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A Ditadura Fujimorista

A Ditadura Fujimorista

Por Lorena Parra

Quem Foi Alberto Fujimori?

Filho de imigrantes japoneses, Fujimori nasceu no ano de 1938 em Lima, no Peru, em uma vila nipo-peruana, onde também cresceu. Formou-se em engenharia agrônoma com mestrado em matemática e se dedicou à docência acadêmica durante vários anos até apresentar sua candidatura nos anos 1990. Com sua esposa, Susana Higuchi, também de origem nipo-peruana, teve 4 filhos dos quais dois deles, Kenji e Keiko, seguiriam seus passos na vida política.

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Família Fujimori em 1990, o de gravata borboleta é Kenji e a jovem de vestido preto é Keiko – Fonte: AFP.

Fujimori também teve uma passagem pela TV peruana: um programa chamado “Concertando” que trazia debates e análises políticas e sociais da sociedade peruana entre 1987 e 1989, transmitido pela TNP (Televisión Nacional del Perú), no qual ele foi o mediador e apresentador da atração. O programa não possuía grande audiência e nem é muito lembrado pela população do país, entretanto alguns historiadores acreditam que esse “bico” de apresentador possa ter influenciado em grande parte sua vontade em percorrer a carreira política e, posteriormente, influenciado as características de seu governo: por se tratar de uma posição de comando formal – ou seja, da última palavra ser sua – e a partir da habituação com especialistas políticos, debate e síntese de ideias, Alberto Fujimori se tornaria uma figura implacável nos anos seguintes.

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Imagem do programa “Consertando” que mostra Fujimori no papel de condutor dos debates (1987) – Fonte: Neptuno Producciones/YouTube.

Como Estava o Peru na Virada da Década de 1980 para 1990?

A década de 80 foi considerada “perdida” para toda a América Latina, em um conjunto de más decisões administrativas e econômicas, conflitos armados entre Estado e civis, renegociações, escândalos de corrupção, ampliação do narcotráfico, aumento das desigualdades sociais e outros agravantes.

A chamada “crise das dívidas” teve início com o choque do petróleo em 1973 que acarretou em diversos empréstimos feitos a bancos estadunidenses e, com políticas monetárias austeras nos EUA de redução da inflação ao longo dos anos, as taxas de juros nominais aumentaram tanto que se tornaram insustentáveis aos países latino-americanos em um quadro de recessão econômica mundial. A partir deste momento, diversas crises passaram a surgir ou se amplificar nos governos dessa parte do mundo.

No Peru não foi diferente, o cenário econômico era péssimo e classificava-se o país como semifeudal em pleno século XX, visto tamanha falta de infraestrutura que existia nas cidades mais interioranas majoritariamente populadas por grupos indígenas. Para além disso, a conjuntura política estava em frangalhos dado às contínuas ondas de repressão contra civis e grevistas opositores aos planos autoritários e cortes de gastos em direitos humanitários fundamentais que ocorreram durante os anos de sucedidos golpes militares.

Devido a intensa instabilidade no Peru, em 1978 uma Assembleia Constituinte foi convocada para redigir uma nova Constituição e começar o processo de redemocratização no país. Nesse momento, o general Francisco Bermúdez ainda se encontrava no poder, mas seu fracasso total nas políticas econômicas culminou na promulgação da carta em 1979 e em eleições gerais para renovação total da Câmara e Congresso em 1980. Mais tarde, em 1985, ele viria a se candidatar novamente à presidência, mas sem sucesso.

Quem foi o presidente eleito sob a nova Constituição foi Fernando Belaúnde com o partido que ele mesmo fundou, o Acción Popular – ele já tinha sido presidente do Peru vinte anos antes e foi deposto pelos militares. Cinco anos depois, quem assumiu o cargo foi Alan García, também civil, do partido APRA (Alianza Popular Revolucionária Americana) com apenas 36 anos. O governo de García foi marcado por investigações de corrupção e enriquecimento ilícito e também pela continuidade da violência nas ruas.

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Belaúnde (com a faixa) eleito democraticamente durante a redemocratização do Peru nos anos 80 – Fonte: El Comercio.

Guerrilhas sangrentas

Sendero Luminoso

Um desses grupos que condenavam o governo peruano em 1980 era o Sendero Luminoso – ou “caminho iluminado” -, uma associação originária no meio acadêmico de inspiração comunista, da linha maoísta, que pregava uma revolução no país partindo do campo, e portanto, da população indígena, em direção às grandes cidades. A organização, liderada por Abimael Guzmán, foi formada devido a uma fragmentação do Partido Comunista del Perú (PCP), a qual queria se estruturar enquanto facção guerrilheira para dar início à tal projeto “anti-modernidade”. 

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Poster celebrando a operação pela fuga de prisioneiros em Ayacucho (1983) – Fonte: Wikipedia.

