Nacionalismo e Revolução: 110 Anos do Levante da Páscoa na Irlanda
Por Cecília Chalela
A Irlanda de Hoje
No começo do mês de abril, o aniversário do Levante da Páscoa de 1916 foi comemorado de forma oficial nas cidades de Dublin, na Irlanda, e de Belfast, na Irlanda do Norte. Na capital irlandesa, a atual presidente, Catherine Connolly, depositou uma guirlanda em frente ao General Post Office (GPO), em lembrança dos líderes da revolta que foram executados pelos britânicos.

Além da participação da presidência, a Primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, e o primeiro-ministro – ou Taoiseach – da Irlanda, Micheál Martin, também estiveram presentes na solenidade, assistindo à marcha comemorativa das Forças de Defesa da Irlanda.
A parte mais importante da homenagem, todavia, aconteceu no Harbour Hill Cemetery – localidade na qual os arquitetos do Levante estão enterrados –, onde a líder do partido irlandês de esquerda Sinn Féin, Mary Lou McDonald, afirmou, em seu discurso, que “nós asseguramos a paz. Agora é hora de escrever o próximo capítulo de nossa história nacional – a reunificação da Irlanda”. Para ela, assim como para muitos irlandeses, a unidade entre a Irlanda e a Irlanda do Norte ainda pode ser conquistada.
A morte dos 14 líderes do Levante da Páscoa foi crucial, aliás, para moldar a opinião pública irlandesa acerca de todas as questões trazidas à tona pelo colonialismo britânico. Graças à violência com a qual a insurreição foi reprimida, as controvérsias e desconfianças que inicialmente circundavam o Levante da Páscoa foram, em grande parte, superadas, contribuindo para que esse episódio seja, hoje, rememorado como parte crucial da história da luta irlandesa pela autodeterminação e pelo fim do colonialismo britânico, luta essa que, como ressaltou McDonald, ainda não acabou.
A fala de McDonald é bastante representativa da posição da República da Irlanda no espectro europeu. Atualmente, o país se destaca como bastião progressista: Catherine Connolly, eleita em 2025, está fortemente alinhada às pautas da esquerda. A presidente se posicionou contra o processo de militarização da Europa, e já acusou publicamente Israel de cometer um genocídio na Palestina, catacterizando-o como “estado terrorista” e instigando seus vizinhos europeus a fazer o mesmo e a tomar atitudes mais concretas. Sua percepção em relação ao Hamas, organização política e militar que atua em prol da resistência palestina, também é consideravelmente esclarecida, destoando do padrão comumente observado entre líderes de estado europeus: segundo ela, o Hamas “foi eleito pelo povo na última eleição. […] Eles são parte da sociedade civil da Palestina. Nós dependemos deles para obter números em relação às mortes”.
A abordagem da questão palestina pela cena política irlandesa é, aliás, interessante e relevante. Além do fato de que a Palestina, assim como a Irlanda, já esteve sob domínio britânico, pontos cruciais da trajetória nacional irlandesa, que serão abordados neste artigo, possuem conexões com o que os palestinos têm experienciado: a repressão colonial, o desejo de emancipação, a proposição de uma “solução de dois estados”, e a complexidade da resistência.
Breve Histórico da Colonização
Em uma carta para Karl Marx, redigida em 1856, Friedrich Engels observou que “a Irlanda pode ser considerada como a primeira colônia britânica”. Em outras palavras, os mais de 700 anos de domínio britânico sobre esse território podem ser tidos como cruciais para a construção da hegemonia que atingiu seu auge nos séculos XIX e XX, sob a forma do “império no qual o sol nunca se põe”.
É consenso entre muitos historiadores que a derrubada do regime anglo-saxão na Inglaterra estabeleceu as bases fundamentais para a conquista da Irlanda. Esse episódio aconteceu no ano 1066, sob a liderança do Duque Guilherme da Normandia – ou Guilherme, o Conquistador –, e há especulações a respeito da existência, desde então, de planos para a invasão posterior da Irlanda.

Entretanto, a tomada da Irlanda pelos normandos só aconteceu em 1169, após uma série de intrincadas alianças políticas e determinações da Igreja católica. O que precisamos ter em mente é que, na época, os territórios que compõem a atual Irlanda eram habitados por um conjunto de reinos ou chefias gaélicos conhecidos como túatha, e organizados em uma estrutura política hierárquica, hereditária e dividida em cinco reinos principais e relativamente independentes, com um Rei Supremo (ou Ard Rí) que detinha poder nominal sobre os demais. Além deles, os vikings exerceram forte influência cultural sobre a região, sendo responsáveis pela fundação de importantes cidades portuárias como Limerick, Waterford e, é claro, Dublin.

