Eleições pelo Mundo em 2026
Por Lorena Parra
O ano de 2026 será cheio de transições eleitorais por todo o mundo, aqui analisaremos as principais tendências políticas globais de acordo com os contextos individuais e com as expectativas de vitória em cada país. A listagem está separada por continentes para melhor visualização.
Resultados de Janeiro
Portugal e Uganda foram apressados e já iniciaram o processo eleitoral para decidir seus novos presidentes e corpo legislativo logo na segunda semana de janeiro.
O país luso começou o primeiro turno no dia 18, um acontecimento inédito em 40 anos de disputas encerradas no primeiro dia de votação, e o segundo agora no dia 08/02 (domingo) devido à crise climática que os portugueses têm enfrentado com diversas tempestades e inundações pelo país. O vencedor foi António José Seguro, candidato da esquerda pelo Partido Socialista, contra André Ventura, que representava a extrema direita pelo Chega. Vale ressaltar que o sistema político de Portugal é o semipresidencialista, em que o poder executivo é dividido entre primeiro-ministro e presidente.

Já em Uganda, no centro-leste africano, o presidente Yoweri Museveni foi reeleito no dia 15 com 71,65% dos votos em seu 7º mandato, totalizando 4 décadas de governo. As eleições foram marcadas por desconfiança já que houve falhas na identificação biométrica das máquinas e a comissão eleitoral teve de recorrer a registros manuais dos eleitores. Com 81 anos, o presidente removeu da Constituição os obstáculos contra sua permanência, como idade e limite de mandatos, e estudiosos prevêem um governo “estável” visto que a oposição é muito fraca e desagregada.

As Américas
I. América do Norte
Os Estados Unidos terão eleições legislativas em novembro deste ano, as chamadas midterms ou de “meio de mandato”, que funcionam como termômetro para o governo executivo de acordo com a eleição de maior ou menor oposição. Para ficar mais claro, os legisladores são escolhidos pela população em ano de eleição de presidente e são estes que formarão o governo pelos próximos dois anos; daí vêm as midterms que são uma forma dos cidadãos de mudar a proporção política do governo de acordo com a aprovação ou desaprovação do presidente, uma vez que a câmara dos legisladores influencia nas tomadas de decisões da atual gestão.
Nessas midterms estarão em disputa 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, um terço do Senado e 36 cargos de governador nos estados, ou seja, o controle efetivo do Congresso. Alguns estados realizarão eleições primárias para medir a força dos partidos e direcionar campanhas, também para entender se os Republicanos permanecerão no poder no meio do mandato do Trump ou se haverá um retorno dos Democratas.

Especialistas vêm discutindo a viabilidade do governo de Trump após diversas polêmicas, como as do caso Epstein, e desaprovações em relação às políticas anti-imigratórias e à escalada no custo de vida estadunidense. A gestão aparenta preocupação e Trump pressionou aliados pela vitória em novembro: “Vocês precisam vencer as eleições de meio de mandato porque, se a gente não vencer, vai ser simplesmente assim – quer dizer, eles vão encontrar um motivo para um impeachment”.

II. América Central
A Costa Rica também recentemente elegeu sua mais nova presidente, a candidata de direita, Laura Fernández em 1º de fevereiro com quase 50% dos votos e mais dois vice-presidentes e os 57 membros da Assembleia Legislativa. Fernández pretende continuar com o estilo de governo de seu antecessor, Rodrigo Chaves, com a adição de uma política de “braço firme” na luta contra o crescimento do narcotráfico no país, como por exemplo, a construção de megapresídios inspirados na iniciativa de Bukele em El Salvador.

Os últimos 10 anos foram repletos de instabilidade política, social e de segurança para o Haiti, que não organiza eleições gerais há 1 década. Após o assassinato de seu presidente anterior, Jovenel Moïse, em 2021, o Parlamento haitiano vem instituindo interinos para o governo do país. Em 2024 finalmente foi criado um Conselho Presidencial de Transição para comandar o executivo e organizar as eleições gerais para esse ano (2026).
Nesse meio tempo, o CPT escolheu Didier Fils-Aimé como primeiro-ministro como atuação conjunta, e que continua no posto até as eleições previstas para acontecer entre outubro e novembro.

