O Desastroso Brexit em Perspectiva
Por Kauan Siqueira
Em recente entrevista, o Primeiro-Ministro do Reino Unido, o trabalhista Keir Starmer, afirmou que, diante da crescente rivalidade entre Estados Unidos e China, seu país não deveria priorizar um em relação ao outro e, em seguida, realizou uma viagem a Pequim para estreitar relações econômicas entre ambos. Tais atitudes são extremamente surpreendentes em razão do histórico alinhamento político da Grã-Bretanha com os Estados Unidos, no entanto, deve ser observada a partir do quadro inglês pós-Brexit (Britain Exit), em que Downing Street encontra dificuldades para exercer sua projeção econômica e geopolítica em um cenário internacional permeado por instabilidades acentuadas pelo segundo mandato de Donald Trump frente à Casa Branca. Este difícil panorama enfrentado pela potência em plena decadência leva à percepção de que sair da União Europeia, um bloco geograficamente próximo, economicamente integrado, constituído de entidades democráticas e composto por aliados, foi o maior desastre da política britânica do século XXI.
O Inesperado “Leave”: Como o Brexit Aconteceu
A entrada do Reino Unido na União Europeia foi marcada por concessões do bloco. Em 1975, foi realizado um referendo acerca da permanência ou não do país no embrião da futura União Europeia, a Comunidade Econômica Europeia (CEE), e 67,2% do eleitorado foi favorável. Já em 1985, o Reino Unido, em conjunto com a Irlanda, negociou uma cláusula de não participação no Acordo de Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre 29 países europeus, o que implica controle de fronteiras separado. Além disso, o Reino Unido nunca fez parte da Zona do Euro e manteve sua política monetária autônoma.
Em meio a uma onda populista de extrema direita nacionalista, representada pela ascensão do eurocético Partido de Independência do Reino Unido (UKIP), dúvidas sobre os benefícios oferecidos pela União Europeia ao Reino Unido passaram a ganhar grande repercussão na sociedade britânica. A mídia desempenhou um papel crucial na crescente descrença da população em relação à União Europeia a partir da circulação de narrativas que auxiliaram na construção de uma visão comum de que o bloco era burocrático e prejudicial à soberania do Reino Unido, impedindo Londres de proteger a sua independência da “ameaça” vinda de Bruxelas em temas como a segurança e a política externa.
O conservador David Cameron assumiu o cargo de Primeiro-Ministro em 2010, ano ainda marcado pela delicada conjuntura econômica em virtude da crise financeira de 2008 e da consequente crise da dívida na zona do euro, reforçando críticas à permanência do Reino Unido na União Europeia. Somado a isso, o partido de extrema-direita (UKIP) foi o mais votado na eleição de 2014 do Reino Unido para o Parlamento Europeu, desbancando de forma inédita os dois principais partidos do Reino Unido: o Partido Conservador e o Partido Trabalhista. Pressionado, na campanha para as eleições gerais de 2015, o Primeiro-Ministro prometeu que se caso obtivesse um segundo mandato com maioria do partido conservador, ele iria renegociar o relacionamento britânico com a União Europeia e agendar um referendo popular sobre a permanência do Reino Unido na UE até 2017.
Sendo assim, após ser reeleito, David Cameron marcou um referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia para o dia 23 de junho de 2016 e as campanhas em favor do “remain” e do “leave” começaram. Com a desmotivadora oposição à saída do fragilizado Partido Trabalhista e com o Partido Conservador assumindo uma posição neutra em função das divisões internas no que se referia ao tema, o período de pré-votação foi irradiado por fake news inventadas por figuras como Nigel Farage e veiculadas nas redes sociais e em veículos extremistas, com o apoio da mídia tradicional, como o The Daily Mail, o Daily Express e o The Sun. Este último chegou a sugerir que a Rainha Elizabeth II era favorável ao Brexit.