Com a invasão normanda, uma classe de lordes ingleses proprietários de terras se estabeleceu nas planícies irlandesas, de modo que um sistema feudal foi aos poucos instaurado com o objetivo de melhor explorar os territórios invadidos. No século XII, os normandos já ocupavam cerca de três quartos da Irlanda, mas os gaélicos não deixaram de resistir: na primeira metade do século XIV, o Renascimento Gaélico permitiu a recuperação de algumas terras antes pertencentes a lordes irlandeses, o que fez com que as áreas dominadas por ingleses começassem a ser referidas como “The Pale”. A partir de então, até as conquistas empreendidas pelos Tudor no século XVII, boa parte da Irlanda retornou à esfera de influência gaélica, com ondas de vitórias e de derrotas, até a dissolução final dessa ordem.
No século XVII, um projeto de expropriação de terras irlandesas e de povoamento da Irlanda por ingleses começou a ser aplicado de maneira mais metódica, e provocou uma revolução em relação a quem detinha a posse de terras na região. Colonos protestantes ingleses e escoceses foram incentivados a migrar em massa para essas terras, sobretudo para as regiões de Munster e Ulster, levando consigo seus hábitos linguísticos, culturais, comerciais ao mesmo tempo que os costumes agrícolas, políticos e sociais locais eram criminalizados.
A principal e mais bem-sucedida representante dessa tendência foi a Plantation of Ulster, que surgiu como resultado da Guerra dos Nove Anos (1595-1603), travada entre a Inglaterra e os lordes irlandeses do Norte pela posse de terras. Com a vitória inglesa, as terras desses lordes foram confiscadas, resultando no episódio conhecido como a Fuga dos Condes. Essas terras foram então redistribuídas e ocupadas pelos colonos protestantes que deveriam cultivá-las, por indivíduos abastados da Inglaterra e da Escócia que deveriam construir muros de pedra para circundar as novas propriedades, bem como habitá-las com arrendatários leais à Coroa, e por soldados e oficiais britânicos, que podiam arrendar essas terras por preços altos. Esse sistema, por ser demasiado caro para que fosse completamente subsidiado pelo monarca inglês, contou com a ajuda da nobreza e de companhias de Londres, com destaque para a Mercers’ Company, que foi responsável pela construção da cidade de Derry, que fica na atual Irlanda do Norte.

No começo do século XVIII, quase um terço da população da Irlanda era composta por descendentes dos aproximadamente 350 mil protestantes que lá se haviam estabelecido cem anos antes, e oito milhões de acres haviam sido transferidos de católicos para protestantes. Esses dados são indícios claros de que as políticas britânicas obtiveram os efeitos desejados: elas foram eficientes em impor sobre a Irlanda uma estrutura econômica subserviente e um modelo social sectarista. Nas palavras da historiadora Jane Ohlmeyer, do Trinity College: “Nisso – e em muitos outros aspectos –, a Irlanda serviu como laboratório para o Império Britânico. Foi na Irlanda que políticas imperiais e de anglicização foram formuladas. Ideologias baseadas no conceito de raça foram desenvolvidas e ‘ferramentas imperiais’ […] foram testadas”. Em outras palavras, o acesso às terras e à mão-de-obra irlandesas ajudou a fundar o imperialismo britânico na Índia e no Atlântico.

