômico ocorra de maneira sustentável. A COP30 será uma oportunidade única para o Brasil e outras nações do Sul Global mostrarem que é possível crescer sem destruir o meio ambiente.

Por isso, falar sobre mudanças climáticas é falar sobre o presente e o futuro da humanidade. Entender o tema é essencial para que possamos agir – individual e coletivamente – em busca de um mundo mais equilibrado, justo e saudável para todos.

Histórico de Cooperação Ambiental Internacional

A cooperação internacional no enfrentamento das mudanças climáticas se desenvolveu gradualmente desde o final do século XX, à medida que a comunidade científica e os governos passaram a reconhecer os impactos globais das emissões de gases de efeito estufa.

As primeiras discussões multilaterais sobre o tema surgiram na Conferência de Estocolmo (1972), marco inicial da diplomacia ambiental moderna. Ainda sem tratar diretamente do clima, ela abriu caminho para a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que passaria a coordenar iniciativas científicas e políticas sobre meio ambiente.

Em 1988, a criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) pela ONU e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) fortaleceu a base científica das negociações, ao fornecer evidências sobre o aquecimento global e suas causas humanas.

Essas resoluções levaram, em 1992, à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), firmada na Conferência do Rio (Rio-92). A convenção não impôs metas, mas estabeleceu princípios e estruturas institucionais fundamentais, como o das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, reconhecendo a desigualdade histórica nas emissões entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

A partir da UNFCCC, surgiram acordos mais específicos. Desde então, conferências anuais conhecidas como COPs (Conferências das Partes) continuam a negociar avanços, como mecanismos de financiamento climático e metas de neutralidade de carbono. As COPs se tornaram o principal palco para o desenvolvimento de importantes acordos e resoluções contra as mudanças climáticas, como o Protocolo de Kyoto (1997) e o Acordo de Paris (2015). Além desses grandes marcos, outros tratados e instrumentos complementam a governança climática global, como o Protocolo de Montreal (1987) – originalmente voltado à proteção da camada de ozônio, mas que também reduziu gases de efeito estufa – e a Agenda 21, elaborada na Rio-92, que introduziu o conceito de desenvolvimento sustentável nas políticas nacionais.

Hoje, a cooperação internacional sobre o clima envolve não apenas tratados formais, mas também mecanismos financeiros, tecnológicos e científicos que buscam equilibrar o crescimento econômico e a preservação ambiental, reafirmando o caráter global e interdependente desse desafio.

A Conferência das Partes e a Luta Ambiental Global

Para compreender o papel central das COPs na luta contra as mudanças climáticas é necessário entender o que são as COPs. A COP (sigla que significa Conferência das Partes) é uma convenção anual criada pela ONU no ano de 1994 para combater as ações humanas que prejudicam o meio ambiente, como o desmatamento e a queima de combustíveis fósseis, e, por consequência, causam as mudanças climáticas.

De forma técnica, a COP é o fórum multilateral onde os países se reúnem para avaliar o cumprimento dos compromissos assumidos e adotar novas decisões coletivas sobre o enfrentamento da crise climática. A COP conta com a participação de quase todos os países do mundo, sendo compostas pelos 198 países que assinaram e ratificaram a Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (UNFCCC), o que faz dela um dos maiores órgãos multilaterais do sistema das Nações Unidas (ONU).

Desse modo, as chamadas “COPs” são as cúpulas anuais de mudanças climáticas, que normalmente acontecem em novembro ou dezembro desde 1995.

COP1 – A caminhada até o futuro

A Primeira Conferência das Partes (COP1) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) ocorreu em Berlim, Alemanha, no período de 28 de março a 7 de abril de 1995.

O encontro inaugural reuniu representantes de diversos países para discutir estratégias globais de combate às mudanças climáticas e obteve como resultado central o Mandato de Berlim, que reconheceu a insuficiência dos compromissos existentes para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Esse mandato iniciou um processo de negociações para definir metas mais rigorosas e juridicamente obrigatórias nos países desenvolvidos, ocasionando futuramente no Protocolo de Quioto.

A COP1 foi um marco inicial nas negociações climáticas internacionais, estabelecendo as bases para maiores compromissos e destacando o protagonismos de ações coletivas para enfrentar os desafios das mudanças climáticas

COP3 – A esperança em Kyoto

A COP3 ocorreu em Kyoto, Japão, de 1º a 11 de dezembro de 1997. Esse encontro foi um marco nas negociações climáticas globais, resultando na adoção do Protocolo de Kyoto, o primeiro tratado internacional a estabelecer metas obrigatórias para a redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Com base no princípio das responsabilidades comuns, o Protocolo reconheceu que as nações industrializadas possuíam maior responsabilidade histórica pelas emissões acumuladas e, portanto, deveriam liderar os esforços globais de diminuição das causas das mudanças climáticas. O tratado determinou que, no período de 2008 a 2012, esses países reduzissem suas emissões em média 5,2% abaixo dos níveis de 1990, estabelecendo um marco inédito de comprometimento internacional.