A direita nacionalista se aproveitou da insatisfação da população perante as políticas de austeridade fiscal impostas após a crise de 2008 e canalizou a crescente descrença nas instituições democráticas para inflamar discursos contra o “globalismo” e o sistema representados pela União Europeia. Na primeira metade da década, as grandes ondas de refugiados resultantes da Primavera Árabe e da Guerra Civil da Síria insuflaram alegações de que o Reino Unido deveria sair da União Europeia para reconquistar o controle da sua soberania e, dessa forma, desenhar uma política imigratória mais dura, em contraponto com posições mais humanistas de figuras como a chanceler alemã Angela Merkel.
A imigração desempenhou um papel central no contexto do Brexit, uma vez que de acordo com os nacionalistas, era necessário conter o aumento no número de imigrantes para não pressionar os salários dos trabalhadores britânicos para baixo, sobrecarregar os serviços públicos como o NHS (National Health Service) e aumentar os índices de desemprego, o que reverberou bem entre a classe trabalhadora menos qualificada, idosos, áreas rurais e cidades pequenas. Em contrapartida, este discurso encontrou resistência em grandes cidades cosmopolitas, como Londres, e entre os jovens, expressando o racha da sociedade diante do polêmico referendo.

“Let’s Get Brexit Done”: o Acordo entre Reino Unido e União Europeia
Defensor da permanência do Reino Unido na União Europeia, David Cameron anunciou a sua renúncia após o resultado do referendo, iniciando uma era de instabilidades políticas com a queda de três Primeiros-Ministros em um período de 3 anos. Também do partido conservador, Theresa May se torna Primeira-Ministra com a ingrata missão de negociar o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, tendo que equilibrar desejos de um acordo brando ou mais rígido com Bruxelas.
Com o Brexit aprovado, a realidade se impôs: 45% das exportações britânicas se destinavam à União Europeia, ao mesmo tempo que 53% das importações do país vinham do bloco. Durante as negociações, item por item tiveram de ser renegociados, alterando aspectos logísticos, tarifários, sanitários, alfandegários e regulatórios de diferentes setores da economia.
Theresa May negociou com os líderes da UE um acordo para a efetivação da saída. Entretanto, sofreu críticas por “ceder demais” em busca de manter uma estreita participação econômica no mercado comum. Bem como foi reprovada por não envolver o Parlamento nas negociações da forma que os congressistas achavam necessária, fazendo com que ela não conseguisse a maioria de ⅔ necessária para aprovar o acordo desenhado com Bruxelas por três vezes na Câmara dos Comuns. Sua liderança foi descredibilizada e a fez renunciar em 2019 depois da sua última tentativa fracassada de oficializar o Brexit.

Assim, o conservador Boris Johnson, ex-prefeito de Londres e ferrenho defensor do Brexit – inclusive utilizando o polêmico argumento da economia de £350 milhões semanais para o NHS – assumiu o cargo de Primeiro-Ministro e adotou como lema “Let’s Get Brexit Done”. Ele adotou uma abordagem agressiva, ameaçando sair do bloco sem um acordo, porém foi obrigado pelo Parlamento a renegociar com a União Europeia e conseguiu um novo prazo para a saída do Reino Unido do bloco: 31 de janeiro de 2020.
Em seguida, o Primeiro-Ministro dissolveu o Parlamento e convocou eleições gerais para formar uma ampla maioria dos conservadores e conseguir que o novo acordo fosse aprovado. Em 12 de dezembro, o Partido Conservador obteve ampla maioria no Parlamento em sua melhor votação desde 1980 e Johnson conseguiu aprovar a sua versão do acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia, estabelecendo um período de transição a partir de 1º de fevereiro de 2020.