Entretanto, o clima para essas eleições é de instabilidade devido ao suposto golpe que o presidente da CPT, Laurent Saint-Cyr, estaria tramando para a deposição de Aimé de modo a prolongar o controle da comissão sobre a nomeação de um novo presidente nacional. E os Estados Unidos, ciente das movimentações e aproveitando sua passagem pelo Caribe, encostou navios de guerra na baía da capital Porto-Príncipe para assegurar a permanência do primeiro-ministro. Em nota, a embaixada dos EUA no Haiti afirmou: “A presença deles reflete o compromisso inabalável dos EUA com a segurança, a estabilidade e um futuro melhor para o Haiti”.

III. América do Sul
A Colômbia tem suas eleições presidenciais marcadas para o dia 31 de maio e com expectativas favoráveis para a continuidade do governo do presidente Gustavo Petro (impedido de concorrer pelo limite de mandatos da Constituição colombiana), partindo do resultado de pesquisas de intenção de voto que indicaram predileção pelo candidato à esquerda, o senador Iván Cepeda, da coligação progressista Pacto Histórico. Ainda ocorrerão eleições legislativas, que também funcionam como um teste para os partidos antes das presidenciais.

As eleições peruanas estão previstas para o começo de abril, mas a atual fragmentação política torna os resultados bastante imprevisíveis. Já foram 8 presidentes na última década tamanha crise que o país vive, em especial voltada às ondas de crimes e escândalos de corrupção seguidos de destituições. O último mandato completo de 5 anos ocorreu de 2011 a 2016 com o governo de Ollanta Humala, e desde então os sucessores ocuparam o executivo por no máximo 3 anos, como no caso da ex-presidente mais recente, Dina Boluarte, que foi exonerada em outubro de 2025.
Quem ocupa a presidência interina agora é José Jerí, liderando o governo de transição até a próxima posse após as eleições. São incríveis 34 candidatos ao cargo, fato que virou motivo de piada entre os peruanos, os quais dizem que se o país continuar assim, todos os cidadãos poderão ser presidentes pelo menos uma vez!
Os principais candidatos são Rafael López Aliaga, prefeito da capital Lima, e a ex-primeira-dama Keiko Fujimori, pela quarta vez, ambos de direita. No período de abril a junho, a população também irá decidir a composição do Congresso peruano.

O Brasil também realizará eleições presidenciais e a renovação das casas legislativas, como cargos de governadores, deputados federais e senadores, no mês de outubro. São expectados mais de 150 milhões de votantes em um cenário de grande polarização direita-esquerda no país.
As especulações dos nomes para a candidatura presidencial sofreram um grande revés com a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, principalmente para uma direita que agora se vê desarticulada já que a figura de maior união das camadas dessa ala. Em dezembro do ano passado, o anúncio de Bolsonaro que seu herdeiro político seria seu filho, o Senador do Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro do PL, chocou muitos eleitores e analistas que esperavam o encaminhamento do governador Tarcísio de Freitas para o cargo – claro, com todo o espetáculo de “benção” do manda-chuva da direita. Flávio vem fazendo uma campanha direcionada ao apoio do exterior, com passagens na França para se encontrar com uma das líderes da extrema-direita da Europa, Marine Le Pen, Israel e nos EUA com associados de Trump e lideranças da direita. No entanto, nenhum dos dois possui força para angariar os votos conservadores dos agropecuaristas, do centrão e dos “Faria-limers”, o setor financeiro do Brasil; os falta o carisma estilo seita de Bolsonaro.
Outros nomes da direita que anunciaram a pré-candidatura, são: Ronaldo Caiado (PSD) governador de Goiás, Aldo Rebelo (DC) ex-ministro da Defesa/Ciência e Tecnologia, Romeu Zema (NOVO) governador de Minas Gerais, Eduardo Leite (PSD) governador do Rio Grande do Sul, Ratinho Jr. (PSD) atual governador do Paraná, e Renan Santos (Missão) fundador do recém-formado partido.