Um dos primeiros atos da organização foi um boicote durante as eleições gerais de 1980, em que o grupo ateou fogo nas urnas impedindo a população de Ayacucho – província peruana que se localiza entre Lima e Cuzco – de votarem naquele ano. 

Inicialmente, a adesão popular foi numerosa, muito insatisfeita com o claro abandono governamental. Entretanto, a facção não buscava uma aliança numérica se esta não estivesse 100% alinhada com seus ideais e modo de agir, ao contrário, eles também seriam considerados inimigos, bem como os militares conservadores e os liberais capitalistas. O termo “palavra armada” era amplamente utilizado nos discursos do Sendero Luminoso e a brutalidade era tão exacerbada que civis foram duramente castigados em investidas contra o Estado peruano e vice-versa. 

A exemplo de um dos maiores ataques do grupo foi o que ocorreu em uma zona comercial no distrito de Miraflores, Lima, em que dois veículos com 250kg de explosivos cada foram acionados e acabaram por matar 25 pessoas e deixar outros 200 feridos em plena manhã do dia 16/07/1992. A onda de explosão deixou quase duas mil casas e mais de 400 empresas do local destruídas ou danificadas, no que ficou conhecido como o atentado de Tarata.

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Atentado de Tarata (1992) – Fonte: El Comercio.

Com o passar do tempo, a população começou a cansar dessa guerra popular que 

estava em curso e que atingia estudantes, trabalhadores e pessoas normais, todos majoritariamente indígenas; ademais das duras punições que o governo vinha sentenciando aos participantes das guerrilhas – com denúncias de torturas e desaparecimentos -, muitas vezes incluindo familiares e associados à lista de criminosos. 

Nesse cenário de caos completo, grupos de civis “contrarrevolucionários” despontaram nas regiões rurais do país de forma voluntária para tentar se opor à violência cometida pelos membros da facção, como em uma união comunitária para autodefesa. Os camponeses estavam fartos da forma como o grupo recrutava seus membros, da hostilidade quando não aceitavam a coerção, dos atos violentos que prejudicavam as reivindicações honestas do povo e do abandono frente às forças de repressão depois de os expor.

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Grupos campesinos armados que lutaram contra o Sendero Luminoso – Fonte: Folha de S. Paulo.

As rondas camponesas, como eram chamadas, fizeram a captura de um comandante senderista, o Olegario Curitomay, em Lucanamarca na província de Ayacucho e o assassinaram em praça pública em março de 1983. O que sucedeu após esse crime foi uma série de massacres protagonizados tanto pelo Sendero Luminoso, quanto pelo exército do Estado, que marcaram o povo peruano. 

Em abril de 1983, a facção matou 69 pessoas de Lucanamarca sob a alegação de uma “resposta à ação militar reacionária” no povoado. No final de 1984, o Estado peruano foi responsável pelo massacre de Putis, também no Ayacucho, em que 123 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram assassinadas e enterradas em valas comuns com a premissa de que eram simpatizantes senderistas, após a facção ter assassinado Santos Quispe Saavedra, o vice-governador da região.

Tais acontecimentos demonstram só uma parte da era sangrenta do Peru, estimativas realizadas pela Comisión de Verdad y Reconciliación (estruturada no governo de transição em 2001) demonstraram que durante o tempo de atuação do Sendero Luminoso, entre 1980 e 1992, foram ao menos 70 mil vítimas fatais entre enfrentamentos do grupo e a imensa repressão estatal.

Movimiento Revolucionário Tupac Amaru

Um concorrente do SL era o Movimiento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), um grupo de civis militantes armados que também agiam em nome de ideais radicais de esquerda, mas sem muita definição e organização interna. Fundado em 1982 por Victor Polay Campos, o grupo aproveitou o caos causado pelo Sendero Luminoso para cometer crimes pequenos como assaltos a estabelecimentos comerciais. Ao ganhar mais confiança, o modus operandi deles se tornou mais focado em sequestros de empresários ou pessoas ricas para obter dinheiro em pedidos de resgates.

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Foto que mostra Lucero Cumpa Miranda, conhecida como “camarada Noemi”, uma das dirigentes do grupo – Fonte: Abilio Arroyo.

O momento em que o MRTA conseguiu fazer mais barulho foi no ataque à residência pessoal do embaixador japonês no Peru durante sua festa de aniversário, no dia 17/12/1996. Os 14 guerrilheiros mantiveram 490 pessoas de reféns, incluindo o irmão do presidente e pessoas do alto escalão do governo peruano como diplomatas, políticos e magistrados. O principal objetivo deles era conseguir a libertação de 442 colegas que estavam presos em cadeias pelo estado.

A postura de Fujimori e das Forças Armadas foi de inflexibilidade de negociação com os terroristas, tanto que a ocupação levou quase 5 meses para ser dissolvida. Durante esse tempo, os reféns foram sendo liberados de pouco em pouco, muito por causa do trabalho conjunto da Igreja, Cruz Vermelha, negociadores internacionais e também do próprio exército.