O êxito do sistema colonial britânico permitiu que muitas atrocidades fossem cometidas pela Coroa contra a população local, sendo a mais chocante delas a Great Irish Famine (1845-1852), que ocorreu durante o reinado da Rainha Vitória. O ponto de virada para esse acontecimento foi a abolição do Parlamento Irlandês em 1801, o que oficialmente submeteu a Irlanda às disposições do Parlamento Inglês.
A Great Famine consistiu em uma escassez de batatas, provocada sobretudo pela disseminação generalizada de um fungo. Mas, embora este pareça ser nada mais que um desastre natural, é inegável e amplamente reconhecido que a estrutura colonial estabeleceu a conjuntura determinante para que as más colheitas tivessem efeito tão devastador. De acordo com os especialistas do Ireland’s Great Hunger Museum, em Connecticut, “não pode haver dúvidas de que, apesar de uma depressão cíclica de curto prazo, os recursos do Reino Unido poderiam ter completamente ou significativamente mitigado as consequências dos anos consecutivos da praga das batatas na Irlanda”.
As batatas representavam a base da alimentação de mais da metade da população irlandesa – sobretudo católicos que haviam sido reduzidos à miséria como efeito das políticas do século XVII –, uma vez que outros produtos agrícolas eram, por determinação britânica, destinados à exportação. Ademais, o governo inglês mostrou-se amplamente apático perante a situação, sem demonstrar, apesar da situação de dependência administrativa à qual a Irlanda havia sido submetida, qualquer vontade política de agir.
Pelo contrário, quantidades enormes de comida continuaram a ser exportadas da Irlanda para a Inglaterra ao longo das décadas de 1840 e 1850, apesar do fato de que a soma de grãos produzida no país teria sido mais do que suficiente para impedir que a parcela afetada pela praga das batatas morresse de fome, caso a já comprovadamente efetiva política de fechamento dos portos em tempos de escassez de alimento houvesse sido implementada pelos britânicos. Nesse mesmo período, a Coroa destinou 7 milhões de libras à Irlanda – o que representava 0,01% do Produto Nacional Bruto (PNB) da Grã-Bretanha –, enquanto os gastos dos proprietários de terras da Irlanda, com impostos e empréstimos, totalizaram 8,5 milhões de libras. Ironicamente, na década anterior, o Império Britânico havia concedido 20 milhões de libras aos escravocratas das Índias Orientais, como recompensa por libertar seus escravizados em prol do crescimento do mercado consumidor para os produtos exportados pelos britânicos.
A negligência da Coroa está relacionada, evidentemente, a concepções de superioridade da metrópole em relação às colônias, mas também possui explicações econômicas, já que, nesse momento, predominava no pensamento econômico da Inglaterra o conceito de laissez-faire, isto é, de mínima intervenção estatal, o que confere um caráter ainda mais consciente e intencional à abordagem britânica para a crise. Nas palavras do primeiro ministro britânico John Russell, em 1847: “Deve ser plenamente compreendido que nós não podemos alimentar o povo… Nós podemos, no máximo, manter os preços baixos onde não há mercados regulares, e impedir que revendedores estabelecidos aumentem os preços muito além do preço justo com lucros ordinários”. Pode-se dizer, portanto, que a Coroa Britânica sujeitou a população pobre da Irlanda, propositalmente, à morte por inanição.

Dentre os muitos desfechos traumáticos dessa catástrofe, podemos citar a morte de 1 milhão de irlandeses, seja por fome ou pela disseminação de doenças como o tifo, e a emigração de outros 2 milhões, que se dirigiram, sobretudo, aos Estados Unidos. Além disso, a Great Famine intensificou o ódio da população local contra o domínio britânico, o que viria a resultar em uma longa história de resistência.
Os Movimentos Fenianos e a Resistência Irlandesa Moderna
Como já mencionado, uma das principais consequências da colonização britânica na Irlanda foi, por meio de uma série de políticas de assentamento, de guerra e de fome, o desmantelamento sistemático do sistema de organização gaélico e o sufocamento de sua cultura e de sua língua, reduzindo-os a um papel marginal. Devido a isso, a cultura gaélica é, até hoje, tida como um símbolo do orgulho nacional na Irlanda, já que, para além de um ponto de partida para o imperialismo britânico global, a Irlanda também serviu como exemplo de resistência a essa forma de exploração.
Uma das primeiras formas de resistência irlandesa organizada ficou explícita na Rebelião Irlandesa de 1798, encabeçada pela Society of United Irishmen, fundada em Belfast no ano de 1791. A Sociedade, que se inspirou nos acontecimentos da Revolução Francesa de 1789, assim como na Independência dos Estados Unidos, era uma organização secreta que almejava reunir todos os irlandeses em prol da causa da instauração, na Irlanda, de um governo republicano independente da Inglaterra.

Desde o começo, a Sociedade foi vista pelo Dublin Castle – sede do governo imperial – como altamente suspeita, o que só se agravou quando uma guerra entre e Inglaterra e a França foi desencadeada, em fevereiro de 1793. Dessa forma, qualquer admiração pela França seria interpretada como alta traição. As suspeitas não eram infundadas: a Society of United Irishmen estava, de fato, negociando com o governo francês, e seria concretizado com sua ajuda direta, por meio de uma intervenção militar que desembarcaria na costa sul da Irlanda. A frota francesa que carregava 14 mil soldados, todavia, foi impedida de aportar em virtude de más condições meteorológicas e, com a descoberta do plano, o governo iniciou uma campanha de supressão da Sociedade.