A esquerda brasileira também enfrenta uma grave crise de sucessão, visto que o atual presidente, Lula, é a pessoa mais velha a ocupar o executivo. Apesar de se mostrar jovial e apto a mais uma reeleição no que seria seu 4º mandato, seus aliados e opositores questionam a sustentabilidade de seu governo. Na disputa do Senado, Fernando Haddad e Marina Silva são nomes que aparecem à frente nas pesquisas de intenção de voto, sendo eleitos por São Paulo.

Há tensão também no pleito do Senado, com a crescente desconfiança no Supremo, os escândalos do Banco Master, a possibilidade de ao menos um impeachment de ministros como projeto da direita.
A maioria dos candidatos deve concentrar suas campanhas em questões econômicas e fiscais, retomando os aumentos de impostos, inflação, desemprego, renda, custo de vida e as taxações; também de segurança pública e política externa. Há ainda bastante incerteza sobre o rumo que a corrida eleitoral irá tomar, principalmente se tratando das primeiras eleições com os artifícios da IA, e os próximos meses serão de intensas campanhas e estratégias.

Sobre a Venezuela, após a captura de Maduro no dia 3 de janeiro deste ano, o governo interino, chefiado por Delcy Rodríguez, vice-presidente, juntamente com a Assembleia Nacional, liderada por Jorge Rodríguez, procuram focar na estabilização e reinstitucionalização do país antes de organizar eleições gerais.
A comunidade internacional e a oposição nacional, encabeçada por Maria Corina Machado, pressionam por um calendário eleitoral mais acelerado de modo a restabelecer a ordem democrática. Porém, a administração Trump acredita que a transição e estabilização podem demorar mais tempo (quais serão os planos?).

Europa
A grande maioria dos países europeus realizará eleições parlamentares ao longo de 2026, que são muito importantes para a constituição do governo e escolha de cargos como a nomeação de primeiros-ministros. Armênia, Chipre, Dinamarca, Eslovênia, Hungria, Letônia, República Tcheca, Suécia, todos fazem parte dessa leva de eleições legislativas.
O caso da Bósnia e Herzegovina é diferente, pois além de elegerem os parlamentares nacionais, a população também elege a presidência tripartite do país que é formada por um representante de cada etnia, ou seja, um bosníaco, um sérvio e um croata dividem o cargo de chefe do executivo em 4 anos de mandato.
Já na Hungria, o primeiro-ministro Viktor Orbán deve enfrentar um grande retorno da oposição com o partido Tisza, o que inevitavelmente coloca seus planos para o sexto mandato em jogo, dado que o parlamento que elege o cargo de primeiro-ministro. Há uma ameaça real de minar a maioria do Fidesz, partido de Orbán, na Assembleia, mas isso não significa grandes mudanças nas crises sociais e de migração que o país enfrenta.

A Bulgária está passando por crises políticas desde novembro de 2025 com a demissão do governo depois de diversos protestos pelo país contra a corrupção e a influência oligárquica na política búlgara. Especula-se que o ex-presidente, Rúmen Radev, teria renunciado para formar seu próprio partido, devido ao enorme descontentamento popular com os partidos tradicionais, e se candidatar nas eleições presidenciais que acontecerão em novembro deste ano. Também haverá eleições parlamentares e espera-se que exista uma coligação mais forte para formar um governo mais estável.
A presidente e o primeiro-ministro interinos da Bulgária, Iliana Iotova e Andrey Gyurov, respectivamente, estão trabalhando para a organização livre e justa das eleições gerais.

Os parlamentares kosovares finalmente saíram do impasse institucional, que durou todo o ano de 2025, e elegeram mais um primeiro-ministro na primeira semana de fevereiro de 2026, o Albin Kurti. Em novembro do ano passado, o governo foi dissolvido em razão da incapacidade de eleição do presidente da Assembleia e uma eleição antecipada foi chamada.
Agora com o premier definido, as eleições marcadas para abril devem eleger o novo presidente kosovar. A nova gestão terá enfoque na mediação de relações com a Sérvia tendo em vista a aprovação da entrada na UE, o orçamento deste ano e reformas nos sistemas de saúde e educação.