O acordo aprovado entrou em vigor a partir de 2021 e os seus principais termos incluem:
- Acordo de Comércio e Cooperação (TCA): Garante comércio sem tarifas e nem quotas para a maioria dos produtos, mas com a exigência de verificações alfandegárias, de segurança e sanitárias. Possui um capítulo dedicado aos serviços, assim como disposições em matéria de contratação pública, transportes aéreos e rodoviários, investimento, comércio digital, coordenação de sistemas de segurança social, cooperação em matéria de segurança sanitária, cibersegurança e a participação do Reino Unido em programas da União Europeia (Portal Diplomático).
- Proteção dos direitos de residência e trabalho de cidadãos da UE no Reino Unido e vice-versa para aqueles que se mudaram antes do final de 2020;
- O Reino Unido recuperou 25% das quotas de pesca, com acordos de acesso às águas britânicas por embarcações da União Europeia;
- Estabelecimento do intercâmbio de informações de segurança, cooperação policial e jurídica, além de parcerias no setor de energia e aviação;
- Fim da jurisdição do Tribunal de Justiça Europeu sobre a Inglaterra, País de Gales e Escócia, sendo mantida na Irlanda do Norte;
- Impedimento da formação de uma fronteira física entre a Irlanda e a Irlanda do Norte a partir da criação de “faixas verdes” para bens que ficam na Irlanda do Norte e “faixas vermelhas” para bens que seguem para a União Europeia, facilitando o comércio com o restante do Reino Unido.
Além das tumultuadas negociações com a União Europeia, o Brexit também suscitou problemas internos no Reino Unido: Inglaterra e o País de Gales votaram majoritariamente para sair da UE, enquanto a Escócia e a Irlanda do Norte votaram em sua maioria pela permanência, o que fortaleceu movimentos independentistas escoceses. Ademais, em consonância com o Acordo de Belfast de 1998, há a necessidade norte-irlandesa de manter uma fronteira aberta com a República da Irlanda, que é membro da UE, o que fez com que o “Protocolo da Irlanda do Norte” fosse criado, responsável por manter o território em alinhamento com as regras comerciais da UE com as chamadas “faixas verdes” e “faixas vermelhas”. O protocolo reduziu consideravelmente a soberania da Grã-Bretanha sobre a Irlanda do Norte, sendo alvo de críticos que consideraram que Downing Street estava disposta a ultrapassar diversos limites para finalmente conseguir aprovar a efetivação do Brexit.
O Esperado Aconteceu: as Péssimas Consequências do Brexit
Durante o período de pré-votação do referendo em 2016, famosos economistas e sólidas instituições financeiras mundiais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertaram a sociedade do Reino Unido de que, com um possível Brexit, o crescimento econômico seria prejudicado, o desemprego aumentaria, o valor da libra cairia e as empresas britânicas encontrariam dificuldades para exportarem.
Internamente, o Bank of England divulgou estudos temendo a hipótese de uma recessão e afirmou que o governo poderia ser obrigado a aumentar impostos e cortar gastos nos serviços públicos como o NHS, educação e defesa. Todavia, entusiastas pró-saída da UE intitularam estes estudos de “Projeto Medo” financiado pelas elites ricas “globalistas”, o que parece ter funcionado.
Passados quase 5 anos desde a vigência do acordo que formalizou a saída do Reino Unido da União Europeia, uma recente pesquisa realizada pela YouGov apontou que 62% dos britânicos consideram que a saída da União Europeia foi um fracasso, contra apenas 11% que pensam ter sido um sucesso. Em adição a isso, 55% da população pensa que a saída da organização supranacional foi uma decisão incorreta, número ainda maior entre os jovens de 18 a 24 anos, alcançando o percentual de 75%. A pesquisa ainda revelou que 55% aprovariam uma revogação total do Brexit.