Mas a campanha não teve sucesso, e a Society of United Irishmen continuou a articular planos para atingir seus objetivos políticos até que, em maio de 1798, promoveu uma série de ataques coordenados ao governo imperial, com focos em várias regiões da Irlanda, e sobretudo em Wexford.

A rebelião foi violentamente reprimida, tanto a curto quando a longo prazo, com o aperto considerável das amarras britânicas. Nesse sentido, a abolição do Parlamento Irlandês em 1801 foi um resultado direto da insurreição, bem como uma política de retaliação que atingiu não somente os membros da Sociedade como, também, a população católica da Irlanda.
Ainda assim, esse evento produziu efeitos duradouros na história da resistência irlandesa, representando um ponto de virada, mesmo apesar de seu fracasso. Os ideais liberais da Sociedade influenciaram profundamente o movimento abolicionista irlandês e a Irish National Land League, e o derramamento de sangue ocasionado pela rebelião incentivou campanhas mais pacíficas de resistência, como o Home Rule do século XIX. A Rebelião Irlandesa de 1798 foi, além disso, de crucial importância para a criação dos Jovens Irlandeses e da Irmandade Republicana Irlandesa (IRB), que adotou moldes semelhantes de atuação.

A Irmandade Republicana Irlandesa foi fundada no dia 17 de março – Dia de São Patrício – de 1858, e seus integrantes estavam mais determinados do que nunca a instaurar uma república irlandesa independente. Simultaneamente, nos Estados Unidos – que, graças à Great Famine, possuía uma comunidade significativa de imigrantes irlandeses –, Michael Dohenny e John O’Mahonny idealizavam a Irmandade Feniana, cuja atuação se direcionava à concretização dos mesmos objetivos, e que funcionava como uma espécie de “governo em exílio” capaz de angariar fundos e fazer planos sem que sofresse diretamente os efeitos da repressão britânica. O termo “feniano” remete ao gaélico Fianna, utilizado para se referir aos lendários guerreiros irlandeses de outrora.
De certa forma, essas duas organizações – que passaram a ser caracterizadas, ambas, como “fenianas” – podem ser consideradas como princípios da resistência irlandesa moderna, devido ao novo caráter transatlântico – muitos dos membros da Irmandade Feniana, inclusive, participaram da Guerra da Secessão americana, sobretudo junto da Union Army – e mais politicamente assertivo que conferiram ao movimento anticolonial. Seus fundadores acreditavam em um “governo republicano do povo”, e seu viés era, portanto, democrático, visão política que era tida, na época, como drasticamente revolucionária, de modo que as atenções da Igreja, da elite irlandesa e dos representantes do status quo inglês.
Outro aspecto importante que os dois movimentos têm em comum é a adoção do uso da força como estratégia. A Irmandade Feniana chegou a promover uma série de ataques às forças britânicas no Canadá, entre 1866 e 1871, invadindo outra colônia para pressionar a Coroa a empreender negociações sobre a libertação da Irlanda. Quase ao mesmo tempo, na Europa, acontecia o Levante Feniano de 1867.

Esses ataques, embora não tenham passado despercebidos e sem efeitos duradouros, fracassaram em seu intento original, o que iniciou uma busca pela implantação de novas tecnologias de guerra nas rebeliões fenianas: até mesmo um submarino chegou a ser construído para atacar a Marinha Britânica, mas o exemplo mais notório dessa nova estratégia foi a utilização de explosivos e detonadores modernos na Campanha de Dinamite, na qual sedes importantes da infraestrutura colonial britânica em cidades inglesas foram danificadas, durante a década de 1880.
Em resumo, os movimentos fenianos inauguraram a resistência irlandesa tal como esta existiu durante os eventos mais importantes do caminho para a independência da Irlanda – como uma teia transnacional coordenada que se opunha ao regime britânico a ponto de empunhar armas –, tendo sido a IRB a principal responsável pelo Levante da Páscoa de 1916.
1ª Guerra Mundial: Prelúdio ao Levante
O Levante da Páscoa de 1916 aconteceu durante a guerra mais devastadora presenciada pelo mundo até então – a 1ª Guerra Mundial. Entender essa conexão é crucial para explicar como e por qual razão o Levante aconteceu.
O primeiro fato importante que se deve destacar em relação a esse marco temporal é que, em 1914, quando a guerra começou, a Irlanda se encontrava em uma profunda crise política e constitucional interna. Isso porque, na década de 1870, se havia formalizado a coalizão conhecida como Home Rule League, composta sobretudo por protestantes, que defendia uma transição legal do colonialismo para a independência, a começar com o restabelecimento do Parlamento Irlandês. Essas ideias encontraram opositores fervorosos nos unionistas da região de Ulster, que criaram seu próprio grupo de voluntários para os esforços de guerra. Os nacionalistas, por sua vez, criaram os Irish National Volunteers.
O segundo fator relevante a ser aclarado é que, como colônia britânica, a Irlanda participou da Guerra ao lado da Tríplice Entente, embora o serviço militar compulsório não tenha sido imposto ao país. Essa participação se deu sob a forma do envio de cerca de 200 mil soldados irlandeses para o front – além da participação de algumas mulheres irlandesas –, dado que costuma ser pouco mencionado nas narrativas nacionais irlandesas, visto que, segundo Jane Ohlmeyer, comprova que, “assim como os irlandeses eram vítimas do imperialismo inglês, alguns – católicos e protestantes – ativamente participaram dos negócios do império ou serviram em exércitos e administrações imperiais”.