As eleições parlamentares na Rússia estão previstas para ocorrer até 20 de setembro e as disputas serão pelas 450 cadeiras da Duma Estatal (a câmara baixa do parlamento russo). A probabilidade de manipulação em favor de uma coligação conveniente para Putin é bem grande, ainda mais com a escassa liberdade de imprensa no país.
Algo novo é a criação de distritos eleitorais para os territórios ocupados durante a guerra contra a Ucrânia: Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia, totalizando sete novos círculos eleitorais nessas áreas. Isso pode ser uma forma de afirmação russa da conquista dessas áreas, e pode gerar conflitos futuramente.

O retorno da extrema-direita e pautas anti-imigratórias vêm sendo uma tendência cada vez mais consolidada no velho continente e provavelmente continuarão nas eleições em 2026, sobretudo no surgimento de figuras populistas. No entanto, o fortalecimento dessa agenda resulta em governos com poucas coligações, ou seja, mais instáveis devido à grande fragmentação política.
As principais pautas em discussão na Europa são: os desafios da imigração, soberania, segurança externa (a alta nos orçamentos bélicos, por exemplo) com a questão Groenlândia e OTAN, políticas climáticas e a integração da União Europeia.
Oriente Médio
O Líbano espera eleições parlamentares em maio deste ano que funcionarão, também, como um teste de aprovação do governo do presidente Joseph Aoun e do primeiro-ministro Nawaf Salam, eleitos em jan/2025 pelo parlamento depois de um vácuo de 2 anos.
Existe uma oposição à realização das eleições em razão da instabilidade na segurança pública e da diáspora de libaneses, que torna o processo mais demorado e delicado. Também se fala da reação que o grupo armado Hezbollah terá frente à formação de um novo governo, já que se altera o equilíbrio de poder.

Em Israel, existe uma pressão intensa para que as eleições sejam adiantadas de outubro para junho devido ao descontentamento com o governo de Netanyahu, primeiro-ministro do país há 19 anos. Netanyahu já indicou que irá competir no pleito parlamentar de 2026, principalmente se apoiando em Trump e sucessos diplimáticos com a ultra-direita, e a oposição vem se articulando com o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, também nacionalista de direita. Lá, o sistema é de listas de partidos (representação proporcional) para o preenchimento das cadeiras.
Caso Netanyahu caia, todos os conflitos na região serão influenciados, alterando a dinâmica das relações de poder, tanto diplomáticas quanto belicosas.

O Iraque irá decidir seu presidente e primeiro ministro neste ano a partir do parlamento formado em novembro de 2025. Primeiramente, o presidente é eleito e depois este nomeia para o cargo homólogo. O país possui um sistema interessante de escolha de candidatos em que, geralmente, o primeiro-ministro é um muçulmano xiita, o presidente do Parlamento é um muçulmano sunita e o presidente da República é curdo.

África
As eleições no Congo não são das mais democráticas. O atual presidente, Denis Sassou-Nguesso, está no poder há 41 anos e, aos 82, se prepara para mais uma “disputa” eleitoral. Por mais que haja protestos e tentativas da oposição de boicote, Sassou-Nguesso e seu partido ainda são muito numerosos e fortes na Assembleia Nacional, mantendo políticos favoráveis ao seu regime.

A Gâmbia disputará eleições presidenciais previstas para dezembro e o país busca maior estabilidade política, especialmente depois do encerramento da era Jammeh, 22 anos de repressão e autoritarismo do ex-presidente Yahya Jammeh. O Djibouti, entre a Etiópia e a Somália, terá seu pleito presidencial em abril, mas o resultado é previsível já que o atual chefe de estado, Ismaïl Omar Guelleh, está no poder há 25 anos. Inclusive, ano passado o parlamento aprovou a retirada do limite de idade para candidatos em favor de Guelleh.