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Foto que mostra ocupação do MRTA (1997) – Fonte: Pedro Ugarte/AFP.

O golpe final de Fujimori ao MRTA foi quando ele ordenou uma operação de invasão à casa para render os guerrilheiros e recuperar o restante dos reféns que ainda estavam detidos. A explosão no telhado da edificação aconteceu no dia 22/04/1997, pegando os sequestradores de surpresa. A ação foi rápida e efetiva: 71 reféns foram salvos, com uma morte, e todos do MRTA foram assassinados no local. Essa grande vitória, no entanto, foi amplamente contestada pelas vítimas que testemunharam a tentativa de rendição de alguns dos sequestradores no momento da entrada dos 140 militares, e que estes teriam matado os guerrilheiros de modo desnecessariamente implacável. Mais um exemplo da imensa brutalidade estatal empregada em ações coletivas do governo e do exército.

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Fujimori e soldados antes da operação contra os sequestradores (1997) – Fonte: Marie Hippenmeyer/AFP.

A Ascensão Política de Fujimori

Com todo esse quadro social, econômico e político completamente assustador, conseguimos compreender melhor a trajetória que levaria o país a ingressar em mais uma ditadura por 10 anos.

Fujimori cresceu na corrida presidencial como um “outsider”, uma improbabilidade. Tendo fundado seu próprio partido de forma independente, o Cambio 90 (“Mudança em 1990”), buscou retratar em sua campanha a narrativa de ‘falta de integração à sociedade peruana por ser filho de imigrantes’ como forma de aproximação da população indígena que também passava por esse mesmo desajuste. Seu slogan “Fujimori, presidente como você” servia para propagandear essa imagem de pessoa comum em oposição às distantes elites políticas. 

Enquanto candidato, ele procurou se diferenciar da política tradicional peruana representada pelo seu principal adversário: o famoso escritor Mário Vargas LLosa, àquela época um político liberal de centro-direita. Fujimori criticava a instabilidade institucionalizada do governo do país e promovia modernização da economia e combate à corrupção. Seus principais planos de governo eram a estabilização da hiperinflação através da privatização gradual, mais empregos para o setor agrícola e a pacificação dos conflitos civis.

Foram 56,6% dos votos para Alberto Fujimori, uma disputa acirrada mas um resultado que possibilitou demonstrar como a população foi convencida por ele. Ele assumiu o posto em 28 de julho de 1990, tornando-se o 54º presidente do Peru e o terceiro civil depois de longos anos governados por militares, tendo acertado em cheio a ferida do esgotamento da ordem oligárquica e a crise profunda do Estado desenvolvimentista dos anos 1980.

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Alberto Fujimori em posse da presidência (jul/1990) – Fonte: Alejandro Balaguer/AP.

Governo Fujimori 

Assim que entrou no executivo, Fujimori descumpriu a promessa que havia feito durante sua campanha de diminuir a inflação gradativamente. Políticas monetárias e fiscais foram reajustadas para abrir o mercado peruano a investimentos estrangeiros, como: o fim do controle de preços, redução de tarifas de importação e restrições ao lucro (dividendos e royalties), e as privatizações e internacionalização de empresas mineradoras, telefonia e energia através do Comitê Especial de Privatização (CEPRI). 

Fujimori buscava implementar uma economia liberal com livre mercado seguindo as recomendações do Consenso de Washington, diretrizes redigidas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) que indicavam os passos que governos deveriam seguir para resolver “desequilíbrios estruturais de economias emergentes”.

Esse movimento econômico ficou conhecido como “Fujishock”, em que reformas radicais foram realizadas em prol da redução dos gastos públicos e da dívida externa, atração de investimentos estrangeiros e choque do mercado para diminuir a hiperinflação peruana. Segundo a IFC (Corporação Financeira Internacional), o Fujishock foi responsável por levar maior estabilização econômica para o país, colocando-o na posição de economia mais crescente da América Latina em 1990.

As reformas do presidente geraram críticas de economistas mais conservadores – que indicavam uma piora no poder de compra dos mais pobres, ampliando as desigualdades sociais – e também do Legislativo, o qual tentava barrar muitas das decisões presidenciais, a exemplo da aprovação de uma lei que impedia a modificação orçamentária no ano de 1992. O baixo número de apoiadores no Congresso dificultava a governabilidade de Fujimori na implementação de seus projetos e isso foi aumentando a tensão entre essas duas casas do governo.

Em meio a isso, Fujimori tentava solucionar a grave crise de violência nas ruas de Lima e arredores, não somente causadas pelo Sendero Luminoso e MRTA, mas também pelo crescimento do narcotráfico. Nessa panela de pressão, Fujimori tomou uma ação drástica: uma declaração de autogolpe.