Assim, o Protocolo de Kyoto estabeleceu as bases para acordos climáticos subsequentes, como o Acordo de Paris de 2015, que busca um compromisso mais amplo e esperançoso na luta contra as mudanças climáticas, envolvendo tanto países desenvolvidos quanto em desenvolvimento.

COP21 – O Acordo de Paris e um novo marco global

A COP21 foi realizada em Paris, França, entre 30 de novembro e 12 de dezembro de 2015. O encontro reuniu líderes e representantes de 195 países em um dos momentos mais decisivos da diplomacia climática mundial. Como resultado, foi adotado o Acordo de Paris, um marco histórico que estabeleceu um compromisso global para limitar o aumento da temperatura média do planeta a bem menos de 2 °C acima dos níveis pré-industriais, buscando esforços para restringi-lo a 1,5 °C.

O Acordo de Paris substituiu a lógica de obrigações apenas para países desenvolvidos, como no Protocolo de Kyoto, e inaugurou uma nova fase de responsabilidade compartilhada entre todas as nações. Cada país passou a apresentar suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), planos voluntários de redução de emissões e adaptação aos impactos climáticos, revisados periodicamente para potencializar seus objetivos.

Além de seu alcance ambiental, a COP21 destacou a importância de financiamento climático, tecnologia sustentável e cooperação internacional como peças essenciais para uma transição justa e efetiva. Assim, o Acordo de Paris se consolidou como o principal instrumento global de enfrentamento das mudanças climáticas, guiando as ações coletivas da comunidade internacional na busca por um futuro mais sustentável e resiliente.

COP30 – Brasil e o futuro da ação climática global

A COP30 será realizada em Belém, Pará, entre 10 e 21 de novembro de 2025. Pela primeira vez, a Amazônia sediará uma conferência climática dessa magnitude, simbolizando o papel estratégico do Brasil e dos biomas tropicais na luta contra a crise climática.

A COP30 será marcada pela apresentação de novas metas climáticas nacionais (NDCs), mais ambiciosas e alinhadas ao esforço global de limitar o aquecimento a 1,5 °C. Espera-se também que os países avancem no financiamento climático, garantindo recursos sólidos para diminuição das mudanças climáticas, a adaptação e a compensação de danos, especialmente para as nações marginalizadas e vulnerabilizadas.

Outro ponto central será a proteção das florestas e da biodiversidade, com destaque para a Amazônia, que vai estar no centro das discussões sobre transição energética, combate ao desmatamento e desenvolvimento sustentável. Além disso, a conferência também deve reforçar a importância de uma transição justa e inclusiva, com participação ativa de povos indígenas, comunidades locais e sociedade civil.

Questões de vestibulares

(UERJ 2025)

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Após 83 anos, a cidade de Porto Alegre voltou a registrar uma grande enchente. Em 1941, a capital gaúcha enfrentou um alagamento histórico, que deixou cerca de 70 mil pessoas desabrigadas. Na ocasião, o nível do Guaíba, cuja cota de inundação é de 3 metros, chegou a uma altura entre 4,75 e 4,76 metros, segundo registros da época. Desta vez, o nível do Guaíba passou de 5,3 metros e, no dia 8 de maio de 2024, atingiu 5,07 metros.

As grandes enchentes que afetaram Porto Alegre, nos anos de 1941 e 2024, mencionadas nareportagem, indicam a incidência desse problema na capital gaúcha.

Na atualidade, o agravamento desse problema está relacionado ao contexto de:

a) intensificação da crise climática

b) exploração de recursos minerais

c) degradação do bioma do Pampa

d) permeabilização do solo da cidade

(Unicamp 2025)

O Ártico, região situada ao Norte de 66,7°N, em toda sua extensão abrange cerca de 21 milhões de quilômetros quadrados, sendo que 65% deste total é composto pelo Oceano Ártico. Estima-se que aproximadamente 4 milhões de pessoas habitem essa região que hoje está se tornando epicentro da crise climática e política global. Nas terras emersas, encontram-se grandes extensões de Permafrosts (solos congelados) e grandes reservatórios de água doce, além de recursos naturais com potencial de exploração. Já no Oceano Glacial Ártico, há grandes jazidas de petróleo e gás, além do potencial para a exploração da pesca. Em 1996, foi criado o Conselho do Ártico, um fórum intergovernamental envolvendo Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Rússia, Suécia e EUA, além de seis entidades representativas de povos originários da região.

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(Adaptado)

A partir da leitura do texto e do mapa, responda às questões a seguir:

a) Apresente ao menos uma característica físico-natural responsável pela existência de grandes extensões de *permafrosts* no Ártico e indique o principal impacto do descongelamento desses solos para as mudanças climáticas globais. Que recursos naturais teriam sua exploração facilitada com o descongelamento das porções continentais?

b) Por que o degelo marítimo e das terras emersas acirra os conflitos geopolíticos regionais e globais? Qual o principal tema tratado pelo Conselho do Ártico? Aponte uma importante estratégia político-militar de um dos países da região em questão.