Os três próximos países formarão seus novos parlamentos em eleições legislativas, estes são: Argélia, onde as expectativas são de continuidade do governo vigente; Marrocos, que apresenta relativa estabilidade regional e busca a renovação parlamentar para a composição do governo dentro de uma monarquia constitucional; e Camarões que vive sob a “liderança prolongada” de Paul Biya, com chocantes 93 anos, e grandes crises sociais devido ao recente movimento separatista anglófono e os milhares de deslocados pela ação do grupo armado Boko Haram, ao norte; questões que certamente influenciam as eleições.

Em Benin, o cenário nacional é de muita insegurança. Uma tentativa de golpe militar em 7/12/2025, liderado pelo tenente Pascal Tigri, resultou em diversas mortes e uma intervenção da ECOWAS (da sigla em inglês: Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental) para a retirada do grupo golpista. O ano de 2026 começa e Romuald Wadagni representará a coalizão atual do governo nas parlamentares e Paul Hounkpè, a oposição que enfrenta dificuldade dado tamanha influência do atual presidente Patrice Talon.

Cabo Verde e São Tomé e Príncipe são dois exemplos de democracias consolidadas com processos eleitorais credíveis e transições de governo pacíficas no continente africano, com o adicional de serem dois países lusófonos. Durante 2026, realizarão eleições parlamentares e presidenciais.
A Líbia se encontra em um bloqueio governamental com mais de dez anos sem um governo único e funcional, desde a queda do ditador Muammar Kadafi em 2011, em um país dividido e com duas administrações públicas paralelas. A divisão, entre o oeste – comandado pelo Governo de Unidade Nacional (GNU), que é reconhecido pela ONU, com sede em Trípoli, e liderado pelo Abdul Hamid Dbeibeh; e o leste – controlado pelo parlamento e apoiado pelo Exército Nacional Líbio (LNA), com sede em Benghazi e a liderança do marechal Khalifa Haftar; tem gerado diversos conflitos internos e é parte das razões da inoperabilidade do governo.
O maior entrave do pleito é a falta de consenso sobre quem poderia se candidatar: O lado de Trípoli opõe-se a que militares (como Haftar) se candidatem sem renunciar ao cargo meses antes e há uma disputa e líbios com passaportes de outros países podem concorrer à presidência. A comissão eleitoral, inclusive, pediu à Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (UNSMIL) que se concentrasse na mediação das disputas entre os dois principais líderes para que as eleições ocorram ainda esse ano.
Outra questão polêmica, é a possível candidatura do filho do ex-ditador, Saif al-Islam Kadafi. Assim como em outros países do norte da África, a Líbia está tomada de milícias, mercenários e tropas estrangeiras, que enfraquecem a coordenação pública e aumentam ainda mais o esforço popular de comparecer às urnas.
A menos que haja um esforço diplomático para que os dois lados consigam se unir para formar um governo transitório e dar continuidade ao processo eleitoral, é bem possível que as eleições sejam adiadas mais uma vez.

O governo do Sudão do Sul peleja na agenda eleitoral, tendo a adiado durante os anos 2015, 2018, 2020, 2022, e 2024 sob a justificativa de baixa capacidade logística e orçamentária. O efeito disso foi a permanência do presidente Salva Kiir desde 2011, quando o país realizou suas primeiras eleições depois da independência. Há pouco incentivo para a competição parlamentar pois o status quo acaba favorecendo a maioria dos políticos. No indicador de corrupção, Transparency International Corruption, o país ocupa a última posição.
Para além dessa ineficiência interna, o Sudão do Sul tem um dos mais baixos IDHs e sua população é constantemente atravessada por conflitos armados, resultando em um enorme número de deslocados e refugiados.
As eleições estão planejadas para dezembro, mas a fragilidade institucional vem dificultando a concretização dessa agenda.