O arrependimento da população em relação ao Brexit foi afetado pela longa instabilidade política interna que a decisão causou. Contudo, pode-se observar substanciais danos à economia britânica em decorrência da saída da UE. O Gabinete de Responsabilidade Orçamental do Governo prevê que as exportações e importações do Reino Unido serão, a longo prazo, cerca de 15% inferiores às que se verificariam caso o Brexit não tivesse ocorrido e que a produtividade econômica será 4% inferior em decorrência da nova realidade imposta. Com a vigência do acordo em 2021, somente no primeiro trimestre do ano, observou-se uma queda de US$2,7 bilhões nas exportações do Reino Unido para a UE no setor alimentício e de bebidas. No setor de laticínios, houve um recuo de 90% das exportações britânicas com destino ao bloco europeu.
Em sintonia com outros estudos que demonstram os efeitos negativos do Brexit, a London School of Economics revelou que um terço da inflação dos preços dos alimentos no Reino Unido de 2019 a 2022 foi uma consequência da saída do bloco. A taxa de inflação do Reino Unido seguiu sendo persistentemente a mais alta entre os países do G7. O turismo de residentes da UE ao Reino Unido também diminuiu, com uma média de 3 milhões de turistas a menos na Grã-Bretanha do que em anos anteriores ao Brexit. O apoio fornecido pela Política Agrícola Comum da UE para agricultores também foi encerrado, sendo substituído pelo governo britânico.
As empresas do Reino Unido também foram impactadas negativamente pelo Brexit com o aumento de custos logísticos, burocracia aduaneira e barreiras fitossanitárias com a União Europeia. Isso fez com que as exportações e importações diminuíssem, levando a um aumento da inflação, diminuição no ritmo de crescimento econômico atrelado à perda de produtividade, declínio na qualidade de vida da população e menor acesso dos setores da economia à tecnologia, serviços e mão de obra europeia, para além dos novos custos regulatórios que foram acrescidos ao custo final dos produtos ofertados.

Até no quesito da contenção da imigração, o Brexit falhou. A imigração de pessoas provenientes da União Europeia caiu consideravelmente; em contrapartida, a migração líquida triplicou, puxada pela alta da imigração de pessoas fora da UE, com destaque para a Índia e a Nigéria. O governo adotou um sistema de pontos para atrair mão de obra altamente qualificada, que se baseia em requisitos como oferta de emprego prévia, inglês proficiente e limitação à entrada de familiares de estudantes e trabalhadores. Em 2025, o saldo migratório (diferença entre o número de pessoas que saem e entram no país) foi de 204 mil pessoas, em uma queda contínua em comparação com as 745 mil pessoas registradas em 2022. A diminuição de mão de obra europeia gerou carência em setores como saúde, assistência social, turismo e agricultura.
O então Primeiro-Ministro conservador Rishi Sunak elaborou um controverso plano para enviar solicitantes de asilo que chegam ilegalmente à Grã-Bretanha para Ruanda. Contudo, após a esmagadora vitória do Partido Trabalhista nas eleições gerais de 2024, o Primeiro-Ministro trabalhista Keir Starmer substituiu a infame iniciativa por um novo Comando de Fronteiras e Segurança para ajudar a retirar os solicitantes de asilo desqualificados. Apesar da retórica dos políticos, a economia inglesa precisa da imigração: a pirâmide etária está se invertendo e o mercado de trabalho depende da entrada de novos residentes. Além disso, há necessidade de um alto volume de estudantes internacionais nas universidades britânicas para financiar o ensino superior nacional, em razão das altas mensalidades pagas por intercambistas, sendo também um valioso instrumento de soft power.
De Pequim à Washington: o Reino Unido e a Europa na Nova Ordem Mundial
As consequências do Brexit ultrapassaram os limites das ilhas do Canal da Mancha e ressoaram em todo o continente europeu. O “sucesso” da saída do Reino Unido da União Europeia desempenhou um papel central no fortalecimento da extrema-direita europeia. A falha da social-democracia europeia em combater a deterioração da qualidade de vida em virtude da crise de 2008, em sincronia com o aumento dos movimentos imigratórios, estimulou o fortalecimento do sentimento anti-establishment político, pregado pela direita populista. Como consequência, ampliou-se o anseio da população por soluções imediatas e radicais, em consonância com a rejeição gradativa da centro-esquerda à centro-direita europeia.