(ENEM 2023)

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Qual medida é capaz de minimizar as mudanças apresentadas nas simulações?

a) Expandir o transporte marítimo.

b) Incentivar os fluxos migratórios.

c) Monitorar as atividades vulcânicas.

d) Controlar as emissões de carbono.

e) Priorizar a utilização de termoelétricas.

Gabarito:

Resposta da questão 1: [A]

A alternativa correta é [A], porque o elevado volume de chuvas na região é uma consequênciadas mudanças climáticas. As alternativas incorretas são: [B] e [C], porque a alteração no regime climático se dá em razão das mudanças climáticas e não como consequência da exploração mineral ou a degradação dos Pampas; [D], porque as enchentes ocorrem em razão de maior impermeabilização e não permeabilização do solo.

Resposta da questão 2:

a) As grandes extensões de permafrost no Ártico resultam das baixas temperaturas aliadas à um substrato rochoso e pedológico. O principal impacto do descongelamento desses solos para as mudanças climáticas globais são a liberação de gases de efeito estufa, agravando a crise climática. O descongelamento facilitaria a exploração de recursos naturais como petróleo, gás natural e ouro.

b) O degelo marítimo e das terras emersas acirra os conflitos geopolíticos regionais e globais porque esse processo pode expandir o número de rotas de navegação permitindo maior controle comercial além de facilitar a exploração de recursos naturais. O principal tema tratado pelo Conselho do Ártico foi a proteção do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Uma importante estratégia político-militar de um dos países da região em questão é a abertura de múltiplas bases militares e científicas da Rússia buscando desenvolver o tráfego pela passagem do Nordeste para unir Europa e Ásia.

Resposta da questão 3: [D]

A alternativa correta é [D], porque as mudanças apresentadas nas simulações são resultantes do processo de aquecimento global, cuja causa é a emissão de gases de efeito estufa, portanto, para minimizá-las é necessário controlar as emissões de carbono. As alternativas incorretas são: [A] e [E], porque a expansão do transporte marítimo e a utilização de termoelétricas ampliam a emissão dos gases estufa; [B] e [C], porque o incentivo de fluxos migratórios e o monitoramento das atividades vulcânicas não reduzem a emissão dos gases estufa.

Fonte: Super Professor

Referências

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https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqjewjqd5rqo

https://www.cnnbrasil.com.br/politica/esquerda-vai-as-ruas-em-diversas-capitais-contra-anistia-e-pec-da-blindagem

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2025-10/flotilha-global-sumud-ultima-embarcacao-e-capturada-por-israel

https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/interceptacao-de-embarcacoes-da-201cflotilha-global-sumud201d-por-israel

https://globalsumudflotilla.org

https://www.aljazeera.com/news/2025/10/1/israel-intercepts-gaza-sumud-flotilla-vessels-what-we-know-so-far

https://www.aljazeera.com/news/2025/10/1/gaza-sumud-flotilla-how-israel-breaks-international-maritime-law

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https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/09/09/nepal-em-chamas-manifestantes-incendeiam-parlamento-suprema-corte-casas-ministros-protestos-videos.ghtml

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/09/12/numero-de-mortos-protestos-nepal.ghtml

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/09/12/nepal-escolhe-nova-primeira-ministra-onda-protestos.ghtml

https://exame.com/tecnologia/apos-queda-do-governo-no-nepal-145-mil-pessoas-discutem-sucessao-em-chat-no-discord

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/entenda-em-cinco-pontos-a-crise-no-nepal-que-ja-deixou-dezenas-de-mortos

https://www.conexaopolitica.com.br/internacional/entenda-o-que-esta-acontecendo-agora-no-nepal

https://veja.abril.com.br/mundo/ue-anuncia-muro-de-drones-para-conter-incursoes-da-russia-resposta-deve-ser-firme/#google_vignette

https://pt.euronews.com/next/2025/09/21/europa-quer-construir-um-muro-contra-drones-para-proteger-o-seu-flanco-oriental-da-russia-

https://www.ihu.unisinos.br/657105-uniao-europeia-impoe-a-linguagem-da-guerra-e-prepara-um-muro-de-drones-contra-a-russia-apos-o-incidente-na-polonia

https://www.dw.com/pt-br/ue-quer-muro-antidrones-para-se-defender-da-rússia/a-74154823

https://www.cnnbrasil.com.br/politica/stf-pena-jair-bolsonaro

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Macrotema

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    Fundado por alunos de Relações Internacionais da USP, somos um grupo de extensão que tem como missão promover a pesquisa e a extensão universitária na área de Relações Internacionais.

Fundado por alunos de Relações Internacionais da USP, somos um grupo de extensão que tem como missão promover a pesquisa e a extensão universitária na área de Relações Internacionais.