A Somália vive um acontecimento histórico: a volta do sufrágio universal. Há mais de 50 anos o sistema eleitoral do país tem sido de votações indiretas baseado em clãs nacionais. A eleição parlamentar de 2026 será uma tentativa de cunho nacional do sucesso logístico e organizacional que foi a eleição municipal direta na capital Mogadíscio, no ano passado. No entanto, o presidente permanecerá sendo eleito pelo parlamento, em razão dos descontentamentos das alas mais tradicionais da política somali.
A transição ocorrerá em meio a um caos partidário (57 partidos registrados em consonância com os diferentes clãs e ideologias), à falta de segurança pública por causa da presença do grupo armado jihadista Al-Shabaab em várias áreas rurais do país, e à tensões e boicotes regionais; fatores que podem atrasar as eleições ou gerar crises de legitimidade. A comunidade internacional, principalmente a ONU, pressiona o governo somali pelo respeito ao calendário eleitoral e a realização efetiva das eleições com justiça e sufrágio universal.

O ambiente na Etiópia também não está propício para a realização de eleições gerais, desde a organização até o comparecimento popular, dado que o país está se recuperando de uma guerra devastadora em Tigré, na fronteira com a Eritreia, que ocorreu entre 2020 a 2022. Atualmente, ainda existem insurgências nas regiões Amhara (milícias Fano) e Oromia (Exército de Libertação Oromo).
Nesse cenário, o estado de exceção foi frequentemente utilizado para tentar manter a ordem e o primeiro-ministro vigente, Abiy Ahmed, foi acusado de autoritarismo e repressão por jornalistas e dissidentes. Entretanto, a tendência é de uma vitória do partido no poder, mas exclusão política e forte tensão étnica, o que pode agravar as divisões internas.

Agosto promete uma disputa eleitoral acirrada na Zâmbia pela decisão do próximo presidente. O cargo atual é ocupado por Hakainde Hichilema, que teve uma trajetória democrática e uma transição pacífica. O derrotado foi Edgar Lungu, que retorna ao púlpito com promessas de resolver os principais problemas do governo presente: o custo de vida bastante alto e as dívidas externas.


Ásia
Em Bangladesh as eleições no começo de fevereiro já decidiram o partido vencedor, o BNP (Partido Nacionalista de Bangladesh) em uma tacada esmagadora: 209 de 299 cadeiras. Isso só foi possível com a queda do regime de Sheikh Hasina, que foi primeira-ministra de 2009 até 2024, por causa dos numerosos protestos organizados pela geração Z, os jovens de 15-20 a 30 anos.
A vitória foi facilitada pelo banimento do partido da ex-primeira-ministra, o Liga Awami, e pelo exílio da mesma na Índia. Juntamente com a eleição, os votantes também aprovaram novas reformas constitucionais.

Na Tailândia, a elite conservadora e militar consolidou seu poder nas eleições do começo de fevereiro. O presente primeiro-ministro, Srettha Thavisin, conseguiu manter seu posto através de campanhas que exploraram as principais fragilidades do país, como os conflitos fronteiriços, e se apoiaram no nacionalismo como resposta.
A oposição criticou o resultado das eleições em consequência da desqualificação de candidatos na véspera e imposição de barreiras legais que favoreciam partidos mais conservadores.

Todos acompanharam os protestos violentos que aconteceram no Nepal em 2025. Milhares de pessoas foram às ruas de Katmandu para protestar contra a inflação, corrupção endémica e a paralisia legislativa que reinavam no governo. A instabilidade foi tamanha que, em novembro, o presidente nepalês dissolveu o parlamento e chamou eleições legislativas antecipadas para 5 de março de 2026.
Atualmente, o governo é gerido por uma comissão tecnocrata apartidária, focada exclusivamente na logística eleitoral e na manutenção da ordem pública. O principal desafio da nova gestão será restaurar a estabilidade socioeconômica do país, e assim, conter a fuga de jovens para o exterior.
Em toda essa confusão, movimentos pró-monarquia têm retornado à cena, como o RPP, que pedem a volta do hindu como religião oficial e ameaçam o fim da república. Além disso, a disputa está dividida entre três blocos principais: os Maoistas (liderados por Prachanda), o Congresso Nepalês (centro-direita) e o CPN-UML (conservadores de esquerda).