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Fujimori em anúncio do “autogolpe” (abr/1992) – Fonte: Reprodução Oliver Stuenkel/Instagram.

Em cinco de abril de 1992, em chamada oficial para a televisão peruana, o presidente diagnosticou os 3 principais problemas do país que tinham levado à hiperinflação e guerra civil: corrupção generalizada devido aos vícios do clientelismo, o terrorismo da extrema esquerda e o crescimento do narcotráfico. Durante a transmissão ele ainda fez críticas ao Judiciário, chamando-o de irresponsável e que era cúmplice da corrupção devido ao seu sectarismo político. 

Em discurso, Fujimori declarou a urgência da reestruturação total do governo, contrária à “democracia falsa” que estava vigente. Para ele, tanto o Legislativo quanto o Judiciário estavam profundamente corrompidos e eram freios à transformação e progresso que o país necessitava. Ainda nessa declaração, Fujimori menciona seu projeto pela pacificação do país e a implementação de sanções inflexíveis aos terroristas.

“Como presidente da República, constatei diretamente todas essas anomalias e me senti na responsabilidade de assumir uma atitude de exceção para procurar acelerar o processo desta reconstrução nacional. Pelo que decidi tomar essas medidas transcendentais: 

1°: Dissolver temporariamente o Congresso da República até a aprovação de uma nova estrutura orgânica do Poder Legislativo que será aprovada mediante um plebiscito nacional;

2°: Reorganizar totalmente o Poder Judicial [que engloba] o Conselho Judicial de Magistratura, o Tribunal de Garantias Constitucionais e o Ministério Público para uma administração de justiça honesta e eficiente”.

O presidente chamou às Forças Armadas por seu apoio e tropas com tanques armaram um cerco ao redor dos principais prédios institucionais na capital como forma de forçar os parlamentares a saírem e impedir grandes revoltas da oposição.

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Tanques do exército em cerco ao congresso peruano, o Palácio do Governo (1992) – Fonte: AFP/Acervo OGlobo.

O golpe foi recebido com bastante apoio da população, já cansada de tanta instabilidade. Mas o que transcorreu depois foi uma grande caça às bruxas.

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Soldados e tanques em frente ao Palácio da Justiça (1992) – Fonte: GettyImages.

Crimes Cometidos

Anos mais tarde, Fujimori seria acusado de ter cometido crimes antidemocráticos e violações de direitos humanos entre o tempo que esteve no poder. Ele seria principalmente indiciado por ser conivente com a atuação de um “esquadrão da morte” em seu projeto de pacificação do país contra as guerrilhas e o narcotráfico.

O Grupo Colina, como era chamado, era composto por agentes do serviço secreto peruano os quais agiam como uma organização paramilitar a fim de executar, extrajudicialmente, [supostos] integrantes da facção Sendero Luminoso. O grupo ficou ativo por 1 ano, entre 1991 e 1992, e foi responsável por ao menos 30 mortes investigadas.

Parte desse número corresponde ao assassinato de 15 civis desarmados em uma execução que ficou conhecida como o massacre de Barrios Altos, uma região de Lima. Nessa ocasião, os agentes agiram encapuzados.

Outro massacre que compõe o número de vítimas do Grupo Colina foi o de La Cantuta, em que quatro militares sequestraram, torturaram e assassinaram 9 estudantes e 1 professor da Universidade de La Cantuta, também em Lima, apenas dois dias depois do atentado à bomba em Tarata em 1992. Sobre esse segundo, o governo tentou encobrir provas, vista a comoção que o homicídio de acadêmicos causaria na imprensa internacional – ainda mais se tratando de uma universidade que já tinha sido palco de outras intervenções militares no passado -, mas o descobrimento de valas comuns clandestinas com restos mortais atrelados às vítimas levou a uma investigação aprofundada do caso dois anos depois, em 1994.

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Foto de um protesto contra a anistia de Fujimori em 2017 que mostra fotos dos estudantes e professor mortos no massacre de La Cantuta de 1992 – Fonte: Wola.

Mortes de jornalistas, ativistas e unionistas também são creditadas ao Grupo Colina, bem como a execução de fazendeiros em Âncache, ao norte da capital, além de abusos do uso de força, torturas, sequestros, prisões ilegais e perseguições a políticos de esquerda.

Outro projeto desenvolvido durante a ditadura de Fujimori para combater o Sendero Luminoso foi a aliança com as rondas campesinas, em que elas eram autorizadas pelo Estado a portarem armas para patrulha ou autodefesa em ataques da organização. Essa foi uma estratégia muito acertada pois distanciou ainda mais os camponeses do recrutamento pela facção, enfraquecendo-a progressivamente.