Antes de tudo, é necessário esclarecer que nem todos os nacionalistas irlandeses estavam unificados sob os movimentos fenianos – pelo contrário, eles quase sempre estiveram divididos por discordâncias ideológicas, e o caso dos esforços de guerra britânicos não é diferente: enquanto alguns – revoltados, antes de tudo, contra o imperialismo da Coroa – se negavam a enxergar a causa da Inglaterra no conflito como uma causa da Irlanda, outros sentiam-se prejudicados pelas ofensivas da Tríplice Aliança na Europa – principalmente na Bélgica, outro pequeno país católico –, apoiando, portanto, os esforços de guerra britânicos. O primeiro grupo, que protagonizou o Levante, representava, de acordo com o historiador Roy Foster, a “minoria da minoria” na sociedade irlandesa da época; o segundo grupo, liderado por John Redmond, prevaleceu.
Assim que os conflitos no continente tiveram início, tanto os unionistas quanto os nacionalistas declararam apoio à Grã-Bretanha. John Redmond, inclusive, acreditava que a participação na guerra poderia aliviar as discordâncias internas entre os dois grupos e ajudar na posterior instauração do Home Rule, de forma que os procedimentos para a aprovação do Home Rule foram temporariamente suspensos em prol de uma estratégia de longo prazo. Redmond, dessa forma, foi responsável por angariar muitos recrutas para as divisões irlandesas no exército britânico.