O Vietnã se prepara para eleições gerais também em março, nas quais serão eleitos 500 assentos na 16º Assembleia Nacional. O Partido Comunista do Vietname (PCV) realizou, em janeiro, o seu Congresso Nacional e consolidou, mais uma vez, o comando do país por voto unânime em To Lam como secretário-geral.

Mianmar é governado por uma junta militar desde o golpe de 2021, e que depois de vários adiamentos, se comprometeu a realizar eleições parlamentares em janeiro de 2026. O Partido da União Solidariedade e Desenvolvimento (USDP), apoiado pelos militares, obteve a maioria absoluta. Dos 57 partidos que concorreram, 26 não conseguiram nenhum assento, evidenciando o domínio das forças pró-junta.
Porém, o resultado vem sendo contestado por organizações internacionais de vigilância da justiça eleitoral, as quais colocam que as urnas não chegaram em regiões controladas por milícias, ou seja, excluindo parte da população do direito ao voto.

O Japão organizou eleições parlamentares após a dissolução do parlamento pela premiê Sanae Takaichi e um fato histórico aconteceu: um partido conseguir dois terços de cadeiras; e por acaso, foi o partido de Takaichi, o Partido Liberal Democrata (PLD) em coalizão com o Nippon Ishin no Kai (Partido da Inovação do Japão). Foi uma das eleições mais rápidas desde o fim da segunda guerra mundial, entre o dia de dissolução e o resultado das votações.
Essa vitória foi muito importante para que a nova primeira-ministra consiga uma boa governabilidade em seu mandato, avançando pautas conservadoras no governo como restrições à imigração, punho de ferro na economia e segurança nacional. É, certamente, uma figura polêmica no cenário internacional, sendo a primeira mulher a governar o Japão mas se opondo a políticas de gênero.

As eleições parlamentares do Laos servirão para rotacionar as cadeiras em um sistema de partido único. Houve expansão das cadeiras mas a oposição continua desarticulada. Nesse contexto, o Partido Popular Revolucionário do Laos (LPRP) concluiu o seu 12º Congresso Nacional em janeiro de 2026, reelegendo Thongloun Sisoulith como Secretário-Geral para o mandato de 2026-2030.
Oceania
Na Nova Zelândia, os partidos da coligação de centro-direita, Partido Nacional em conjunto com ACT e NZ First, terão que se preocupar com as principais demandas populares, que são o alto custo de vida e a situação da economia atual, se quiserem permanecer no poder.
O Partido Trabalhista (Labour Party), liderado por Chris Hipkins, procura recuperar o poder após a derrota em 2023, contando com o apoio dos Verdes (Green Party) e do Te Pāti Māori no bloco de centro-esquerda.
Algumas projeções sugerem um “parlamento suspenso” (hung parliament), no qual nenhum dos dois blocos principais (centro-direita vs. centro-esquerda) teria uma maioria clara de 61 assentos sem negociações complexas. Christopher Luxon, do Partido Nacional, e Chris Hipkins, do Trabalhista, aparecem tecnicamente empatados na preferência para o cargo de Primeiro-Ministro, com cerca de 19% e 18%, respectivamente.

Referências
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/02/parciais-sucessora-presidente-costa-rica.ghtml
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cp80er6pxngo
https://en.wikipedia.org/wiki/2026_Peruvian_general_election
https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/candidatos-presidencia-lista-pre-candidaturas
https://blog.itau.com.br/itauasset/perspectivas-2026-cenario-global-eleicoes-oportunidades-brasil
https://en.wikipedia.org/wiki/Presidency_of_Bosnia_and_Herzegovina
https://www.youtube.com/watch?v=gAdh6jV1f3U&t=1
https://pt.euronews.com/my-europe/2025/12/31/as-eleicoes-que-vao-moldar-a-europa-em-2026
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/08/eleicoes-legislativas-no-japao.ghtml
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