Depois de atos “mal sucedidos” e a baixa no pessoal que integrava a facção, o fim do Sendero Luminoso estava muito perto. Em 12 de setembro de 1992, Abimael Guzmán foi capturado em uma operação do DINCOTE (Dirección

Contra Terrorismo), uma ala da Polícia Nacional Peruana, em Surquillo, Lima. O líder terrorista deu declarações que incentivaram os membros restantes a pararem com os ataques e hostilidades para com o governo. Nos meses que se seguiram, mais de 3.000 guerrilheiros se renderam ou foram presos dada a falta que seu líder fazia para a estruturação da organização, o que representou uma grande vitória para Fujimori e possibilitou a extensão de sua estadia na cadeira de presidente.

O presidente, ciente dessa importância de Guzmán, decidiu expô-lo à imprensa trajado de um uniforme simbólico de prisão – aqueles de filme -, dentro de uma jaula gigante como forma de desmoralizar a figura dele e exaltar o feito de sua captura.

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Guzmán em “gaiola” para exposição popular (1992) – Fonte: Centro de Documentación y Investigación.

Todo esse histórico serviu de embasamento para que Fujimori fosse acusado muitos anos depois, não somente por ser cúmplice das ações do Grupo Colina, permitindo que agissem livremente, mas também ao financiar as operações violentas que culminaram em milhares de mortos e famílias vitimadas.

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Ex-presidente à frente de soldados – Fonte: El Comercio.

A Reeleição de 95

Em 1993 foi promulgada a nova Constituição do país, que permitia maiores poderes ao presidente como o poder de veto e de decreto de leis, além da autorização da candidatura à reeleição imediata, ainda mediada por eleições gerais – o que não era possível na constituição anterior. Essa última parte foi importante para regularizar a permanência do presidente em conformidade com a pressão internacional que seu governo estava passando pela realização de eleições democráticas no pós-autogolpe.

Dois anos depois, em 1995, Fujimori venceu as eleições presidenciais e legislativas a partir de uma coalizão de partidos (Cambio 90 e Nueva Mayoría), mas não sem um redemoinho de polêmicas em relação à legitimidade do resultado eleitoral. Os casos de Huánuco, Armonía-Frempol e do desaparecimento de materiais eleitorais geraram grande agitação nas disputas e internacionalmente.

O primeiro ocorreu na cidade de Huánuco em abril de 1995, em que mais de 3.000 atas eleitorais foram encontradas na posse de funcionários do Jurado Nacional de Elecciones (JNE) e, dentre elas, 500 estavam preenchidas favorecendo o presidente, mais de duas mil estavam em branco e 56 estavam rasuradas. Uma comissão foi levantada para investigar o grupo que pretendia fraudar o resultado das eleições.

O segundo trata-se da neutralização da oposição de Fujimori realizada por vias institucionais, no qual Susana Higuchi – sim, a esposa do presidente mas que naquele momento já era ex -, filiada na lista parlamentar de coligação dos partidos Armonía e Frempol, foi barrada pelo JNE de concorrer ao Congresso. Esgotados os trâmites internos, Higuchi levou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) que formalmente pediu ao governo peruano que adicionasse a lista provisória de tais partidos ao Congresso Nacional, pedido esse que foi ignorado.

E o último foi um furo de reportagem do jornal El Comercio que denunciou o desaparecimento de 37 mil atas eleitorais, o que resultou na abertura de um processo penal contra funcionários do JNE por peculato (crime contra a administração pública em que é feito um desvio e algo em proveito próprio ou alheio) e por crimes contra o direito de sufrágio. Ainda saíram denúncias de proselitismo, que é o empenho em convencer alguém sobre algo, e de uso de recursos estatais para favorecer o candidato-presidente, a exemplo também do caso que resultou na acusação de 16 autoridades políticas em Chachapoyas.

Em declaração, a OEA dispôs que “a ausência de um devido esclarecimento público, de maneira imediata, deste episódio por parte das autoridades competentes põe em grave perigo a transparência e a legitimidade das votações do dia 9”, o que demonstrava a preocupação estrangeira em relação ao decorrer das eleições gerais peruanas, seu resultado e processo de averiguação.

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O presidente em passeata após vitória de reeleição em 1995 – Fonte: GettyImages.

Nessa época, o presidente ainda possuía bastante apoio popular, tanto que venceu com 60% dos votos em segundo turno. As promessas de seu segundo mandato mudaram: ele prometia reduzir pela metade a pobreza no país, focando os gastos públicos em obras de infraestrutura e projetos de assistência socioeconômica.

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Apoiadores comemoram vitória de Fujimori em 1995 – Fonte: GettyImages.

Final do Regime 

No final dos anos 90, a inflação mantinha um nível de queda contínua mas o PIB não acompanhava a melhoria econômica. A reprimarização da economia peruana aprisionou o país à exportação de produtos de baixo valor agregado, ao freio da industrialização – e portanto, menos geração de empregos – e à alta demanda por importações. O governo tentou criar choques de demanda para diminuir a importação e melhorar a balança comercial peruana, o que realmente levou a um aumento do número de exportações até 1999, no entanto, a crescente migração do campo para as capitais gerou um grande descompasso entre a quantidade de trabalhadores e as vagas disponíveis. A falha do Estado em inserir essas pessoas nos setores produtivos causou um aumento muito grande no setor informal do Peru e uma consequente manutenção da pobreza no país.