Isso pode ser observado nos discursos da nova direita europeia, que se utiliza dos mesmos argumentos britânicos anti-imigração e contra o sistema e o “globalismo” para tentarem emplacar uma saída da União Europeia: na França, Marine Le Pen; na Espanha, o partido Vox; na Alemanha, o partido AfD; em Portugal, o partido Chega. Não obstante, há diversas outras figuras e correntes políticas que encamparam ideologias extremistas em desprezo aos direitos humanos, ao “Ocidente” e à “cultura woke”, flertando novamente com o velho fascismo europeu.
A invasão russa à Ucrânia e a grande influência do Kremlin no leste europeu, que interfere ativamente em eleições com base na desinformação para favorecer candidatos anti-União Europeia, colocaram o continente em uma situação vulnerável. Ao mesmo tempo que as dívidas públicas dos países aumentam paulatinamente e reformas macroeconômicas se mostram necessárias, há a necessidade de ajudar a Ucrânia a deter o expansionismo russo em direção a oeste e investir na ampliação do poderio militar europeu, em detrimento de uma aplicação mais vultuosa de recursos em medidas de enfrentamento às mudanças climáticas e às políticas sociais.
A volta de Donald Trump à Casa Branca complicou ainda mais esta equação: com a sua política tarifária estrambelhada, o seu isolacionismo – enfraquecendo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) – e a sua imprevisibilidade, o republicano está afastando a maior aliada estadunidense na sua rivalidade com a China. Embora a diplomacia europeia seja hipócrita ao condenar os crimes de guerra cometidos pela Rússia na Ucrânia e não fazer o mesmo com Israel pelo genocídio na Faixa de Gaza e com os Estados Unidos pela violação da soberania venezuelana, a recente cobiça de Trump pela Groenlândia parece ter amargado de vez a relação entre Washington e Bruxelas.
A curto prazo, o estremecimento das relações trouxe benefícios ao Brasil refletidos pela recente aprovação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Todavia, o continente europeu precisa enfrentar as turbulências da nova ordem mundial, conter o avanço da extrema-direita europeia que fortalece o fascismo no quadro global, enfrentar a máquina de guerra russa e encontrar um equilíbrio entre Pequim e Washington, antes algo considerado impensável. A melhor forma de responder a esta encruzilhada é em conjunto, superando as divisões internas presentes no bloco de forma a consolidar a União Europeia como um importante polo econômico e de poder nesta ordem multipolar, buscando fortalecer relações em outras direções do globo – como o Mercosul e a Índia – diminuindo a enorme dependência europeia dos Estados Unidos.

O Primeiro-Ministro Keir Starmer, oposicionista ao Brexit, tem tentado uma reaproximação com a União Europeia para atenuar a perda de influência de Downing Street na geopolítica do continente e intensificar as relações comerciais entre as duas partes, com o objetivo de aquecer a economia britânica e atuar em uníssono com o bloco para confrontar as instabilidades globais que vêm minando a projeção de poder do antigo império em decadência.
Referências
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50091640
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-36609225
https://www.essex.ac.uk/research/showcase/why-britain-really-voted-to-leave-the-european-union
https://www.britannica.com/biography/Boris-Johnson
https://www.edublin.com.br/guia-sobre-o-brexit-entenda-a-saida-do-reino-unido-da-uniao-europeia
https://portaldiplomatico.mne.gov.pt/politica-externa/brexit
https://observatorio.repri.org/2023/07/04/brexit-e-o-paradoxo-da-soberania/
https://www.cidob.org/en/publications/brexit-causes-and-consequences
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn05724nvd1o
https://pt.euronews.com/my-europe/2025/01/31/cinco-anos-de-brexit-o-reino-unido-esta-melhor
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4g98e2yrlno
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cl4yn35vme0o
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