Contudo, com o tempo, o apoio a Redmond começou a diminuir, e cerca de 12 mil membros do Irish National Volunteers se separaram do grupo, criando, simplesmente, os Irish Volunteers. Liderados por Eoin McNeill, essa nova associação havia deixado de acreditar que os irlandeses deveriam servir sob os auspícios de um “governo estrangeiro”. Ainda assim, os Irish Volunteers não pareciam dispostos a planejar uma rebelião sangrenta, a não ser que os atos de violência fossem iniciados pelo governo colonial britânico.
Novamente, todavia, nem todos os Irish Volunteers pensavam assim, visto que uma das alas do grupo era composta pelos membros da Irmandade Republicana Irlandesa. Essa ala defendia que o momentum oferecido pela 1ª Guerra era uma oportunidade única para que a Irlanda desse um passo adiante na conquista de sua independência, aproveitando a distração e o enfraquecimento da Inglaterra pelos esforços de combate. Ao mesmo tempo, o movimento socialista liderado por James Connolly recrutava homens para compor a Irish Citizen Army (ICA).
Entre a população, o descontentamento com a guerra apenas crescia: além das baixas sofridas pelos voluntários irlandeses, o adiamento do Home Rule, prometido desde 1912, gerava insatisfação cada vez maior, e os grupos mais radicais, favoráveis a uma insurreição, se aproveitaram disso, arquitetando o Levante da Páscoa de 1916. A oposição do ICA e do IRB à participação na guerra junto à Inglaterra era tamanha, inclusive, que esses grupos chegaram a buscar pelo apoio alemão ao Levante: por meio de seus companheiros nos Estados Unidos, uma promessa de armas alemãs – que nunca se concretizou – foi negociada, e ajudou a incitar os revolucionários.
“Easter, 1916”
Nas semanas imediatamente anteriores ao Levante, a polícia britânica já suspeitava que houvesse uma movimentação armada, por parte desses grupos radicalizados, para destituir o domínio da Coroa sobre a Irlanda. As suspeitas não vinham como surpresa: os integrantes dos Irish Volunteers e do ICA desfilavam armados à vista de todos, em várias cidades da Irlanda, e atacavam prédios administrativos ocasionalmente, e de maneira isolada. Por isso, espiões passaram a monitorar as atividades de Tom Clarke e Sean MacDermott, mas esses contratados da polícia foram incapazes de realmente integrar as teias internas desses grupos. Assim, a administração imperial acabou por decidir que tentar pará-los seria contraprodutivo.
O Levante da Páscoa foi planejado pela Irmandade Republicana Irlandesa, mas só foi possível graças às armas dos Irish Volunteers e da Irish Civil Army. Devido à fragilidade dessas relações, talvez, e à não-unidade entre os envolvidos na insurreição, a rebelião acabou sendo menos potente do que o esperado.
As manobras iniciais estavam planejadas para começar no Domingo de Páscoa, quando, como meio de acobertar os ataques centrais do Levante, cerca de 4.000 membros dos Irish Volunteers iniciariam os ataques. Esse plano, todavia, foi descoberto e sabotado por MacNeill, que emitiu uma ordem contrária que resultou no cancelamento da ação. Dessa forma, uma operação de contingência foi preparada às pressas, e o Levante da Páscoa só começou na segunda-feira, dia 24 de abril de 1916, com um quarto da adesão inicialmente estimada por parte dos Irish Volunteers.
Em Dublin, seis guarnições foram tomadas por cerca de 1.500 insurgentes, e os rebeldes instalaram seu quartel no General Post Office (GPO), sede dos correios. Isso causou descontentamento entre as mulheres cujos maridos estavam lutando na guerra, uma vez que suas pensões eram recebidas no GPO. Lá, Patrick Pearse leu, dirigindo-se aos homens e mulheres irlandeses, a Proclamação da República Irlandesa, e inaugurou oficialmente a insurreição.


Os Irish Volunteers ocuparam pontos-chave da cidade, e o ICA se direcionou, inicialmente, para o parque de St. Stephen’s Green, sendo atacado pelos britânicos e retrocedendo para o Royal College of Surgeons, onde suas barricadas resistiram até o fim da semana.

Mas o Levante não foi composto somente por homens armados: um aspecto crucial – e muitas vezes esquecido – do Levante, foi a participação das mulheres. Estima-se que aproximadamente 250 mulheres tomaram parte nos eventos, sendo elas membros do Cumann na mBan, ou Women’s League – braço auxiliar dos Irish Volunteers –, parte das milícias de trabalhadores do Irish Citizen Army – estando entre elas, inclusive, as filhas de Connolly – e familiares dos rebeldes, ou até mesmo dos cidadãos irlandeses enviados à guerra. A mais notória dessas mulheres foi Constance Gore-Booth, mais tarde conhecida como Condessa Markievicz, que serviu como comandante da guarnição do ICA em St. Stephen ‘s Green e foi uma das mentes por trás da idealização do Levante.

Ainda assim, mesmo entre os líderes do Levante, a participação das mulheres era vista com desconfiança. O comandante Éamon de Valera chegou a proibir mulheres entre os rebeldes que se encontravam sob seu comando, e grande parte das mulheres foram relegadas a serviços secundários, impedidas de empunhar armas. Brigid Lyons, uma estudante de medicina que se tornou, após a Independência, a primeira mulher a servir no Exército Irlandês, rememorou, posteriormente, o longo tempo que passava fazendo sanduíches e chá para os homens que participavam do Levante.
Até a quarta-feira, 26 de abril, os rebeldes resistiram com sucesso às investidas da cavalaria e da infantaria, mas tudo mudou quando o governo imperial decidiu mobilizar artilharia contra o Levante. Nesse sentido, o capitão JC Bowen-Colthurst, um irlandês, foi responsável pelas maiores atrocidades cometidas pelo Exército Britânico contra o Levante, ordenando a morte de pelo menos quatro civis desarmados.
Depois dessa mudança não prevista pelos arquitetos da rebelião, o governo republicano provisório com sede no GPO só foi capaz de resistir até a sexta-feira, dia 28 de abril. No sábado, dia 29 de abril de 1916, o Levante terminou com uma rendição sem condições, completamente esmagado pelas forças britânicas. O saldo do evento foi de cerca de 450 mortes, e mais de 2.600 feridos, e mais da metade das fatalidades (54%) foram de civis. Essas mortes, somadas à destruição do centro de Dublin, fizeram com que, no momento da rendição, multidões de irlandeses cercassem os rebeldes derrotados para difamá-los verbal e fisicamente.