Sobre a questão da pobreza, o governo de Fujimori conseguiu diminuir o número de pessoas nessa situação no país, indo de 52% da população em 1990 para 44% em 1999. Contudo, o espaço rural continuava muito desvalorizado: os baixos níveis de alfabetização, pouco acesso ao saneamento básico e moradia sadia, e maiores níveis de mortes infantis são exemplos.

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Pessoas coletam água de um córrego na periferia de Lima (1992) – Fonte: Hector Mata/AFP.

Enquanto tudo isso acontecia, Fujimori se preparava para mais uma campanha eleitoral, para o que seria seu terceiro mandato. Porém, o clima de incerteza econômica que se consolidou após as crises financeiras mundiais do final dessa década e toda falta de aporte empregatício e industrial do governo, começaram a diminuir a popularidade do presidente. 

As críticas à possibilidade de terceiro mandato, que partiam de tal esfacelamento da democracia peruana, somavam à aversão popular em relação a Fujimori principalmente dos mais jovens e estudantes.

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Estudantes em protesto contra Fujimori (1999) – Fonte: GettyImages.

Fujimori ainda tentou emplacar mais um mandato presidencial com as eleições nos anos 2000 – que ele venceu depois da desistência de seu oponente Alejandro Toledo, o qual levantou acusações de fraude do presidente. Mais tarde descobriu-se que Fujimori tinha mandado a destruição de arquivos e provas durante todo o processo eleitoral, a alocação de agentes infiltrados em partidos da oposição e a destituição de juízes e políticos que condenavam sua terceira reeleição como inconstitucional, em um claro abuso de poder.

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Fujimori acena para apoiadores em frente ao Palácio presidencial (2000) – Fonte: GettyImages.

Apesar da diminuição da popularidade, o “El Chino” – apelido que o presidente ficou conhecido – tinha bastante apoiadores na população peruana, pois ainda lembrava-se da melhoria na inflação e do final dos ataques brutais dos grupos terroristas.

Mas, o que foi a derrocada concreta do presidente foi o escândalo dos “vladi-vídeos”, o vazamento de gravações secretas feitas por Vladimiro Montesinos no seu gabinete em que o próprio aparece subornando congressistas, empresários da mídia e indústria, em uma compra de influência e favorecimentos. Só que Montesinos não se tratava de um homem comum, ele era nada mais nem menos que o chefe de inteligência do Estado peruano, intrinsecamente ligado ao presidente como assessor da alta cúpula governamental. Depois desse alvoroço, a imagem pública de Fujimori se encontrava muito manchada, mesmo com a exoneração e prisão de Montesinos.

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Vladimiro Montesinos aparece com blocos de dinheiro para compra de canal de televisão com o militar General Delgado Arena, de marrom ao centro (2000) – Fonte: GettyImages.

Fuga, Extradição e Julgamento

A única saída que Fujimori encontrou após o levante da oposição com os vladi-vídeos e a possibilidade de impeachment, devido às várias alegações de corrupção, foi fugir para o Japão, onde ele possuía dupla nacionalidade, em novembro de 2000. O país o aceitou e o protegeu de pedidos de extradição que foram emitidos assim que se constatou o abandono do cargo de presidente, um crime administrativo grave no Peru.

Com a ausência do presidente, um governo interino de transição foi formado e começaram as preparações para novas eleições e também para investigar os crimes de Fujimori, cometidos na década que permaneceu no poder. 

O ex-presidente ficou no exterior por 7 anos até que foi preso no Chile em uma cooperação internacional de extradição. A condenação do só veio 2 anos depois, em 2009, quando as investigações sobre a extensa rede de corrupção tinham sido concluídas.

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Ex-presidente sendo escoltado pela polícia chilena em 2007 – Fonte: Ian Salas/EFE.

A Corte Suprema peruana o condenou a 25 anos de prisão por abuso de poder contra os direitos humanos, se tornando o primeiro ex-presidente eleito democraticamente da América Latina a ser julgado por esse crime. Fujimori foi considerado o autor intelectual das mortes, sequestros e outros crimes cometidos pelo Grupo Colina nos casos de Barrios Altos e La Cantuta, tendo pelo menos 25 mortes confirmadas atreladas à sua figura. Para além dos casos mencionados, o ex-presidente foi acusado de ter participação nos sequestros do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer, críticos ativos de seu regime. Ele também foi condenado pelo caso das gravações vazadas ao ter entregado 15 milhões de dólares a Vladimiro Montesinos para suborno e corrupção.

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Fujimori em audiência – Fonte: Ernesto Benavides/AFP.

Foram 160 audiências e 90 testemunhas em um dos maiores julgamentos do país. Em entrevista à BBC na época do julgamento, o analista político Mario Cortijo disse: “Com a decisão de hoje, fechamos um círculo na política peruana. Muitas pessoas que participaram do governo de Fujimori, como Montesinos, já estão presas e condenadas. E agora, foi a vez do ex-presidente”. Alberto Fujimori ficou preso em Ate, distrito da região metropolitana de Lima, no presídio Barbadillo de 2009 até 2023 quando recebeu um indulto humanitário pelo Tribunal Constitucional peruano, dado que já tinha 85 anos e estava lidando com um câncer há alguns anos.

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Fujimori saindo de hospital – Fonte: Luka Gonzales/AFP.

O ex-presidente faleceu no ano seguinte, em 2024, por causa de complicações com o câncer, deixando um importante legado para a história do país.

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Funeral do ex-presidente – Fonte: Shutterstock.

Legado e Perspectivas do Fujimorismo

Fujimori conseguiu eliminar os grupos terroristas, mas isso não significou que a violência e a dominância do narcotráfico também pararam de existir. Atualmente, a violência no país se concentra mais nas áreas urbanas, bastante ligada aos cartéis de drogas. Ele também conseguiu reduzir muito a crise inflacionária com a qual ele recebeu o país, mas isso não significou uma melhora significativa na qualidade de vida dos peruanos. 

Inclusive, sobre esse tema socioeconômico, a falta de políticas de assistência à população mais pobre e majoritariamente indígena, como por exemplo na questão da alocação empregatícia, gerou um forte processo de periferização da população – o que também contribui para o aliciamento nos cartéis. Os poucos incentivos à inserção social, que ele tanto prometia, resultaram em mais marginalização da população indígena no país e um aumento da pobreza para essa parcela da sociedade.

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Mulher lava roupas improvisadamente em periferia peruana, acima dela vê-se o slogan da campanha eleitoral de Fujimori (1999) – Fonte: Fidel Carillo/AFP.

O legado de sua condenação ainda rendeu pano para manga para a abertura de mais uma investigação de crimes contra os direitos humanos: de que Fujimori e mais três ministros teriam sido responsáveis pelo exorbitante número de esterilização forçada que ocorreu durante seu governo. Aproximadamente 300 mil pessoas indígenas, principalmente mulheres, passaram por tal procedimento à força, enganadas ou coagidas em uma tentativa de controle da natalidade inserida em um programa estatal de combate à pobreza da população rural. O governo defendeu que as cirurgias foram realizadas com o consentimento dos pacientes, entretanto à época, a maioria dessas pessoas era semianalfabeta e tampouco compreendia a extensão do procedimento.

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Vítimas de esterilização forçada em protesto no Peru (2021) – Fonte: Siara Horna/DW.

Além do legado socioeconômico, o uso arbitrário do poder do Estado culminou em uma contínua instabilidade política no país, e hoje podemos percebê-la na dificuldade que o Peru possui de seus presidentes completarem o mandato completo: desde Fujimori apenas 3 presidentes seguidos se mantiveram integralmente no cargo pelos 5 anos previstos constitucionalmente; são 10 anos de flutuação presidencial até 2026. Entretanto, a Constituição vigente no país é a mesma de 1993 que foi redigida durante o governo fujimorista. Mesmo com a “redemocratização” em 2001, quando o economista Alejandro Toledo Manrique foi eleito, escolheram manter o mesmo desenho constitucional, e assim, a mesma fragilidade institucional.

Desde 2001, vê-se no país uma enorme crise de representação política que parte da grande fragmentação do sistema partidário e desconfiança eleitoral. Hoje, em 2026, uma velha conhecida do povo peruano sobe ao cargo de presidente após diversas polêmicas em sua candidatura e nesse contexto histórico de profunda instabilidade – ainda mais depois do impeachment da vice-presidente Dina Boluarte em 2025, que servia como interina após a tentativa de golpe de estado do penúltimo presidente eleito, o Pedro Castillo. Keiko Fujimori venceu as eleições em junho deste ano com 50,13% dos votos válidos em uma disputa acirradíssima contra Roberto Sánchez, não sem críticas sobre a veracidade da contagem dos votos e sobre a qualidade democrática do processo eleitoral no Peru.

Inclusive, as maiores irregularidades em relação às atas eleitorais foram dos votos do eleitorado no exterior, que coincidentemente deram maioria de votos para Fujimori, enquanto em território nacional a maioria dos votos foram para Sánchez, demonstrando essa disparidade do eleitor que está no estrangeiro e daquele que vivencia a realidade peruana.