Se o Levante não desfrutou, inicialmente, do apoio popular, sendo visto com grande repúdio, tudo mudou após a série de eventos que veio depois, isto é, com o choque que se seguiu à retaliação britânica contra os rebeldes.
William Butler Yeats, proeminente poeta irlandês, vivenciou os episódios e inicialmente se posicionou contra o Levante, preferindo uma solução pacífica para a colonização. Mas sua mudança de opinião – bem como dos irlandeses em geral – pode ser ilustrada por seus versos no poema “Easter, 1916”:
I write it out in a verse –
MacDonagh and MacBride
And Connolly and Pearse
Now and in time to be,
Wherever green is worn,
Are changed, changed utterly:
A terrible beauty is born.

De fato, o legado do Levante da Páscoa pode ser descrito como sendo de uma “terrível beleza”: após a rendição dos rebeldes, 1.800 pessoas suspeitas de apoiá-los foram presas – incluindo 77 mulheres às quais foi concedida anistia –, muitas delas sem direito a um julgamento justo, e os 15 líderes do Levante, além de um signatário da Proclamação da República Irlandesa, foram sentenciados à morte. A Condessa Markievicz também recebeu, inicialmente, uma sentença de execução, que foi revogada em 1917. Os homens sentenciados à morte ficaram popularmente conhecidos como “16 Dead Men”, e foram fuzilados na prisão de Kilmainham Gaol, aos pares ou trios, entre 3 e 12 de maio de 1916. Após sua morte, suas esposas e filhos enfrentaram grandes dificuldades econômicas, e praticamente não receberam ajuda do governo.

As execuções produziram o efeito contrário do desejado pelos britânicos, produzindo uma reviravolta sem precedentes na opinião pública irlandesa e fazendo com que o movimento nacionalista ganhasse força. Os líderes do Levante são, até hoje, tidos como símbolos da resistência e a comoção que seguiu o assassinato dos líderes do Levante foi tão grande que, em 1917, quando grande parte dos suspeitos de corroborar com a insurreição foram libertos, uma multidão se reuniu nas ruas de Dublin para recebê-los calorosamente.

Conclui-se, logo, que embora o Levante da Páscoa de 1916 não tenha sido capaz de alcançar seus objetivos originais e tenha, do ponto de vista militar, falhado, ele ficou marcado na história irlandesa como um episódio crucial para a conquista da independência da Irlanda, e como um ponto de virada na percepção dos irlandeses em relação ao uso da força para combater o imperialismo britânico. Ele serviu, acima de tudo, como incentivo para que, após o fim da 1ª Guerra Mundial, em janeiro de 1919, a Guerra de Independência da Irlanda tivesse início.
A Guerra de Independência da Irlanda
A Guerra de Independência da Irlanda foi travada entre 1919 e 1921, e envolveu diferentes setores presentes na sociedade irlandesa: os republicanos da Irlanda, os lealistas de Ulster – ou unionistas – e as forças do governo britânico. Ela representou o ápice da luta irlandesa pela libertação, e convergiu, em uma batalha, duas disputas paralelas que vinham sendo travadas no país: a primeira, entre os católicos e protestantes das províncias do Norte e, a segunda, entre os movimentos nacionalistas e o governo imperial.Uma das consequências mais diretas da mudança de perspectiva da população em relação ao Levante da Páscoa foi a vitória, nas eleições de 1918, do partido nacionalista Sinn Féin, que possuía conexões com a IRB. Adotando uma linha de atuação radical de quebra unilateral com a Grã-Bretanha, os representantes eleitos do Sinn Féin se recusaram a tomar posse de seus assentos em Westminster, e organizaram, em substituição, a primeira Assembleia Irlandesa (Dáil Éireann), em Dublin, no dia 21 de janeiro de 1919. Essa assembleia emitiu uma declaração de independência, e estabeleceu uma estrutura política subversiva ao governo britânico, encorajando formas de resistência pacífica como boicotes e greves.

Mesmo dentro da Dáil, havia discordâncias no que dizia respeito ao emprego da violência, mas os setores da IRB e dos Irish Volunteers foram bastante categóricos em seu posicionamento, e já haviam começado a fazer preparativos para um conflito armado de larga escala: no mesmo dia da assembleia, dois membros do Royal Irish Constabulary (RIC) – uma das principais instituições britânicas de repressão na Irlanda – foram mortos no condado de Tipperary, dando início à Guerra de Independência da Irlanda.