Keiko, que representa o crescimento da extrema direita na América Latina com o partido Fuerza Popular, pretende “organizar a casa” contra a corrupção sistematizada, retomando a linha fujimorista que seu pai criou. Assim como ele, Keiko apresenta uma postura personalista, característica dos políticos de direita, cujo preza pelo desenvolvimento de tecnologias de intervenção política e o angariamento de eleitores através de um convencimento emotivo. Keiko é uma figura bastante midiática e utiliza as polêmicas formadas de seus discursos à seu favor, levantando o estandarte conservador.

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Alberto e Keiko Fujimori (2000) – Fonte: GettyImages.

Seus principais planos de governo incluem: melhorias na segurança pública com o Centro Nacional de Comando e Videovigilância (um programa que promete prever comportamentos suspeitos e evitar crimes com a ajuda de inteligência artificial) e com a criação de megaprisões para reduzir em 20% a taxa de homicídios; também a volta dos “juízes sem rosto” – artifício criado por seu pai para preservar a identidade de magistrados, em que juízes anônimos julgavam crimes cometidos nos anos 90, especialmente em tribunais secretos ou militares, para sentenciar membros tanto do Sendero Luminoso quanto do MRTA. 

Na esfera econômica, Keiko pretende: realizar grandes cortes de gastos públicos e desburocratizar procedimentos para a abertura de capital estrangeiro, seguindo a linha fujimorista; além de atrair investimentos para melhorar a balança do déficit peruano e diminuir a informalização de trabalho que acontece no país.

Da parte institucional, o novo governo quer expandir o sistema de digitalização dos procedimentos judiciais, em uma série de projetos de modernização e reforma no Judiciário peruano. Já em relação à política externa, Keiko vem promovendo maior participação dos EUA no país, em especial na revitalização de sua economia.

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Keiko Fujimori comemorando vitória eleitoral (2026) – Fonte: A Crítica.

Analistas acreditam que o novo governo Fujimori pode “aprofundar várias tendências que já se tornaram visíveis nos últimos anos: a centralização do Executivo, a expansão das políticas de segurança, a criminalização do protesto social, o uso do aparelho judicial contra os adversários políticos e a imposição de maiores restrições à participação popular e à atividade das organizações de esquerda” (jornal Outras Palavras, Johnatan Fuentes), ainda que ela refute alegações de que agirá como seu pai no governo: na dissolução da democracia no Peru e na criação de um legado de violência brutal que aprofundou desigualdades.

Referências 

Televisión Nacional del Perú. Sucedió en el Perú – Concertando, el show de Alberto Fujimori (2004). Neptuno Producciones, 2023, YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=B0H3jkEWheg

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Britannica Editors. Biography: Alberto Fujimori. Britannica, 26/07/26. Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Alberto-Fujimori

Redação BBC News Mundo. Morre Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru que foi para a prisão por violações aos direitos humanos. BBC News Brasil, 11/09/24. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvg5g51je6mo

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Hernandez, Marco A. Macroeconomic Reform and Policy: The Case of Peru – Analyzin the effects of some major economic, political and social changes in the Peruvian Financial market for the period between 1990 and 1992. University Avenue Undergraduate Journal of Economics, Massachusetts Institute of Technology, Vol. 7: Iss. 1, Article 4, 2002. Disponével em: https://digitalcommons.iwu.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1055&context=uauje

Colombo, Sylvia. Há 23 anos, Fujimori deu “autogolpe” e tornou-se ditador do Peru. Jornal Folha de S. Paulo, 05/04/15. Disponível em: https://sylviacolombo.blogfolha.uol.com.br/2015/04/05/ha-23-anos-fujimori-deu-autogolpe-e-tornou-se-ditador-do-peru

Acervo OGlobo. Fujimori dá autogolpe no Peru, em 1992, fecha o Congresso e a Suprema Corte. Jornal OGlobo, atualização 19/07/20. Disponível em: https://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/fujimori-da-autogolpe-no-peru-em-1992-fecha-congresso-a-suprema-corte-9235294

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Colombo, Sylvia. Pesadelos dos anos 1990 assombram eleições no Peru. Jornal Folha de S. Paulo, 16/05/21. Disponível em: https://sylviacolombo.blogfolha.uol.com.br/2021/05/16/pesadelos-dos-anos-1990-assombram-eleicoes-no-peru

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Arcanjo, Daniela. Keiko e Sánchez propõe projetos de país opostos para o Peru; entenda. Jornal Folha de S. Paulo, 16/06/26. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/06/keiko-e-sanchez-propoe-projetos-de-pais-opostos-para-o-peru-entenda.shtml

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    Aluna de graduação em Relações Internacionais no Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, e Membro Sênior do Núcleo de Comunicação do Laboratório de Análise Internacional Bertha Lutz em (2026/2025).

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Aluna de graduação em Relações Internacionais no Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, e Membro Sênior do Núcleo de Comunicação do Laboratório de Análise Internacional Bertha Lutz em (2026/2025).