Não tardou para que a Irmandade Republicana Irlandesa e os Irish Volunteers se unissem sob um novo nome: Exército Republicano Irlandês, ou, simplesmente, IRA. Enfrentando a escassez de armas e combatentes, o IRA foi obrigado a se restringir a táticas de guerrilha, se dividindo em grupos locais e independentes responsáveis por promover emboscadas e assassinatos, bem como ataques à infraestrutura britânica, sobretudo a sedes da polícia e a linhas de comunicação, tendo como principal alvo o RIC. Desta vez, o apoio dos civis foi significativamente maior.
Os embates do começo da guerra foram escassos, até que o IRA passou a atacar com mais ímpeto as casernas da RIC, de modo que, até 1920, muitas delas haviam sido destruídas, e as autoridades britânicas haviam sido removidas de vastas extensões do território irlandês.

Ainda assim, o IRA não se encontrava em condições de ganhar uma guerra contra os britânicos, o que os levou a depender amplamente do uso da propaganda anti-imperialista. O setor de inteligência do IRA, liderado por Michael Collins – um excelente estrategista –, também foi de suma importância, e conseguiu penetrar até mesmo o Dublin Castle, sede do governo britânico na capital irlandesa. Collins recrutou, ainda, um grupo de homens nomeado “Squad”, cuja responsabilidade era conduzir assassinatos milimetricamente planejados. O Squad obteve sucesso no assassinato de detetives da polícia metropolitana irlandesa, e quase conseguiu matar Field Marshall Lord French, Lorde-Tenente da Irlanda.
Preocupados com a situação da Irlanda e relutantes em declarar uma guerra, os britânicos emitiram o Ireland Act de 1920, que provia os meios para a instalação definitiva do Home Rule. O mero cumprimento dessa promessa já era, entretanto, insatisfatório. Boa parte da má recepção do Ireland Act esteve relacionada, ainda, à menção a um governo separado para seis condados protestantes de Ulster. Ao longo de 1920, os britânicos admitiram que as forças policiais britânicas já não eram suficientes para combater o IRA, e começaram a enviar representantes do exército para a Irlanda e criando os “Black and Tans” – veteranos de guerra que consistiam em uma espécie de extensão do RIC, e que ficaram famosos por sua falta de disciplina e métodos atrozes (queima de casas, assassinatos extra-judiciais e tortura) –, sem nunca, no entanto, mobilizar todos os seus recursos.

O aumento da violência acabou por provocar a destruição de algumas cidades importantes da Irlanda, como Limerick e Cork. Em 21 de novembro de 1921, o Squad matou 14 e feriu 6 oficiais da inteligência militar britânica. Um dos braços auxiliares do RIC, por sua vez, atirou indiscriminadamente na multidão que assistia a um jogo de futebol, causando a morte de outras 14 pessoas e ferindo mais de 60. O saldo desses episódios foi a declaração de lei marcial por parte da Inglaterra e, depois disso, o conflito atingiu sua fase mais sangrenta.

Em Ulster, buscavam-se meios para continuar fazendo parte do Reino Unido. Em meio a essas tentativas, a proposta de dividir a Irlanda passou a ser popularmente aceita, e foi estabelecido o Ulster Special Constabulary. Essa instituição também começou a ser alvo de ataques do IRA, que se opunha fortemente à divisão do país.
A essa altura, sem sinais de vitória, o IRA enfrentava uma escassez ainda maior de armas e de soldados, e a Grã-Bretanha sofria com a pressão interna para o fim da guerra. Por essas razões, um tratado de paz foi negociado em julho de 1921, e assinado em dezembro. Durante a Guerra de Independência, 1.400 pessoas morreram, estando dentre elas 600 membros das forças britânicas e 700 civis irlandeses e membros do IRA.
O acordo de paz inaugurou, em 1922, o Estado Livre da Irlanda e separou o país em dois, com os seis condados de Ulster constituindo a Irlanda do Norte. Todas as forças britânicas foram retiradas do sul da Irlanda. Entretanto, o país ainda não possuía o caráter completamente republicano desejado pelos nacionalistas, e uma nova guerra, a Guerra Civil Irlandesa, solapou o Estado Livre da Irlanda no ano de 1923. A independência integral, todavia, só foi conquistada em 1949, com a formalização da República da Irlanda.
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